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Imagine um mundo onde os poderes sobrenaturais são comuns. Imagine um mundo onde esses poderes são necessários para a vida comum. Imagine um mundo onde os usuários desses poderes estão em constante disputa entre si por trabalho e reputação. Isso é Kamina.
O mundo era estável, mas essa estabilidade fora duramente conquistada. Durante milênios, guerras assolaram os continentes. Batalhas terríveis que causavam uma grande escala de destruição e dor. Após um longo tempo, uma relativa paz foi alcançada, quando a liga das nações foi criada.
Na verdade, a primeira geração da liga das nações ainda estava cheia de membros que nutriam rancor contra outros membros, sendo que apenas a memória do terror recente impedia eles de lutarem entre si novamente. Mas num golpe de mestre, a pessoa responsável pela paz resolveu esses assuntos através da criação do "Berço dos Reis", uma ilha distante que não tinha laços com nenhum país.
Nesse lugar, os futuros líderes das nações eram criados, livres das influências do ódio que seus povos guardavam, e a paz continuou sendo mantida por esses líderes. Fora isso, também havia outro grupo que tinha o mesmo objetivo.
Muitos dos que fizeram parte desse grupo viraram lendas por si próprios. Era a Sociedade da Deusa, que tinha o trabalho de se infiltrar nesses países, e evitar golpes de estado daqueles tomados pelo ódio, assim como qualquer outro evento que pudesse perturbar a paz. E assim as coisas ficaram por mais 10 gerações.
A Sociedade da Deusa se desfez eventualmente, mas os seus membros fundariam muitas organizações que lutavam para manter a estabilidade no mundo em suas próprias áreas. E enquanto isso, os guerreiros que eram odiados durante o tempo de guerra começaram a ser muito mais bem quistos pela população em geral.
Tanto que, quando o Grande Conselho foi criado, para auxiliar os governantes nas decisões mais difíceis, os melhores guerreiros do mundo foram escolhidos para defendê-los, e assim surgiu a chamada Guarda Superior, cujos membros eram adorados e considerados exemplos a serem seguidos e objetivos a serem alcançados. Todos queriam ser como eles.
Isso não acabou bem. As pessoas que queriam esse poder pouco sabiam a respeito das consequências que vinham junto com ele. E as disputas entre esses novos guerreiros se transformaram numa verdadeira guerra urbana. Uma guerra de pessoas, ao invés de nações.
Mas isso também teve um lado bom, um grande desenvolvimento veio junto dessa busca por poder, e os líderes mundiais perceberam que seria útil ter pessoas poderosas trabalhando para si, então transformaram os assim chamados "Nova" na base do sistema, através de reconhecimento por feitos e um imenso número de trabalhos e eventos onde eles poderiam provar o próprio valor e que ao mesmo tempo fariam o sistema se mover.
E então os Nova ficaram ainda mais populares do que eles jamais tinham sido antes. Isso levou a um outro problema, a separação cada vez maior entre os Nova e as pessoas normais. Incontáveis gênios pensaram profundamente sobre como resolver esse problema, e inúmeras propostas foram levantadas. Mas eventualmente foi encontrada uma solução adequada.
A solução era construir escolas conjuntas entre Novas e normais. Lá os Novas teriam liberdade para desenvolver suas habilidades, além de serem os lugares onde eles poderiam fazer diversos contatos e iniciar suas carreiras nos campos que escolhessem. Os normais por outro lado, aprendiam a lidar com os Novas e vê-los como pessoas, além de estudar para carreiras de suporte a eles.
Nossa história começa em uma dessas escolas. Um colégio de ensino médio gigantesco que tinha o nome Centro de Aprendizagem Descartes. O dia era 16 de janeiro, o início de um novo ano de aula, e a personagem principal era uma caloura de 15 anos de idade que fazia parte dos Novas.
O nome dela era Amara Acol, e ela era uma bonita garota de 15 anos, tinha olhos castanhos e cabelos da mesma cor que mantinha curtos por razões práticas. Por fazer parte da classe dos Novas, ela tinha direito a se vestir conforme lhe parecesse apropriado, mas suas roupas não diferiam muito do "uniforme oficial" da escola.
Eram uma camiseta branca de mangas curtas com detalhes em azul, vermelho, verde e marrom. Junto com um short azul-escuro que ia até metade das coxas. Fora isso, estava usando sapatos de corrida de alta qualidade com meias brancas.
Ela possuía um rosto confiante, o tipo de rosto que as pessoas gostavam de seguir, os olhos tinham um brilho que mostrava determinação inabalável e o sorriso mostrava esperteza. E foi isso a primeira coisa que Nana Blade percebeu ao ser abordada por ela.
- Olá Nana! - ela chamou animadamente.
Nana virou e olhou Amara de cima a baixo, tensa. Depois de perceber que a garota não era uma ameaça imediata, relaxou um pouco, e então respondeu:
- Olá... Quem é você e como você sabe o meu nome?
- Eu me chamo Amara - respondeu nossa protagonista - e você não devia ficar tão surpresa sobre eu saber o seu nome, Malabarista das Lâminas.
Nana suspirou. Tinha mesmo que ser aquilo, ela tinha feito muito barulho na escola onde estudava antes. Parte devido ao seu estilo de luta não-ortodoxo, parte devido a nunca ter perdido numa luta e parte devido a sua aparência.
Essa última parte precisa de clarificação. Em poucas palavras, Nana parecia uma criança, tanto que ela fora originalmente colocada numa classe básica na escola onde estudava antes. E foram necessários muitos testes de aptidão, e ameaçar um supervisor a ponto dele mijar nas calças (essa última parte ajudou mais) para que ela entrasse na turma que queria.
Nana parecia não ter sequer oito anos, mas ninguém poderia confundir ela por uma criança normal é claro. Ela tinha cabelos laranjas vibrantes, longos que iam até os ombros e seus olhos eram vermelhos como sangue e passavam uma sensação de ameaça que fazia a maioria das pessoas desviar o olhar. Ela usava um vestido curto da mesma cor de seus olhos, com um short por baixo e mangas cortadas, por razões práticas. Ela usava meias que iam dos tornozelos até as coxas, pois havia cortado a parte final delas para deixar os pés livres, ela não usava sapatos.
Finalmente havia a bainha as suas costas, que não era realmente uma bainha, mas apenas uma caixa que servia de local de guardar as armas, essas armas mudavam muito, pois ela costumava trocá-las frequentemente. No momento estavam lá três espadas retas e longas, duas jian e dois machados pequenos.
- Certo - disse Nana - O que você quer?
- Eu quero duas coisas. Primeiro uma luta com você.
Nana não ficou surpresa, muitas vezes tinha tido que lidar com idiotas que queriam ganhar um pouco de fama por derrotá-la, todos eles haviam tido que ser carregados de volta pra casa.
- É justo. Qual a outra coisa?
- Uma aposta - disse Amara simplesmente.
Isso era novo - que tipo de aposta? - quis saber Nana.
- Se eu vencer, quero que se junte ao meu grupo.
- Grupo?
- Vou montar meu próprio clube.
Nana se lembrou do que sabia sobre a escola. Os alunos Nova costumavam se juntar aos clubes, pois cada clube recebia dinheiro da escola para financiar as atividades de seus membros, e era muito mais fácil de fazer negócios sob a bandeira de um clube poderoso. Os chefes desses clubes ganhavam muito em reputação.
- E o que acontece se eu ganhar?
- Nesse caso eu farei qualquer coisa que você quiser.
Isso silenciou Nana por um momento.
- Tem certeza? Isso não é uma promessa simples.
- Tenho, e eu creio que não irei perder.
Nana ia responder a isso, mas então se lembrou de uma coisa.
- Quem é você na verdade? Você me disse o seu nome, mas não quem você é.
Amara sorriu ainda mais profundamente que antes e disse:
- Na minha casa eu era conhecida como Estrategista Elemental.
Nana tinha ouvido falar na Estrategista Elemental. Era uma garota de 14 anos que tinha vencido o torneio de novembro da cidade de Agrofante.Isso era um feito notável pois Agrofante era uma das cidades com maior concentração de Novas em todo o mundo. A Malabarista das Lâminas despertou dentro de Nana, aquela luta seria divertida.
As duas estavam no meio de um caminho lajeado, que ficava do lado de grandes espaços gramados, a grama era de um tipo especial, ela se recuperaria rapidamente de qualquer dano que recebesse, devido a sua alta capacidade de crescimento e regeneração. O ambiente da escola Descartes favorecia a realização de lutas, o que era o objetivo.
Foi apenas uma questão de caminhar até o meio da grama e se afastar 10 passos uma da outra, elas passaram os primeiros minutos da luta apenas se observando, e pessoas se reuniram ao redor para assistir a uma das primeiras lutas do ano. Amara percebeu pelas conversas que já sabiam quem eram as duas, e as apostas no resultado já estavam começando, e mais uma vez ficou impressionada com a capacidade que certas pessoas tinham de estabelecer esse tipo de coisa rápido.
De seu lado, Nana havia começado a sorrir, mas não era um sorriso gentil, era um sorriso de tubarão. Um grande sorriso que mostrava os dentes, e era perturbador de se ver. Junto com os olhos de sangue, a Malabarista das Lâminas era realmente intimidadora.
Ela fez o primeiro movimento, jogando ao ar suas armas, era o começo do show. Poucas pessoas gostariam de ter diversas lâminas caindo ao seu redor, mas Nana usava isso como tática de batalha comum, jogando as armas de volta para cima e manipulando-as sem se machucar em uma demonstração de habilidade que poucos deixariam de chamar de arte.
Esses poucos eram as pessoas que haviam ficado do outro lado do ataque, esses percebiam que a verdadeira arte daquele movimento estava em sua letalidade, especialmente quando Nana começava a se mover na direção deles, Amara percebeu a sensação muito bem.
Quando finalmente Nana chegou perto o bastante para atacar, a Estrategista moveu parte da terra do chão para suas mãos, criando luvas de pedra, que defenderam um golpe de cima pra baixo de um machado que Nana tinha segurado para atacar. O golpe seguinte foi uma estocada de uma das espadas que Nana empurrou com uma de suas maos, e Amara bloqueou com a mão livre. Mas isso não seria suficiente para fazer a Malabarista parar, e ela girou e levantou a perna direita, usando o pé para empurrar outra espada num ataque contra Amara, que finalmente teve que recuar. Nana devolveu as armas para o ar com a mesma graça e facilidade de antes.
Amara decidiu que era sua hora de atacar, entao começou a disparar rajadas de vento cortante na direção de Nana, que desviou de algumas e bloqueou outras, sempre mantendo suas armas no ar, ela avançou novamente atacando com 3 armas ao mesmo tempo, em um golpe lateral, usando as mãos e o joelho.
Amara saltou para desviar desse ataque, passando por cima de Nana e pelo meio das lâminas que ainda estavam no ar, ela aproveitou a chance e usou seus punhos de pedra para quebrá-las, agora só restavam mais três armas para Nana.
- Ei! - ela gritou.
Amara percebeu que aquilo tinha tirado a concentração dela, então se arriscou e avançou para cima dela, desviando das três lâminas restantes, então juntou a terra das duas mãos no braço direito e socou Nana em baixo do queixo.
A garota voou e girou no ar, suas armas finalmente caindo no chão. Mas quando a audiência estava prestes a gritar a vitória de Amara, a Malabarista se moveu e começou a se levantar.
- Você é resistente - Amara disse - eu achei que a batalha já estava acabada.
- Argh, esse soco foi forte - respondeu Nana - mas eu ainda não perdi.
E sem nem se levantar totalmente, Nana empurrou o chão com os pés, o impulso resultante mandou ela pra frente como um foguete, e no meio do caminho a Malabarista chutou as três espadas no chão direto para Amara, em uma formação assassina. Mas Amara já havia lidado com coisas assim, ela avançou por dentro da formação, recebendo cortes nos braços e na perna, mas não eram cortes profundos.
Em um fluido movimento, a Estrategista agarrou Nana no ar e girou com ela, levantando uma perna e cobrindo a com sua armadura de terra, e para finalizar, descendo ela com força na nuca da Malabarista. A luta estava acabada.
A platéia que tinha se reunido aplaudiu, e as pessoas que tinham apostado gritaram, seja de alegria, seja de tristeza. Mas Amara não estava preocupada com isso, ela pegou a pequena garota nos braços. Precisava levá-la para a enfermaria mais próxima.
Uma das coisas que todas as escolas de Nova/Normais tinham em comum, era o fato de possuírem diversas enfermarias espalhadas pelo campus, o que era mais uma das coisas feitas para tornar a realização de duelos mais fácil. Muitos dos maiores médicos da história haviam começado suas carreiras como responsáveis por uma das enfermarias.
A enfermaria onde ela entrou não era nada diferente de qualquer outra, era uma sala limpa com paredes e chão imaculadamente brancos, um armário repleto de diversos remédios, bandagens e outros instrumentos parecidos, e vinte e cinco leitos onde os feridos podiam ficar. O número era de exatamente vinte e cinco em todas as enfermarias, isso era padronizado.
- Bom dia! - disse Amara animadamente quando entrou lá.
- Bom dia - respondeu o responsável que estava lá no momento, um aluno do segundo ano cujo nome era Jofrey Konkani, mago especialista em cura - o que nós temos aqui?
- Nós duelamos - esclareceu Amara.
- Ah, eu já devia ter imaginado.
E Jofrey começou a tratar dos machucados de Nana, e Amara parou de falar pois aquele era um procedimento delicado que não devia ser atrapalhado, o médico estendia a mão para os locais feridos e murmurava palavras ininteligíveis, algumas pessoas achariam que parecia fácil, mas ele estava na verdade obtendo uma leitura sobre o que acontecia dentro do corpo de Nana e consertando as partes quebradas uma a uma, era um processo complexo.
Quando terminou, Nana acordou, ela se sentou e olhou para Amara.
- Eu perdi, não é?
- Aham.
Ela suspirou e disse - Certo, eu apostei com você, então agora pode me contar como parte da sua equipe.
Amara sorriu em resposta, e então disse - Vamos, temos que procurar o próximo integrante do grupo.
Nana se levantou e então Jofrey disse - espere aí.
- O quê? - Amara perguntou.
Ele foi até ela e começou a cuidar dos cortes, era um ferimento mais simples e o processo terminou em instantes.
- Agora podem ir - ele disse.
E Amara e Nana saíram juntas de lá. Depois começaram a andar pela escola, que como já mencionado, era enorme. Demorou algum tempo até acharem a próxima pessoa, mas finalmente conseguiram encontrá-la sentada em um dos bancos perto do prédio B de aulas.
A pessoa era uma garota, e era incrivelmente bonita. Ela tinha cabelos negros curtos e olhos escuros, além de uma boca fina, tudo isso fazia ela parecer uma boneca, e o rosto estava numa expressão pensativa.
Ela estava usando um vestido negro com detalhes em branco. As pernas do vestido eram longas e iam até os tornozelos dela, mas as mangas eram curtas, expondo os braços esbeltos. A parte da frente do vestido era fechada por botões, e delineava sedutoramente a curva de seus seios. Por fim, ela calçava botas cinzas.
- Essa é...
- Sim, a Maga Explosiva.
Nana assentiu, conhecia a história. A Maga Explosiva havia ficado famosa ao salvar sua vila do ataque de um bando de gramekins cujos números variavam de história pra história, mas eram pelo menos 50.
- Oi Lúcia! - Amara acenou.
Nana observou com cuidado. Era realmente incrível o jeito que Amara falava com pessoas que nem conhecia como se fossem amigos de longa data.
- Oi - Lúcia respondeu, os lábios mudando para um sorriso que Nana não conseguia decidir se era amigável ou sedutor, provavelmente os dois, pensou - posso ajudar em alguma coisa?
Nana piscou duas vezes, ela não conseguia entender como alguém poderia fazer aquela simples frase soar tão... perversa.
- Sim, eu quero que você entre para o meu clube - respondeu Amara, não percebendo, ou ignorando as implicações secundárias daquela pergunta.
- Um clube? - ela perguntou - eu realmente preciso entrar em um. O que o seu clube tem de especial?
Caramba - pensou Nana - acho que a voz dessa garota sozinha já poderia lançar mil navios.
- A primeira coisa - Amara falou, e Nana teve que dar os parabéns a ela, a Malabarista não achava que poderia falar tão normalmente com aquela garota - é que o nosso clube vai ter apenas cinco membros, então vai dar pra fazer mais coisas com o orçamento, já que ele é fixo entre todos os clubes. A segunda coisa é que eu estou reunindo alguns dos melhores calouros para fazer parte do grupo.
- Oh - ela disse - você é muito gentil por me incluir nessa conta - continuou - então isso quer dizer que essa linda garotinha do seu lado é uma membra também?
Nana sentiu uma pontada de calor dentro do corpo quando Lúcia disse as palavras "linda garotinha".
- Sim - disse Amara, que de algum modo não havia sido afetada por Lúcia - ela é a Nana, a Malabarista das Lâminas - e Amara empurrou sua companheira mais para perto.
- Ah, eu já tinha ouvido falar de você, mas não imaginava que fosse tão bonita - Nana corou - e eu adorei suas roupas.
- E eu sou a Estrategista Elemental.
Lúcia se aproximou dela e falou - você também é muito bonita - Amara não foi afetada nem por isso, Nana imaginou se ela teria sido treinada em auto-controle por um mestre zen - e famosa. Creio que um grupo com vocês poderia ser bom, mas você seria a líder, não é?
- Com certeza - disse Amara, com seu sorriso confiante.
- Então eu terei que lutar com você, para conferir eu mesma se a Estrategista Elemental realmente tem o que e preciso para liderar um grupo como esse.
- É justo - disse Amara, e isso foi tudo, Nana apenas começou a avisar as pessoas de que haveria uma luta alí. Novamente uma platéia se juntou, e Nana prestou muita atenção para tentar descobrir de onde vinham os chefes de aposta. Ela não conseguiu, eles pareciam ter saído do ar.
As duas guerreiras estavam se observando meticulosamente, Lúcia mantinha seu tema pois fazia parecer que estava olhando Mana para checar se essa seria adequada como uma... companhia para a noite, mas Amara examinava sua adversária seriamente, apesar de manter seu sorriso confiante no rosto.
Nana prestava atenção ao mesmo tempo em que tentava ouvir as conversas na platéia. Muitas pessoas repetiam o óbvio, que Lúcia era linda, e a grande maioria delas eram garotas, incluindo quatro que pareciam prontas para declarar seu amor e saltar em cima dela lá mesmo. Um cara revelou seu desejo de que elas acabassem rasgando as roupas uma da outra, Nana tomou nota desse para avisar qualquer futura oponente feminina que ele pudesse ter. Alguns explicavam a seus companheiros menos bem-informados quem eram aquelas duas, na verdade as conversas eram bem normais.
Finalmente Amara avançou, e num instante, Lúcia estendeu a mão direita e estalou os dedos, criando uma grande esfera negra bem no caminho da Estrategista, que não conseguiu desviar a tempo, se chocando contra a esfera, que, preservando a reputação da dona, explodiu violentamente.
Amara foi jogada para trás e caíu no chão, e várias das pessoas da platéia fizeram caretas, imaginando como seria levar um golpe desses, alguns até acharam que a Estrategista estava vencida, mas ela se levantou.
A explosão tinha causado um belo estrago, as roupas ainda estavam intactas, pois aquela era uma das explosões de pressão, e não incendiária. Mas escorria sangue pelos braços de Amara, e também pelo rosto. Além disso ela parecia ter quebrado algumas costelas.
Mesmo assim, ela continuava com aquele sorriso no rosto, e fez uma pedra grande flutuar até sua mão, então, sem nenhuma palavra, avançou novamente. Lúcia fez sua esfera de novo, mas dessa vez Amara estava esperando por isso, ela levantou parte do chão para criar um freio e jogou a pedra numa parábola na direção da esfera.
A pedra acertou a esfera, que explodiu, mas Amara havia mirado a pedra no ponto exato para a explosão impulsioná-la direto para a cabeça de Lúcia. A pedra era pequena demais para causar qualquer dano significativo, mas a distração foi o bastante. Mana avançou com um punho de pedra e acertou ela direto na cara.
Nana esperou alguns momentos até ter certeza de que Lúcia não fosse mais se levantar, e então se aproximou das duas.
- Consegue andar até a enfermaria? - perguntou para Amara.
- Claro.
Então Nana pegou Lúcia e a colocou por cima do ombro com facilidade, notando que a pele dela era inacreditavelmente macia, daí respirou fundo e percebeu que ela cheirava muito bem também. Nana teve uma súbita vontade de mordê-la para checar se o gosto dela também seria bom, mas resistiu a essa ideia ridícula.
Elas foram para a mesma enfermaria onde tinham ido dá última vez, que estava bem perto do local da batalha.
- De volta tão cedo? - perguntou Jofrey, divertido.
- Sim, senhor - disse Amara animadamente.
E Nana colocou o corpo inerte de Lúcia no leito, onde Jofrey começou a trabalhar, os ferimentos eram pequenos, então não demorou muito para que ela estivesse de pé. Esse não era o caso com Amara, cuja cura demorou vários minutos, durante os quais Nana se surpreendeu ao ver que Lúcia observava o processo de cura com uma expressão triste, mas ela rapidamente se recompôs ao perceber que Nana a olhava.
Quando o médico acabou, as três saíram de lá e começaram a andar juntas, e então Lúcia se virou e perguntou para Amara:
- Você tem algum pedido para mim, chefe?
- Temos que achar os últimos dois integrantes do grupo. O próximo deve ser Lázaro Campos, mais conhecido como Lutador das Ventanias.
Assim como esperado, esse era mais um que tinha elevanda reputação nos círculos dos Novas, ele tinha obtido sua fama nas arenas de luta, onde ganhava o dinheiro de seu sustento. Ele sempre era um dos favoritos, apesar de sua pouca idade em relação aos outros competidores.
Esse foi mais fácil de achar, elas apenas tiveram que perguntar um pouco, ideia que parecia incrívelmente nova e estranha para Amara e Nana, mas Lúcia mostrou as vantagens disso ao conseguir descobrir onde o alvo estava em apenas alguns minutos. As pessoas pra quem ela perguntava sempre pareciam ansiosas para ajudar.
Lázaro estava sentado de olhos fechados na sobra do prédio de escritórios central da escola, o motivo de uma escola conter um prédio de escritórios era misterioso, confuso, e provavelmente não tinha nenhuma importância. Nana começou a perguntar se elas deveriam esperar até que ele acordasse, mas se calou quando viu que Amara tinha pego outra pedra e se preparava para jogá-la.
Enquanto isso, Lúcia observava o garoto e chegava a conclusão de que ele era bonito, Lázaro tinha cabelos brancos e um rosto magro, que parecia calmo. Em contraste o corpo dele era musculoso, devido aos treinamentos de luta que ele devia passar, mas os musculos também não eram tão grandes que ficariam ridículos no corpo dele, ao invés disso o Lutador parecia estar apenas no ápice da forma física.
Ele também era alto e sua pele era morena. Estava usando uma camiseta branca, uma calça negra e um casaco azul. Seus tênis pareciam ser novos.
- O que... - começou a dizer Nana, mas já era tarde demais, Amara já havia jogado a pedra, que voou e se dirigiu exatamente para a testa de Lázaro, definitivamente mira boa era uma das habilidades de Amara, mas quando a pedra estava prestes a acertar, a mão dele subiu e a bloqueou - Bons reflexos - pensou Nana.
- Posso ajudar em alguma coisa? - Ele perguntou, e Lúcia conseguiu ver que os olhos dele eram cinzas. A voz dele ainda estava calma, mas havia uma pequena ponta de irritação naquelas palavras.
- Sim - começou Amara, mas então... como descrever o que aconteceu a seguir? Imagine que você está no meio de um campo de batalha, cercado por um grupo de homens com lanças que te odeiam e querem te matar, multiplique essa sensação por 10. Era algo assim que foi sentido pelas três garotas.
A quantidade de ameaça era tal que Nana e Lúcia recuaram um passo inconscientemente - eu estou querendo que você se junte a minha equipe - ela continuou, ignorando completamente aquela sensação. Nana imaginou se haveria alguma coisa que afetasse ela.
- Interessante - ele disse - você é a primeira pessoa que eu vejo que não é afetada pela minha Aura Assassina. Mas o que as suas companheiras acham disso?
- Eu não iria me opor a um cara bonito como você entrando na equipe - Lúcia disse. Lázaro tentou, mas não conseguiu esconder o embaraço que sentiu ao ouvir aquela frase - A Voz ataca novamente - pensou Nana - pelo menos nisso esse cara é normal.
- A chefe diz que você seria uma boa adição, e eu não creio que ela esteja errada nesse caso - Nana falou diplomaticamente.
- Então... - Lázaro começou - luta?
- Luta - concordou Amara, os normais que assistiam essa cena poderiam achar estranho, mas resolver questões pendentes através de lutas era uma coisa bastante popular entre os novas, especialmente os jovens.
O lugar onde estavam já era adequado para uma luta, então Amara decidiu pular toda aquela parte chata de ficar se encarando e simplesmente avançou com as suas, já clássicas, luvas de pedra nas mãos. Lázaro se levantou num salto e socou com a mão direita, os dois punhos se chocaram, causando uma pequena explosão.
Amara recuou um passo, e juntou toda a terra das mãos no braço esquerdo, criando um punho com o dobro do tamanho do anterior, e socando na direção do adversário. Lázaro respondeu girando para desviar de raspão do soco e avançar para a posição do golpe final.
Foi aí que ele usou o poder que lhe deu seu título, atacou com a mão aberta e o vento pareceu seguir o ataque, transformando-se em lâminas mortais, desnecessário dizer que Nana gostou desse ataque.
Mas acabou sendo inútil, com um movimento da mão direita, Mana desfez as lâminas de ar. Lázaro não sabia que estava lidando com uma manipuladora dos elementos, pois aquilo o deixou aberto para um novo ataque da mão esquerda de Amara, que dessa fez havia criado uma lâmina de terra, e perfurou o estômago do Lutador.
Mais uma vez, a luta estava acabada, e mais uma vez eles tiveram que voltar para a enfermaria, dessa vez para que Lázaro pudesse ser curado.
- Isso está ficando levemente ridículo - Jofrey disse ao vê-los entrando novamente.
- Ah, mas você está feliz em nos ver, não é? - Lúcia disse numa voz que de alguma forma conseguia ser ainda mais sedutora que o normal.
Talvez o médico tivesse sido treinado pelo mesmo mestre que Amara, pois ele conseguiu ignorar aquilo totalmente - vejo que vocês vão ficar dando trabalho o ano todo - ele suspirou.
Então o médico passou a trabalhar em Lázaro, Nana olhou Lúcia de novo, para ver se ela mostraria aquela mesma expressão de antes, mas Lúcia havia percebido sua intenção e olhava de volta para ela, com aqueles olhos perversos que fizeram Nana corar de novo.
Guerreiro curado, os quatro saíram da enfermaria, o médico havia acabado de perguntar se deveria esperar que eles viessem de novo, ao que Amara respondeu - talvez mais uma vez.
- Quem vai ser o nosso integrante final - perguntou Nana.
- O nome dele é Felipe Akat.
- Alguém chamou? - saiu uma voz do nada.
Diante deles surgiu o garoto que estavam procurando, em comparação a Lázaro, Felipe era mais esbelto, tendo um rosto de desafio, olhos verdes e cabelo negro. Ele tinha menos músculos, mas suas pernas pareciam ter sido treinadas durante a vida inteira, e usava uma camisa e uma calça simples, além de seguir o padrão Nana e não usar sapatos, apesar de não ter as mesmas meias que ela.
- Felipe, que bom ver você! - Amara disse animada.
- Eu tinha ouvido dizer que a Estrategista estava lutando contra guerreiros famosos, mas não imaginei que fosse para criar uma equipe - as reações a aparição de Felipe foram variadas. Lázaro o achou esquisito, Lúcia gostou da personalidade dele e Nana achou que ele seria muito bom no teatro, o garoto fazia gestos largos e falava alto e dramaticamente cada palavra, ele continuou - Nesse caso, creio que terei que aceitar o convite. Prepare-se!
Ele empurrou o chão, mas aquilo era diferente do lançamento incontrolável de Nana, ele continuou ereto e sob controle de sua velocidade. O movimento durou apenas um instante... mas ele tropeçou num monte de terra que Amara tinha feito subir, voando e girando no ar como um pião descontrolado, e caindo de cara no punho estendido de Amara, Felipe perdeu a consciência.
Os outros ficaram em silêncio por vários segundos, tentando entender o que tinha acontecido, finalmente Lázaro falou:
- Quem é esse?
- É o Felipe Akat, um dos aprendizes de técnicas de movimento do mestre Pencak Silat. Ele não tem um título, mas eu não acho que as coisas vão ficar assim por muito tempo.
- Ok - disse Nana, reconhecendo o nome de Pencak Silat - agora nós temos todos os membros, estamos prontos?
- Ainda não - ela respondeu - agora precisamos de um gerente.
Índice
Achei divertido. A tua narrativa, às vezes, adquire um ritmo rápido e direto demais que gerou certa confusão na minha cabeça. Há também alguns poucos erros de pontuação e acentuação que me incomodaram de leve - mas foram poucos e facilmente subvertidos pelo ritmo da história. Claro que existem muitos pontos tangenciados no teu texto que ainda têm de ser mais desenvolvidos - mas imagino também que isso seja algo planejado, para que haja uma exposição nos capítulos posteriores. É um estilo de texto bem shounen mesmo, achei interessante inclusive os momentos cômicos, como o final do texto e as idas constantes à enfermaria.
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