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Quando se pensa no mundo de Gulat, uma coisa é definitivamente certa: Você não ia querer ser uma pessoa sem poder nesse mundo. A razão disso é que as pessoas sem poder não conseguiam controlar as próprias vidas.
Existiam algumas grandes cidades que eram protegidas por guardas próprias e possuíam patronos poderosos, mas a maioria das pessoas viviam em vilas que produziam produtos e vendiam para poder comprar as coisas que precisavam.
Cada uma dessas vilas estava em constante perigo de numerosas ameaças que tinham todos os tipos de motivos e métodos. Haviam cientistas loucos que capturavam pessoas para experimentos, monstros famintos que devoravam quem tivesse o azar de cruzar com eles, magos enlouquecidos com o poder que destruíam tudo o que vissem pela frente.
É claro que algumas dessas vilas tinham seus próprios protetores, pessoas com poder que conseguiam lidar com essas ameaças, mas a conclusão se mantinha, pois eram as pessoas com poder que conseguiam controlar todo o destino das vilas.
Mesmo assim, as pessoas sem poder continuavam vivendo o melhor que podiam, tentando sobreviver as diversas ameaças que lhes poderiam tirar a vida. Elas contavam histórias umas para as outras a respeito desses seres poderosos, já que o conhecimento era o maior poder que poderiam ter.
E de todos esses seres poderosos que figuravam nas histórias, poucos eram mais estranhos que as Garotas Mágicas.
Haviam muitas Garotas Mágicas diferentes, mas todas elas compartilhavam três características. 1. Elas eram jovens garotas. 2. Elas não envelheciam. 3. Elas tinham grandes poderes mágicos.
E é de uma dessas garotas que essa história fala. Ela se chama Eliza Leysritt, e é conhecida como a Garota Mágica do Aço, já que seus poderes envolvem manipulação de metais.
Isso merece uma explicação melhor, a magia era uma coisa muito pessoal e que não podia ser ensinada, com cada usuário tendo manifestações únicas. E isso valia em dobro para as Garotas Mágicas, que ficaram famosas em parte devido as suas habilidades que costumavam ser extremamente espalhafatosas e destrutivas.
Fora a manipulação de metais, Eliza era conhecida por se envolver em causas apenas por elas "parecerem divertidas". Era imprevisível, difícil de se lidar e poderosa, em outras palavras, uma perfeita Garota Mágica.
No momento que essa história começa, Eliza estava em sua casa, a "Fortaleza de Aço", que era exatamente como o nome dizia, uma fortaleza que seria o sonho de qualquer general, pois era feita completamente de uma única peça de aço, ao invés de várias peças combinadas como fortalezas normais seriam feitas. Isso é claro, só tinha sido possível devido aos poderes dela.
- Senhorita Eliza. Um intruso está lutando contra os guardas nesse momento.
A pessoa que falou isso era o Servo de Eliza, ele tinha a aparência de um garoto jovem e bonito, exceto pela pele negra como piche, olhos e cabelo brancos e orelhas pontudas, que mostravam ele claramente como um demônio.
O nome dele era Martin. Eliza tinha salvo ele mil anos antes, por achar ele "bonitinho", e ele tinha servido ela fielmente desde então. E para mostrar isso, ele sempre usava um terno de mordomo.
- Hum. Pode ser divertido, vamos ver.
E essa era Eliza. Ela era uma bela garota que aparentava 10 anos, com cabelos ruivos curtos e olhos vermelho sangue. Ela usava uma cota de malha e por cima dessa um vestido negro feito de fios de metal que era muito mais resistente do que qualquer vestido confortavel como aquele deveria ser. Obviamente, ele só mantinha suas propriedades devido a presença constante da Eliza. Finalmente, nas mãos dela estava um cetro de aço.
Nesse momento, Eliza estava usando sua magia para "ver pelos olhos" do metal da sala dos guardas. Todos aqueles guardas eram autômatos na forma de armaduras de metal que Eliza tinha fabricado. Eles estavam sendo exterminados pelo intruso, que aparentemente era um usuário de lança. Aparentemente, ele também controlava a lança com a mente, pois ela também se movia quando ele não estava tocando nela.
O intruso era um jovem homem de cerca de 19 anos, musculoso de olhos e cabelos pretos. Ele definitivamente tinha poder, mas o desafio baixo que os guardas apresentavam não permitia que Eliza vesse quanto poder ele tinha exatamente.
- Faz tempo que eu não tenho uma boa luta, então deixe ele comigo - Eliza finalmente concluíu.
- Como quiser, senhorita - Martin concordou.
Então ela se levantou da cadeira onde estivera sentada e foi andando para onde o intruso estava. Com isso, eu quero dizer que ela tomou o caminho mais direto para lá, e as paredes simplesmente se abriam para deixar ela passar. Martin seguia ela de perto, para o caso dela ter alguma outra ordem.
Finalmente, ela chegou no lugar onde o intruso estava lutando, e imediatamente fez todas as armaduras caírem no chão, inertes.
- Olá, estranho! Quem é você e o que você quer?
Ele apontou a lâmina da lança pra ela.
- Meu nome é Lucas! Eu estou aqui pra fazer uma requisição! Quero que você vá no castelo de Wintersong e mate o chefe desse castelo!
- Por que?
- Ele está raptando pessoas para fazer algum tipo de magia negra ou coisa parecida - ele parecia triste - mas é claro, isso não vai adiantar se você for fraca, então...
E ele atirou a lança, que imediatamente assumiu uma velocidade bem maior do que deveria num lançamento normal. Sim, ele definitivamente controlava ela com a mente. Mas logo antes da lança poder acertar Eliza, ela fez um movimento praticamente imperceptível e um grande escudo apareceu na frente dela e bloqueou a lança.
No instante seguinte, a lança já tinha voltado para as mãos de Lucas, e o escudo de Eliza tinha virado um canhão que disparou um tiro. Esse tiro seguiu o exemplo da lança, e foi bem mais rápido do que uma bala de canhão normal deveria ir. Lucas percebeu isso imediatamente e desviou da bala, ao invés de tentar rebatê-la.
Era a decisão certa, mas não adiantou, antes que Lucas pudesse perceber o que estava acontecendo, Eliza já estava ao lado dele, com o cetro transformado numa espada, que ela usou para perfurar o peito dele, direto no coração. Ele caíu no chão.
- Ah... sem nenhuma hesitação... perfeito... eu não conseguiria atacar aquele castelo... mas você pode...
E ele morreu. Eliza ficou olhando para ele por alguns momentos, antes de falar.
- Martin.
- Sim.
- Esse cara veio aqui pra tentar fazer eu assumir uma missão, mesmo sabendo que ia provavelmente morrer.
- É o que parece.
- Isso definitivamente vai ser divertido. Prepare as coisas, vamos pra Windsong.
- Claro, senhorita.
E a aventura começava!
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