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Jim viajou por várias semanas, passando de cidade em cidade, para arranjar dinheiro ele fazia alguns artesanatos, ele caminhava e seu destino era certo, ele ia para oeste, para tentar atravessar o mar e chegar na cidade dos magos, Sara havia lhe dito que ele possui algum poder mágico, não era muita coisa, mas ele sabia que precisaria de qualquer possível vantagem se quisesse derrotar o mago, pois aquele era o seu objetivo. Rumores sobre o exército do mago não faltavam, embora houvessem vários que estavam totalmente errados, haviam outros estavam mais corretos, como aqueles que falavam de vários aventureiros e assassinos sendo mortos antes de conseguir chegar sequer perto do mago.
Durante suas viagens, Jim presenciou muitas injustiças acontecendo, e sempre que podia ele ajudava a combater tais injustiças, e suas ações tornaram o nome do cavaleiro da lua conhecido, mas uma delas trouxe uma consequência muito maior.
Foi uma noite fria, Jim não tinha vendido nada, portanto estava dormindo na rua, acordou com um barulho estranho, quando ele ergueu os olhos viu três ladrões espancando um velho. Levantando-se rápido, Jim correu girando a lança e gritando, isso não seria uma boa estratégia normalmente, mas funcionou para afugentar os bandidos.
- Senhor? Está tudo bem? - Jim perguntou, mas quando o velho se levantou ele viu que aquele velho era... um mago! Seus olhos eram azuis e tinha uma longa barba branca, com um ar de avô, além disso ele também carregava um livro de magias. Não havia dúvida.
- Obrigado garoto, um deles era um Void, não dava pra fazer magia perto. O que foi garoto? Está olhando pra mim como se quisesse alguma coisa.
- Senhor, uma vez me disseram que eu tenho um pequeno poder mágico latente, peço que me ajude a desenvolvê-lo, me aceitando como seu aprendiz! - E Jim se curvou.
- Para que você quer aprender magia?
- Eu quero fazer justiça sobre "o mago".
- Justiça!? Eu vejo vingança no seu coração! Aquele mago, é por causa de pessoas como ele que eu preferia que tivessemos feito o mesmo que os tecnólogos. Pois bem, não importa, se quer eu irei lhe ensinar, mas fica o aviso, a vingança não resolverá os seus problemas.
- Eu lembrarei disso, chamo-me Jim, e você?
- Eu sou Agrippa, Cornelius Agrippa.
E foi assim que começaram as aulas de magia de Jim.
- A primeira coisa que você deve saber é a utilidade das palavras nos encantamentos mágicos, diferente dos feiticeiros e bruxos, nós magos utilizamos as palavras para definir o que os encantamentos causarão. Mas não é como todos pensam, se você disser "fogo", pode fazer surgir fogo, mas será fraco, pois todos podem fazer isso, e é por isso que cada mago cria sua própria linguagem, atribuindo seus significados a suas palavras, e assim nenhum outro saberá o que significa, e mesmo que reproduzam as palavras, não poderão reproduzir a magia.
- Entendi.
- Certo, mas antes de tentar isso você precisa aprender a fazer visualizações, para atribuir os significados as palavras.
E foram se passando vários meses, enquanto Jim treinava duramente, ele havia tido sorte e agora não precisaria ir até a cidade dos magos, pois Agrippa era tremendamente habilidoso em magia, e seu treino era mais duro do que qualquer coisa que Jim já tivesse feito no grupo de mercenários, devido a isso ele passou a respeitar ainda mais os magos.
2
- Jim, seu objetivo é derrotar "o mago", certo?
- Exatamente, mestre.
Jim havia aprendido a chamar Agrippa de mestre durante o tempo em que passou com ele.
- Então creio que achará essa lição interessante, primeiro vou perguntar, como se usa a magia?
- Você utiliza a energia mágica de dentro do corpo para afetar o que há ao seu redor, ou transforma essa energia em matéria.
- Certo, mas como a magia afeta objetos distantes?
- Você a manda em corrente, atravessando o espaço até chegar no objeto desejado, mas quanto mais longe mais dificil.
Ele respondia facilmente, lembrando-se das lições.
- Mas, como você impede que a magia de outra pessoa te ataque diretamente?
A pergunta pegou Jim desprevenido, ele pensou um pouco e então respondeu:
- Não sei.
- Exato, mas para entender como isso pode ser feito você deve primeiro entender o conceito da aura.
- Aura?
- Sim, a aura é a energia que seu corpo libera naturalmente, todos os seres tem aura, embora nenhuma aura seja igual a outra. É possível reconhecer alguém com poderes místicos, através da energia mágica que se mistura com a energia natural da aura. Agora a parte importante, treinando você pode ser capaz de controlar a sua aura, e usa-la para sentir qualquer ataque que se aproxime, incluindo os mágicos. Vários guerreiros fazem isso inconscientemente.
- E como isso pode me ajudar?
- Se você tivesse poderes mágicos maiores, poderia usar a magia contida na aura para bloquear a magia adversária, para isso precisa conhecer o ataque adversário, pois se a sua defesa não for apropriada, ela não funcionará, conhecimento é poder.
- Se eu tivesse poderes maiores?
- Sim, mas os seus poderes são limitados, e a sua principal forma de uso deles é canalizando-os através da sua arma.
Jim segurou mais forte a lança, ao ouvir isso.
- Vou demonstrar.
E antes de qualquer aviso, a visão de Jim ficou preta, e ele estava cego, ele se debateu por alguns momentos, mas só recuperou a visão quando Agrippa desfez o encanto.
- O que você fez?
- Eu simplesmente tornei as partículas de ar na frente dos seus olhos opacas, como se fossem duas lentes.
- Lentes...
- Isso serve para mostrar a sua fraqueza diante desse tipo de magia, mas eu tenho uma boa notícia para você nesse sentido.
- Ainda bem.
- O mago, estendeu suas pesquisas para muitos ramos da magia, mas em batalha ele prefere utilizar uma forma de luta mais pura.
- Pura?
Agrippa abriu a mão e uma bola de fogo apareceu nela.
- Magia dos elementos, é quando você transforma sua energia mágica em algo físico, mas de natureza mágica, como essa bola de fogo.
- E, por qual motivo, isso é bom?
- Esse é o tipo de magia mais fácil de revidar, pois é visível, e não é necessário sentí-la com a aura, com o treinamento adequado você poderia nulificar essas magias no ar, utilizando apenas a magia canalizada na sua lança, mas é difícil fazer isso.
- Quão difícil?
- Imagine que você está num lugar vazio, com o mago a sua frente, ele lança uma magia e você tem poucos segundos para determinar qual a força exata necessária para parar o ataque, você consegue, mas ele lança outra magia um pouco diferente, e você deve fazer a mesma coisa repetidamente, um erro e você pode morrer, e as coisas ficam ainda piores quando você está no meio de uma batalha, e precisa se preocupar com o que está ao seu redor também.
Jim silenciou por um momento.
- Exato, precisa de muito treino.
Jim ainda estava com uma dúvida.
- Mestre, como você sabe qual é o estilo de luta do mago?
Agrippa suspirou.
- Você sabe a respeito do rei dos magos, não é?
Jim assentiu.
- Alguns anos atrás, quando o mago ainda era famoso e popular na cidade dos magos, ele desafiou o rei para tentar tirar a coroa dele.
- E o que aconteceu? - perguntou Jim, prendendo a respiração.
- Ele perdeu, o rei Felipe acabou com ele, a diferença de forças era muito grande, eu acho que ele nem estava lutando a sério, eu estava lá durante essa luta, e pude ver como o mago luta, satisfeito?
Jim ainda tinha uma coisa para perguntar.
- Você acha que eu tenho chance contra ele?
Agrippa olhou longamente para Jim antes de responder.
- Mesmo se você conseguir lutar contra ele sozinho, eu creio que suas chances de vencer sejam quase zero.
3
Um ano havia se passado desde que Jim deixara a casa do pastor.
- Agora está na hora da sua última lição, você deve aprender a controlar esse poder, já vimos vários processos involuntários mas você deve saber trazer a magia que vêm bem do fundo de si.
- E como eu faço isso?
- Bem, geralmente magos que não conseguem fazer isso naturalmente precisam de anos para aprender a usar.
- Mas?
- Mas existe um outro jeito, só que será realmente perigoso.
- Como assim, mestre?
- Quando se corre risco de vida a magia tende a se manifestar, e aí é só se lembrar da sensação.
Jim e Agrippa foram para uma montanha deserta, chegando lá Agrippa pegou todas as armas de Jim, incluindo a lança lunar.
- O que está fazendo?
- É necessário, você provavelmente sobreviveria com essas armas.
Essa frase fez Jim ficar levemente intrânquilo enquanto Agrippa deixava ele sozinho lá, naquele monte repleto de árvores por todos os lados e com um suave declive no terreno, naquele que era conhecido como monte ookami, pois lobos selvagens moravam lá, e ookami significa lobo em uma lingua antiga e esquecida, aqueles lobos eram diferentes dos normais, eram bestas irracionais, e quando desciam da montanha causavam terror nas pessoas que moravam abaixo.
Mas Jim não estava muito preocupado, afinal Agrippa não tinha contado nada disso para ele. Quando a noite caiu, Jim que estivera sentado numa pedra esperando algo acontecer finalmente perdeu a paciência.
- Droga, ele disse que isso ia me ajudar mas aqui não tem nada!
Jim logo viu que estava enganado, pois começou a ouvir uivos na noite, retesou os músculos e esperou, mas não precisou esperar por muito tempo pois logo surgiu um lobo desgarrado, que saltou em cima dele.
Caindo da pedra, os dois se engalfinharam, mas aquele lobo era forte, como todos eram. Rapidamente ele estava por cima mordendo, enquanto Jim tentava estrangulá-lo, ele estava perdendo, e começou a perder a consciência."Não" ele pensava, "não posso morrer aqui", ele piscou os olhos e se concentrou como nunca antes, e se concentrou até sentir seu corpo se aquecendo, então pensou "é a magia", e levantou uma mão com os dedos juntos.
- Zás! - gritou e desceu a mão, cortando a cabeça do lobo.
Várias pessoas viram ele descer do monte na manhã seguinte, e todas sem excessão pensaram que ele era louco, talvez estivessem certas.
- Ah, vejo que conseguiu. - disse Agrippa quando ele voltou.
- Sim.
- Bem, já que você têm pouco poder mágico, nunca vai conseguir soltar bolas de fogo pelas mãos, mas também não vai ser um total incompetente.
- Que seja. - disse ele pegando a lança.
- Ei, o que você vai fazer com isso?
- Eu quase morri lá, agora você vai ver!
- Ei para com isso.
E ele perseguiu Agrippa por vários quilômetros antes de se acalmar.
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