quinta-feira, 29 de março de 2012

O Herdeiro de Ibara

O povo de Ibara é destruído na tentativa de proteger seu grande tesouro. O Coração de Ouro. Mas um deles sobrevive, e agora ele tem dois objetivos: Impedir que o Coração de Ouro caia em mãos erradas, e levar a Retribuição para aqueles que destruíram o seu povo.

Prólogo

O Herdeiro de Ibara: Prólogo - Carta ao Rei

Download em PDF(Logo)

Ao Grande Rei Olivaras Ishkar, Senhor de todos os territóios de Amarant até Wiegraf, Mestre de todos os povos visíveis e invisíveis, General-Chefe do Invecível Exército de Zebrus. Saúde.
Venho por meio desta informar do meu fracasso na missão que você me designou pessoalmente. Eu entendo perfeitamente as consequências dessa falha, e enfrentarei a guilhotina quando voltar, mas meu dever me força a explicar as circunstâncias dessa falha para dar um conselho a Vossa Majestade.
Minhas ordens eram para obter o Coração de Ouro, o artefato sagrado do povo Ibara, e para isso recebi o comando da 16ª divisão de Cavaleiros Negros de Zebrus, indo para a região de Kamina, o lar ancestral dos Ibara.
Os Ibara eram muito mais fortes do que o esperado, cada um deles lutava como se a luta fosse tudo o que conhecesse. Pedi reforços, e recebi a 12ª divisão dos Arqueiros Vermelhos, a 23ª divisão dos magos azuis, e a 5ª divisão de armas pesadas.
Depois de receber esses reforços, nossa vantagem era de 10 para 1, mas nos sofremos perdas comparáveis as da Batalha de Wesnoth, e nós perdemos um grande número de oficiais, que os Ibara atacavam preferencialmente, causando ainda mais caos nas nossas linhas. Muitos soldados tiveram que ser promovidos na linha de batalha, mas nós fomos vitoriosos, e restavam apenas 42 Ibaras capturados como prisioneiros, entre homens, mulheres, crianças e velhos.
Nós vasculhamos todas as habitações deles de cima a baixo, e buscamos em todos os lugares próximos onde eles poderiam ter escondido o Coração de Ouro, mas não achamos nada. Nós voltamos para os prisioneiros, oferecemos liberdade, riquezas e posição, ameaçamos eles com morte e tortura, mas eles não diziam nada. Eles continuaram em silêncio.
Nós torturamos eles com lâminas e fogo, mas eles não gritavam, eles não soltavam nem um pio. Eles contiuaram em silêncio. Nós torturamos uma filha diante da mãe, mas nenhuma delas soltou nenhum pio. Elas continuaram em silêncio. Nós prendemos um velho sem água nem comida, mas ele não pediu nada, ele morreu sem dizer nada. Ele continuou em silêncio. Nós tiramos as roupas de um homem e fizemos ele andar em placas sobre o fogo, ele se deitou em cima delas, e não gritou. Ele continuou em silêncio.
Isso, porém, não é a coisa que mais me incomoda. Eu estive presente enquanto outros povos eram destruídos, e o que eu mais via nos olhos daquelas pessoas eram duas coisas. Medo... e Ódio. Mas nos olhos dos Ibaras, não havia nenhuma dessas duas coisas, e sim uma coisa totalmente diferente. A única palavra que eu posso invocar para representar aquilo é Retribuição. Todos os Ibara acabaram morrendo, mas nenhum deles deixou de olhar pra nós com aquilo nos olhos em qualquer momento. Era como se eles estivessem certos de que nós sofreríamos pelo que fizemos, e se eles parassem de olhar por sequer um instante, não conseguiriam ver a Retribuição acontecendo.
Eu tenho medo, Vossa Majestade. De fato, eu sinto menos medo da morte do que dessa Retribuição que eles parecem estar esperando. Então tome cuidado, Majestade, o povo de Ibara não deve ser subestimado, e o desaparecimento do Coração de Ouro me deixa preocupado. Eu e meus homens vasculhamos cada centímetro dessa terra, entramos em cada caverna, mergulhamos em cada rio e cavamos um buraco em cada pedaço de terra, mas ele não estava em lugar algum.
Então eu repito meu pedido para que você tome cuidado. Seja qual for a Retribuição dos Ibara, ela envolverá o Coração de Ouro, e se ele for tão poderoso quanto você fez parecer, até mesmo o Grande Reino estará em perigo.
Atenciosamente.
Graal Ingvar Shodan, 8º Capitão de tropas do Exército de Zebrus.

Índice

sábado, 17 de março de 2012

A Espectro: Capítulo 4 - As Relações do Mundo Real são Desnecessárias no Mundo Virtual

Download em PDF(Logo)

14/02/00

Era apenas um dia comum para Kenichi Tanaka, lutando contra uma aranha mecânica gigante. Felizmente, isso também significava que ele estava indo melhor do que a maioria das pessoas que por ventura pudessem estar em sua situação.
Kenichi era um guerreiro anacrônico. Ele tinha a aparência de um garoto de 17 anos, apesar de tecnicamente ter vinte. Ele usava um sobretudo marrom que cobria uma calça e camisa negras. Ele tinha um bracelete dourado no braço esquerdo e estava segurando uma espada longa na mão direita. Ele estava usando botas de combate e seus dois olhos tinham cores diferentes. Castanho para o esquerdo e vermelho para o direito, mas não tinha heterocromia, ele usava uma lente no olho direito que servia como sensor e estava escaneando a aranha.
A aranha, por outro lado, era muito mais simples, ela parecia uma caranguejeira do tamanho de um carro, feita inteiramente de partes de metal, parecia uma coisa que um cientista maluco contruiria, o que era adequado, pois o lugar onde a luta estava acontecendo era a base de um cientista maluco.
Era um lugar estranho, que tinha a mesma forma geral de uma base comum, mas cada pedaço parecia ter sido montado a mão com pedaços de metal aleatórios encontrados num lixão. Haviam geladeiras, motores, barras de prisão e tudo o mais que se pudesse imaginar. O local exato onde eles estavam parecia ser um tipo de garagem, exceto que não haviam veículos lá, fazendo com que fosse apenas um grande local aberto.
A luta já tinha destruído grandes partes do chão e paredes do local, tanto pelos ataques de Kenichi, quanto pelos ataques da aranha, que atacava com as pernas, e disparando lasers pelos olhos. Kenichi bloqueava os golpes da aranha com sua espada, o que mostrava que ela não era uma arma comum, e o sensor no seu olho direito analisava o corpo da aranha a procura de pontos fracos.
A aranha mudou de estratégia, ela plantou as duas pernas dos lados de Kenichi, para que ele não pudesse desviar para os lados, e disparou um laser de seus olhos.
- Ponto mortal - Kenichi disse baixinho.
Logo antes do laser acertá-lo, Kenichi desapareceu, e reapareceu imediatamente atrás da aranha. Geralmente ele usaria um ataque pelas costas nesse ponto, mas a aranha tinha se mostrado resistente a todos os seus ataques, então ele saltou para trás pra obter distância.
A aranha virou para ele e começou a avançar horrivelmente rápido, mas naquele momento, a análise terminou, grandes quantidades de informação passaram diante dos olhos de Kenichi, mas o mais importante foi o pedaço que apontava um ponto próximo da perna dianteira direita como a fraqueza.
- Poder do relâmpago, venha a mim! - Kenichi gritou levantando a espada para o ar.
Um relâmpago atingiu a espada, infundindo ela com um poder elétrico. Kenichi correu ao encontro da aranha. Esta, disparou lasers na direção dele, mas Kenichi desviou deles, e depois de rolar para cruzar os últimos metros, enfiou a espada no ponto exato, descarregando seu poder dentro do corpo da aranha.
Aquilo funcionou, a aranha berrou terrivelmente, começou a soltar fumaça e finalmente explodiu como fogos de artifício. Felizmente, Kenichi já tinha se afastado quando chegou a esse ponto. Palavras apareceram diante dos olhos dele.

ARANHA ENGENHOCA ESTÁ FORA DE COMBATE!

VOCÊ VENCEU!

VOCÊ OBTEVE 321 ZIROS!

VOCÊ OBTEVE PATA DA ARANHA!

VOCÊ OBTEVE 23 UNIDADES DE METAL!

A missão estava completa. Kenichi usou o primeiro feitiço que se aprendia no jogo para voltar para a central. De lá, ele tomou um tranporte para a zona 5-1, onde o personagem que tinha requisitado aquela missão estava.
Ele entregou a PATA DA ARANHA como prova de que tinha completado a missão, e recebeu 10.000 Ziros como recompensa. Sozinho, isso não seria tão bom, mas o personagem, que era um cientista, disse pra Kenichi voltar mais tarde, que ele daria uma coisa especial que estava preparando. Enquanto pensava no que isso poderia ser, Kenichi saíu de lá.
Ele foi para o bar local, onde poderia obter informações sobre a outras possíveis missões. Antes de entrar lá, ele sorriu ao ver que o nome do bar era Hazel Din, como sempre sorria ao ver qualquer referêcia a ela.
Hazel Din tinha sido a única jogadora a conseguir vencer o jogo, coisa que ninguém sabia como ela tinha feito. Como resultado, o jogo mudou para incluir referências ao nome dela.
Mas Hazel Din não era apenas isso para Kenichi, ele tinha encontrado ela três anos antes, no pior dia de sua vida, e era por causa dela que ele tinha conseguido seguir em frente.
Pensando nisso, ele entrou no bar e se sentou numa das mesas. Não precisou esperar muito para que um homem viesse se sentar na mesma mesa que ele, aquele homem era um dos personagens do jogo, e variações dele apareciam em todos os bares para dar informações para os jogadores.
- Dá pra ver que você é um aventureiro. Gostaria de um pouco de informação?
- Sim.
- Recentemente, vários aventureiros estão morrendo.
O coração de Kenichi deu um salto, isso não era bom.
- Todos eles estavam em diferentes missões em diferentes áreas, então não existe qualquer solução óbvia para o problema do que matou eles.
Isso definitivamente não era bom.
- Mas está circulando um rumor dizendo que eles foram mortos por outro aventureiro.
Era como Kenichi temia, ele agradeceu pela informação e saíu do bar para tentar processar o que havia descoberto. Um aventureiro matando aventureiros... isso significava que havia um jogador que estava quebrando a regra mais importante do jogo. Kenichi não iria tolerar isso.
Pois nesse jogo, quem morresse também morreria no mundo real.

Capítulo Anterior
Índice

sexta-feira, 16 de março de 2012

O Mago e a Vampira: Capítulo 4 - A Trama se Complica

Download em PDF(Logo)

- Alderaban? - Lúcia perguntou.
- Sim - Vítor respondeu, enquanto olhava a sala - um lugar recém-descoberto que aparentemente é habitado por monstros.
A sala de estar tinha um piso de madeira como o resto da casa, mas lá ele não estava coberto por um carpete. As paredes eram brancas, mas o teto era negro, haviam duas grandes janelas que tinham cortinas vermelhas ao redor. Os móveis eram do mesmo tom de vermelho das cortinas, e haviam vários deles, sofás, poltronas, cadeiras...
- E dá mesmo pra ir lá casualmente?
- Sim, eu ouvi falar dela com um explorador que estava na cidade, aparentemente é só uns 6 km daqui.
- Entendi... mas por que você quer me convidar?
Essa era a pergunta mais difícil, Vítor concentrou toda a sua força de vontade para manter o controle.
- Eu achei que fosse ser divertido, e estou cansado de fazer essas coisas sozinho.
Lúcia olhou para ele com uma expressão intrigada, mas então sorriu.
- Ha. Eu gosto disso, tudo bem, eu aceito o seu convite. Tava precisando mesmo me divertir.
Vítor precisou se controlar para não dar pulos de alegria, mas então ele lembrou de algo.
- Mas como vai ficar a cidade com você fora?
Lúcia não pareceu preocupada.
- Kogasa, você pode cuidar das coisas enquanto eu estiver fora?
- Claro, chefe.
- Ah, e use roupas normais, não quero que ninguém da cidade tenha um ataque do coração.
- Ah... - Kogasa parecia uma criança da qual tinham tirado um brinquedo, era extremamente adorável, o que criava um contraste violento com aquelas roupas - tudo bem - ela disse finalmente.
E então Kogasa tocou com o indicador na própria cabeça e aquelas vestes foram substituídas por um belo vestido preto, que estava na fronteira entre formal e informal. E ainda bem, porque eu já estava ficando com medo.
Lúcia olhou de volta para Vítor e sorriu novamente, ele deu graças a deus por não corar facilmente - então vamos? - ela falou.
- Sim, primeiro precisamos ir para a hospedaria e falar com o explorador pra avisar ele sobre os nossos planos.
E os dois saíram da sala, Vítor ainda conseguiu ver Kogasa discretamente fazendo o sinal de ok para ele, que retribuíu da mesma forma.

             *          *          *

Os dois tinham saído, e Kogasa se ocupava tentando pensar em que tipo de casa assombrada faria para um parque de diversões, enquanto sua mente passava por imagens gloriosas de cadáveres cobertos em vermes e pedidos de ajuda quase inaudíveis, alguém tocou a campainha.
- Quem será? - Por um momento, ela se sentiu tentada a colocar a roupa assustadora de novo, para surpreender o novo visitante, mas decidiu obedecer a ordem de Lúcia.
- Olá - ela disse ao abrir a porta.
A pessoa que estava lá era um garoto que parecia ter algo como dezessete anos. Ele era alto e esbelto, estava cheio de ferimentos recentes e suas roupas estavam em frangalhos, mas pelo boné cinza com o logotipo da Mensa Corp e o pacote em suas mãos, Kogasa percebeu que ele era um entregador.
- Quer dizer que finalmente chegou!? - ela disse, com animação transparecendo em sua voz.
- Sim. Desculpe a demora, mas um exército de demônios estava tentando exterminar um reino no caminho pra cá, então eu tive alguns problemas - ele respondeu.
- Ahhhhhhh! - Kogasa estava quase explodindo de animação, era realmente adorável, especialmente agora que ela estava usando roupas normais.
- Assine aqui - o entregador estendeu para Kogasa uma prancheta com uma caneta presa a ela por um fio, essa prancheta parecia ter saído do ar, mas Kogasa estava animada demais para pensar nisso. Ela assinou a prancheta e recebeu o grande pacote, e o entregador saíu andando, sua missão concluída.
Kogasa correu de volta para o quarto, sentou-se em sua cama e abriu o pacote, dentro dele havia um pacote menor, com duas protuberâncias.
Conforme estava escrito, aquele era um pacote especial que continha dois dos bonecos da coleção Metal Negro, que era um animê do qual Kogasa era uma grande fã.
Na verdade, faltava apenas 1 boneco para que ela completasse a coleção, mas os pacotes eram randomizados, podendo vir quaisquer bonecos neles. Kogasa já estava tentando a muito tempo conseguir o último que faltava, mas ele era raro e ninguém estava vendendo na internet.
Kogasa rasgou o pacote como uma fera selvagem e imediatamente ficou desiludida. Eram apenas o Conde Murdoch e Ashitaka da tribo da água. Isso foi uma decepção dupla pois a que ela queria, a Rainha das Fadas invisíveis, não era apenas a última que faltava, mas também sua personagem favorita na série.
Ela colocou Murdoch e Ashitaka em plásticos, decidindo colocá-los a venda, mas logo que ela ia ligar o computador para anunciar a oferta, o sino começou a tocar.
Ela colocou os dois bonecos ao lado do computador e sorriu diabolicamente.
- Bem na hora, eu estava precisando descontar a raiva em alguma coisa.
E ela saíu para atender o chamado.

             *          *          *

Vítor e Lúcia tinham chegado ao terceiro andar do subterrâneo das ruínas. O caminho até então tinha sido simples, mas agora os monstros tinham aparecido. A maioria deles não tinha nada de especial, de fato Vítor já tinha visto monstros como eles em várias das outras ruínas que explorara.
Por outro lado, o monstro chefe era diferente. Em primeiro lugar, ele era maior e mais imponente que qualquer um dos outros, estando mais para o tamanho de um elefante do que de um humano, que os outros tinham.
Fora isso, as garras e presas dele também eram bem maiores e mais pronunciadas e sua cor era mais viva. Ele parecia um plessiossauro com braços longos e mãos imensas, além de quatro pernas grossas, que combinadas com seus braços, davam a ele uma impressão centaurina.
Essa era a maior diferença, pois os outros montros não tinham aquele par de braços, enquanto o resto era do mesmo jeito, apesar de ser proporcionalmente maior.
- Parece que nós vamos ter que lidar com eles - falou Lúcia.
- Então vamos nessa!

                  Batalha das Ruínas

Ingredientes:
- Um mago viajante de uma família de magos.
- Uma vampira de cabelos negros da família Shinso.
- 731 criaturas das ruínas.
- 1 criatura das ruínas versão centauro(Chefe).

Modo de Preparo:

- O mago deve iniciar com seu feitiço destrutivo número 3, uma chuva de explosões para mexer bem as criaturas.

- A vampira deve usar mísseis de ar criados através de socos para bater mais criaturas.

- As criaturas devem atacar ferozmente e em grande número na tentativa de esmagar o mago e a vampira.

- A criatura chefe deve cuspir ácido em cima do mago e da vampira.

- O mago deve usar o feitiço destrutivo número 4, a espada de energia e a vampira deve usar suas Mãos Como Garras para juntos fatiarem as criaturas.

- Ao mesmo tempo que o ítem anterior, o mago e a vampira devem desviar do ácido.

- A criatura chefe deve atacar com seus longos braços e pescoço, para tentar arranhar e morder ao mesmo tempo o mago e a vampira.

- O mago e a vampira devem desviar dos golpes da criatura e contra-atacar fazendo cortes profundos nela.

- A criatura chefe deve atacar desesperadamente na tentativa fútil de matá-los.

- O mago deve preparar sua esfera de energia com mais poder do que o normal e a vampira deve preparar um míssil de ar especial.

- Ambos devem usar seus ataques finais para derrotar a criatura chefe.

- E está pronto!
Todo o exército de criaturas estava derrotado. Então só restava para os dois descerem para o quarto e último andar para recolher os prometidos tesouros.
Lá, havia uma prodigiosa pilha de ouro e jóias, além de vários outros ítens aleatórios, como se o tesouro de um dragão também estivesse sendo usado por um ornitorrinco cleptomaniaco teleportador invisível.
Vítor achou um belo bracelete de metal negro, que lhe servia perfeitamente. Lúcia achou uma fita de cabelo vermelho-escarlate, que decidiu experimentar, o coração de Vítor quase saíu pela boca ao vê-la soltar o cabelo.
Tendo conseguido tesouros legais, Vítor e Lúcia de preparavam para ir embora quando ele avistou uma coisa que atraíu sua atenção, era um boneco meio enterrado na areia.
Vítor pegou ele, era um boneco muito bem feito, que parecia uma linda garotinha usando roupas brancas, seus olhos eram cinzas e seus cabelos eram prateados, e ela também tinha asas semi-transparentes. Ela não usava sapatos, e suas mãos e pés eram grandes e davam a impressão dela ser uma artista marcial.
- Que curioso... - ele disse.
- O que foi? - Lúcia olhou por cima do ombro dele.
- Esse boneco aqui, eu tenho a sensação de ter visto algo parecido antes.
- Ah! - Lúcia reconheceu - ela parece com os bonecos que a Kogasa coleciona.
- Sério? - Ele olhou a sola dos pés do boneco, e percebeu que havia uma data de fabricação lá - 2002 D. K., é recente.
- E o seu bracelete? - ela perguntou.
- Deixa eu ver... 2053 D. K.?
- Ah, então essas são ruínas anacrônicas¹.
- Acho que você tem razão. Então, mais alguma coisa?
- Não - ela sorriu - mas foi muito divertido, devemos fazer isso de novo algum dia.
Pela segunda vez naquele dia, Vítor sentiu vontade de dar pulos de alegria, mas resistiu a tentação novamente. Ele simplesmente colocou o boneco o bolso, talvez Kogasa fosse gostar dele.
Os dois conversaram enquanto voltavam andando. No caminho pra casa, eles avisaram para o explorador que tinham derrotado os monstros. Aquele explorador pegou o tesouro e ficou rico, conseguindo realizar o seu sonho de se mudar para Metro City, a cidade dos metrossexuais, onde todo mundo se veste bem, mas isso não é importante.

             *          *          *

O sino tinha sido tocado porque um dos exércitos tinha sido avistado no horizonte, marchando na direção da cidade. Era um exército bem treinado, e eles estavam numa formação adequada, mas eram apenas soldados normais, então definitivamente não eram os guerreiros mais indicados para enfrentar alguém como Kogasa.
Eles ainda estavam a mais de três kilômetros da cidade quando o terror começou. Kogasa estendeu as mãos e "fez algo", criando um imenso monstro negro de feições horripilantes. Muitos daqueles soldados já tinham sido espancados por Lúcia, mas era a primeira vez que viam o horror que eram as habilidades de Kogasa. Eles mantiveram suas posições, mas o monstro os esmagou sem dar atenção a isso.
Se você perguntasse para Kogasa sobe o que ela era, e qual era a natureza de suas habilidades, ela provavelmente socaria você por ser muito enxerido, mas se por algum motivo inexplicável ela decidisse falar a verdade, diria que não faz a menor ideia. As memórias mais antigas dela são de uma fome terrível que nublava todas as outras sensações.
Ela tinha comido muita coisa, coisas boas e coisas ruins, e tinha mudado muito durante aquele tempo, ela não lembrava, mas era isso que sentia. De vez em quando aquela fome terrível voltava, mas ela conseguia controlá-la com comidas normais. Como ela se encontrou com Lúcia? Essa é uma história para outro dia.
Os soldados estavam debandando em massa, então Kogasa fez o monstro negro desaparecer, mas então ela percebeu que havia alguém vindo em sua direção. Ela criaria outra coisa para lidar com essa pessoa, mas ela estava carregando várias bandeira brancas, e parecia estar algemada.
Kogasa esperou aquele homem se aproximar, enquanto prestava atenção para possíveis armadilhas, ela também se preparou para criar um monstro horripilante a qualquer momento, Kogasa era uma pessoa que gostava de estar preparada. Quando ele chegou perto o bastante, ela disse:
- Alto! Quem vem lá²?
Era um homem acorrentado que parecia ser um prisioneiro, ele não estava realmente "carregando" as bandeiras brancas, que na verdade estavam amarradas nele. O que ele realmente estava carregando era um envelope de carta vermelho.
- Eu sou apenas um condenado sem nome, senhorita³.
Ele continuou falando daquela forma floreada.
- Eu venho aqui a pedido dos representantes de Noxis, Floris e Auris. Os três reinos, para entregar isso para Lúcia, a protetora de Jojo.
Ele estendeu o envelope, que Kogasa pegou.
- Muito bem, eu entregarei para ela, você pode ir.
O homem se virou e saíu andando o mais rápido que podia, enquanto Kogasa abria o envelope e olhava.
- É... - ela disse - eu preciso mesmo mostrar isso pra Lúcia.

             *          *          *

Vítor e Lúcia voltaram para a mansão, mas antes que pudessem entrar, Kogasa apareceu no ar subitamente, dando um susto nos dois.
- Olá, chefe - ela disse.
Lúcia abaixou as mãos que estavam prontas para atacar o inimigo na sua frente, e então falou:
- Olá... alguma coisa errada?
- Você precisa ver isso.
Kogasa entregou a mensagem que estivera dentro do envelope para Lúcia, Vítor olhou por cima do ombro dela para conseguir ver o que a mensagem dizia.

Protetora Lúcia

Depois de anos lutando, nós três finalmente percebemos uma coisa. Você é forte demais para nossos exércitos derrotarem. Já fazem alguns meses que nós estamos nos encontrando em segredo para discutir um possível acordo de paz, mas para que ele possa se concretizar, seu apoio será necessário como garantia da realização dos procedimentos de paz.
Nós entendemos que isso pode parecer muito problemático para você, mas é a única forma que nós encontramos para levar isso a cabo, saiba que um dos termos do acordo é parar de atacar a sua cidade permanentemente. Esperamos que você perceba as vantagens dessa proposta.

Atenciosamente

Júlio, Íon e Carlos. Reis de Noxis, Floris e Auris.

- O que você vai fazer? - perguntou Vítor, percebendo que aquilo era sério.
Lúcia olhou pra ele e então sorriu.
- Tem certas coisas que não parecem certas a respeito disso, mas eu vou lá mesmo assim. Se for verdade, vai ser muito bom, e se não for...
- Você resolverá a situação?
- Isso mesmo. Ah, e posso pedir um favor? Quero que você fique aqui, no caso disso ser um truque.
- E eu? - Kogasa entrou na conversa.
- Eu quero que você investigue o que está acontecendo nos reinos.
- Certo.
- Então eu vou aceitar o seu pedido - disse Vítor.
- Obrigado.
E então Kogasa e Lúcia saíram, cada uma pra um lado.

             *          *          *

Enquanto isso, numa casa de campo próxima. Três figuras que eu evitarei descrever para manter o suspense estavam falando com o chefe daquela casa.
- Isso mesmo. Ele salvou o nosso filho de uma hera venenosa assassina.
A pessoa de que o chefe da casa estava falando era obviamente o Mago Viajante, Vítor. As figuras assentiram ao ouvir aquela explicação e
então se afastaram.
- É realmente infeliz - disse uma das figuras.
- Tem razão - disse outra - mas esse é o nosso dever.
- Isso mesmo - disse a terceira - precisamos executar Vítor Lee.

¹ Ruínas anacrônicas são um estranho fenômeno em que ítems do futuro aparecem em locais que estão fechados a anos. Vários especialistas discutem a respeito, e uma das teorias mais em voga é de que guaxinins viajantes do tempo carregam essas coisas para o passado. O que é ridículo, muitos desses objetos são pesados demais para um guaxinim carregar.
² Kogasa sempre quis dizer isso.
³ É, ele decidiu que se ela queria falar assim, era melhor seguir o exemplo.

Capítulo Anterior
Índice
Próximo Capítulo