sábado, 13 de outubro de 2012

O Mago e a Vampira: Capítulo 5 - As Três Irmãs Magas

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Na verdade Vítor tinha achado um pouco estranho o fato de Lúcia ter pedido pra ele ficar lá, apesar deles só terem se conhecido no dia anterior. Eles realmente tinham se dado bem naquela pequena exploração, mas ainda assim era difícil de acreditar que ela já confiaria nele.
Por outro lado, ele tinha derrotado aquele monstro antes mesmo de conhecê-la, e provavelmente ela esperava que ele fosse atender aos pedidos de ajuda do povo da cidade.
E ele se lembrava daquela intenção assassina que tinha sentido, ela estava mais fraca, mas ainda continuava perceptível por trás das outras sensações que a casa passava. Vítor pensou que era bem possível que o dono daquela intenção fosse um guarda que não hesitaria em acabar com ele caso ele saísse da linha.
Não que ele pretendesse fazer isso, embora ele estivesse disposto a aproveitar o tempo livre para explorar aquela casa. Já que ficar parado seria muito entediante.
Pensado em tudo isso, ele saíu andando pelos corredores inexplorados da casa, e uma coisa que ele rapidamente pode perceber foi que aquela era uma casa complexa, que provavelmente estava cheia de locais ocultos e passagens secretas.
Andando pelo corredor principal da casa, ele decidiu evitar todas as portas que davam em outros corredores, pelo menos no começo. Depois de passar por três delas, ele abriu uma quarta porta, e imediatamente desejou jamais tê-la aberto.
Era um quarto, isso estava absolutamente claro pela cama com dossel e a mesa com um computador, mas o resto do quarto era uma visão que rompia os limites da sanidade. As paredes pareciam feitas de centenas de rostos costurados uns nos outros, alguns desses rostos pareciam estar em agonia, outros possuíam sorrisos maníacos, e ainda outros pareciam observar o próprio Vítor, com olhos acusadores e temíveis, como se eles estivessem prestes a sentenciá-lo pelo pior dos crimes.
Mas esse era apenas o começo do show de horrores, instrumentos de tortura que pareciam récem-usados jaziam jogados no chão ou pendurados nas paredes, instrumentos dos mais variados tipos e para as mais variadas anatomias, como se essa fosse uma macabra exposição histórica.
E isso ainda não era tudo, a cada pequeno detalhe daquele lugar que era absorvido pela mente de vítor, havia mais um pequeno horror esperando para ser descoberto, mas o pior de tudo ainda estava por vir, pois a mente de Vítor tentava desesperadamente não compreender o verdadeiro terror daquela cena, mas não havia possibilidade, tudo já estava entrando em foco.
Eram as cores. Tudo o que havia naquele quarto estava pintado nas cores que causariam a pior distorção possível, rosa, azul-bebê e os vermelhos menos violentos possíveis. Aquilo era algo absurdo, era como ver um coelho comendo a si próprio, era como perceber que havia um número extra na contagem de 1 até 10, e Vítor sentiu um pedaço de sua infância morrendo imediatamente ao perceber aquilo.
Ele bateu a porta com toda a força que tinha.
- Esse... deve ser o quarto da Kogasa - ele concluíu, assim que conseguiu colocar os pensamentos em ordem.
Ele voltou a andar pelo corredor, ainda tremendo, mas confiante de que o pior já tinha passado.
Depois de algum tempo, ele chegou a outra porta, dessa vez ele abriu ela lentamente, e foi surpreendido por uma visão estranhamente normal.
No canto do quarto havia uma pequena cama com lençóis vermelhos, no outro canto havia um guarda-roupa imenso, que parecia ter o dobro do tamanho de um normal. O tapete era branco como o céu de alvorada, enquanto as paredes e o teto eram negros como a meia-noite. Haviam três mesas redondas de cinco cadeiras, cada uma com algo diferente em cima.
Uma delas tinha uma chaleira e algumas xícaras, a segunda tinha uma coleção de diferentes relógios. Analógicos, digitais, biológicos¹... finalmente, a última mesa tinha um tabuleiro de xadrez com peças em cima, mas as peças não estavam nas suas posições iniciais, então esse devia ser um jogo em andamento.
Foi a segunda mesa que fez Vítor ter certeza de que aquele devia ser o quarto de Lúcia, apenas ela seria tão maníaca por relógios. Vítor sentiu uma vontade súbita de adentrar naquela fronteira proibida, mas fechou a porta ao invés disso, aquele não era um caminho que ele queria trilhar.
Depois de mais algum tempo andando, Vítor finalmente chegou ao final do corredor, e havia uma última porta lá. Curioso, pois as duas últimas tinham sido quartos, ele estendeu a mão para a porta.
Antes que ele pudesse colocar a mão na maçaneta, a campainha tocou, quem poderia ser? Será que ele tinha sido deixado lá para receber aquela pessoa? Foi o que Vítor pensou, e a resposta era "definitivamente não".
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Kogasa andava pelas ruas da cidade, disfarçada como um adorável cãozinho, aquele era um dos truques favoritos dela, alguém sempre tentava levá-la pra casa, e ela dava um tremendo susto na pessoa. Hilário.
O que ela encontrou foi exatamente o esperado de uma cidade militar. Grandes mercados abertos oferecendo todos os tipos de produtos, pequenos acrobatas, malabaristas e outros tipos de performistas realizavam feitos que desafiavam a lógica em troca de algum dinheiro, grandes esquedrões realizavam duros exercícios de combate e guardas bem armados patrulhavam os silos contendo os suprimentos de que a cidade necessitava para continuar funcionando.
Depois de tantos anos de guerra, aquela civilização havia alcançado uma complexidade muito grande, sendo composta de pequenos grupos com interações rigidamente determinadas. Qualquer sociólogo ficaria incrivelmente animado com a oportunidade de estudar algo assim, mas Kogasa não era uma socióloga, e tinha um trabalho a fazer.
Depois de assustar a pessoa requerida², Kogasa mudou para a forma de um mosquito, e adentrou uma das tendas do comando, não havia ninguém lá, então ela repetiu o processo com várias outras tendas até encontrar o ouro.
Bem, não era exatamente ouro, mas era um grupo de pessoas que destoava do resto da cena.
Haviam 11 deles, 6 pareciam híbridos de humanos e lobos, com uma forma humanóide coberta de pêlos e cabeças que variavam de meio caninas até cabeças iguais a de lobos, e estavam carregando ao redor de seus corpos uma grande quantidade de correntes que terminavam em ganchos afiados.
Um outro era um homem baixo e nada ameaçador, exceto pelo machado de duas mãos que ele afiava usando uma máquina. Outra ainda era uma elfa musculosa que estava usando luvas de metal.
Também havia uma quimera, que tinha cicatrizes espalhadas pelo corpo, e um olhar inteligente que observava o resto dos outros calmamente, além disso, havia uma pequena garotinha que carregava uma foice.
Finalmente, havia um homem alto, musculoso e imponente que estava usando uma armadura completa dourada e trazia uma espada de duas mãos presa nas costas. Todos eles eram definitivamente fortes.
"Um grupo de mercenários", Kogasa pensou "o que eles estão fazendo aqui?"
Ela teve sua resposta rapidamente, ao ouvir a conversa deles:
- Lúcia deve estar chegando - falou o homem de armadura, com uma voz alta e fazendo gestos expansivos - Rendi, você fica com ela - o homem do machado assentiu e, fazendo o machado desaparecer(Lúcia achou que ele devia ter algum tipo de espaço vazio), saíu da tenda - Anoris - ele continuou, apontando para os usuários de correntes - observem de longe e deem apoio a ele caso seja necessário - eles também saíram.
Então ele se virou para a garota da foice:
- Você viu o que aquela tal de Kogasa sabe fazer, não viu? - a garota assentiu - posso confiar em você pra lidar com ela?
- Claro - a garota falou, sorrindo docemente.
- Então vá.
Enquanto ela estava indo, o cara da armadura se dirigiu aos outros - nós vamos apenas continuar nas nossas posições anteriores e esperar novas ordens.
Os outros assentiram e saíram da cabana. Kogasa esperou alguns momentos antes de seguí-los, pensando "É uma armadilha, e eu não vou poder nem avisar a Lúcia."
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Vítor chegou até a porta, ele se preparou para atender, mas quando chegou perto da porta, seus instintos fizeram ele saltar para trás, e foi bem a tempo, pois logo depois, a porta aparentemente explodiu.
Vítor tinha se afastado, mas mesmo assim ele foi atingido por cacos de madeira que voaram da porta. Vítor olhou para o local da explosão, e viu quando a poeira começou a baixar.
Haviam três velhas, velhas o bastante para seus cabelos serem brancos, as três também eram baixas e estavam usando robes brancos. As feições delas eram similares o bastante para Vítor se convencer de que elas eram irmãs. E nenhuma delas possuía aquela fragilidade das pessoas no fim da vida. Pelo contrário, as três eram mais parecidas com árvores anciãs, que ficam cada vez mais densas e resistentes com a idade.
A próxima coisa que Vítor percebeu foi que cada uma delas estava segurando uma arma. Aquela que estava na frente das outras possuía uma espada de duas mãos. A que estava mais atrás tinha um cetro. E a que estava entre elas estava usando manoplas bem maiores que a mão dela.
- Ei, vocês! Tomem cuidado com isso! Alguém podia ter se machucado! - Vítor gritou.
Aranea(a velha da espada. Eu não vou fixar chamando ela de velha da espada até alguém falar o nome dela) apontou sua espada para Vítor.
- Vítor Lee! Em nome do bem-estar e ordem no mundo, nós viemos aqui para te executar!
E as três avançaram como uma só. Nesse ponto existe uma coisa que se deve levar em consideração. A família Lee tinha apenas duas regras. A primeira era que todos os membros da família tinham que aprender pelo menos magia o bastante para fazer um feitiço, não importa quão pequeno. E a segunda era que eles tinham que ficar longe de Kali, de qualquer jeito. Essa segunda regra é interessante pois ela mostra uma coisa importante sobre a visão de mundo dos Lee. Eles não são orgulhosos demais pra fugir.
E fugir foi o que vítor fez, ele virou de costas e deu no pé, mas logo percebeu que jamais poderia escapar daquelas três simplesmente correndo. Meenah (a das manoplas) estava aparentemente usando um feitiço de movimento rápido.
Vítor tentou atacar elas enquanto corria, mas nenhum de seus ataques funcionavam, as magias de longa distância eram bloqueadas por Aranea ou Meenah, e tentativas de se aproximar eram respondidas por cubos de energia lançados por Porrim (a do cetro) que eram bem mais fortes que as esferas de energia de Vítor.
Vítor podia ser habilidoso, mas aquelas três obviamente tinham muito mais experiência do que ele. E vítor só tinha um feitiço que ainda não tinha tentato, seu quinto feitiço, mas atingir as magas com ele seria difícil. Pensando rápido, Vítor decidiu que sua melhor chance seria entrar em um dos quartos e atacar quando elas entrassem atrás dele. Porém, no momento em que pensou nisso, Vítor perdeu a concentração. Era exatamente o que as três estavam esperando.
Em um movimento fabulosamente rápido, Aranea se aproximou dele e atacou com a espada de baixo pra cima, Vítor criou sua espada de magia a tempo de bloquear o golpe, mas a pura força por trás daquele ataque jogou os braços dele para trás. Meenah avançou a seguir, juntando as mãos e atacando com elas antes que Vítor pudesse baixar os braços para se defender. Ele se preparou para a dor, mas ao invés disso Meenah tocou nele levemente sussurrando Dominum, e subitamente Vítor sentiu como se estivesse coberto de terra. Cada movimento saía apenas depois de um imenso esforço, e Porrim completou o ataque triplo criando um cubo de energia ainda maior que os outros e lançando ele na direção de Vítor. Ele não poderia se mover rápido o bastante para sair de lá, mas ainda tinha uma chance. O último feitiço.
Canalizando grandes quantidades de seu poder mágico pelo braço, Vítor fez ele brilhar em uma luz dourada. Várias veias romperam, músculos rasgaram e ossos racharam, mas aquele braço pode se mover livremente por uns breves momentos. E ele socou o cubo.
A explosão foi tremenda.
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Vítor acordou no porão da casa. Todo o corpo dele doía e haviam destroços em todos os lados, mas o que realmente chamou a atenção dele foi a grande quantidade de correntes que estavam naquele lugar, correntes imensas, que pareciam feitas para prender dragões, correntes presas no teto, nas paredes, no chão. Correntes mantidas no lugar com pedras pesadas, com cravos similares aos usados em escaladas e algumas que pareciam coladas. E haviam várias correntes que haviam se soltado devido a destruição que a luta de Vítor e das magas tinha causado.
E então, uma corrente se rompeu.
Seguida de outra.
Todos os instintos de Vítor gritavam para ele fugir, mas antes que ele pudesse, Vítor ouviu uma voz ao lado dele.
- Ei, Vítor.
Vítor quase torceu o pescoço, com a velocidade que ele se virou, mas o que estava lá era muito diferente do que ele tinha esperado. Era uma bola de luz, uma bola de luz verde que aparentemente podia falar³.
- Quem é você? - ele perguntou, de maneira muito pertinente.
- Meu nome é Akinima. Eu sou uma pixie, e minha função é cuidar dessa casa.
- Como você consegue falar? - ele fez uma pergunta menos pertinente.
- Isso não é importante. Você entende o que está acontecendo?
- Tem alguém aqui, que aparentemente quer matar tudo o que existe, pela sensação que eu estou tendo. E está se soltando.
- Exatamente, mas eu tenho que explicar quem é essa pessoa, antes que você faça alguma coisa de que se arrependeria.
- Então quem ela é?
- Essa é... Amanda, a irmã da Lúcia.

¹ Alguns cientistas malucos ouvem o termo "relógio biológico" e entendem errado.
² A pessoa que ela tinha assustado espalhou a história, e a lenda do "cachorro de três cabeças" se tornou muito bem conhecida algumas décadas depois.
³ Existem cientistas chamados xeno-fonologistas que estudam a produção de sons por fontes não usuais. Essa seria uma das coisas que eles estudam.

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domingo, 12 de agosto de 2012

Os Principados de Toc

Uma promessa ancestral entre humanos e fadas faz com que sete princesas tenham que lutar contra as Forças das Trevas. Depois de centenas de anos, a magia, a humanidade e a tecnologia se misturaram, e o continente que elas juraram defender está experimentando um período de paz. Mas as Forças das Trevas estão se fortalecendo novamente...

Prólogo

Os Principados de Toc: Prólogo - No Passado

O dia estava animado na Corte Central. Pequenas fadas de asas multicoloridas delicadas voavam de um lado para o outro, dando notícias. Espíritos brilhantes e cheios de energia se reuniam ao redor da sala do trono. Duendes aproveitavam a movimentação para fazer performances ou vender coisas. E até um dragão tinha saído de sua caverna e estava flutuando impossivelmente alto no ar, observando com muito interesse.
E qual era a razão disso? Simples. Era a primeira vez em incontáveis eras que um humano recebia permissão para ter uma audiência com a Rainha das Fadas. E isso só havia acontecido porque aquela humana era muito especial.
Não havia muita gente dentro da sala no trono naquele momento. Haviam 12 guardas corvo, três em cada canto da sala, observando os procedimentos solenemente e sem mover um músculo, mas preparados para agir num instante caso sua intervenção fosse necessária. Eles pareciam homens musculosos, com excessão da cabeça, que parecia com a de um corvo, mas maior do que a de qualquer corvo normal. Eles estavam usando belas armaduras brancas e carregavam duas espadas nos braços cruzados.
No centro da sala, diante do trono, estava a pessoa que havia conseguido uma audiência com a rainha. E ela era alguém que dominaria completamente o ambiente em qualquer outro lugar. Era uma mulher alta e bonita, que parecia ter mais ou menos trinta anos, mas na verdade estava mais próxima de quarenta, ela tinha cabelos negros longos, que estavam presos num coque, junto com uma magnífica tiara de diamantes. Os olhos dela eram castanhos e sábios, e ela estava usando um vestido verde claro que havia tomado 12 meses para ser feito, e sua perfeição em cada detalhe e enfeite mostrava isso, mas o que realmente fazia ela se destacar era sua aura, uma aura de sabedoria e autoridade que fazia quase todas as pessoas próximas mostrarem respeito mesmo sem perceber. Mesmo os guardas corvo estavam se curvando levemente na direção dela. Ela era a Grande Rainha Íris, a Magnífica. Conhecida pelas fadas como "A Mais Poderosa Entre os Humanos".
Ao lado dela, havia alguém que não tinha uma presença menos marcante, era uma pequena e adorável garotinha que não parecia ter mais de nove anos, cujo sorriso parecia indicar uma felicidade que não cabia no próprio corpo. Os olhos dela eram negros, mas não simplesmente negros, eles eram negros como a vastidão do espaço, e realmente era possível ver estrelas neles com esforço. Os cabelos dela eram prateados, mas pareciam mais ser fios da mais fina e perfeita prata, que fluíam até as costas dela, flutuando de formas impossíveis. Ela estava usando um vestido simples de duas cores, exceto que aquelas cores eram um vermelho e um branco mais vibrantes do que qualquer coisa que pudesse ser feita sem o uso de mágica, e a maioria das coisas que podiam ser feitas com mágica, de fato, suas cores eram tão profundas que elas podiam ser percebidas mesmo por aqueles que não possuiam olhos normais. O vestido também se movia perfeitamente em conjunção com o corpo dela, como se fosse uma parte dela, o que de fato era, de certa forma. Juntando tudo isso, aquela pequena garota dava uma impressão de Poder, que era apropriada, considerando que ela era uma Garota Mágica, uma daquelas que comiam, bebiam e respiravam magia. E não apenas uma garota mágica, ela era a legendária Garota Mágica do Infinito, conhecida pelas outras garotas mágicas como "A Mais Próxima da Fonte", e elas se recusavam a explicar o que isso significava.
Ao lado do trono havia alguém que não tinha uma presença tão marcante quanto aquelas duas, mas também não estava nem perto de ser uma pessoa comum, como podia se ver pelo fato de que ele não estava se mostrando afetado por nenhuma das presenças que competiam naquela sala. Ele parecia um garoto humano, e realmente havido nascido daquela forma, mas tinha se perdido no reino das fadas em tempos imemoriais. O garoto estava usando vestes brancas muito simples, mas não destoava em nada da cena deslumbrante ao seu redor, pois ele parecia completamente confortável naquela situação, com um sorriso misterioso no rosto e elegância no andar. Ele realmente era o mais adequado para uma das posições mais invejosas no Reino das Fadas. Seu nome humano estava perdido no tempo, mas as fadas chamavam ele de Kallium, o Pajem da Rainha.
E a última pessoa naquela sala era obviamente a Rainha das Fadas, e a presença dela era a mais dominante em toda a sala do trono, e não apenas porque aquele era o Local de Poder dela. Ela tinha uma aparência tal que seriam necessárias palavras que não existem em nenhuma língua. A beleza dela ia além da mera concepção de beleza, e todos os olhares eram invariavalmente atraídos por cada minúsculo movimento que ela fazia. A cor de seus olhos era algo que não podia ser imitada por qualquer outra coisa existente, a expressão deles dizia que todos os que estavam perto seriam bem vindos como servos dela, e era quase impossível não pensar pelo menos uma vez que isso era o que você queria. O corpo dela parecia mais vivo e mais "real" do que tudo que havia ao redor. As asas dela eram tão claras e finas que pareciam que poderiam se desfazer em poeira com um simples olhar, e suas cores eram um negro tão profundo que parecia que iria sugar todos ao redor e um branco tão brilhante que era quase impossível de se olhar. As roupas dela lembravam pinturas, pois elas eram perfeitas demais para realmente existir na realidade. E finalmente a já mencionada presença dela envolvia todos os que estavam no mesmo cômodo, dando a eles uma nítida impressão de que seria impensável a mera sugestão de se ir contra ela. Ela tinha tantos nomes quanto haviam de estrelas no céu, mas seu nome mais conhecido era Camille, Rainha e Comandante Absoluta das Cinco Cortes do Povo.
A sala no trono em si também era magnífica, perfeita para um encontro que decidiria o curso da história. Ela era toda feita de um material que parecia mármore branco, com altas colunas espetacularmente gravadas e pinturas nas paredes que pareciam mostrar diversas cenas diferentes da história do Povo, dependendo de que ângulo fossem olhadas. O chão era azul celeste e feito de azulejos produzidos e montados tão perfeitamente que era impossível dizer onde um começava e outro acabava, parecendo mais um único e imenso azulejo impecável. O trono onde Camille estava sentada tinha uma cor dourada leve, e combinava perfeitamente com a majestade da Rainha. Suas linhas eram simples e belas, e quando os móveis dormiam, eles sonhavam em ser como aquele trono.
Íris tinha acabado de explicar para Camille a respeito de todas as Forças das Trevas que estavam se reunindo no distante Continente de Toc. Ela falou também a respeito dos planos dela de avançar com seu exército sobre aquele continente e impedir que os inimigos saíssem para atacar o resto do mundo. E então ela parou e esperou por um comentário de Camille.
- Minhas pequenas fadas e espíritos já haviam me informado de tudo isso que você fala. O que eu quero realmente saber é sobre as suas intenções em vir aqui e requisitar uma audiência comigo - foi a primeira coisa que Camille falou.
- Minhas intenções aqui são simples, quero pedir o seu apoio na minha campanha contra as Forças das Trevas - foi a resposta de Íris, normalmente ela não seria tão direta, mas tudo o que tinha ouvido sobre a famosa Rainha das Fadas indicava que esta não apreciaria o tipo normal de diplomacia.
- Essa é uma proposta estranha, jovem senhorita, especialmente considerando que os nossos súditos não tem se dado muito bem no passado.
- Embora eu não possa negar o fato de de o Povo e a Humanidade terem tido diversos conflitos, eu acredito que você tenha percebido que a ameaça representada pelas forças das trevas é muito mais importante do que qualquer iniminizade que nossos povos possam ter.
- Eu posso entender o motivo que levou você a procurar a nossa ajuda, mas existe um pequeno problema com a sua proposta.
- Esclareça para mim qual é o problema que você encontrou no assunto da cooperação entre nós.
- Simplesmente, eu creio que, mesmo com a nossa ajuda, vocês não sejam capazes de derrotar as Forças das Trevas. De fato, eu nem sequer teria concordado em te dar a audiência se não fosse a sua "companheira", que estava destruindo barreiras mágicas ancestrais só de passar perto delas.
Ao ouvir isso, Infinito se moveu ligeiramente ao perceber que estavam falando nela, mas não pareceu realmente preocupada. Íris se esforçou para não deixar nada de especial transparecer em seu rosto. Ela sabia que algo assim iria acontecer, a simples ameaça das Forças das Trevas não seria o suficiente para fazer Camille se mover, ela só tinha uma chance, apesar de ter preferido que as coisas não chegassem a esse ponto. Ela falou:
- Ah, mas eu receio que você esteja enganada em relação a isso. De fato, eu tenho tanta certeza de que nós seremos capazes, que estou disposta a fazer uma aposta com você a respeito disso.
Íris percebeu o brilho nos olhos de Camille ao ouvir a palavra "aposta", mas quando a Fada falou, sua voz mantinha o mesmo tom levemente zombeteiro de antes.
- É mesmo? De que aposta nós estaríamos falando?
- Eu aposto que as minhas filhas, sozinhas, seriam capazes de liderar o ataque no continente de Toc e vencer, se tivessem o apoio do Povo.
O sorriso de Camille aumentou levemente antes dela responder.
- As sete princesinhas? Essa parece uma aposta interessante, mas você sabe qual seria o preço se elas falhassem, não é?
Íris não mudou o tom de voz ao falar.
- Claro, eu conheço muito bem as apostas com as fadas. Você iria ficar com todas elas, não é? As coisas não chegarão a esse ponto, pois elas irão vencer.
Camille se levantou, sorrindo ainda mais intensamente que antes, antes de falar:
- Então o que você acha dessa aposta? Eu, Rainha e Comandante Absoluta das Cinco Cortes do Povo, prometo apoiar com todos os recursos possíveis o ataque ao continente de Toc, inclusive dando de presente para as princesas sete Tiaras Encantadas que irei abençoar com as minhas próprias mãos. Desde que as sete princesas possam destruir todas as Forças das Trevas, libertando o continente de Toc e o resto do mundo da ameaçada representada por elas. Caso elas falhem nessa empreitada, todas as sete irão se tornar minhas súditas dentro do Reino das Fadas. Isso é aceitável?
Íris não hesitou.
- Sim, eu, Rainha Íris, a Magnífica, comandante de todas as terras dos humanos, concordo com os termos expostos por Camille.
E assim estava feito. As duas Rainhas chamaram seus generais e ajudantes para ajudar no planejamento para a invasão conjunta. E durante todos os procedimentos, Camille riu silenciosamente, crente que tinha conseguido enganar a humana. A promessa tinha sido dita de tal maneira que ela se aplicava a todas as princesas humanas, incluindo as futuras, e destruir completamente as Forças das Trevas era praticamente impossível, pois alguns sempre escapavam e voltavam a reunir poder em segredo. As princesas e suas descendentes teriam que continuar lutando contra elas eternamente, ou até que falhassem.
O que ela não sabia é que a Rainha Íris tinha percebido completamente o truque colocado na promessa, e tinha aceitado apenas porque sabia que Camille não daria ajuda de outra forma. Por dentro, ela rezava que suas descendentes fossem fortes o bastante para encarar esse desafio.

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domingo, 17 de junho de 2012

Capítulo 2 - História de Laplace: Excertos Reunidos pela Ordem dos Historiadores

Havia apenas Ordem e Caos, conhecendo apenas a luta entre si, mas a incessante batalha entre aqueles dois deu origem a quatro novas entidades. Vida, Morte, Tempo e Espaço. Vida e Morte se casaram, assim como Tempo e Espaço, e a união deles deu origem as regras básicas do mundo, e junto com elas, houve a aparição dos primeiros espíritos, cujas formas ainda eram indefinidas. As quatro entidades tiveram 12 filhos no total, que ficaram conhecidos como os Deuses maiores e esses filhos foram os criadores do mundo e de todos os seus habitantes.
- Primeiro Parágrafo da Bíblia Sincretista de Alomar Konkani.

Desde o começo, não houve harmonia. O primeiro conflito deve ter surgido devido a algo pequeno, como um pedaço de fruta, mas rapidamente os seres de Laplace estavam matando uns aos outros em grandes guerras, ciclos de dor e destruição englobavam todos até o ponto em que eles se tornaram tudo o que aqueles seres conheciam.
Os deuses escolheram lados, e muitos dos deuses menores morreram naqueles conflitos, mas eventualmente, Morte decidiu que as coisas já tinham ido longe demais. Ele escolheu um daqueles seres para ser seu mensageiro.
Ninguém sabe como era o Mensageiro da Morte, mas todas as raças retratam ele como um membro da raça deles. O que é certo foi que o Mensageiro viajou por todo o mundo espalhando histórias sobre uma possibilidade, paz. Essa esperança contagiava a todos que a ouviam, e o número de seguidores do Mensageiro crescia dia após dia.
No final, ele entrou no meio do campo de uma batalha entre as três maiores facções remanescentes, as únicas que ainda estavam lutando. Ele foi ferido mortalmente naquela batalha, mas rezou por um milagre e o obteve, ele conseguiu fazer com que suas últimas palavras fossem ouvidas por todos no campo de batalha.
O último discurso dele foi a coisa mais linda que alguém já tinha ouvido, ele falou sobre amor e perdão, ele falou sobre amizade e confiança, ele falou sobre identidade e comunidade. Quando ele terminou de fazer, todos os soldados deixaram cair suas armas e começaram a chorar. E foi assim que surgiu a paz.
- Resumo dos documentos e histórias reunidas por Allison Alias, a fundadora da ordem dos historiadores.

Os Primeiros Heróis
Tipo assim, ano passado, esses "demônios"(pelo menos é assim que todo mundo está chamando eles) atacaram o nosso mundo. Felizmente, eles vieram praticamente do outro lado da parte do mundo onde eu moro, porque senão as coisas iam ficar feias, vocês sabem! E por um tempo, parecia que ninguém poderia parar eles, porque eles iam, tipo, matando todo mundo no caminho, e ninguém sabia porque. Mas então, vocês sabem o que aconteceu?
Apareceu um herói pra salvar todo mundo, e ele é tão adorável :)! Ele é um daqueles anoros, vocês sabem aqueles bichinhos bonitinhos que vivem em cavernas? O nome dele é Homero, e mal dá pra acreditar que ele consegue lutar tão bem mesmo sendo tão pequenininho.
E parece que depois de verem ele lutando, apareceram outras pessoas que queriam tentar proteger o mundo. Tem a Célia, ela é humana, e é uma menininha tão bonitinha que quase não dá pra acreditar que ela é uma maga que consegue destruir cidades inteiras em pouco tempo. Tem o Critilo, que é um gatão, ele é um elfo e é um artista marcial cheio de músculos que consegue abrir a cabeça dos demônios com as mãos. Tem a Turana, que é uma loba que trabalhava como dançarina, e parece que isso deu a ela alguns poderes estranhos. E também tem o Lumos, que é um anão que é um padre da Vida, por causa disso ele consegue curar as pessoas(Yay!) e criar zumbis(Ugh!).
Todos eles se juntaram, e foram derrotando os inimigos até chegar ao chefão, o cara, o general dos demônios! Eles derrotaram ele e o exército dos demônios recuou!
E é claro que os 5 viraram celebridades. As pessoas escrevem histórias sobre eles, existem grandes discussões sobre qual deles é o mais legal e algumas delas chegam até a brigas, e tem vários festivais onde as pessoas se vestem que nem eles.
Eles ensinaram uma lição pra todos nós, que nós temos que saber nos proteger, então tem muita gente treinando com espadas, magia e tudo mais pro caso dos demônios voltarem. E se eles voltarem, basta dizer que vão ter uma surpresinha(hehehe)...
- Postagem de Blog de Maria Levinstein, recuperada de um velho servidor.

Os demônios pararam de vir, e quem diria que isso acabaria sendo a pior coisa que poderia acontecer. Todo mundo ficava treinando, criando armas e tudo mais, só que não tinha nenhuma ameaça em que usar as armas, então eventualmente, nós começamos a usar elas contra nós mesmos.
As guerras eram praticamente ininterruptas, todo dia algumas alianças eram feitas e outras eram quebradas, ninguém sabia o que ia acontecer no dia seguinte, então todo mundo tentava reunir o máximo de poder possível enquanto estava vivo. Nós chamávamos de heróis aqueles que matavam muita gente do lado do inimigo.
De todos aqueles que comandaram exércitos, um se destacou acima de todos os outros. Ele é chamado de Imperador Celestial, pois seus seguidores acreditam que ele tenha vindo do céu. Depois de falar com ele uma vez, acredito que pelo menos parte disso seja verdade, senão como é que ele conseguiria sobreviver com todas aquelas esposas? Ele tem centenas!
Ele comandou um grupo de incríveis suditos, muitos deles se tornando esposas dele depois, ele conseguiu obter a amizade mesmo daqueles que derrotava, e era o melhor administrador possível, porque sabia deixar o trabalho para quem realmente soubesse fazê-lo, então o nível de vida das nações que ele conquistava subiam. O povo amava ele, os soldados amavam ele, de fato todo mundo amava ele.
O cara conseguiu dominar todo o mundo de Laplace, foi o primeiro que fez isso em toda a história, e ele até derrotou a maior invasão dos demônios até agora, quando eles inevitavelmente voltaram.
Eu era um cético, mas depois de tudo isso, eu acho que está tudo bem em ter esperança. Eu creio que o império dele poderá manter essa linda paz por muito tempo.
- Escritos de Alfonso Hefereto, filósofo.

A Segunda Era dos Heróis: Aconteceu pouco a pouco. Uma província entrou em guerra com outra. Um círculo de magos começou a sequestrar pessoas de uma cidade para uso em experimentos. Os monstros começaram a ficar mais e mais agressivos.
Logo, a paz tinha sido destruída, mas as coisas não eram tão ruins quanto poderiam ser, pois os heróis haviam retornado. Naquele novo mundo em que os ataques dos demônios eram raros e exércitos faziam mais mal do que bem, as pessoas começaram a depender mais e mais de guerreiros poderosos.
Todos os estilos de combate floresceram nessa época, alguns dos maiores épicos foram escritos, as civilizações avançavam e caíam ainda mais rápido do que antes.
Essa foi uma era que durou cinquenta mil anos, e as pessoas não perceberam na época, mas ela se encerrou com a primeira aparição... de Kali.

Kali Aparece: Foi um dia como qualquer outro. Numa certa vila, cujo nome foi esquecido pela história, Kali apareceu. Ela entrou andando e logo atraíu atenção. Mas a primeira pessoa a falar como ela foi incinerada viva.
O terror se instaurou, lâminas voadoras, relâmpagos, estacas de gelo. As pessoas morreram uma por uma, e a vila foi completamente destruída. Apenas dois irmãos conseguiram escapar vivos, mas isso foi provavelmente proposital, pois mais tarde os dois se tornariam os fundadores do Culto de Kali.
Obviamente, missões foram organizadas para tentar derrotá-la, mas todas falharam, caçadores de recompensa, destacamentos do exército, guardas reais...
E Kali continuava causando destruição e morte em todos os lugares por onde passava. No final, foi uma equipe de quatro aventureiros que conseguiu derrotá-la, mas a um preço alto. Nenhum deles sobreviveu a batalha.
As pessoas achavam que o terror tinha acabado, mas anos depois, Kali reapareceu. Mas as ações dela ficaram ainda mais enigmáticas. Ela não atacava tão frequentemente quanto antes, e não parecia ter nenhum padrão. As vezes ela até aparecia em cidades e simplesmente não atacava.
Isso ocorreu durante milênios, com ela sendo derrotada várias vezes durante esse tempo, e a maioria das grandes batalhas do mundo envolvia ela de alguma forma.

Os Cem Anos de Escuridão: Eventualmente, pareceu que ela tinha sido finalmente derrotada permanentemente. Kali tinha sido selada dentro de uma estátua de pedra, mas o culto dela já estava forte demais.
Eles sempre tinham causado problemas, mas o estado de seu objeto de adoração fez com que todos entrassem em uma fúria descontrolada, e foi aí que o verdadeiro terror do Culto de Kali foi conhecido.
Todos os tipos de pessoas, de todas as raças, idades, trabalhos e posições sociais subitamente começaram a destruir e matar todos os que eles podiam.
Aqueles foram tempos difíceis, as organizações eram devastadas e as pessoas mal conseguiam sobreviver, quanto mais revidar. Não houve ninguém que não perdeu algum ente querido durante esse tempo.
Por fim, tudo voltou ao normal quando Kali foi libertada de sua prisão. Ninguém sabe exatamente quem fez isso, talvez tenha sido uma equipe de aventureiros cultistas, talvez um dos próprios defensores da ordem tivesse achado que não havia outro jeito, ou talvez o poder do feitiço tivesse simplesmente acabado.
O fato era que Kali estava de volta no mundo.

A Terceira Era dos Heróis: E finalmente chegamos ao presente. Incursões de demônios, cultistas destrutivos e Kali. Os maiores problemas do mundo de Laplace. Mas o fato de que tais horrores existem significa que surgirão heróis para combatê-los. E essa história ainda está sendo escrita.

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Capítulo 1 - O Mundo de Laplace - Um Resumo

A primeira coisa que qualquer geógrafo te diria sobre o mundo de Laplace, é que ele é plano. Mas ele não é um disco horizontal que flutua no espaço ou é carregado nas costas de uma besta cósmica. Laplace se assemelha mais com uma parede, uma parede de proporções astronômicas que é transversal em relação a praticamente todos os movimentos cósmicos.
Uma parede banhada pela luz de uma estrela, e cujo ciclo de dias e noites é regulado pela lua que se move de um lado para o outro, causando eclipses em todas as partes do mundo pelas que ela passa.
Laplace tem uma grande variedade de climas, desde desertos vulcânicos onde o ar queima, até zonas glaciais de temperaturas tão severas, que a própria gravidade congela. A maior parte disso não acontece devido ao ciclo lunar, mas sim por causa de influências muito mais locais. Grandes criaturas cujas auras alteram o ambiente ao redor, ou campos eletromagnéticos criados por cidades tecnológicas.
De fato, em alguns casos, as influências sobre o clima são tão poderosas, que é possível encontrar dois biomas radicalmente diferentes lado a lado, como uma floresta pulsando de vida e uma planície estéril.
E obviamente, a grande variedade de ambientes resulta em uma variedade ainda maior de seres vivos. Não apenas as plantas, animais e fungos usuais, mas também mineirais vivos, criaturas de pura energia e seres parte animal, parte vegetal, entre outros.
Os potenciais ecossistemas onde esses seres se encaixam são inúmeros, e eles ficam ainda mais complicados devido as outras influências locais, levando a existência de situações aparentemente impossíveis, tais como um ambiente com mais predadores do que presas disponíveis.
Em consequência disso, existem diversos seres inteligentes, não apenas os normais, como humanos e anões, mas também anoros e lobos eslavos, dentre outros, assim como uma grande prevalência de híbridos.
Falando nisso, geneticistas garantem que não existe mais algo que se possa chamar de "raça pura", sendo que todos possuem genes de várias raças em seu DNA, os genes mais comuns são os humanos, e de fato, vários biólogos acreditam que a habilidade de gerar híbridos é algo que vem dos humanos.
Outros seres inteligentes notáveis são alguns grupos de espécies cujos membros normalmente não são conhecidos por viver em sociedade, como mantícoras e quimeras, e outras cujos membros normalmente não possuem inteligência o bastante para tanto, como ursos.
Em se tratando de influência no mundo, os dois grupos mais poderosos são A Irmandade da Ordem e As Crianças do Caos. Esses dois grupos seguem Ordem e Caos, os deuses supremos do mundo de Laplace, o primeiro se dedica a fomentar a construção de cidades e reinos, enquanto o segundo se dedica a fomentar a destruição deles. Esses grupos são os responsáveis pela instabilidade do mundo de Laplace.
As cidades em Laplace geralmente duram apenas algumas dezenas de anos, crescendo, se desenvolvendo e decaindo extremamente rápido. Então a imagem do mundo de Laplace não é definida por elas, mas sim pelas grandes organizações. Tais como a Anatech, a companhia de construção que praticamente controla o mundo, e o Sindicato dos Magos, uma união de todos os usuários de magia notável por sua neutralidade.
Isso não significa que não existam cidades importantes, porém. Ninguém sabe o motivo, mas algumas cidades conseguem permanecer de pé através das eras. Tais como Talifrais, a cidade dos guerreiros. E Azukidori, a cidade flutuante mercantil.
As cidades normais se desenvolvem imensamente rápido, mas elas não se desenvolvem de maneira igual. Algumas cidades se tornam metrópoles futuristícas cheias de robôs e tecnologia avançada, outras atingem seu ápice como giga-áreas urbanas com diversos submundos abaixo da superfície, ainda outras acabam parecendo com cidades grandes do mundo humano, só que contendo super-heróis e/ou outras coisas sobrenaturais, e cujo desenvolvimento está congelado por razões variadas. E essas são apenas variações baseadas em Tecnologia.
Existem também outros tipos de variações, como as baseadas em Magia, com cidades repletas de seres mágicos e com instrumentos mágicos tomando o lugar da tecnologia. Existem também as mistas, como algumas conurbações de cidades com Estilos totalmente diferentes, que podem se tornar locais de desenvolvimento de tecnologia combinada.
Voltando a falar dos submundos, existem muitos deles, mesmo que em outros lugares os habitantes desses submundos andem livremente. Existem submundos de artistas marciais, seres sobrenaturais, conspirações governamentais e muitos outros.
E em um mundo como esse, é óbvio que existiriam problemas variados, incursões de seres interdimensionais apelidados de "demônios" que são sempre derrotados mas nunca desistem é um dos problemas principais, mas nem de longe o maior. Essa honra vai para Kali.
Kali é uma maga com a aparência de uma menina humana com o rosto perpetuamente sem expressão, ela não envelhece e suas origens estão perdidas nas areias do tempo, seus objetivos são obscuros, mas destruição e terror acompanha ela onde quer que vá.
Kali foi derrotada diversas vezes por grupos de heróis poderosos, em algumas das batalhas mais titânicas da história de Laplace, mas ela sempre retorna anos depois, e vários desses grupos de heróis tiveram fins trágicos, como a morte, ou pior, passar para o lado de Kali.
Pois a mais terrível habilidade de Kali não se trata dos poderes mágicos dela, nem mesmo da imortalidade. É o carisma, a habilidade de atrair grandes quantidades de seguidores, que chamam a si próprios de Culto de Kali. Dizem que, quando Kali destrói uma cidade, das ruínas saem novos seguidores para ela.
E existem problemas menores, reis sedentos de conquista, cientistas malucos que abandonaram a moralidade em favor de suas experiências, bestas enlouquecidas...
E para lidar com esses problemas, existem os heróis. Heróis grandes e pequenos, lendários e efêmeros, heróis de todos os tipos. Aventureiros são o tipo mais comum de heróis, pois eles parecem ter uma tendência a atrair problemas, mas também existem protetores de cidades, mercenários e muitos mais.
Entre os heróis mais conhecidos estão Arthur Bellevere, o Mago das Lágrimas, e também Raro Megila, Flagelo dos Abissais. Os Madou são toda uma organização de heróis cuja missão é proteger.
E mesmo sem contar os heróis, guerreiros são extremamente necessários no mundo de Laplace. Guardas em locais de extração de minerais ameaçados por monstros, caçadores de recompensa que lidam com criminosos que a lei comum não consegue lidar, escoltas para viagens através de áreas hostis...
O resultado de tudo isso, é que Laplace é um mundo de aventuras, uma terra conhecida por seus heróis e vilões. Um mundo onde qualquer pessoa pode acabar mudando a história. Assim é Laplace.

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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Mundo de Laplace RPG

Introdução
Capítulo 1 - O Mundo de Laplace: Um Resumo
Capítulo 2 - Uma Breve História de Laplace

Laplace: Introdução

Caos e Ordem. Duas forças opostas destinadas a batalhar eternamente, e não existe lugar que represente melhor esse conflito do que o mundo de Laplace.
Laplace é acima de tudo um mundo de aventuras, que nunca fica estável, civilizações nascem, crescem, decaem e desaparecem continuamente e aventureiros pipocam em cada continente.
É um mundo de contrastes, onde você poderia encontrar um cemitério de vampiros abaixo de uma cidade robótica, e um homem das cavernas poderia ser o companheiro de equipe de um ciborgue.
No final das contas, Laplace é um mundo de histórias, como será a sua?

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terça-feira, 8 de maio de 2012

Ainda Viva

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- Isso é perigoso - disse Carlos - eu vou contar pra mamãe!
De cima da árvore, Maria disse:
- Eu só vou pegar uma goiaba e aí eu desço.
Aquela goiabeira era muito popular entre as crianças do bairro, que escalavam ela para obter as deliciosas goiabas. Mas a maioria das crianças que faziam isso tinham pelo menos doze anos, enquanto Maria tinha dez. Isso nunca tinha parado ela antes, porém.
Maria estava em um dos galhos mais altos, onde estavam as últimas goiabas restantes que não tinham sido removidas pelas outras crianças.
Carlos observava sua irmã mais velha de forma aflita, ele sempre tivera medo de altura, e não conseguia entender como ela se dispunha a subir tão alto.
A goiaba visada por Maria estava quase ao alcance, ela mantinha as duas pernas ao redor do galho, e estava se esticando em direção ao prêmio, só faltavam mais alguns centímetros...
Ela tocou a goiaba, só precisava de mais um pouco, ela retraíu a mão e se preparou para mais uma tentativa. E ela foi, esticando cada centímetro que podia, tronco, ombro, cotovelo e mão. E finalmente, ela conseguiu agarrar a goiaba.
Perfeito, agora ela só precisava tirar a goiaba de lá, ela dobrou o cotovelo, puxando, a goiaba saíu... e ela perdeu o equilíbrio, seu corpo inclinou-se para baixo, mas então ela apertou as pernas com mais força no galho onde estava, e conseguiu manter-se lá.
Isso tinha sido perigoso, ela reequilibrou o corpo com o braço livre
crek
Quebrou caindo o chão chegando
thump
Carlos saíu correndo, a irmã dele tinha caído da árvore, e estava sangrando, ele tinha que chamar a mãe.
...
Uuuuughhh
Maria abriu os olhos, a cabeça dela estava doendo muito, ela colocou a mão na testa, sangue, Maria começou a chorar, o que tinha acontecido...? Ela viu o galho ao lado dela, parecia que ele tinha quebrado. Maria tentou se levantar, os joelhos e mãos estavam ralados, mas não era nada comparado a dor de cabeça que ela estava sentindo.
Ela colocou a mão na testa e depois a olhou, ela estava cheia de sangue. Maria começou a chorar:
- Mamãe...! Eu estou sangrando...! Alguém...!?
Felizmente, nesse momento Carlos chegou, tendo trazido a mãe deles.
- Mamãe!!
- Maria!
A mãe correu ao ver a filha sangrando, ela abraçou Maria.
- Como você está?
- Está... doendo...
- Olhe esse dedo.
A mãe colocou um dedo indicador na frente da filha e moveu ele de um lado para o outro. Maria seguiu o movimento do dedo.
- Vamos pra casa - a mãe decidiu, ela tinha sido uma enfermeira, e sabia que as coisas não deviam ser tão ruins quanto pareciam se a filha ainda conseguia falar e estava coerente.
As horas seguintes passaram como um sonho para Maria, ela foi levada para o carro nos braços da mãe e o irmão limpou a testa dela com guardanapos enquanto eles dirigiam de volta pra casa.
Quando Maria voltou a si, ela estava deitada em sua cama, mas havia um problema, ela não conseguia se mexer. Ela tentou de todas as formas, mas seus músculos não se moviam nem um pouco. Ela tentou gritar, mas a boca não abria. Lutando desesperadamente, ela caíu no sono de novo.
Acordando, ela tentou imediatamente se mover, e conseguiu. O alívio dela foi indescritível, o que quer que tivesse acontecido, já tinha passado. Maria levou a mão a testa, e viu que ela estava coberta com bandagens, a dor também tinha desaparecido, então Maria decidiu se levantar.
Ela se desequilibrou um pouco depois de colocar os pés no chão, mas logo conseguiu se recuperar, então foi procurar pela mãe.
Ela estava na cozinha, e sorriu assim que viu a filha.
- Como você está se sentindo?
- A dor passou.
A mãe assentiu e então perguntou a filha:
- Está com fome?
Maria se surpreendeu dizendo que não.
A mãe insistiu que ela comesse, e Maria percebeu que sua boca estava um pouco seca. O resto do dia transcorreu sem grandes eventos, apesar de que as moscas pareciam estar atormentando mais do que o usual, mas era um dia úmido, então isso não era tão incomum.
No dia seguinte, Maria foi para a escola, onde os colegas queriam saber tudo sobre a queda dela, e Maria falou sobre o galho quebrando e até mostrou o ferimento embaixo das bandagens. O sangramento tinha parado, então todos puderam ver que era realmente um ferimento feio, que se assemelhava a uma boca deformada aberta, nenhuma das crianças quis que ela mostrasse de novo.
- E as suas pernas ficaram vermelhas? - perguntou um deles.
- O quê? - Maria não sabia do que ele estava falando.
- As suas pernas estão vermelhas.
Maria olhou, e realmente as pernas dela tinha ficado avermelhadas, ela falou que isso só tinha aparecido naquele dia, mas ela não estava sentindo dor, as pernas só pareciam estar um pouco mais pesadas.
A semana passou, e Maria continuava indo para a escola normalmente, ela viu que as unhas estavam grandes e então decidiu cortá-las.
Depois disso, ela resolveu que o ferimento já deveria estar cicatrizado, então tirou as bandagens para ver, e para sua surpresa, descobriu que o ferimento ainda não mostrava sinais de se fechar, quanto mais cicatrizar, mas para não preocupar a mãe, Maria decidiu simplesmente colocar novas bandagens no lugar.
Mais tarde naquele dia, quando estava sozinha em casa, Maria começou a sentir uma terrível dor de barriga, ela foi para o banheiro mas nada saía, não importando o quão forte ela empurrasse, eventualmente, Maria sentiu uma dor terrível, como se algo dentro dela estivesse se rompendo, o grito dela teria alertado quem quer que estivesse em casa.
Felizmente, depois daquilo, a dor passou, e Maria decidiu que era melhor não falar com a mãe a respeito disso.
Maria continuava cortando as unhas, mas começou a notar algo estranho, parecia que os dedos dela estavam diminuindo, e além disso, eles pareciam estar inchando, mas depois ela percebeu que todo o corpo dela estava inchando, como se ela fosse um balão. Ela também tinha trocado as bandagens da testa por uma faixa, para não preocupar a mãe.
A cor da pele dela estava lentamente mudando, tanto que nem a mãe, nem os colegas e nem ela própria tinham percebido, mas um colega que estava voltando de viagem e não tinha visto ela em algumas semanas percebeu isso, mas no momento Maria tinha outras coisas com o que se preocupar.
Ela estava começando a sentir muita dor em todas as partes do corpo, e percebeu que isso era por causa do ar que estava inflando ela. Fora isso, Maria também tinha começado a perceber uma coceira pequena mas que parecia invencível, pois não desaparecia quando ela coçava, quase como se estivesse vindo de baixo da pele.
Mas é claro, a dor era uma preocupação bem maior, e Maria decidiu que se havia alguma coisa dentro dela, ela só precisava deixar sair.
Maria sabia o que tinha que fazer, ela não queria fazer, mas a dor estava ficando insuportável. Ela esperou até que estivesse sozinha em casa, pegou uma faca na cozinha, levantou a manga... e enfiou a faca no braço esquerdo, perto do ombro.
A dor foi grande, mas Maria não teve muito tempo para se concentrar nisso, pois o ar realmente começou a sair com um assobio tenebroso, e foi aí que ela percebeu que não era ar comum.
O cheiro era horrível, era mil vezes pior do que o cheiro de cocô, mil vezes pior do que o cheiro de esgoto, mil vezes pior do que ambos combinados, era um cheiro pior do que qualquer coisa que ela já tivesse sentido. E Maria não podia escapar, pois o cheiro estava saindo dela.
Ela correu para fora, para não empestear a casa, como a mãe dela dizia, e ficou esperando no meio das árvores até tudo sair. E quando acabou, mnilagrosamente a dor tinha passado, mas nem tudo eram notícias boas.
Maria percebeu que, apesar de ter cortado o braço, nenhum sangue estava saindo. Lembrando do que falaram sobre o sangue na escola, ela colocou a mão para checar as batidas do coração.
Mas não importando o quanto ela ouvisse, não havia batida nenhuma. O coração dela estava parado.
- Mas, mas eu ainda estou viva! - ela gritou, para ninguém em particular.
De algum modo, os dias seguintes conseguiram ser ainda piores, a dor de antes tinha desaparecido, mas agora um outra dor tomava o lugar dela, uma dor que ardia por dentro, mas isso não era nem de longe a pior parte. Não, a pior parte era a coceira.
Aquela coceira de antes tinha ficado um milhão de vezes pior, e agora ela estava certa de que realmente era alguma coisa rastejando dentro dela, em uma aula, ela precisou sair mais cedo porque a coceira a estava deixando louca.
Dizer que Maria tomou uma decisão nesse ponto seria superestimá-la, aquela coceira tinha ficado tão ruim que a menina estava reduzida a agir por instinto. A coceira tinha se multiplicado e agora Maria estava convencida de que haviam muitas coisas rastejando embaixo da pele dela.
Então foi por puro instinto que Maria pegou a faca novamente e enfiou ela na própria barriga, a dor foi grande, mas a coceira era muito pior, então ela continuou cortando e cortando.
Assim que abriu um buraco de tamanho suficiente, Maria enfiou a mão dentro da própria barriga, tentando pegar as coisas que estavam dentro dela.
Ela teve sucesso, agarrando alguma coisa viscosa e gosmenta, Maria arrancou ela de dentro de si, ignorando completamente o fato de que pedaços de suas entranhas estavam caindo no chão.
Ela olhou aquilo que tinha na mão, era um verme, uma lesma, uma coisa nojenta que não deveria ver a luz do dia, e não estava inteira, parte dela tinha se rompido, e Maria conseguia sentir que o resto dele ainda estava se movendo dentro dela.
- AAAAAARRRRRRRGHHHHHHHHHHHH!!!!
Maria entrou num frenesi, a maioria das pessoas ficaria com medo ao ver aquele verme, ou ficaria com medo de continuar sentindo dor, mas Maria só conseguia pensar em tirar todas aquelas coisas de dentro dela. Ela enfiou a mão para arrancar o resto do verme, junto com um bolo que um legista poderia reconhecer como pedaços do estômago e instestinos, e vendo que a coceira naquela parte tinha parado, voltou-se a cortar cada um dos pedaços onde podia sentir vermes, ela pegou eles, um por vez.
Quando o espetáculo terrível estava terminado, ela voltou a si, e percebeu o que tinha feito, olhando com horror os múltiplos buracos que havia cravado na própria carne.
Ela voltou pra casa, se atirou na cama e cobriu-se com os cobertores.
No dia seguinte Maria se levantou, ela tinha que ir pra escola, então ela pegou uma calça e uma camisa de mangas longas, e um cachecol pra usar, e saíu correndo antes que alguém perguntasse o que ela estava fazendo com aquilo no meio do verão.
A aula foi terrível, Maria percebeu que todo mundo estava olhando pra ela e se perguntando a razão dela estar usando aquilo, mas aquele era só o começo dos problemas. O cheiro tinha voltado.
Ele se espalhou pela sala e todos começaram a gritar sobre aquele cheiro horrível e correram para fora da sala, mas não adiantou, o cheiro ainda estava saindo de Maria, e todos logo perceberam isso.
- Maria, você tem um animal morto com você!? - a professora perguntou.
- Não professora, não é - ela tentou explicar, mas nesse momento, um dos garotos puxou o cachecol dela, tirando ele e revelando o imenso buraco que ela tinha no pescoço.
- AAAAAAAAAHHHHHHHHHHH! - foi o grito agudo da professora.
- Monstro! - alguma outra pessoa gritou.
Maria não tinha outra escolha, ela saíu correndo.
A professora ainda estava em choque devido ao que tinha visto, mas as crianças sabiam o que fazer, elas começaram a correr atrás do monstro, pegando pedras e atirando elas.
Maria correu com tudo o que pode, ela não estava mais preocupada com nada além de fugir, algumas pedras acertaram ela, mas Maria mal sentiu elas, ela estava desesperada.
Ela entrou na floresta, mas aquela não era uma floresta muito densa, então as crianças continuaram seguindo ela. Maria estava correndo com tudo o que tinha, mas não conseguia se afastar.
Subitamente, ela viu um rio a frente, e percebendo que as crianças estavam se aproximando, decidiu imediatamente saltar para dentro dele. Ela sabia nadar, então estava confiante de que poderia escapar.
Mas ela esqueceu de considerar a força e velocidade do rio, e sem poder fazer nada, foi arrastada por aquelas águas.
...
- Sim, é ela - a mãe disse, numa voz cheia de dor que o legista conhecia tão bem.
Ele cobriu o corpo novamente enquanto a mãe saía para chorar em um lugar solitário. Ele pensou que ela não deveria ter que ver a própria filha num estado tão deplorável.
Peixes tinham comido os olhos, língua e extremidades, grande parte do rosto estava destruída por um ferimento necrótico, os músculos estavam destruídos pela decomposição e ardores do tempo no mar, buracos haviam sido abertos nos braços, pernas, barriga, peito, pescoço e vagina.
O legista colocou a mão no rosto enquanto tentava pensar em uma maneira de colocar o que tinha descoberto no relatório sem parecer maluco. A morte tinha ocorrido aproximadamente 3 meses antes, devido a um trauma severo na cabeça, o que constrastava com o fato dela ter desaparecido apenas duas semanas antes, o estado de decomposição do corpo confirmava isso, os buracos eram definitivamente pós-mortem, mas pareciam ter sido auto-inflingidos, o interior do corpo continha diversos alimentos que haviam sido mastigados normalmente, mas o estado deles mostrava que os mais recentes deviam ter sido ingeridos apenas 2 semanas antes, aproximadamente.
O legista suspirou novamente, mas então pensou ter ouvido algo, uma espécie de zumbido, vindo do corpo coberto na sua frente. Ele checou para ver se era alguma coisa no corpo, mas não vendo nada, decidiu finalizar por aquele dia e se retirar.
Se ele tivesse entendido o que aquele zumbido significava, o que ele teria ouvido era... Eu ainda estou viva.

sábado, 21 de abril de 2012

A Primeira Brigada: Capítulo 2 - Kato e Marco

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Num determinado dia, após o ataque bem-sucedido a unidade inimiga, a primeira brigada descansava em uma floresta, preparando-se para uma nova viagem exaustiva. Alguns estavam responsáveis por estocar comida, caçando ou usando os espólios conseguidos em batalha para comprar suprimentos, mas isso tinha que ser feito de forma inconspícua, então eles não poderiam comprar muito de uma vez só.
Outros estavam cuidando das armas e cavalos, além das roupas e outros suprimentos que seriam necessários para a viagem. Ainda outros treinavam fervorosamente sob a vigia de Marth, que usava seu grande conhecimento de armas para instruir todos aqueles alunos.
Além deles, outra pessoa que treinava era Mara. Mas ela estava separada dos outros membros, e praticava seus movimentos sem qualquer orientação. Perto dela estava Clarina, que desenhava círculos de proteçao no chão, costume que havia aprendido com os pais.
Marisa se sentava no centro do campo, pensando, e ninguém queria interromper a concentração dela, pois a líder havia deixado bem claro que esse tempo era crucial para o planejamento bem sucedido das operações. As últimas pessoas do grupo eram Kato e Marco, e eles estavam fazendo algo que já havia se tornado um hábito.
Kato e Marco estavam lutando, da mesma forma que fizeram muitas vezes quando eram crianças, na época, eles eram sem dúvida os melhores lutadores do lugar, e lutar um contra o outro era basicamente a única forma de testar suas habilidades. Atualmente, eles faziam isso apenas para não perder o costume.
O estilo de Kato era rápido e repleto de movimentos dispensáveis, devido ao fato dele nunca ter tido um treinador. Em contraste direto, Marco possuía uma técnica refinada que se focava em atacar os pontos fracos do inimigo. Marco tinha a maior percentagem de vitórias nessas lutas.
Kato dançava ao redor de seu adversário, girando, fintando e avançando nos momentos menos esperados. Marco, por sua vez, mantinha-se parado no meio do círculo que Kato estava fazendo, observando cada movimento do adversário, cada contração muscular, para saber quais ataques eram fintas e quais eram reais.
Gradualmente, Kato começou a aumentar a velocidade, e Marco começou a ensaiar alguns ataques nas pequenas brechas de Kato começava a deixar, mas o espadachim percebia as próprias brechas, e se preparava para contra-atacar qualquer golpe que abrisse uma brecha na defesa de Marco.
Um jogador de xadrez reconheceria o que estava passando na cabeça dos dois. Incontáveis possibilidades de golpes, contra-golpes e contra-contra-golpes. Uma batalha furiosa estava acontecendo entre os dois no campo de batalha mental, apesar da luta no mundo físico ainda estar nos primeiros estágios.
Finalmente, depois do que pareceu um tempo exageradamente longo, os movimentos passaram para a realidade. Kato avançou e disparou uma série de ataques, que foram defendidos pelo adversário, que por sua vez, revidou com um golpe de lado do machado. Kato abaixou-se para evitar o golpe e deu uma estocada, que foi defendida pelo cabo do machado de Marco.
Esse golpeou na diagonal, mas foi parado pela rápida lâmina de Kato, já voltando da estocada. Ele pressionou ainda mais, girando com um chute da perna de trás. Kato conseguiu defender isso com a mão direita, e revidou com seu próprio chute, que acertou o alvo. Aproveitando a vantagem para atacar a mão direita de Marco, visando derrubar o machado dele.
Mas Marco havia previsto isso, e girou o pulso para que o machado protegesse a própria mão. Ele então socou com a mão livre, acertando Kato no peito e fazendo-o recuar um passo. Foi o suficiente, Marco invadiu o espaço de Kato, colocando a lâmina do machado contra a garganta dele. Marco tinha vencido.
Ele ajudou Kato a se levantar, dizendo:
- Você precisa treinar mais seu corpo.
Essa era a principal diferença entre eles, Kato era baixo e esguio enquanto Marco era alto e musculoso, ele não era nem de longe tão forte quanto Mara, que costumava esmagar pedras com as mãos, mas Marco era bem mais forte do que Kato.
- Eu achei que aquele golpe fosse ao menos te desequilibrar - Kato disse sorrindo.
- Se tivesse acertado um pouco mais pra cima acho que teria me desequilibrado - Marco respondeu.
As pessoas que tinham parado para assistir a luta já voltavam ao trabalho, e os membros que haviam sido mandados coletar suprimentos começavam a chegar, eles se sentavam no chão por alguns minutos para descansar as pernas, e logo depois voltavam ao trabalho, preparando as mochilas e outros pacotes que iriam carregar.
Clarina já havia desenhado 4 círculos tangentes uns aos outros, cada um deles contendo selos de proteção diferentes, e dava o trabalho por encerrado. Mara finalizava seus exercícios diários, que tinha deixado de fazer bem poucas vezes nos últimos 12 anos. Marth via que aqueles sob a sua tutela estavam chegando ao limite então deixou-os descansar.
Marisa também parecia ter finalizado as suas considerações, pois ela se levantou e passou a observar silenciosamente o trabalho de seus companheiros, quando o último deles terminou suas tarefas, ela chamou todos em sua direção.
- Nossa próxima missão vai ser especialmente importante - ela começou dizendo.
Todas as pessoas presentes se retesaram ao ouvir aquelas palavras, a primeira brigada não existia a muito tempo, então Marisa havia dito aquelas palavras poucas vezes, e todas as vezes isso resultou em missões difíceis, os ataques a alvos-chave que tornaram o grupo tão famoso. Daquela vez nao seria diferente.
- Alguns dos generais inimigos mais importantes vão se encontrar em Anaktol para discutir iniciativas para dominar o resto do país. Eles não vão sair de lá vivos.
Os membros da brigada prenderam a respiração, a audácia daquela frase era imensa, e vindo da maioria das pessoas pareceria uma simples e absoluta loucura. Mas Marisa tinha falado com o mesmo tom de voz que usava para tudo, como se isso não fosse apenas possível, mas já estava marcado nos livros do destino. Como se fosse apenas fato.
- Quando o encontro vai ser? - Marth fez a pergunta relevante.
- Daqui a oito dias - ela respondeu.
- Quais são as defesas? - perguntou Marco.
Marisa sorriu - algo como cento e cinquenta soldados treinados e experientes estão postados como guardas ao redor do prédio, e aproximadamente três mil soldados das companhias que os generais comandam estão esperando no campo de Tel-al-viv. O grosso desse exército é composto por infantaria e máquinas pesadas.
Houve silêncio por um momento, e então Kato disse:
- Um erro de cálculo da parte deles.
- Sim, mas quem imaginaria que alguém atacaria uma reunião estratégica importante como essa com uma unidade tão pequena? - Raciocinou Mara.
- Eles provavelmente tem vigias posicionados ao redor do lugar todo - falou Clarina - devo matá-los?
- Não - disse Marisa - eles irão servir numa parte essencial do plano.
Todos voltaram a ficar em silêncio, para ouvir qual era o plano criado por Marisa.
- Vamos fazer cinco grupos de três pessoas, cada um desses grupos deve ir para um lado, e criar briga com os guardas em cinco posições - ela virou para Marth - me dê o mapa do lugar e uma caneta.
Ele foi buscar no meio dos suprimentos as coisas que Marisa tinha pedido, ele era o responsável pela organização de tudo, então encontrou o que procurava facilmente. Um mapa do campo de Tel-al-viv, que ele tinha ficado intrigado a respeito do propósito quando eles o obteram, e uma caneta tinteiro.
Ao receber o que havia pedido, Marisa desenhou um círculo no meio do mapa - esse é o acampamento deles - ela fez cinco pontos ao redor do círculo, distantes uns dos outros - aqui é onde vocês vão atrair os guardas e começar as brigas - ela fez uma seta apontando para o círculo, entre dois pontos - o resto de nós vai entrar por aqui e atacar o encontro diretamente. Kato, Marco, vocês serão os principais aqui, avancem direto para o centro do encontro e matem todos os generais - ambos assentiram.
- Muito bem, mas nós só vamos fazer isso quando o mínimo possível de guardas estiverem lá, pra isso, as equipes dos guardas deverão revelar que estão atacando, isso vai fazer parte dos guardas do centro serem deslocados para repelir os "ataques". Quando os destacamentos vierem, vocês devem fugir.
Todos assentiram para exprimir seu entendimento.
- Kato, Marco, vocês devem sair por aqui - ela fez um traço no lado oposto daquele da seta de entrada - vocês devem atrair os soldados enquanto o resto de nós escapa por onde entramos. Vocês devem ser mais rápidos que as infantarias inimigas. 60 quilômetros ao norte está o rio Amara, sigam ele para o leste até Amaranth, vamos nos encontrar com vocês lá. Isso é tudo.
Todos olharam para os dois amigos de infância, sabendo que aquele plano punha eles em alto risco. Seria uma mentira dizer que aqueles dois não estavam preocupados, mas eles olharam para Marisa e viram um olhar que dizia "Vocês conseguem, vão lá e depois voltem". Isso foi o bastante para convencê-los.
- Vamos começar a nos preparar - Kato falou.
- Não nos deixem esperando por muito tempo - sorriu Marco.
A tensão se dissolveu, todos os membros da primeira brigada sabiam quais eram suas funções, e saíram para começar a preparação para essa nova missão.

-

Era chegado o dia, Kato e Marco estavam esperando junto com o resto da primeira brigada, com exceção dos grupos que haviam recebido a função de atrair o guardas. O grupo restante estava esperando o sinal das trombetas, que era o sinal para pedir reforços daquele grupo. Ironicamente, esse também seria o sinal para o ataque que levaria aquele lugar a ruína.
Marisa estava se concentrando e recitando palavras de poder, e a magia parecia eletrizar o ar em volta dela. Clarina fez um ritual em que ela tocava o chão com cada um dos dedos, e fazia uma oração a cada toque. Mara havia fechado os olhos, e estava respirando de forma tão profunda e lenta que era praticamente imperceptível. Marth olhou para cada um dos soldados, analisando seu comportamento para perceber o estado de espírito deles. Kato e Marco eram os mais relaxados, eles estavam conversando.
- E mais uma vez, nós vamos pular direto no meio das lanças - Kato disse.
- Eu acho que isso aí faz parte de um ditado, "pular no meio das lanças" - falou Marco.
- Nunca ouvi falar desse ditado.
- Bem, se não fizer parte de um ditado, deveria fazer.
- Nisso você tem razão.
- E é inevitável que nós tenhamos que fazer isso, não só dessa vez, mas muitas outras vezes.
- Seria bom se pudessemos sobreviver o bastante para fazer isso muitas outras vezes.
- É... - Marco caíu em silêncio. Kato esperou, ele sabia o que estava na cabeça do amigo.
Marco finalmente rompeu o silêncio - Quando tempo você acha que essa guerra ainda vai durar?
- Se depender da Chefe, não muito tempo - Kato respondeu.
- É, você tem razão - Marco sorriu.
E então, eles ouviram o som de uma corneta, e depois ouviram outros sons de corneta, vindos de outros lugares. Marisa levantou um punho e disse:
- Preparem-se, vou contar até dez.
E ela começou. Em quatro, eles começaram a ouvir os sons dos soldados inimigos tentando se organizar, em 7 eles ouviram barulhos de perseguição, em 9 esses barulhos chegaram muito perto de onde eles estavam, e em 10...
- Avançar! - Marisa gritou.
Todos seguiram essa ordem. Uma unidade de soldados de todos os tipos correram numa formação de cunha, e rapidamente avistaram a grande tenda que servia de local de encontro. Mas os guardas que estavam lá só avistaram eles depois de 1, 2, 3 segundos. E a esse ponto já era tarde demais.
Os primeiros dois inimigos foram derrubados por duas flechas que Clarina lançou enquanto corria, Depois Kato saltou na direção do inimigo mais próximo e no caminho decapitou ele, que não conseguiu reagir a um movimento tão inesperado, tendo atravessado a linha de defesa, Kato continuou a correr para dentro.
Mara atacou com grande velocidade usando seu bastão, acertando um golpe diretamente na têmpora do oponente. Depois disso, Marco alcançou a linha de inimigos e decepou a mão que segurava a arma do soldado mais próximo, ele continuou a correr passando pelo buraco nas defesas que havia se aberto.
Marco adentrou a tenda seguindo Kato, e viu ele lutando contra quatro soldados inimigos ao mesmo tempo, três outros estavam caídos no chão, mortos. Essa devia ser a guarda de elite, já que ainda restavam alguns deles vivos numa luta contra Kato.
Esse estava usando seus instintos ao máximo, lutando enquanto se agachava, rolava e saltava pelo chão. Os adversários eram bons, mas não estavam acostumados a lutar contra oponentes em que eles precisavam atacar tão baixo para conseguir acertar, ou que se moviam com tanta agilidade.
A situação deles piorou ainda mais quando Marco chegou, atacando o inimigo mais próximo com um golpe de machado, ele desviou, mas perdeu de vista Kato por um momento crucial, e teve as duas pernas cortadas por isso. Os três restantes não tiveram chance, em menos de um minuto todos eles estavam mortos.
Então a tenda pegou fogo.
Percebendo que aquele era o sinal de Marisa para significar que os outros estavam se retirando, Kato e Marco se apressaram para entrar na tenda dentro da tenda, onde os generais estavam. Esses ficaram chocados ao ver que tinham sido invadidos, durou só um segundo, mas os dois da brigada perceberam sua chance.
Kato levantou sua espada, Marco abaixou seu machado e os dois começaram a matar, alguns generais tentaram fugir, mas eram lentos demais, outros tentaram se defender, mas eram fracos demais. Um por um, eles foram morrendo, até que restou apenas um, que fugiu para a outra saída da tenda, mas isso era exatamente o que Kato e Marco estavam esperando.
Eles seguiram ele, deixando espaço o bastante para ele achar que poderia escapar, se era pra eles servirem de isca, era melhor que os inimigos pudessem ver o que eles tinham feito.
O último general chegou no lado de fora, haviam alguns soldados perto.
- Socorro! - ele gritou - eles estão...!
Ele não conseguiu dizer o que exatamente eles estavam fazendo, pois Kato escolheu aquele momento para avançar e decapitá-lo. Os soldados que tinham visto isso começaram a gritar que haviam inimigos na base, e um deles soou uma corneta para chamar reforços. Perfeito.
Kato e Marco saíram correndo, geralmente eles não teriam conseguido escapar daquela base sem precisar pelo menos atravessar um cerco de inimigos assim como tinham precisado pra entrar. Mas os pedidos de reforços de vários lados diminuíram muito a força disponível para lidar com esse tipo de coisa, e os grupos tinham conseguidos atrair aqueles soldados para longe o bastante pra eles não poderem voltar rápido o suficiente, então Kato e Marco conseguiram escapar do perímetro do acampamento sem precisar matar mais ninguém.
Alguns soldados tentaram lançar flechas neles, mas esses soldados não eram tão habilidosos quanto Clarina, então não puderam acertar dois alvos pequenos que se moviam tão rápido. As máquinas pesadas eram lentas demais para ir atrás deles, elas tinham sido projetadas para uso em cercos, não em perseguições.
Sem opção, os soldados perseguiram eles a pé, mas os dois da brigada tinham a vantagem de estarem usando armaduras especialmente leves, que eles tinham colocado sabendo que iam ser necessárias. Eles logo chegaram no rio e saltaram para dentro.



Quando o resto do grupo chegou a Amaranth, a única coisa que Kato e Marco tinham a dizer era "Por que vocês demoraram tanto?"
Todo mundo riu depois disso.

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sexta-feira, 20 de abril de 2012

Arlus

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Eu estou de volta em casa depois das compras, eu consegui um novo jogo, ele se chama Arlus, aparentemente é um desses jogos estilo civilization, só que o personagem principal é o Deus da civilização. Eu estou prestes a começar a jogar quando a minha irmã começa a cantar naquele microfone que ela ganhou. Isso seria distração demais, então eu peço pra ela falar mais baixo.

Problema resolvido, eu começo o jogo, eu estava certo a respeito de como o jogo é, eu sou uma mão gigante e posso ordenar essas pessoinhas chamadas de Arlusianos, eu já joguei alguns jogos como esse, então sei o que fazer, eu começo mandando eles construir alguns prédios, recolher recursos e tudo mais. Talvez eu possa fazer uma cidade futurista depois de um tempo? Esse jogo parece ter muitas opções.

A construção da cidade está indo bem, mas eu acidentalmente acertei um dos Arlusianos com um pedaço de madeira, ele se levantou rápido mas pareceu bem perturbado. Por outro lado, o efeito de som foi muito engraçado.

Eles estão ficando cansados, então eu os coloco pra dormir, mas quando eu vou acelerar o tempo para passar a noite logo, um deles começa a andar dormindo. Ele está indo direto para o lago! Eu tento mandá-lo acordar, mas isso não funciona, então eu tenho uma ideia. Eu pego um pedaço de madeira e acerto ele. Isso funciona! Ele acorda e corre de volta para o dormitório. E ele também tem um efeito de som diferente do outro! Legal, quantos será que existem?

No dia seguinte, eu começo os meus testes, acertando todos eles, um de cada vez. E surpreendentemente, os efeitos de som nunca de repetem! Os criadores desse jogo são realmente competentes. O que mais será que eles colocaram nesse jogo?

Eu mando eles de volta ao trabalho, mas alguns deles parecem estar machucados, e não estão trabalhando tão rápido quanto antes. Talvez eu tenha batido neles forte demais? O jogo percebe essas coisas? Então eu pego um deles, e coloco ele sentado com uma perna esticada, então eu pego uma pedra e deixo ela cair na perna dele. Ele guincha ainda mais alto do que quando eu bati nele, e agora a perna dele está quebrada! Os criadores desse jogo realmente programaram muito bem, até os olhos dele me dizem que está doendo muito.

Eu tenho que parar porque está ficando tarde, mas eu não consigo dormir, eu quero continuar jogando. Eu saio da cama e jogo até cair no sono. Agora os outros estão reagindo até a coisas que eu não fiz com eles diretamente, se eles estão no mesmo lugar que aqueles que estão sendo testados eles tem suas próprias reações.

Outro dia, eu continuo jogando, eu já matei alguns deles, espancados, queimados, afogados, cortados. Não parece haver um limite para as coisas que eu posso fazer, ou as reações que eles podem ter a elas. Só restam alguns, e eles parecem estar a ponto de enlouquecer.

Eu mato o último, esmagado, e então a tela escurece e depois aparece a mensagem "GAME OVER". Eu reseto o jogo, mas ele não começa, eu tento de novo e de novo mas ele parece estar quebrado. Droga! Eu preciso continuar jogando! Eu quebro o jogo, frustrado, mas então eu ouço a minha irmã cantando de novo. Eu sorrio, e vou para o quarto dela.

sábado, 14 de abril de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 7 - Atrás do Mago!

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1

Numa noite, eles finalmente alcançaram o lugar onde os inimigos estavam acampando, era um acampamento circular, era grande, havia sido feito no meio de um campo aberto e Jim considerou o mago demasiadamente prepotente, por acampar em uma posição tão desprotegida. Ao nordeste o porto de Kalindor era uma posição onde poderiam chegar rapidamente grandes exércitos do sul, contornando a costa leste com navios bem mais rápido do que se poderia fazer a pé, e a oeste haviam as montanhas verdes, uma cordilheira que era usada constantemente como posto avançado. Porém Jim imaginou, e com razão, que o mago teria batedores em ambas as direções, e o próprio grupo de Jim só não havia sido percebido por ser incrivelmente pequeno.
- Precisamos saber exatamente onde ficam os soldados, as armas, e o tempo das patrulhas - disse Jim.
- Deixe comigo - falou Gante - eu tenho alguém que pode ajudar.
E dizendo isso, estendeu a mão com a palma voltada para cima, sua mão começou a brilhar enquanto ele dizia:
- Venha, ave do puro azul. Venha, pequeno espírito gracioso. Venha, guia dos heróis. Venha Philemon!
E na palma da mão de Gante apareceu um selo de invocação luminoso, eram dois circulos opostos nas diagonais de um círculo grande com uma linha no meio, esse selo brilhou intensamente por um instante e então apareceu um pássaro.
Mas apenas uma olhada já era o bastante para perceber que aquele pássaro não pertencia ao mundo deles, suas penas eram de um azul irreal, como as pinturas da mestra René, a elfa. Era brilhante e ao mesmo tempo escuro, seus olhos perscrutavam o lugar ao redor com uma curiosidade indisfarçada, mas ao mesmo tempo pareciam guardar conhecimentos além da imaginação.
- Philemon, eu preciso que você vá até aquele acampamento e descubra tudo o que puder sobre ele, certo? - Gante falou para a ave em sua mão, e Jim percebeu o quanto aqueles dois eram diferentes. Uma ave misteriosa, e um ser de outra dimensão inocente como uma criança.
Philemon saíu da mão de Gante e voou para o acampamento, ele viu as grandes tendas verdes, presas no lugar por estacas, que davam o apelido de exército verde aqueles soldados, quando eles estavam parados. Ele viu as numerosas tochas que iluminavam aquele lugar, dando-o um aspecto mórbido. Ele viu também as feras que o mago usava, trazidas do leste, elas eram bem alimentadas o bastante para não atacar o próprio exército, porém sua ferocidade ampliada por determinadas ervas era lendária, tornando-as muito diferentes dos monstros que eram seus parentes próximos, que apesar de serem inteligentes,  preferiam o isolamento em suas terras, a semelhança das raposas.
Algumas dessas feras dormiam, mas outras eram noturnas, e estavam sendo alimentadas naquele momento. Além dessas feras, Philemon viu também as mulheres soldado, que, longe de serem molestadas pelos homens, eram muito mais violentas e agressivas que a maioria deles, e por falar nos soldados, Philemon viu eles também, seja dormindo em suas tendas, seja fazendo rondas de patrulha, o que havia em comum entre todos eles eram os olhos com resquícios de insanidade, fruto das inumeráveis batalhas e massacres.
De longe a coisa mais interessante que Philemon viu foi a tenda do mago, localizada em uma posição de poder, no centro absoluto do acampamento, ela era completamente diferente das pequenas tendas dos soldados. Era uma tenda grande e luxuosa, sua cor era azul-marinho, o que fazia um absurdo contraste com todo o verde ao redor, as estacas que a prendiam ao chão eram grandes pedaços de madeira esculpidos habilidosamente, simplesmente carregar estacas como essa no meio de uma campanha era uma coisa que a maioria dos exércitos não poderia fazer.
Philemon voltou para a mão de Gante, e contou sem palavras o que tinha visto, todo o grupo entendeu como funcionava o complexo, e perceberam que a tenda do mago estava hilariantemente mal-defendida, um grupo pequeno como o deles poderia evitar as sentinelas e chegar a tenda, eles estavam pensando nessa ideia quando Jim os trouxe a realidade:
- Se fosse mesmo tão fácil, algum dos assassinos contratados já teria feito isso.
- O mago deve ter sensores em volta da sua tenda - disse Paulo - eu vou usar a minha percepção para localizá-los, e então poderei desativar eles no momento certo.
- Eu estou preocupado é com aqueles monstros, alguns deles possuem um ótimo faro - disse Seth.
- Deixe isso comigo - falou Bruna - quando eu era gladiadora, nós tinhamos que lutar contra monstros assim o tempo todo, então acabamos descobrindo uma mistura especial que confunde o faro da maioria dos monstros.
- A maioria? - Perguntou Jim, pouco convencido.
- Eu reconheci todos os monstros daquele acampamento, tenho certeza que nenhum deles é uma exceção a regra.
- E o que faremos para evitar as sentinelas? - Perguntou Gante entrando na discussão - se elas nos verem estamos perdidos.
- Eles provavelmente tem um sistema para quando um deles morre - disse Bill.
- Nenhuma... morte - disse Sara, com sua simplicidade habitual.
- Eu tenho uma maneira - retomou Paulo - existe um espírito especial que pode impedir que os inimigos nos vejam, gasta muita energia e demora para ser convocado, mas com ele nós só precisaremos andar silenciosamente para não nos ouvirem.
- Temos que nos preparar para tudo antes de entrar na tenda "dele", não sabemos o que pode nos esperar lá, e mesmo que consigamos nosso objetivo, não existe nenhuma garantia de que ainda vamos sobreviver, vocês tem certeza de que querem ir? Eu apenas pedi que me acompanhassem durante a viagem - Perguntou Jim.
- Irei - disse Sara.
- Claro que sim - disse Bill.
- Vocês são meus amigos, eu não vou abandoná-los - disse Gante.
- Não vou te perder de vista - disse Bruna.
- Eu ainda preciso me redimir - disse Seth.
- Meu mestre ficaria decepcionado se eu desse pra trás agora - disse Paulo.
- Então vamos! - chamou Jim.
Era óbvio que nenhum deles iria recuar agora, os momentos que haviam passado e a decisão que tomaram nas ruínas da cidade os compeliam a seguir em frente. Mas Paulo não estava brincando quando disse que a magia era demorada, os outros quatro ficaram de pé dentro de um círculo enquanto ele andava ao redor, sussurando palavras incompreensíveis, a cada passo pulavam faíscas de seus pés, e os dois olhos estavam vazios, como se ele não mais estivesse dentro do corpo, que apenas continuava andando. Paulo estava visitando o "segundo mundo" como era chamado o lar dos espíritos, aquele cântico estranho era na verdade ele tentando convencer o espírito Kakushigami a usar seus poderes, era uma tarefa complicada, mas Paulo já havia feito isso antes em um treino.
Depois de um tempo que pareceu interminável, o cântico de Paulo terminou, pois ele havia convencido o espírito a ajudá-los, e então erguendo o cajado, Paulo andou até os amigos, e o nada começou a envolvê-los, então Paulo chegou, abriu os olhos e abaixou o cajado, e estava terminado. Ele respirou fundo enquanto passavam a mistura especial de Bruna nele.
Os sete então, adentraram o campo do mago, andando silenciosamente, Jim aprendera a fazer isso nos turnos de vigia, Sara havia aprendido isso nas caçadas, Paulo havia aprendido isso nos seus treinos, Bill havia aprendido isso nos trabalhos que havia feito antes de reencontrar Jim, Bruna havia aprendido isso por necessidade nos campos de escravos, Gante sabia instintivamente e Seth tranformado em lobisomem era um predador nato e fazia isso facilmente.
Eles avançaram cautelosamente, Paulo, apesar de cansado, ainda usava seus espíritos para desativar os sensores mágicos, e apesar de chegarem perto das sentinelas algumas vezes, chegaram ao centro do campo sem incidentes.
Eles entraram na imensa tenda onde o Mago dormia, assim que pisou lá dentro Jim sentiu perigo com todo o seu corpo, ele ficou alerta enquanto olhava para o interior da tenda, lá haviam várias mesas, contendo uma variedade impressionante de objetos, principalmente livros, mas também coisas que Jim não queria imaginar o que poderiam ser, mas no canto mais afastado da tenda estava a coisa que Jim considerou a mais repulsiva que ele já havia visto.
Era uma cama. Uma cama em uma tenda militar, mesmo a tenda do chefe, era uma luxúria horrível, principalmente aquela cama feita por Goblins, com dossel e lençóis especiais, era algo inimaginável pensar ele fazia seus servos carregarem tal coisa apenas pelo próprio conforto.
Mas devia ser isso, pois sentado na cama e olhando para eles estava o Mago. O plano tinha falhado.
- Boa noite, bem vindos a meu humilde lar - ele disse.
- Pare de brincadeira! - exclamou Jim - como você soube da nossa vinda?
O mago suspirou antes de dizer:
- Vocês realmente acharam que todos os meus sensores eram mágicos? Assassinos melhores que vocês já vieram aqui antes, e tiveram o mesmo destino.
Ele girou os dedos, então vários guardas entraram e começaram a se aproximar.
- Retirada!! - gritou Jim, e então várias coisas aconteceram.
Gante saltou e rasgou um pedaço da tenda, o mago disparou uma bola de fogo e Jim cancelou a magia com um golpe de lança e uma palavra curta. Seth pegou Paulo, que estava fraco e o colocou nas costas, Bill jogou facas nos guardas. Bruna terminou de abrir a passagem com sua imensa marreta e Sara disparou flechas que explodiram aos pés do Mago. Encobertos pela confusão, os sete fugiram.

2

Os sete correram pela noite, com a mesma escuridão que os ajudara a entrar na base, agora os ajudando a fugir. Os soldados inimigos e as bestas que eles traziam respiravam rapidamente, no ritmo da perseguição, e estavam se aproximando.
Os sete pareciam perdidos, mas enxergaram um milagre que poderia salvá-los exatamente na hora certa, um desnível. Esse desnível levava a um caminho oculto, estreito e cercado por rochas, eles correram com forças renovadas, mas as bestas eram famosas por sua velocidade, e iriam chegar primeiro.
Jim percebeu isso, e no momento exato, parou e se virou para atacar a besta mais próxima, que por esperar um inimigo fugindo, não pode se defender e caíu fulminada. Sara entendeu, e se virando também, disparou uma flecha que explodiu em chamas perto das bestas, isso teve dois efeitos. Primeiro assustou-as por um momento, e segundo mostrou a localização de cada uma, que Sara memorizou e disparou flechas após apagar o fogo.
A estratégia deu a eles tempo o bastante para entrar no caminho, Jim então gritou:
- Bloqueie o caminho!
Bruna percebeu que isso era sua tarefa, e balançou a marreta para cima(pois não havia espaço pra balançar para os lados) e acertou fortemente o lado da parede de rochas, causando um desabamento e bloqueando o caminho.
Mas eles ainda não estavam seguros, os soldados não desistiriam tão fácil, então restou a eles seguirem em frente pelo caminho, que os levou a uma rede de cavernas, eles seguiram procurando pela saída e exceto por alguns encontros com habitantes daquelas cavernas, eles até encontraram-na facilmente.
Quando saíram, o dia já raiava, e eles procuravam um local para descansar, foi com grande surpresa que eles encontraram uma vila convenientemente estacionada próximo da saída da caverna, eles não tinham nada a perder, então foram para lá.
Quando eles chegaram, vários moradores se aproximaram.
- Bem vindos a vila de Lotus, viajantes! O que podemos fazer por vocês? - Disse o representante, com um sorriso no rosto.
- Só queremos um lugar para dormir, se possível. - respondeu Jim.
- Só isso? Nada bom, nada bom mesmo! - ele disse, fingindo irritação - insistimos que vocês tomem parte na festa dos recém-chegados.
Jim olhou para Gante e perguntou com um ar de dúvida:
- Todos nós?
- É claro que sim! A menos que algum de vocês já seja daqui, não é?
E ele riu, acompanhado por alguns dos moradores próximos.
Jim ficou preocupado com os batedores do mago, mas eles haviam andado muito na caverna, e provavelmente tinham um dia ou dois de vantagem.
- Certo, nós aceitamos. - mas ele se prometeu que partiriam na manhã seguinte.
As pessoas da cidade deviam estar acostumadas a fazer essas festas, pois tudo foi preparado rapidamente e os sete convidados se sentaram no meio da mesa, e ficaram lá mesmo quando a música começou, tão desacostumados que estavam a esse tipo de coisa, mas as pessoas da cidade pareceram tomar isso não como uma ofensa, mas um convite para se divertir por eles também.
Por outro lado, os banquetes foram abundantes durante todo o dia, e os sete comeram e beberam muito, exceto Paulo, que comeu pouco, e nem tocou na bebida. Antes que Jim pudesse perguntar o que havia de errado, eles ouviram um barulho de pratos quebrando.
Era um dos homens que estavam trazendo a comida, ele tinha quebrado um prato no chão, fez uma cara de medo e apressou-se para limpar a bagunça.
"Deve ser um prato caro", pensou Jim. E então se lembrou do que queria perguntar.
- Paulo, o que foi? Algo errado?
- Nada, Jim - ele respondeu - eu só não posso correr o risco de me descontrolar, devido aos meus poderes.
- Por falar nisso - Jim disse - eu conheço um pouco de magia, mas não entendo como você faz magia sem palavras, mesmo sendo um bruxo.
- Eu vou explicar, como bruxo, eu controlo espíritos naturais, mas eu sou um tipo especial de bruxo. Eu consigo manter alguns desses espíritos permanentemente dentro do meu corpo.
- Parece difícil.
Ele sorriu - definitivamente não é para qualquer um, eu passei por muito treinamento pra isso.
Agora Jim estava interessado - conte-me mais.
Então Paulo começou a falar de seu treinamento.
- Escute garoto - disse Novus - para conseguir dominar os espíritos, você deve primeiro aprender a dominar a si mesmo.
- Como assim?
- Precisa resistir a todas as tentações até que aprenda a controlar o seu desejo por elas, começaremos com a fome.
As instruções do exercício foram simples, Paulo devia ficar sentado com um pão na mão, mas não devia comê-lo até que fosse absolutamente necessário, mas após três dias apenas bebendo água, o seu estômago clamava por aquele pão, e após dez dias ele finalmente desistiu.
O mestre disse que não era o bastante, então ele tentou novamente, conseguindo 15, até 20 dias, mas nunca era o bastante, finalmente ele se cansou.
- Mestre! - ele gritou - já chega, eu estou farto, você diz que é pra comer quando for necessário, mas nunca é tempo o bastante!
Novus o derrubou no chão.
- Escute aqui pirralho! Foi você que quis aprender a magia, se a sua vontade é tão fraca assim, pode ir embora quando quiser! - ele se acalmou um pouco - e o que eu disse sobre controlar os desejos? Você deve decidir quando é o limite com base na lógica, e nada mais.
Paulo então voltou para o lugar e esperou, cada vez que seu estômago clamava pela comida, ele repetia para si mesmo que sua vontade era forte, quando passaram 20 dias ele começou a olhar para o próprio corpo com um olhar lógico, e viu-o diminuir pouco a pouco, finalmente na manhã do dia 30, ele considerou que era longe o bastante e comeu o pão.
- Você passou no primeiro teste - disse Novus.
Depois de algumas semanas para se recuperar Novus disse a ele - está na hora do segundo teste, a dor.
As instruções eram novamente simples, ele deveria colocar fogo na mão, e apagá-lo apenas quando fosse necessário, mas se isso parecia difícil, era ainda pior do que parecia, e Paulo mal conseguia reunir coragem para começar o fogo, quanto mais para não apagá-lo, mas repetindo "minha vontade é forte" o que havia se tornado uma espécie de mantra para ele, Paulo forçou-se a olhar criticamente para sua mão em chamas.
Ele viu a pele se desprender e o sangue coagular, ele viu o fogo alcançar os músculos, e só depois, ele apagou. A resposta do mestre foi que ele tinha passado.
O terceiro e último teste era o movimento, Paulo deveria ficar sentado parado até que conseguisse descobrir como usar a magia dos espíritos a hora que quisesse. Novus alimentaria e cuidaria dele.
O primeiro mês foi ruim, ele não conseguia se manter parado. No segundo mês ele começou a olhar para dentro de si mesmo, e viu os mecanismos do corpo, inclusive aqueles que poucos sabem que existem. No terceiro mês ele descobriu como manipular esses mecanismos e dobrá-los a sua vontade.
- E foi então que eu descobri como usar o poder os espíritos a hora que quisesse.
- Como?
- É apenas uma questão de manter os espíritos controlados todas as horas, e liberá-los para canalizar seu poder na hora certa, para mantê-los controlados, eu devo me concentrar, é por isso que eu não posso arriscar perder o controle.
- Eu entendi - disse Jim - mas como você faz quando vai dormir?
Paulo sorriu e nada disse.

3
   
Após uma festa e banquete que duraram o dia inteiro, eles foram conduzidos até a hospedaria, onde cada um tinha o próprio quarto, o mesmo homem que havia recebido eles na entrada explicou que os viajantes podiam ficar uma noite de graça, o que eles aceitaram, prometendo sair cedo na manhã seguinte.
Eles dormiram, mesmo desacostumados com colchões e lençóis, coisas que raramente viam, Seth porém, teve insônia. E decidindo dar uma caminhada, transformou-se e saiu. A cidade estava silenciosa, mas os ouvidos de Seth conseguiam distinguir os barulhos noturnos normais, que naquela cidade estavam ausentes.
Seth foi investigar, e olhou dentro de várias casas, como suspeitava, estavam vazias. Ele colocou o ouvido no chão, e conseguiu distinguir as vibrações de várias pessoas andando, Seth já estavam totalmente sem sono, e seguiu as vibrações até encontrar as pessoas da cidade.
Logo que os viu, teve certeza de que algo estava errado, todas as pessoas da vila estavam juntas no mesmo lugar, reunidos em um semi-circulo, de pé, todos olhando para o trono de marfim, ricamente decorado, onde estava sentada a mulher mais bela que ele já havia visto.
Ela estava completamente coberta por adornos de ouro, prata e penas de aves, suas formas eram voluptuosas e seu rosto pálido estava congelado numa expressão de pensamento distante.
Um homem foi carregado até diante dela, e largado de joelhos. Era o mesmo homem que havia quebrado um prato no dia anterior.
- Senhora, piedade. - ele implorou com lágrimas nos olhos.
- Você é acusado de quebrar um precioso prato da refeição dos convidados. Você percebe o quanto seu crime é grave?
E ela se levantou, trazia uma faca de prata na mão e se aproximou dele.
- Sim senhora, eu sei. Mas eu limpei tudo rápido, e isso não atrasou a refeição nem um pouco!
- Idiota! - ela disse apontando a faca - essa não é a questão! A questão é, por que você deixou o prato cair?
- Bem... eu tropecei e...
- Exato! - ela o interrompeu - você tropeçou! Pessoas perfeitas não tropeçam! Você é uma pessoa perfeita?
- Não senhora.
- Então por que você se acha capaz de servir na cidade de uma pessoa perfeita como eu!?
Ela levantou a faca.
- Não! Por favor nãããõ!
- Sim! - ela gritou e começou a esfaqueá-lo, e enquanto fazia isso toda a beleza desapareceu de seu rosto.
Seth já tinha visto o bastante e fugiu de volta para a hospedaria, chegando lá acordou os amigos e reuniu eles.
- Pessoal, essa cidade é perigosa.
- Eu já desconfiava - disse Jim.
Ele os contou o que tinha visto.
- Alguém entende o que está havendo? - ele perguntou.
- Existem espíritos com a capacidade de tornar pessoas submissas - disse Paulo - mas para controlar tanta gente ao mesmo tempo, ela deve ser muito poderosa.
- Derrotar... ela - disse Sara, simplificando a tarefa deles.
- Vamos esperar até de manhã, e uma oportunidade deve aparecer - disse Bill.
E realmente na manhã seguinte, um dos homens da vila fez para eles o convite para irem a casa da chefe. Era uma construção imponente e dentro dela, sentada numa cadeira, estava a mesma mulher, ainda adornada, mas não tanto quanto na noite anterior.
- O meu nome é Elza, caros guerreiros, e quero desejar as boas vindas.
Paulo se levantou.
- Bruxa maldita, pare de fingir, eu sei que está usando magia para controlar as pessoas da vila e eu vou acabar com isso!
- Um bruxo, gosto da sua determinação, mas não posso permitir que você faça isso, Guardas!
E vários guardas vieram para atacar o grupo,
- Lutem para incapacitar e não matar - gritou Jim.
Mas num lugar apertado e enfrentando oponentes que não ligavam para a própria vida, eles estavam em desvantagem, Paulo percebeu, e se livrando de seus oponentes, lançou uma bola de fogo em direção a Elza. Ela fez um gesto de espantar moscas e uma parede de gelo a protegeu do ataque. "controlando tanta gente, e ainda consegue lutar?" pensou Paulo, quando ela fez outro gesto, e a parede se dividiu em pedaços que voaram na direção dele.
Ele se abaixou, mas assim que o fez, percebeu que os inocentes atrás dele seriam mortos, não havia tempo de protegê-los, Seth saltou e usou o corpo como escudo, ele então caiu com as feridas sendo demais mesmo para um lobisomem.
Elza sorriu e levantou a mão para outro ataque, porém saído aparentemente do nada, Gante surgiu do lado dela, com um círculo de invocação na mão direita.
- Venha, ser das cachoeiras. Venha, espírito espelhado. Venha Arcatom! E mostre a essa pecadora, sua própria alma!
E uma borboleta prateada apareceu na mão de Gante, a qual ele usou para tocar na cabeça de Elza.
Elza estava num lugar escuro, a frente dela estava um monstro.
- Está vendo!? - perguntou o monstro - isso é perfeição!!!
O grito dela não chegou a sair de sua própria mente.
As pessoas da vila caíam no sono agora que o controle fora quebrado, Elza estava segurando as próprias pernas e balbuciando coisas incompreensíveis.
- Gante, o que você fez com ela? - perguntou Jim.
- Arcatom é o espírito que mostra a alma, a alma de uma pessoa diz o que ela realmente é. Aquela mulher estava falando tanto de perfeição que eu pensei em deixá-la ver a si mesma.
" Invocações são realmente assutadoras" foi o pensamento que passou pela cabeça de Jim. 

4

O povo da vila ficou agradecido por ter sido libertado do controle da bruxa, e numa audiência conturbada, decidiram não matá-la, e sim entregá-la as autoridades de um reino próximo, o mesmo que seria palco do começo de uma guerra anos depois. Mas eles não tinham como saber disso, e mesmo se tivessem, não havia garantias de que teriam agido diferente.
Quanto aos herois que os salvaram, eles receberam cavalos rápidos, pedido de Jim, que tinha um novo plano, mas esse plano dependia deles chegarem ao destino do mago, o templo de Mana antes dele, os cavalos ajudariam, mesmo o exército do mago se movendo constantemente em marcha forçada.
Os sete se moveram rapidamente através das planícies, se desviando da rota algumas vezes para pegar suprimentos em cidades próximas, as notícias sobre o mago(pois agora eram mais que rumores) diziam que ele continuava a seguir o caminho, algumas milhas atrás deles, então seguiram em frente por mais alguns dias, e no final de um desses dias, decidiram descansar em uma caverna próxima, se surpreendendo ao encontrar uma pessoa lá.
Era uma mulher próxima dos 30 anos, vestida em trajes de viajante como eles, ela tinha cabelo canstanho claro e olhos castanho escuro.
- Olá, pessoal - a mulher disse, sorrindo animadamente.
- Olá, quem é você? - perguntou Jim.
- Sou uma simples ilusionista viajante, meu nome é Chiyo.
- Ilusionista?
- Exato, meu tipo de magia é capaz de ensconder coisas que existem e fazer aparecer coisas que não existem, querem dividir a caverna?
- Poderíamos?
- Claro, é sempre bom ter alguma companhia, sentem-se ao redor do fogo.
Eles se sentaram.
- Estou interessado nessa magia ilusionista - disse Paulo - se não for um problema, poderia nos mostrar?
- claro.
E movendo uma mão ela fez com que todos vissem pétalas de rosa caindo do teto da caverna, ela fez mais alguns truquezinhos e depois Bill tocou uma música, eles estavam se divertindo, tanto que Jim não notou quando Chiyo jogou algo no fogo, ela era habilidosa, e os sete só perceberam que algo estava errado quando começaram a se sentir sonolentos.
Todos olharam para Chiyo, que disse simplesmente:
- Eu sou uma batedora do Mago, e vocês caíram na minha armadilha.
E antes que pudessem dizer qualquer coisa, a escuridão cobriu a visão dos nossos herois e eles desmaiaram.

-

Jim estava num lugar escuro, andava de um lado para o outro e estava ferido, após algum tempo avistou alguma coisa, ele chegou perto e, era o cadáver de Bruna.
- Não, Não!
Olhando ao redor ele viu os outros amigos, todos mortos também: Bill, Paulo, Sara, Gante e Seth.
- Não, isso não! Por quê?
E de todos os lados, ouvia-se a risada do mago.

-

Sara estava sem forças, ela era levada contra a vontade para algum lugar, ela não sabia onde era, mas sabia que não queria ir para lá, ela lutava e lutava mas não conseguia sequer se mover, quanto mais escapar.
E de todos os lados se ouviam sons de batalha.

-

Bruna não podia se mover,estava atada com correntes a parede, não importava o quanto se esforçasse, não conseguia se soltar, via sombras de pessoas a frente, apontando e rindo.
E de todos os lados se ouviam sons do chicote.

-

Gante estava lutando, as sombras o atacavam como lâminas, a casa em que estava ardia em chamas.
E de todos os lados ouviam-se acusações de "monstro!".

-

Paulo estava sozinho, não conseguia fazer nenhuma magia, e homens sem rosto o espetavam com lanças.
E de todos os lados ouvia-se o som de chamas ardendo.

-

Seth estava desesperado, não conseguia controlar o próprio corpo, ele se movia sozinho e estraçalhava mulheres e crianças.
E de todos os lados ouviam-se gritos.

-

Chiyo voltou-se para admirar o trabalho, sorriu ao pensar no momento que entrara nas mentes deles, e descobrira suas fraquezas, e sorriu ainda mais ao imaginar o quanto o mago a recompensaria, depois de ouvir o modo como os derrotara.
Voltou os olhos para eles, já estavam assim a sete dias, quanto tempo mais até que suas mentes se quebrassem? O mais resistente que ela já vira havia sido um homem que durara nove dias, claro que ela poderia simplesmente matá-los, mas isso tiraria toda a diversão de observar a lenta agonia daqueles seis...
Espere um momento... seis? mas não eram sete?
Antes que pudesse concluir o pensamento, Chiyo foi atingida por várias facas voadoras, então ela voltou-se para encarar Bill, que as havia atirado.
- Como você escapou da ilusão? - ela disse quase sem forças.
- Meu maior medo sempre foi lutar, mas esse é um medo que superei a muito tempo e encaro todos os dias, você não pode me deter com isso.
- Parece que eu finalmente encontrei o mais resistente... isso é... ótimo... - ela disse para logo depois expirar, esse foi o final de Chiyo, a ilusionista.

5

Os herois se recuperaram rapidamente após voltarem a realidade, mas não seriam mais os mesmos, apesar de tentarem esconder, um bom observador poderia perceber que Bruna segurava a marreta com mais força do que o habitual, Gante cavava o chão compulsivamente, Paulo mal conseguia controlar a tremedeira de seu corpo, Seth fazia orações, Sara comia lentamente e Jim segurava a cabeça. Bill, que havia saído para recolher informações, retornou dizendo que o exército do mago havia baixado campo perto do vulcão Sandermason, cuja atividade impedia qualquer cidade de se estabelecer em suas proximidades.
- Ele nem sequer pensou em alterar o curso para evitar o vulcão, esse maldito é muito imprevisível - disse Jim.
- Sim, perdemos muito tempo com aquela ilusionista, mas eu pensei que poderíamos ultrapassá-los de novo quando fizessem um desvio. Isso não é bom.
- Certo, em primeiro lugar precisamos checar para descobrir se eles já perceberam que ainda estamos vivos, Gante, pode cuidar disso?
- Tudo bem - ele respondeu, e convocou Philemon para dar uma olhada no acampamento adversário.
Ele voou por lá, vendo novamente os soldados, porém agora estava entardecendo, e mesmo aquele acampamento parecia muito menos assustador aquela hora, os soldados finalizavam as preparações, e jogavam com dados enquanto não estava na hora de se recolher. Em horas como aquela, eles poderiam até ser confundidos com um exército normal em uma campanha, mas Philemon não tinha interesse nisso, pois havia algo muito mais importante acontecendo.
O mago estava subindo a encosta do vulcão, sozinho.
O pássaro voltou para eles, que depois de ouvirem as notícias, ficaram abismados.
- Ele com certeza está planejando algo - disse Jim.
- Provavelmente - disse Paulo - sinto algo estranho desse vulcão.
- Eu sei... o que é - disse Sara.
Todos ficaram surpresos com essa súbita frase, mas depois ela se corrigiu e disse:
- Na verdade... Tanuki sabe.
Ela explicou que mantivera contato com ele durante as semanas anteriores, ele vivera lá por muito tempo, e disse para avisá-los a respeito daquele vulcão.
- Você sabe o que exatamente ele quis dizer?
- Ele pode... explicar.
E Sara disparou uma flecha imbuída com poder do sol(que aquela altura já estava se pondo). Momentos depois, o próprio Tanuki apareceu, surpreendendo-os.
- Como você apareceu aqui? - perguntou Jim.
- Eu estava por perto - ele disse com simplicidade - vocês querem saber sobre o vulcão?
- Seria muito bom.
- Pois bem - ele começou - desde muito tempo antes de Lorius, esse vulcão é usado como centro para rituais mágicos, eu não sei os detalhes, mas é um lugar tão propício que aparentemente até demônios foram invocados aqui.
- Demônios...
Eles ficaram em silêncio, todos sabiam que demônios não eram uma coisa boa, havia toda uma ordem de guerreiros poderosos, dedicada apenas a caçá-los.
- Felizmente - ele continuou - não creio que seja esse o caso.
- Como assim?
- Na maior parte das vezes, esse local é usado para a criação de Golens, o material do vulcão é forte o bastante para criar Golens especiais.
- Quão fortes seriam esses Golens?
- Depende muito da capacidade do mago, com o poder que ele possui, eles seriam uma ameaça monstruosa.
Eles ficaram em silêncio novamente, mas Jim o quebrou.
- Se é um ritual, isso significa que ele ficará indefeso, certo?
- Eu diria que é bem provável.
- Então essa pode ser a nossa melhor chance, subimos o vulcão e atacamos enquanto ele está fazendo o ritual, alguma objeção?
- Não - disse Bill - e eu realmente não gostaria que esse mago ganhasse mais um aliado poderoso.
- Isso me parece conveniente demais, fazer um ritual sozinho exatamente agora - disse Bruna.
- Ele ainda não sabe que estamos vivos, e provavelmente se sente seguro o bastante para isso - respondeu Jim - fazer uma armadilha para alguém nessas condições, isso é demais mesmo para ele.
Bruna ainda não estava totalmente convencida, mas aceitou a explicação. Tanuki foi embora, e eles seguiram para o vulcão, o acampamento do exército estava do lado oposto, então eles não tiveram problema em subir sem serem notados.
Eles subiram rapidamente, e avistaram o mago, mas perceberam que algo estava errado, ele estava lá em cima, perto da borda do vulcão, sorrindo para eles.
- Maldito, como percebeu que estávamos vindo? - Jim foi o primeiro a falar.
- Vocês são muito bons, eu estava pensando em levar alguns soldados para cá, mas imagine a minha surpresa quando eu senti a presença de um passarinho, um que eu já tinha visto antes, então pensei, porque desperdiçar soldados se eu posso simplesmente atraí-los.
- Você... sentiu a presença de Philemon... - Gante estava arrasado, não só era uma coisa que ele não imaginava ser possível, como também havia sido culpa dele que o ataque não funcionou, Jim por outro lado, estava preocupado com as implicações das palavras "desperdiçar soldados".
- Claro que senti - o mago respondeu - eu tenho um subordinado que é Kuon também, eu conheço esses truques de invocação. Mas como eu estava dizendo, as suas habilidades são impressionantes - o modo como ele disse não parecia nem um pouco com um elogio, mas continuou - eu não achei que houvesse alguém capaz de escapar daquela mulher.
"Aquela mulher" era obviamente Chiyo, a ilusionista. O fato dele não usar o nome dela enervou Jim.
- Continuando, eu decidi parar de subestimá-los, então me digam seus nomes.
- Eu sou Seth, e você vai pagar por seus crimes!
- Meu nome é Paulo, dos espíritos de fogo.
- Sara... é meu nome.
- Sou Bill, e você pagará pelo que fez aos meus amigos!
- Me chamo Gante, e não gosto de você.
- Bruna, aquela que te esmagará!
- Jim, eu sou o cavaleiro da lua!
- Perfeito, meu nome é Astarote, e esse é o meu verdadeiro poder.
Ele começou a flutuar e vários metros, se posicionando acima da lava, seria um bom lugar para enfrentá-los, mas não era isso que ele tinha em mente, pois com um movimento das mãos, ele criou um selo mágico que se espalhava por todo o vulcão, incluindo o lugar em que eles estavam.
- Sabiam que as pedras desse vulcão são ótimos condutores de energia? Isso me permite tirar a energia diretamente de vocês.
Eles não puderam fazer nada para resistir a tomada da energia, Paulo ainda teve tempo de pensar "Mesmo com condutores... para criar um selo mágico desse tamanho... que tipo de monstro ele é?" antes de cair, consciente mas sem poder se mover. O mago estava levantando uma grande quantidade de lava do vulcão com a mão direita, enquanto com a esquerda ele desenhava no ar estranhas letras que formavam padrões complexos.
Em pouco tempo, a lava começou a se juntar, e a tomar uma forma, duas pernas, dois braços, um tronco e uma cabeça. As letras, que haviam se tornado absurdamente complexas, também estavam terminadas, o mago finalmente voltou a falar.
- Apareça, meu servidor! Eu te dei um corpo! - o corpo subiu para a frente do mago - Eu te dei uma mente! - os padrões se moveram para dentro do golem - E agora eu te dou vida! - A energia pura roubada dos herois também subiu para dentro daquele ser, que finalmente abriu os olhos - Seu nome é Calom!
Aquele golem bateu no peito, como se estivesse expressando lealdade por seu criador, o mago estava sorrindo, mas parou ao olhar para onde os herois estavam. O que havia tirado o sorriso de seu rosto era Gante, que continuava de pé.
- Parece que não ter nascido nesse mundo fez ele evitar parte do efeito... - logo recuperou o sorriso - bem, isso vai ser um bom teste para o meu novo subordinado, você - ele apontou para o golem - cuide daquele Kuon - e mandou-o para o chão.
- Gante... - disse Jim, que não suportava ficar apenas olhando.
Gante se forçou a não olhar para trás enquanto se aproximava do Golem, ele tinha uma ideia, mas seria arriscado e não podia saber se funcionaria, então por enquanto...
- Venha, vigia de batalhas sem fim. Venha, senhor do olho divino. Venha, Orthros!
E na mão estendida dele, apareceu um familiar selo mágico, do qual saiu outro estranho ser, sua cabeça tinha um único olho e nada mais, e o resto do corpo era em proporções menores do que a cabeça, o que chamava a atenção porém, era uma espécie de aura brilhante que ele emitia, dando um ar majestoso mesmo a uma criatura tão pequena.
"Orthros, pode examinar aquele golem?", Gante dirigiu os pensamentos e recebeu uma resposta positiva, então atacou saltando na direção daquele ser, ele respondeu pulando para trás e dando um chute quando Gante aterrisou, mas Orthros já havia percebido o golpe e instruiu Gante a evitá-lo com um giro de corpo. E assim a luta continuou, o golem não tinha um estilo específico, mas seu senso de luta era apurado, e seus golpes eram tremendamente fortes, mas Gante contava com o apoio de Orthros, e conseguia evitar todos os golpes ligeiramente, cedo ou tarde aquele golem abriria uma brecha, e Gante poderia destruí-lo e salvar seus amigos. E então após um soco desequilibrado, Calom estava aberto, Gante levantou a mão para atacar e...
A flecha acertou-o direto no coração, lançada pelo mago. Aquele momento ficou congelado no tempo, os amigos dele não conseguiam acreditar no que viam, Gante tinha uma expressão de surpresa e o mago apenas sorria, mas Gante não deixaria acabar desse jeito, o momento descongelou, e usando suas últimas forças, Gante se jogou em cima do golem e o abraçou, dizendo as seguintes palavras.
- Amigos, com vocês eu me senti em um lar. Adeus.
E sem mais uma palavra ele se jogou no vulcão, levando o golem junto.

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