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14/02/00
O mundo estava passando por um período de relativa paz, e o começo do século 21 prometia grandes coisas. Isso era bom, pois o período anterior havia sido difícil para todos.
O mundo ainda apresentava as cicatrizes das duas terríveis guerras que haviam sido chamadas de mundiais, nas relações internacionais e nos aspectos culturais.
Mas as coisas estavam mudando, após a queda da União Soviética e a abertura do Japão, os países começaram a desenvolver parcerias. Uma das coisas que resultou dessa união foi que as várias organizações de proteção interna começaram a conversar, e vários erros antigos ficaram óbvios.
Eles haviam resultado da falta de experiência com coisas que outros países entenderiam melhor, coisas que eram as especialidades deles. Rapidamente, os benefícios de uma cooperação foram percebidos. Logo, as burocracias foram resolvidas e a Agência Internacional de Investigações foi criada.
O método da Agência é o uso de um "Controlador", um agente que se mantem na base e direciona os agentes de campo, reunindo as informações obtidas por eles para derivar conclusões.
Isso nos leva ao tempo presente, quando a AII foi convocada para lidar com um crime que a polícia local não havia conseguido resolver. Era o caso da morte do presidente da Konitech, Mark Holloway. O controlador escolhido para comandar o caso foi Carlos Silva.
Carlos Silva era um brasileiro que havia entrado para a Agência sem se especializar em nenhuma forma de magia. Suas habilidades de dedução e cruzamento de informações fizeram com que ele fosse promovido para Controlador aos 27 anos de idade, isso tinha sido 6 anos antes, em 94, o que fazia dele um dos primeiros controladores da Agência.
Carlos examinou os documentos que Matt Breman e Satoshi Uehara tinham mandado pra ele, os dois eram os agentes que tinham a tarefa de servir de ligação entre a Agência e a polícia local, o que significava que agora ele tinha em mãos tudo o que a polícia local tinha conseguido descobrir a respeito do caso, o que não era muito, mas era preocupante.
A descrição da Atacante e de suas ações era a primeira parte. O prédio da Konitech tinha registrado uma grande quantidade de informações a respeito dela. Sua aparente juventude e habilidades físicas sobrehumanas levavam a conclusão natural de que a Atacante era uma especialista no uso do Chi, embora isso não fosse absolutamente certo. Uma busca pelo rosto dela nos bancos de dados não resultara em nada, mas Carlos mandou a ordem para fazer pesquisas nos bancos de dados asiáticos ainda não integrados a rede.
As habilidades ofensivas da Atacante eram o que mais preocupava Carlos, os sistemas de defesa destruídos por ela tinham conseguido registrar que a forma de ataque utilizada era um tipo de transposição dimensional, deslocando para outra realidade tanto matéria quanto energia. A assinatura energética desse ataque era nula, o que significava que aquela era uma habilidade inerente.
A Agência em geral tinha uma grande preocupação com usuários de habilidades inerentes, e essa preocupação era pessoal para Carlos, devido a um incidente com um desses usuários três anos antes, que resultara na morte de dez agentes. Obviamente, habilidades inerentes particularmente perigosas eram monitoradas de perto pela Agência, mas não havia qualquer registro dessa habilidade específica.
O resto do material consistia em investigações das possíveis razões pelas quais alguém decidiria contratar um assassino para matar Mark Holloway. A possibilidade mais provável era os responsáveis por uma série de ameaças que a Konitech vinha recebendo a respeito de suas atividades junto com a polícia para o combate ao tráfico de drogas na região de Kordov. A polícia daquela região havia levantado vários suspeitos e feito várias interrogações, mas nada concreto tinha sido encontrado.
A polícia ainda não tinha conseguido a permissão da justiça para checar as informações pessoais do Sr. Holloway. Carlos considerou pedir para a Mão de Deus "dar uma olhada" para ver se havia algo de interesse, mas se decidiu contra isso. Não havia nenhuma garantia de que pudessem haver informações vitais lá, então não valia a pena apressar o processo.
Carlos ficou alguns minutos pensando no seu próximo curso de ação. E então ele enviou uma mensagem para Matt e Satoshi continuarem investigando a própria Konitech, especialmente as pessoas que ganhariam alguma coisa com a morte de Mark. Ele também decidiu que a investigação em Kordov era a mais promissora, por isso mandou a ordem para um agente especial se dirigir para lá.
O nome do agente era Paulo Lagrange, e ele era um usuário de habilidade inerente.
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