quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Garota Mágica do Aço

Eliza Leysritt é uma das imortais e imprevisíveis Garotas Mágicas. Um guerreiro sacrifica a vida para tentar fazer ela lutar contra o chefe de um castelo, que está raptando pessoas. Então ela parte junto com seu servo, Martin. E a aventura será ainda mais divertida do que ela tinha imaginado.

Capítulo 1

Garota Mágica do Aço: Capítulo 1 - A Fortaleza de Aço

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Quando se pensa no mundo de Gulat, uma coisa é definitivamente certa: Você não ia querer ser uma pessoa sem poder nesse mundo. A razão disso é que as pessoas sem poder não conseguiam controlar as próprias vidas.
Existiam algumas grandes cidades que eram protegidas por guardas próprias e possuíam patronos poderosos, mas a maioria das pessoas viviam em vilas que produziam produtos e vendiam para poder comprar as coisas que precisavam.
Cada uma dessas vilas estava em constante perigo de numerosas ameaças que tinham todos os tipos de motivos e métodos. Haviam cientistas loucos que capturavam pessoas para experimentos, monstros famintos que devoravam quem tivesse o azar de cruzar com eles, magos enlouquecidos com o poder que destruíam tudo o que vissem pela frente.
É claro que algumas dessas vilas tinham seus próprios protetores, pessoas com poder que conseguiam lidar com essas ameaças, mas a conclusão se mantinha, pois eram as pessoas com poder que conseguiam controlar todo o destino das vilas.
Mesmo assim, as pessoas sem poder continuavam vivendo o melhor que podiam, tentando sobreviver as diversas ameaças que lhes poderiam tirar a vida. Elas contavam histórias umas para as outras a respeito desses seres poderosos, já que o conhecimento era o maior poder que poderiam ter.
E de todos esses seres poderosos que figuravam nas histórias, poucos eram mais estranhos que as Garotas Mágicas.
Haviam muitas Garotas Mágicas diferentes, mas todas elas compartilhavam três características. 1. Elas eram jovens garotas. 2. Elas não envelheciam. 3. Elas tinham grandes poderes mágicos.
E é de uma dessas garotas que essa história fala. Ela se chama Eliza Leysritt, e é conhecida como a Garota Mágica do Aço, já que seus poderes envolvem manipulação de metais.
Isso merece uma explicação melhor, a magia era uma coisa muito pessoal e que não podia ser ensinada, com cada usuário tendo manifestações únicas. E isso valia em dobro para as Garotas Mágicas, que ficaram famosas em parte devido as suas habilidades que costumavam ser extremamente espalhafatosas e destrutivas.
Fora a manipulação de metais, Eliza era conhecida por se envolver em causas apenas por elas "parecerem divertidas". Era imprevisível, difícil de se lidar e poderosa, em outras palavras, uma perfeita Garota Mágica.
No momento que essa história começa, Eliza estava em sua casa, a "Fortaleza de Aço", que era exatamente como o nome dizia, uma fortaleza que seria o sonho de qualquer general, pois era feita completamente de uma única peça de aço, ao invés de várias peças combinadas como fortalezas normais seriam feitas. Isso é claro, só tinha sido possível devido aos poderes dela.
- Senhorita Eliza. Um intruso está lutando contra os guardas nesse momento.
A pessoa que falou isso era o Servo de Eliza, ele tinha a aparência de um garoto jovem e bonito, exceto pela pele negra como piche, olhos e cabelo brancos e orelhas pontudas, que mostravam ele claramente como um demônio.
O nome dele era Martin. Eliza tinha salvo ele mil anos antes, por achar ele "bonitinho", e ele tinha servido ela fielmente desde então. E para mostrar isso, ele sempre usava um terno de mordomo.
- Hum. Pode ser divertido, vamos ver.
E essa era Eliza. Ela era uma bela garota que aparentava 10 anos, com cabelos ruivos curtos e olhos vermelho sangue. Ela usava uma cota de malha e por cima dessa um vestido negro feito de fios de metal que era muito mais resistente do que qualquer vestido confortavel como aquele deveria ser. Obviamente, ele só mantinha suas propriedades devido a presença constante da Eliza. Finalmente, nas mãos dela estava um cetro de aço.
Nesse momento, Eliza estava usando sua magia para "ver pelos olhos" do metal da sala dos guardas. Todos aqueles guardas eram autômatos na forma de armaduras de metal que Eliza tinha fabricado. Eles estavam sendo exterminados pelo intruso, que aparentemente era um usuário de lança. Aparentemente, ele também controlava a lança com a mente, pois ela também se movia quando ele não estava tocando nela.
O intruso era um jovem homem de cerca de 19 anos, musculoso de olhos e cabelos pretos. Ele definitivamente tinha poder, mas o desafio baixo que os guardas apresentavam não permitia que Eliza vesse quanto poder ele tinha exatamente.
- Faz tempo que eu não tenho uma boa luta, então deixe ele comigo - Eliza finalmente concluíu.
- Como quiser, senhorita - Martin concordou.
Então ela se levantou da cadeira onde estivera sentada e foi andando para onde o intruso estava. Com isso, eu quero dizer que ela tomou o caminho mais direto para lá, e as paredes simplesmente se abriam para deixar ela passar. Martin seguia ela de perto, para o caso dela ter alguma outra ordem.
Finalmente, ela chegou no lugar onde o intruso estava lutando, e imediatamente fez todas as armaduras caírem no chão, inertes.
- Olá, estranho! Quem é você e o que você quer?
Ele apontou a lâmina da lança pra ela.
- Meu nome é Lucas! Eu estou aqui pra fazer uma requisição! Quero que você vá no castelo de Wintersong e mate o chefe desse castelo!
- Por que?
- Ele está raptando pessoas para fazer algum tipo de magia negra ou coisa parecida - ele parecia triste - mas é claro, isso não vai adiantar se você for fraca, então...
E ele atirou a lança, que imediatamente assumiu uma velocidade bem maior do que deveria num lançamento normal. Sim, ele definitivamente controlava ela com a mente. Mas logo antes da lança poder acertar Eliza, ela fez um movimento praticamente imperceptível e um grande escudo apareceu na frente dela e bloqueou a lança.
No instante seguinte, a lança já tinha voltado para as mãos de Lucas, e o escudo de Eliza tinha virado um canhão que disparou um tiro. Esse tiro seguiu o exemplo da lança, e foi bem mais rápido do que uma bala de canhão normal deveria ir. Lucas percebeu isso imediatamente e desviou da bala, ao invés de tentar rebatê-la.
Era a decisão certa, mas não adiantou, antes que Lucas pudesse perceber o que estava acontecendo, Eliza já estava ao lado dele, com o cetro transformado numa espada, que ela usou para perfurar o peito dele, direto no coração. Ele caíu no chão.
- Ah... sem nenhuma hesitação... perfeito... eu não conseguiria atacar aquele castelo... mas você pode...
E ele morreu. Eliza ficou olhando para ele por alguns momentos, antes de falar.
- Martin.
- Sim.
- Esse cara veio aqui pra tentar fazer eu assumir uma missão, mesmo sabendo que ia provavelmente morrer.
- É o que parece.
- Isso definitivamente vai ser divertido. Prepare as coisas, vamos pra Windsong.
- Claro, senhorita.
E a aventura começava!

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domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 6 - Uma Escrava e um Lobisomem

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1

Estavam os cinco numa hospedaria, descansando após um longo dia de trabalho, quando mais alguém entrou, não dava para ver direito daquela distância, mas parecia uma figura feminina, e carregava uma marreta enorme bem característica...
Jim demorou alguns segundos para reconhecer aquela figura, era Bruna! Tinha crescido, estava usando roupas novas e a marreta havia crescido na mesma proporção, mas aquelas feições não deixavam dúvidas.
- Bruna?!
Ela se virou e:
- Jim?! - o aturdimento durou só um segundo - agora eu te mato maldito!
E ela correu e desceu a marreta sobre Jim que se desviou rolando para o lado.
- Mais uma conhecida do Jim - disse Bill, sem sequer se levantar.
Enquanto isso Jim tentava se desviar dos golpes furiosos de Bruna, ela destruía tudo que estivesse no caminho, e Jim não conseguia bloquear os golpes pesados facilmente nem mesmo com a lança lunar, o dono da hospedaria vendo toda a confusão falou:
- Vocês estão destruindo esse lugar, vão ter que pagar por isso!
Após desviar de um golpe particularmene perigoso Jim gritou:
- Saía de perto, ela está fora de controle!
E se virando tentou conversar com ela:
- Por que essa violência toda?
- Por sua causa eu voltei a escravidão, e tive que me tornar uma gladiadora, depois que eu acabar com você eu vou atrás do resto daquele grupo...
- O grupo de mercenários está morto!
Isso parou Bruna por um instante.
- O quê?
- Todos eles estão mortos, foram assassinados, só eu e o Bill restamos, e não somos mais mercenários.
- Eu... sinto muito.
Então tomado por uma onda de inspiração Jim perguntou:
- O que você vai fazer agora?
- Eu tenho que me encontrar o dono dos escravos.
- Por que você não vêm com a gente então? Todos aqui têm objetivos diferentes.
Depois de pensar um pouco ela respondeu:
- Eu não gosto dessa situação, mas é melhor manter você por perto. Para que não fuja.
- Eu não vou fugir!
- Se é assim, quero que você prometa que vai lutar comigo de novo outro dia.
- Concordo, mas vamos sair daqui logo.
- Por quê?
- Nós não temos dinheiro pra pagar por tudo que você quebrou.
Depois que todos saíram correndo da hospedaria, Jim se virou para os outros.
- Pessoal, essa é a Bruna, ela vai se juntar a nós de agora em diante.
- Olá... meu nome... é Sara.
- Eu sou o Bill, e também fazia parte do grupo de mercenários, desculpe - ele já havia percebido a história toda.
- Eu me chamo Gante.
- Meu nome é Paulo.
Por uma ironia do destino, aquele dia era uma sexta-feira.

2

Após fugir da hospedaria e da cidade, o pequeno grupo continuou seguindo viagem, e dessa vez estavam ouvindo rumores consistentes sobre "o mago", inclusive da localização dele, parecia que ele estava seguindo uma linha reta na direção do templo da mana, a próxima cidade naquela direção era Tel-el-aviv, a cidade das luzes, famosa pelas arenas de luta, que atraíam pessoas de todas as partes do mundo.
- Não gosto daquele lugar - disse Bruna.
Jim assentiu, muitos lutavam lá por vontade própria, atrás de fama e fortuna, ou mesmo de pequenas recompensas que os vários torneios não-oficiais ofereciam, mas alguns daqueles guerreiros eram escravos, batalhando para a diversão de seus lordes, e sua única alternativa era vencer, uma gladiadora como a Bruna não poderia ter boas recordações daquela cidade.
- Estamos chegando - disse Gante quando eles avistaram a cidade no horizonte.
Algo estava errado, saía fumaça da cidade, eles correram até perto, e o que viram foi terrível. A cidade estava destruída, grandes prédios estavam em ruínas com pedaços espalhados por todos os lados, as arenas estavam cheias de cadáveres, pessoas pegas de surpresa enquanto assistiam uma luta, os poucos sobreviventes enfrentavam monstros deixados para trás, as lojas estavam saqueadas, o que havia passado por lá não merecia ser chamado de exército, era uma horda.
Eles correram para ajudar, resgatando muitas pessoas, então avistaram um lobisomem, a volta dele estavam vários guerreiros que tentavam subjulgá-lo, mas ele os dilacerou um a um, quando Jim chegou perto foi atacado, mas defendeu-se fazendo um corte no braço dele, Jim esperou por outro ataque, mas não veio pois o lobisomem colocou as mãos na cabeça e começou a se arranhar. Jim nunca havia visto nada como isso, aquele lobisomem esperneava e soltava ganidos de dor.
O estranho acontecimento alcançou o ápice quando o lobisomem começou a ter verdadeiras convulsões, se chocando contra o chão, lentamente ele começou a mudar, seu tamanho diminuiu, a maioria dos pêlos desapareceu, perdeu o focinho, os dentes diminuiram e ele se transformou num humano.
O homem estava magro e ferido, parecia realmente indefeso, bem diferente do lobisomem que fora até um momento atrás.
- O que aconteceu? - perguntou ele com a voz fraca.
- Alguns dos lobisomems conseguem voltar a forma humana eventualmente, mas isso é realmente raro - respondeu Paulo.
Então ele olhou ao redor e vendo as pessoas mortas em volta começou a compreender o que tinha feito, então colocou as mãos no rosto e começou a chorar.
- Não... porquê? Por que isso aconteceu? Eu não queria, eu não queria matar essas pessoas.
Mas aí Bruna se adiantou, e segurando o homem violentamente pelo ombro falou:
- Se você realmente está arrependido, então use essa força direito, una-se a nós e tente se redimir!
Uma explicação faz-se necessária, a maioria dos lobisomems nunca voltava a se transformar em humano, mas alguns deles conseguiam voltar a forma humana e então tornavam-se capazes de mudar de forma a qualquer hora que quisessem, além de se controlar mesmo estando na forma de lobisomem. Era desse força que Bruna estava falando.
Então virando de costas para ele, Bruna disse:
- E vista alguma coisa.
Depois dele estar adequadamente vestido perguntou:
- Eu realmente posso me juntar a vocês?
- Claro, qual é o seu nome? - perguntou Jim
- Sou Seth.
Eles olharam ao redor, e a luta havia acabado, o que restava eram as lágrimas, os filhos choravam pelos pais, os pais pelos filhos, raras vezes eles viam lágrimas de alegria pelo reencontro, e muito mais vezes tiveram que ajudar a enterrar os cadáveres mortos impiedosamente. Naquele momento, cada um dos sete fez um juramento silencioso, de que não descansaria até que o mago fosse derrotado.

3

Seth havia conhecido alguns Kuons no passado, então ele ficou interessado em saber qual era a história de Gante, que decidiu contar o que se lembrava.
- Eu vivia com a minha família no nosso mundo, um lugar diferente daqui...
Na terra natal dos Kuons todos os lugares eram multicoloridos, desde o mar até o céu. Todos os Kuons eram capazes de fazer convocações, eles caçavam animais que não existem em Tria. A vida era boa.
Porém um dia tudo mudou, Gante acordou com gritos, os pais dele haviam desaparecido, e ele saiu da caverna onde eles dormiram, Gante ficou com medo, o céu estava diferente, ele estava vermelho, e relâmpagos violentos passavam, ele correu seguindo as vozes, que ficavam cada vez mais distantes e desesperadas, Gante ficou com ainda mais medo, ele gritava "papai" e "mamãe" sem resposta, ele começou a chorar, e aí as coisas pioraram.
Começou a chover fogo do céu, e Gante gritava toda vez que ele atingia seu corpo, ele não conseguia encontrar os pais, e estva prestes a desistir quando viu algo, era um corvo olhando para ele. Como se o estivesse chamando, Gante correu na direção daquele corvo, que começou a voar enquanto era seguido, até que Gante caíu em um buraco.
Ele acordou, e era noite em Tria, Gante ficou assustado com as estrelas, o céu de Tria era muito diferente daquele de sua terra natal, mas ele viu algo familiar, era o corvo que havia seguido, e esse corvo continuava olhando para ele, querendo que Gante o seguisse, o que ele fez, já que não tinha mais o que fazer. O corvo levou Gante até aquela casa onde eles o haviam encontrado e então desapareceu.
Os seis ficaram em silêncio durante alguns momentos, até que Paulo falou:
- Meu mestre me disse uma vez, que os corvos são os seres mais sábios do mundo, e se eles falassem poderiam nos dizer tudo o que nós não sabemos. Ele provavelmente sabia o que estava falando.
- Então o que o corvo queria? - perguntou Gante.
- Bem, graças a ajuda dele você encontrou a gente, seus amigos, não é?
Gante sorriu, como a criança que nunca havia deixado de ser.

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sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Escola dos Guerreiros

Amara Acol é uma novata na escola Descartes, uma das escolas que treinam os Nova, guerreiros poderosos de habilidades variadas. Ela está tentando montar o próprio clube com os melhores novatos do mesmo ano, mas os outros clubes não parecem estar muito dispostos a permitir isso...

Capítulo 1

A Escola dos Guerreiros: Capítulo 1: Montando uma Equipe

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Imagine um mundo onde os poderes sobrenaturais são comuns. Imagine um mundo onde esses poderes são necessários para a vida comum. Imagine um mundo onde os usuários desses poderes estão em constante disputa entre si por trabalho e reputação. Isso é Kamina.

O mundo era estável, mas essa estabilidade fora duramente conquistada. Durante milênios, guerras assolaram os continentes. Batalhas terríveis que causavam uma grande escala de destruição e dor. Após um longo tempo, uma relativa paz foi alcançada, quando a liga das nações foi criada.
Na verdade, a primeira geração da liga das nações ainda estava cheia de membros que nutriam rancor contra outros membros, sendo que apenas a memória do terror recente impedia eles de lutarem entre si novamente. Mas num golpe de mestre, a pessoa responsável pela paz resolveu esses assuntos através da criação do "Berço dos Reis", uma ilha distante que não tinha laços com nenhum país.
Nesse lugar, os futuros líderes das nações eram criados, livres das influências do ódio que seus povos guardavam, e a paz continuou sendo mantida por esses líderes. Fora isso, também havia outro grupo que tinha o mesmo objetivo.
Muitos dos que fizeram parte desse grupo viraram lendas por si próprios. Era a Sociedade da Deusa, que tinha o trabalho de se infiltrar nesses países, e evitar golpes de estado daqueles tomados pelo ódio, assim como qualquer outro evento que pudesse perturbar a paz. E assim as coisas ficaram por mais 10 gerações.
A Sociedade da Deusa se desfez eventualmente, mas os seus membros fundariam muitas organizações que lutavam para manter a estabilidade no mundo em suas próprias áreas. E enquanto isso, os guerreiros que eram odiados durante o tempo de guerra começaram a ser muito mais bem quistos pela população em geral.
Tanto que, quando o Grande Conselho foi criado, para auxiliar os governantes nas decisões mais difíceis, os melhores guerreiros do mundo foram escolhidos para defendê-los, e assim surgiu a chamada Guarda Superior, cujos membros eram adorados e considerados exemplos a serem seguidos e objetivos a serem alcançados. Todos queriam ser como eles.
Isso não acabou bem. As pessoas que queriam esse poder pouco sabiam a respeito das consequências que vinham junto com ele. E as disputas entre esses novos guerreiros se transformaram numa verdadeira guerra urbana. Uma guerra de pessoas, ao invés de nações.
Mas isso também teve um lado bom, um grande desenvolvimento veio junto dessa busca por poder, e os líderes mundiais perceberam que seria útil ter pessoas poderosas trabalhando para si, então transformaram os assim chamados "Nova" na base do sistema, através de reconhecimento por feitos e um imenso número de trabalhos e eventos onde eles poderiam provar o próprio valor e que ao mesmo tempo fariam o sistema se mover.
E então os Nova ficaram ainda mais populares do que eles jamais tinham sido antes. Isso levou a um outro problema, a separação cada vez maior entre os Nova e as pessoas normais. Incontáveis gênios pensaram profundamente sobre como resolver esse problema, e inúmeras propostas foram levantadas. Mas eventualmente foi encontrada uma solução adequada.
A solução era construir escolas conjuntas entre Novas e normais. Lá os Novas teriam liberdade para desenvolver suas habilidades, além de serem os lugares onde eles poderiam fazer diversos contatos e iniciar suas carreiras nos campos que escolhessem. Os normais por outro lado, aprendiam a lidar com os Novas e vê-los como pessoas, além de estudar para carreiras de suporte a eles.
Nossa história começa em uma dessas escolas. Um colégio de ensino médio gigantesco que tinha o nome Centro de Aprendizagem Descartes. O dia era 16 de janeiro, o início de um novo ano de aula, e a personagem principal era uma caloura de 15 anos de idade que fazia parte dos Novas.
O nome dela era Amara Acol, e ela era uma bonita garota de 15 anos, tinha olhos castanhos e cabelos da mesma cor que mantinha curtos por razões práticas. Por fazer parte da classe dos Novas, ela tinha direito a se vestir conforme lhe parecesse apropriado, mas suas roupas não diferiam muito do "uniforme oficial" da escola.
Eram uma camiseta branca de mangas curtas com detalhes em azul, vermelho, verde e marrom. Junto com um short azul-escuro que ia até metade das coxas. Fora isso, estava usando sapatos de corrida de alta qualidade com meias brancas.
Ela possuía um rosto confiante, o tipo de rosto que as pessoas gostavam de seguir, os olhos tinham um brilho que mostrava determinação inabalável e o sorriso mostrava esperteza. E foi isso a primeira coisa que Nana Blade percebeu ao ser abordada por ela.
- Olá Nana! - ela chamou animadamente.
Nana virou e olhou Amara de cima a baixo, tensa. Depois de perceber que a garota não era uma ameaça imediata, relaxou um pouco, e então respondeu:
- Olá... Quem é você e como você sabe o meu nome?
- Eu me chamo Amara - respondeu nossa protagonista - e você não devia ficar tão surpresa sobre eu saber o seu nome, Malabarista das Lâminas.
Nana suspirou. Tinha mesmo que ser aquilo, ela tinha feito muito barulho na escola onde estudava antes. Parte devido ao seu estilo de luta não-ortodoxo, parte devido a nunca ter perdido numa luta e parte devido a sua aparência.
Essa última parte precisa de clarificação. Em poucas palavras, Nana parecia uma criança, tanto que ela fora originalmente colocada numa classe básica na escola onde estudava antes. E foram necessários muitos testes de aptidão, e ameaçar um supervisor a ponto dele mijar nas calças (essa última parte ajudou mais) para que ela entrasse na turma que queria.
Nana parecia não ter sequer oito anos, mas ninguém poderia confundir ela por uma criança normal é claro. Ela tinha cabelos laranjas vibrantes, longos que iam até os ombros e seus olhos eram vermelhos como sangue e passavam uma sensação de ameaça que fazia a maioria das pessoas desviar o olhar. Ela usava um vestido curto da mesma cor de seus olhos, com um short por baixo e mangas cortadas, por razões práticas. Ela usava meias que iam dos tornozelos até as coxas, pois havia cortado a parte final delas para deixar os pés livres, ela não usava sapatos.
Finalmente havia a bainha as suas costas, que não era realmente uma bainha, mas apenas uma caixa que servia de local de guardar as armas, essas armas mudavam muito, pois ela costumava trocá-las frequentemente. No momento estavam lá três espadas retas e longas, duas jian e dois machados pequenos.
- Certo - disse Nana - O que você quer?
- Eu quero duas coisas. Primeiro uma luta com você.
Nana não ficou surpresa, muitas vezes tinha tido que lidar com idiotas que queriam ganhar um pouco de fama por derrotá-la, todos eles haviam tido que ser carregados de volta pra casa.
- É justo. Qual a outra coisa?
- Uma aposta - disse Amara simplesmente.
Isso era novo - que tipo de aposta? - quis saber Nana.
- Se eu vencer, quero que se junte ao meu grupo.
- Grupo?
- Vou montar meu próprio clube.
Nana se lembrou do que sabia sobre a escola. Os alunos Nova costumavam se juntar aos clubes, pois cada clube recebia dinheiro da escola para financiar as atividades de seus membros, e era muito mais fácil de fazer negócios sob a bandeira de um clube poderoso. Os chefes desses clubes ganhavam muito em reputação.
- E o que acontece se eu ganhar?
- Nesse caso eu farei qualquer coisa que você quiser.
Isso silenciou Nana por um momento.
- Tem certeza? Isso não é uma promessa simples.
- Tenho, e eu creio que não irei perder.
Nana ia responder a isso, mas então se lembrou de uma coisa.
- Quem é você na verdade? Você me disse o seu nome, mas não quem você é.
Amara sorriu ainda mais profundamente que antes e disse:
- Na minha casa eu era conhecida como Estrategista Elemental.
Nana tinha ouvido falar na Estrategista Elemental. Era uma garota de 14 anos que tinha vencido o torneio de novembro da cidade de Agrofante.Isso era um feito notável pois Agrofante era uma das cidades com maior concentração de Novas em todo o mundo. A Malabarista das Lâminas despertou dentro de Nana, aquela luta seria divertida.
As duas estavam no meio de um caminho lajeado, que ficava do lado de grandes espaços gramados, a grama era de um tipo especial, ela se recuperaria rapidamente de qualquer dano que recebesse, devido a sua alta capacidade de crescimento e regeneração. O ambiente da escola Descartes favorecia a realização de lutas, o que era o objetivo.
Foi apenas uma questão de caminhar até o meio da grama e se afastar 10 passos uma da outra, elas passaram os primeiros minutos da luta apenas se observando, e pessoas se reuniram ao redor para assistir a uma das primeiras lutas do ano. Amara percebeu pelas conversas que já sabiam quem eram as duas, e as apostas no resultado já estavam começando, e mais uma vez ficou impressionada com a capacidade que certas pessoas tinham de estabelecer esse tipo de coisa rápido.
De seu lado, Nana havia começado a sorrir, mas não era um sorriso gentil, era um sorriso de tubarão. Um grande sorriso que mostrava os dentes, e era perturbador de se ver. Junto com os olhos de sangue, a Malabarista das Lâminas era realmente intimidadora.
Ela fez o primeiro movimento, jogando ao ar suas armas, era o começo do show. Poucas pessoas gostariam de ter diversas lâminas caindo ao seu redor, mas Nana usava isso como tática de batalha comum, jogando as armas de volta para cima e manipulando-as sem se machucar em uma demonstração de habilidade que poucos deixariam de chamar de arte.
Esses poucos eram as pessoas que haviam ficado do outro lado do ataque, esses percebiam que a verdadeira arte daquele movimento estava em sua letalidade, especialmente quando Nana começava a se mover na direção deles, Amara percebeu a sensação muito bem.
Quando finalmente Nana chegou perto o bastante para atacar, a Estrategista moveu parte da terra do chão para suas mãos, criando luvas de pedra, que defenderam um golpe de cima pra baixo de um machado que Nana tinha segurado para atacar. O golpe seguinte foi uma estocada de uma das espadas que Nana empurrou com uma de suas maos, e Amara bloqueou com a mão livre. Mas isso não seria suficiente para fazer a Malabarista parar, e ela girou e levantou a perna direita, usando o pé para empurrar outra espada num ataque contra Amara, que finalmente teve que recuar. Nana devolveu as armas para o ar com a mesma graça e facilidade de antes.
Amara decidiu que era sua hora de atacar, entao começou a disparar rajadas de vento cortante na direção de Nana, que desviou de algumas e bloqueou outras, sempre mantendo suas armas no ar, ela avançou novamente atacando com 3 armas ao mesmo tempo, em um golpe lateral, usando as mãos e o joelho.
Amara saltou para desviar desse ataque, passando por cima de Nana e pelo meio das lâminas que ainda estavam no ar, ela aproveitou a chance e usou seus punhos de pedra para quebrá-las, agora só restavam mais três armas para Nana.
- Ei! - ela gritou.
Amara percebeu que aquilo tinha tirado a concentração dela, então se arriscou e avançou para cima dela, desviando das três lâminas restantes, então juntou a terra das duas mãos no braço direito e socou Nana em baixo do queixo.
A garota voou e girou no ar, suas armas finalmente caindo no chão. Mas quando a audiência estava prestes a gritar a vitória de Amara, a Malabarista se moveu e começou a se levantar.
- Você é resistente - Amara disse - eu achei que a batalha já estava acabada.
- Argh, esse soco foi forte - respondeu Nana - mas eu ainda não perdi.
E sem nem se levantar totalmente, Nana empurrou o chão com os pés, o impulso resultante mandou ela pra frente como um foguete, e no meio do caminho a Malabarista chutou as três espadas no chão direto para Amara, em uma formação assassina. Mas Amara já havia lidado com coisas assim, ela avançou por dentro da formação, recebendo cortes nos braços e na perna, mas não eram cortes profundos.
Em um fluido movimento, a Estrategista agarrou Nana no ar e girou com ela, levantando uma perna e cobrindo a com sua armadura de terra, e para finalizar, descendo ela com força na nuca da Malabarista. A luta estava acabada.
A platéia que tinha se reunido aplaudiu, e as pessoas que tinham apostado gritaram, seja de alegria, seja de tristeza. Mas Amara não estava preocupada com isso, ela pegou a pequena garota nos braços. Precisava levá-la para a enfermaria mais próxima.
Uma das coisas que todas as escolas de Nova/Normais tinham em comum, era o fato de possuírem diversas enfermarias espalhadas pelo campus, o que era mais uma das coisas feitas para tornar a realização de duelos mais fácil. Muitos dos maiores médicos da história haviam começado suas carreiras como responsáveis por uma das enfermarias.
A enfermaria onde ela entrou não era nada diferente de qualquer outra, era uma sala limpa com paredes e chão imaculadamente brancos, um armário repleto de diversos remédios, bandagens e outros instrumentos parecidos, e vinte e cinco leitos onde os feridos podiam ficar. O número era de exatamente vinte e cinco em todas as enfermarias, isso era padronizado.
- Bom dia! - disse Amara animadamente quando entrou lá.
- Bom dia - respondeu o responsável que estava lá no momento, um aluno do segundo ano cujo nome era Jofrey Konkani, mago especialista em cura - o que nós temos aqui?
- Nós duelamos - esclareceu Amara.
- Ah, eu já devia ter imaginado.
E Jofrey começou a tratar dos machucados de Nana, e Amara parou de falar pois aquele era um procedimento delicado que não devia ser atrapalhado, o médico estendia a mão para os locais feridos e murmurava palavras ininteligíveis, algumas pessoas achariam que parecia fácil, mas ele estava na verdade obtendo uma leitura sobre o que acontecia dentro do corpo de Nana e consertando as partes quebradas uma a uma, era um processo complexo.
Quando terminou, Nana acordou, ela se sentou e olhou para Amara.
- Eu perdi, não é?
- Aham.
Ela suspirou e disse - Certo, eu apostei com você, então agora pode me contar como parte da sua equipe.
Amara sorriu em resposta, e então disse - Vamos, temos que procurar o próximo integrante do grupo.
Nana se levantou e então Jofrey disse - espere aí.
- O quê? - Amara perguntou.
Ele foi até ela e começou a cuidar dos cortes, era um ferimento mais simples e o processo terminou em instantes.
- Agora podem ir - ele disse.
E Amara e Nana saíram juntas de lá. Depois começaram a andar pela escola, que como já mencionado, era enorme. Demorou algum tempo até acharem a próxima pessoa, mas finalmente conseguiram encontrá-la sentada em um dos bancos perto do prédio B de aulas.
A pessoa era uma garota, e era incrivelmente bonita. Ela tinha cabelos negros curtos e olhos escuros, além de uma boca fina, tudo isso fazia ela parecer uma boneca, e o rosto estava numa expressão pensativa.
Ela estava usando um vestido negro com detalhes em branco. As pernas do vestido eram longas e iam até os tornozelos dela, mas as mangas eram curtas, expondo os braços esbeltos. A parte da frente do vestido era fechada por botões, e delineava sedutoramente a curva de seus seios. Por fim, ela calçava botas cinzas.
- Essa é...
- Sim, a Maga Explosiva.
Nana assentiu, conhecia a história. A Maga Explosiva havia ficado famosa ao salvar sua vila do ataque de um bando de gramekins cujos números variavam de história pra história, mas eram pelo menos 50.
- Oi Lúcia! - Amara acenou.
Nana observou com cuidado. Era realmente incrível o jeito que Amara falava com pessoas que nem conhecia como se fossem amigos de longa data.
- Oi - Lúcia respondeu, os lábios mudando para um sorriso que Nana não conseguia decidir se era amigável ou sedutor, provavelmente os dois, pensou - posso ajudar em alguma coisa?
Nana piscou duas vezes, ela não conseguia entender como alguém poderia fazer aquela simples frase soar tão... perversa.
- Sim, eu quero que você entre para o meu clube - respondeu Amara, não percebendo, ou ignorando as implicações secundárias daquela pergunta.
- Um clube? - ela perguntou - eu realmente preciso entrar em um. O que o seu clube tem de especial?
Caramba - pensou Nana - acho que a voz dessa garota sozinha já poderia lançar mil navios.
- A primeira coisa - Amara falou, e Nana teve que dar os parabéns a ela, a Malabarista não achava que poderia falar tão normalmente com aquela garota - é que o nosso clube vai ter apenas cinco membros, então vai dar pra fazer mais coisas com o orçamento, já que ele é fixo entre todos os clubes. A segunda coisa é que eu estou reunindo alguns dos melhores calouros para fazer parte do grupo.
- Oh - ela disse - você é muito gentil por me incluir nessa conta - continuou - então isso quer dizer que essa linda garotinha do seu lado é uma membra também?
Nana sentiu uma pontada de calor dentro do corpo quando Lúcia disse as palavras "linda garotinha".
- Sim - disse Amara, que de algum modo não havia sido afetada por Lúcia - ela é a Nana, a Malabarista das Lâminas - e Amara empurrou sua companheira mais para perto.
- Ah, eu já tinha ouvido falar de você, mas não imaginava que fosse tão bonita - Nana corou - e eu adorei suas roupas.
- E eu sou a Estrategista Elemental.
Lúcia se aproximou dela e falou - você também é muito bonita - Amara não foi afetada nem por isso, Nana imaginou se ela teria sido treinada em auto-controle por um mestre zen - e famosa. Creio que um grupo com vocês poderia ser bom, mas você seria a líder, não é?
- Com certeza - disse Amara, com seu sorriso confiante.
- Então eu terei que lutar com você, para conferir eu mesma se a Estrategista Elemental realmente tem o que e preciso para liderar um grupo como esse.
- É justo - disse Amara, e isso foi tudo, Nana apenas começou a avisar as pessoas de que haveria uma luta alí. Novamente uma platéia se juntou, e Nana prestou muita atenção para tentar descobrir de onde vinham os chefes de aposta. Ela não conseguiu, eles pareciam ter saído do ar.
As duas guerreiras estavam se observando meticulosamente, Lúcia mantinha seu tema pois fazia parecer que estava olhando Mana para checar se essa seria adequada como uma... companhia para a noite, mas Amara examinava sua adversária seriamente, apesar de manter seu sorriso confiante no rosto.
Nana prestava atenção ao mesmo tempo em que tentava ouvir as conversas na platéia. Muitas pessoas repetiam o óbvio, que Lúcia era linda, e a grande maioria delas eram garotas, incluindo quatro que pareciam prontas para declarar seu amor e saltar em cima dela lá mesmo. Um cara revelou seu desejo de que elas acabassem rasgando as roupas uma da outra, Nana tomou nota desse para avisar qualquer futura oponente feminina que ele pudesse ter. Alguns explicavam a seus companheiros menos bem-informados quem eram aquelas duas, na verdade as conversas eram bem normais.
Finalmente Amara avançou, e num instante, Lúcia estendeu a mão direita e estalou os dedos, criando uma grande esfera negra bem no caminho da Estrategista, que não conseguiu desviar a tempo, se chocando contra a esfera, que, preservando a reputação da dona, explodiu violentamente.
Amara foi jogada para trás e caíu no chão, e várias das pessoas da platéia fizeram caretas, imaginando como seria levar um golpe desses, alguns até acharam que a Estrategista estava vencida, mas ela se levantou.
A explosão tinha causado um belo estrago, as roupas ainda estavam intactas, pois aquela era uma das explosões de pressão, e não incendiária. Mas escorria sangue pelos braços de Amara, e também pelo rosto. Além disso ela parecia ter quebrado algumas costelas.
Mesmo assim, ela continuava com aquele sorriso no rosto, e fez uma pedra grande flutuar até sua mão, então, sem nenhuma palavra, avançou novamente. Lúcia fez sua esfera de novo, mas dessa vez Amara estava esperando por isso, ela levantou parte do chão para criar um freio e jogou a pedra numa parábola na direção da esfera.
A pedra acertou a esfera, que explodiu, mas Amara havia mirado a pedra no ponto exato para a explosão impulsioná-la direto para a cabeça de Lúcia. A pedra era pequena demais para causar qualquer dano significativo, mas a distração foi o bastante. Mana avançou com um punho de pedra e acertou ela direto na cara.
Nana esperou alguns momentos até ter certeza de que Lúcia não fosse mais se levantar, e então se aproximou das duas.
- Consegue andar até a enfermaria? - perguntou para Amara.
- Claro.
Então Nana pegou Lúcia e a colocou por cima do ombro com facilidade, notando que a pele dela era inacreditavelmente macia, daí respirou fundo e percebeu que ela cheirava muito bem também. Nana teve uma súbita vontade de mordê-la para checar se o gosto dela também seria bom, mas resistiu a essa ideia ridícula.
Elas foram para a mesma enfermaria onde tinham ido dá última vez, que estava bem perto do local da batalha.
- De volta tão cedo? - perguntou Jofrey, divertido.
- Sim, senhor - disse Amara animadamente.
E Nana colocou o corpo inerte de Lúcia no leito, onde Jofrey começou a trabalhar, os ferimentos eram pequenos, então não demorou muito para que ela estivesse de pé. Esse não era o caso com Amara, cuja cura demorou vários minutos, durante os quais Nana se surpreendeu ao ver que Lúcia observava o processo de cura com uma expressão triste, mas ela rapidamente se recompôs ao perceber que Nana a olhava.
Quando o médico acabou, as três saíram de lá e começaram a andar juntas, e então Lúcia se virou e perguntou para Amara:
- Você tem algum pedido para mim, chefe?
- Temos que achar os últimos dois integrantes do grupo. O próximo deve ser Lázaro Campos, mais conhecido como Lutador das Ventanias.
Assim como esperado, esse era mais um que tinha elevanda reputação nos círculos dos Novas, ele tinha obtido sua fama nas arenas de luta, onde ganhava o dinheiro de seu sustento. Ele sempre era um dos favoritos, apesar de sua pouca idade em relação aos outros competidores.
Esse foi mais fácil de achar, elas apenas tiveram que perguntar um pouco, ideia que parecia incrívelmente nova e estranha para Amara e Nana, mas Lúcia mostrou as vantagens disso ao conseguir descobrir onde o alvo estava em apenas alguns minutos. As pessoas pra quem ela perguntava sempre pareciam ansiosas para ajudar.
Lázaro estava sentado de olhos fechados na sobra do prédio de escritórios central da escola, o motivo de uma escola conter um prédio de escritórios era misterioso, confuso, e provavelmente não tinha nenhuma importância. Nana começou a perguntar se elas deveriam esperar até que ele acordasse, mas se calou quando viu que Amara tinha pego outra pedra e se preparava para jogá-la.
Enquanto isso, Lúcia observava o garoto e chegava a conclusão de que ele era bonito, Lázaro tinha cabelos brancos e um rosto magro, que parecia calmo. Em contraste o corpo dele era musculoso, devido aos treinamentos de luta que ele devia passar, mas os musculos também não eram tão grandes que ficariam ridículos no corpo dele, ao invés disso o Lutador parecia estar apenas no ápice da forma física.
Ele também era alto e sua pele era morena. Estava usando uma camiseta branca, uma calça negra e um casaco azul. Seus tênis pareciam ser novos.
- O que... - começou a dizer Nana, mas já era tarde demais, Amara já havia jogado a pedra, que voou e se dirigiu exatamente para a testa de Lázaro, definitivamente mira boa era uma das habilidades de Amara, mas quando a pedra estava prestes a acertar, a mão dele subiu e a bloqueou - Bons reflexos - pensou Nana.
- Posso ajudar em alguma coisa? - Ele perguntou, e Lúcia conseguiu ver que os olhos dele eram cinzas. A voz dele ainda estava calma, mas havia uma pequena ponta de irritação naquelas palavras.
- Sim - começou Amara, mas então... como descrever o que aconteceu a seguir? Imagine que você está no meio de um campo de batalha, cercado por um grupo de homens com lanças que te odeiam e querem te matar, multiplique essa sensação por 10. Era algo assim que foi sentido pelas três garotas.
A quantidade de ameaça era tal que Nana e Lúcia recuaram um passo inconscientemente - eu estou querendo que você se junte a minha equipe - ela continuou, ignorando completamente aquela sensação. Nana imaginou se haveria alguma coisa que afetasse ela.
- Interessante - ele disse - você é a primeira pessoa que eu vejo que não é afetada pela minha Aura Assassina. Mas o que as suas companheiras acham disso?
- Eu não iria me opor a um cara bonito como você entrando na equipe - Lúcia disse. Lázaro tentou, mas não conseguiu esconder o embaraço que sentiu ao ouvir aquela frase - A Voz ataca novamente - pensou Nana - pelo menos nisso esse cara é normal.
- A chefe diz que você seria uma boa adição, e eu não creio que ela esteja errada nesse caso - Nana falou diplomaticamente.
- Então... - Lázaro começou - luta?
- Luta - concordou Amara, os normais que assistiam essa cena poderiam achar estranho, mas resolver questões pendentes através de lutas era uma coisa bastante popular entre os novas, especialmente os jovens.
O lugar onde estavam já era adequado para uma luta, então Amara decidiu pular toda aquela parte chata de ficar se encarando e simplesmente avançou com as suas, já clássicas, luvas de pedra nas mãos. Lázaro se levantou num salto e socou com a mão direita, os dois punhos se chocaram, causando uma pequena explosão.
Amara recuou um passo, e juntou toda a terra das mãos no braço esquerdo, criando um punho com o dobro do tamanho do anterior, e socando na direção do adversário. Lázaro respondeu girando para desviar de raspão do soco e avançar para a posição do golpe final.
Foi aí que ele usou o poder que lhe deu seu título, atacou com a mão aberta e o vento pareceu seguir o ataque, transformando-se em lâminas mortais, desnecessário dizer que Nana gostou desse ataque.
Mas acabou sendo inútil, com um movimento da mão direita, Mana desfez as lâminas de ar. Lázaro não sabia que estava lidando com uma manipuladora dos elementos, pois aquilo o deixou aberto para um novo ataque da mão esquerda de Amara, que dessa fez havia criado uma lâmina de terra, e perfurou o estômago do Lutador.
Mais uma vez, a luta estava acabada, e mais uma vez eles tiveram que voltar para a enfermaria, dessa vez para que Lázaro pudesse ser curado.
- Isso está ficando levemente ridículo - Jofrey disse ao vê-los entrando novamente.
- Ah, mas você está feliz em nos ver, não é? - Lúcia disse numa voz que de alguma forma conseguia ser ainda mais sedutora que o normal.
Talvez o médico tivesse sido treinado pelo mesmo mestre que Amara, pois ele conseguiu ignorar aquilo totalmente - vejo que vocês vão ficar dando trabalho o ano todo - ele suspirou.
Então o médico passou a trabalhar em Lázaro, Nana olhou Lúcia de novo, para ver se ela mostraria aquela mesma expressão de antes, mas Lúcia havia percebido sua intenção e olhava de volta para ela, com aqueles olhos perversos que fizeram Nana corar de novo.
Guerreiro curado, os quatro saíram da enfermaria, o médico havia acabado de perguntar se deveria esperar que eles viessem de novo, ao que Amara respondeu - talvez mais uma vez.
- Quem vai ser o nosso integrante final - perguntou Nana.
- O nome dele é Felipe Akat.
- Alguém chamou? - saiu uma voz do nada.
Diante deles surgiu o garoto que estavam procurando, em comparação a Lázaro, Felipe era mais esbelto, tendo um rosto de desafio, olhos verdes e cabelo negro. Ele tinha menos músculos, mas suas pernas pareciam ter sido treinadas durante a vida inteira, e usava uma camisa e uma calça simples, além de seguir o padrão Nana e não usar sapatos, apesar de não ter as mesmas meias que ela.
- Felipe, que bom ver você! - Amara disse animada.
- Eu tinha ouvido dizer que a Estrategista estava lutando contra guerreiros famosos, mas não imaginei que fosse para criar uma equipe - as reações a aparição de Felipe foram variadas. Lázaro o achou esquisito, Lúcia gostou da personalidade dele e Nana achou que ele seria muito bom no teatro, o garoto fazia gestos largos e falava alto e dramaticamente cada palavra, ele continuou - Nesse caso, creio que terei que aceitar o convite. Prepare-se!
Ele empurrou o chão, mas aquilo era diferente do lançamento incontrolável de Nana, ele continuou ereto e sob controle de sua velocidade. O movimento durou apenas um instante... mas ele tropeçou num monte de terra que Amara tinha feito subir, voando e girando no ar como um pião descontrolado, e caindo de cara no punho estendido de Amara, Felipe perdeu a consciência.
Os outros ficaram em silêncio por vários segundos, tentando entender o que tinha acontecido, finalmente Lázaro falou:
- Quem é esse?
- É o Felipe Akat, um dos aprendizes de técnicas de movimento do mestre Pencak Silat. Ele não tem um título, mas eu não acho que as coisas vão ficar assim por muito tempo.
- Ok - disse Nana, reconhecendo o nome de Pencak Silat - agora nós temos todos os membros, estamos prontos?
- Ainda não - ela respondeu - agora precisamos de um gerente.

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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Mago e a Vampira: Capítulo 3 - A Mansão de la Vallière

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Aquela mansão era o sonho negro de todos os produtores de filmes de terror. Parecia que alguém tinha passado a vida inteira visitando os pesadelos de todas as pessoas no mundo e reunido todos eles para criar o design daquela mansão.
Os cantos eram agressivos e pareciam afiados, as colunas lembravam pernas de aranha, as janelas pareciam olhos encarando todos que olhavam para elas.
O esquema de cores lembrava sangue, morte e decomposição. As gárgulas decorativas pareciam estar prestes a criar vida a qualquer momento, e elas não eram gárgulas do tipo bonzinho.
Os diversos arranjos e decorações criavam locais de sombra que pareciam esconder todos os tipos de criaturas malignas. E o jogo de sombras fazia com que elas parecessem se mover sempre que ficavam no canto da visão.
E finalmente, como um golpe final em alguém que já foi esfaqueado 37 vezes, o portal da entrada parecia uma guilhotina, e a porta era fechada com correntes.
Vendo tudo aquilo, Vítor só teve uma reação:
- Agora eu sei por que ninguém queria vir pra cá. Eu não ficaria surpreso se uma nuvem negra aparecesse de repente e...
O céu, como se estivesse dizendo "Por que eu não pensei nisso?", ficou imediatamente nublado, e isso deixou a mansão ainda mais assustadora, se é que isso era possível.
- Eu tinha que abrir a minha boca...
Crack.
Esse era o som do cavalo quebrando os arreios.
Clop clop clop.
Esse era o som do cavalo fugindo.
Tchuuuuuuuu.
Esse era o som do cavalo tomando chá.
Tinha alguma coisa errada com esse último, mas Vítor não percebeu isso, pois ele estava muito ocupado lamentando o fato de que teria que carregar a carroça pelo resto do caminho. Porém, ele se recuperou rápido, e decidiu que isso era apenas mais um obstáculo que tinha que atravessar.
Vítor puxou a carroça por todo o resto do caminho, quando ele finalmente chegou, percebeu que a campainha, que estivera anteriormente escondida por uma sombra, era um mecanismo em que se tinha que enfiar a mão para operar, e esse mecanismo obviamente tinha a forma de uma boca.
Isso deteve Vítor por pouco tempo, logo ele reuniu coragem, colocou a mão e tocou a campainha. E como Vítor previu, o som da campainha parecia a lamentação de almas torturadas. Tinha-se que admirar a dedicação de quem construíu essa mansão.
Dois minutos depois, a porta abriu, e com isso eu quero dizer que as correntes lentamente se moveram para fora do caminho da porta, deslizando como cobras, antes da porta em si abrir com um ranger que lembrava uma serra elétrica.
Quem atendeu a porta foi uma pequena garota, ela usava um vestido vermelho que parecia uma cruza entre um pijama, um jaleco, uma roupa em estilo lolita gótica e uma roupa de serial killer. A garota parecia ter dez anos e tinha cabelos roxos e olhos azuis.
Vendo aquela aberração que de algum modo caía bem nela, Vítor não teve dúvidas:
- Olá, foi você que projetou essa mansão, não é?
Ela deu um sorriso que teria feito um homem mais fraco que o Vítor sair correndo atrás de sua mãe. Realmente não haviam dúvidas.
- Sim. Por quê?
- Você não estaria interessada em fazer projetos para parques de diversões?
- Qual a razão dessa oferta súbita?
- É que eu fui na Terra da Emoção uma vez, e a casa assombrada deles não era realmente assustadora, então eu pensei que você poderia ganhar um bom dinheiro pra projetar uma melhor. O que me diz? Eu conheço alguém que conhece alguém.
- Hmm... eu vou pensar nisso. Foi só pra isso que você veio aqui?
- Não, na verdade eu vim trazer os suprimentos do mês, mas quando eu vi a mansão eu decidi fazer essa proposta.
-Ah, certo.
E então ela fez... alguma coisa. Mesmo com sua experiência com fenômenos estranhos Vítor não conseguiu entender o que tinha acontecido. Os suprimentos que estavam na carroça começaram a dançar, mudar de cor, girar e voaram para dentro da mansão. A única coisa que Vítor conseguia dizer com certeza era que aquilo definitivamente não era magia.
- Você não é um dos entregadores normais. Qual a verdadeira razão de você ter vindo aqui?
- Você me pegou. Na verdade eu vim falar com a Lúcia.
- Falar sobre o quê?
- Não sei. Vou pensar em alguma coisa quando ver ela.
- É sério que você vai entrar aqui sem um plano?
- Se você planejar demais, a vida acabará passando diante dos seus olhos.
- Ha! Eu gosto de você. Pode entrar. Meu nome é Kogasa de la Vallière, e essa é a Mansão de la Vallière, minha obra prima.
- Eu sou Vítor Lee.
- Ah, parte da família Lee.
- Você conhece?
- Todo mundo conhece algum Lee, eles estão em todos os lugares, parecem até ratos que sabem fazer magia.
No momento, Vítor tinha entrado e estava seguindo Kogasa para dentro da mansão. que era inesperadamente aconchegante. Chão de mogno, paredes amarelas, estantes de livros e um belo carpete. A única coisa que não contribuía com essa imagem era a imensa quantidade de intenção assassina vinda do porão, como se estivessem cultivando serial killers lá em baixo. Bem, todo mundo tinha segredos, Vítor supunha.
Ah, eu esqueci de continuar a conversa! Vamos voltar ao foco.
- Bem... o fundador da nossa família estava vivo nos tempos da grande batalha contra Kali... então nós somos antigos o bastante pra ter nos espalhado muito.
- Exatamente.
Nesse ponto, eles finalmente chegaram no local onde Lúcia estava depois de passar por uma porta de madeira lindamente trabalhada.
Lúcia estava lendo um livro na sala de estar, sentada em um sofá vermelho confortável, Vítor novamente ficou sem fala por um momento ao ver a beleza dela.
Ela percebeu a entrada deles.
- Ah, olá Vítor. Parece que nós nos encontramos mais rápido do que eu tinha imaginado.
- É, realmente.
- Lúcia, então você conhecia ele? Ele disse que podia me ajudar a entrar no mercado de projetar casas assombradas para parques de diversão.
- É sério isso?
- Sim. Como eu disse, eu conheço um cara que conhece um cara. Mas podemos falar disso depois. Lúcia, eu tenho uma proposta pra você!
Ele tinha se decidido.
- Que proposta?
- Você quer ir comigo explorar as ruínas de Alderaban?

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Martina Morlun e a Adaga Negra

Martina Morlun, seu amigo Kanda Aegis e outras quatro crianças são chamadas para uma turma especial da academia dos magos. Mas depois de vários problemas, eles terão que usar seus poderes para conseguir sobreviver o voltar pra casa.

Capítulo 1

Martina Morlun e a Adaga Negra: Capítulo 1 - Seis Alunos

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Se havia uma palavra adequada para descrever o mundo de Karos, ela seria "mágico", e isso não se devia apenas aos magos que viviam lá. Fora eles, também haviam vampiros, lobisomens, dragões, fadas e muitos outros seres capazes de feitos fantásticos.
Mas para essa história, nós iremos nos concentrar nos magos, na verdade em uma maga em particular, chamada Martina Morlun. Essa é a história de uma das personagens mais inacreditáveis do mundo de Karos.
Martina Morlun tinha 10 anos de idade no momento em que essa história começa. Ela era parte de uma família de magos, a mãe dela tinha uma posição importante no conselho dos magos, e o pai havia sido um cientista mágico que desenvolvia novos feitiços, mas ele morreu em um trágico acidente quando Martina tinha 5 anos.
Aos 6 anos de idade, como todas as crianças de famílias mágicas, Martina foi mandada para a Academia, onde estudava magia junto com outros filhos de magos.
Martina sempre se metia em brigas devido a sua cabeça dura que todos diziam que havia sido herdada do pai, mas nenhuma dessas brigas levou a qualquer iniminizade com as outras crianças, ou os professores.
Terminado isso, devemos começar a história, os alunos da turma de Martina estavam no meio de uma aula de transmutação. A sala onde a aula de transmutação estava ocorrendo era feita de pedra polida, assim como todo o resto da Academia.
Cada aluno tinha uma mesa e uma cadeira de madeira, era uma grande mesa circular, e em cima dela estavam várias pedras, que faziam parte do exercício do dia. Esse exercício era fazer as pedras virarem lama.
Martina finalmente terminou a última pedra, e então olhou ao redor, alguns já tinham terminado e estavam esperando, outros estavam demorando mais para finalizar essa tarefa, e alguns pareciam não estar conseguindo fazer isso.
Olhando a ampulheta, Martina viu que ainda restavam alguns minutos antes do fim da aula, então ela voltou os olhos para a sala. De acordo com o professor de história, oito mil anos atrás os Fundadores, que eram também os primeiros membros das quatro Grandes Famílias mágicas, haviam encantado uma montanha durante apenas três dias para fazer a Academia.
Isso era algo que Martina sequer conseguia imaginar, os membros atuais das Grandes Famílias também estudavam na Academia, aparentemente eles ainda não estavam num nível tão alto, mas iriam crescer muito nos anos seguintes.
Por outro lado, Martina nunca tivera um grande poder mágico, a mãe dela recomendara que ela apenas se concentrasse em aprender todos os feitiços possíveis, então ela se esforçava duramente em todas as aulas, o que fazia os professores gostarem dela.
Finalmente a aula acabou, a professora anunciou que todos os alunos receberiam suas notas desse exercício mais tarde, e que aqueles que não tinham conseguido acabar a tempo deviam praticar durante o tempo livre.
Martina saíu da sala, e logo foi seguida por seu amigo Kanda. O nome completo dele era Kanda Aegis, e a coisa mais notável a respeito dele é que ele era muito bom em conjuração. De fato, ele era tão bom que a professora de conjuração tinha chamado ele para um projeto especial.
Ele não era tão bom nas outras matérias, e Martina ajudava ele no que podia, enquanto ele ajudava ela com conjuração.
- Como você foi? - Martina perguntou
- Até que fui bem, terminei logo depois de você.
- Então é mais um feitiço aprendido, que nós não vamos precisar praticar depois da aula.
- Isso mesmo.
Os dois estavam voltando para seus respectivos quartos, e estavam chegando no local onde seus caminhos se separavam, quando foram abordados por dois beija-flores azuis. Eles eram animais conjurados cujo propósito principal era passar mensagens.
- Martina Morlun?
- Kanda Aegis?
- Sim? - os dois responderam ao mesmo tempo seus respectivos beija-flores.
- Por favor, venha para a sala do diretor - ambos os beija-flores falaram, antes de sair voando.
Martina e Kanda olharam um para o outro, e ele começou a pensar desesperadamente em qual poderia ser a razão para ser chamado, enquanto eles mudavam de direção e iam para a sala do diretor.
Martina tentou acalmar ele - provavelmente você está sendo chamado por causa do seu projeto de conjuração, mas porque eles me chamariam...?
Enquanto pensavam nisso eles atravessaram os corredores que estavam cheios de pinturas de professores notáveis da Academia. A sala do diretor não era tão longe, então eles chegaram antes de poder alcançar qualquer conclusão.
Dentro da sala, haviam outras seis pessoas. Dois garotos e duas garotas de 10 anos que deviam ser de outra turma pois Martina e Kanda não os reconheciam, um professor das classes mais avançadas e o diretor da escola.
- Ah, agora estão todos aqui - o diretor falou ao ver Martina e Kanda entrando.
Os dois foram para o lado dos outro quatro alunos.
- Vocês devem estar se perguntando a razão de estarem aqui. Mas não se preocupem, não é nada ruim.
Martina e Kanda soltaram a respiração, aliviados.
- Vocês seis estão aqui porque foram escolhidos para a classe especial avançada do professor Arine Iogen.
Todos os seis olharam para o professor. Martina perguntou - por quê?
O professor começou a falar:
- Vocês seis são os melhores alunos da sua idade. Nós temos Rufford Brito, um evocador com poderes extremamente destrutivos.
Ele apontou para um garoto loiro alto.
- Também temos Liliana Farias, que está estudando transmutações de turmas de três anos na frente.
Ele apontou para uma garota ruiva.
- Temos Laura Rochefort, uma cinesista extremamente poderosa e precisa.
Ele apontou para uma garota mais baixa e de cabelos pretos.
- Temos Carlos Comart, especialista em feitiços de proteção.
Ele apontou para um garoto cabisbaixo de cabelo ruivo.
- Temos Kanda Aegis, conjurista que recentemente aperfeiçoou a técnica da auto-conjuração.
Ele apontou para Kanda.
- E pra terminar, temos Martina Morlun, generalista que foi a única a conseguir aprender todos os feitiços que nós ensinamos.
Ele apontou para Martina. Ela não sabia o que dizer, mas decidiu que agradeceria a mãe dela pela dica da próxima vez que a visse.
- Mas depende de vocês, querem participar da classe especial?
- Sim! - a resposta ressoou imediatamente vindo das bocas das seis crianças.
- Perfeito, faremos um estudo de campo. Preparem os seus pertences, partiremos amanhã.
E com isso, ele saíu da sala com passos confiantes.

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 5 - A Caçadora e o Caçado

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1

Seguindo viagem, e rumores se espalharam sobre o cavaleiro da lua lutando do lado de um Kuon, as pessoas interpretaram isso de várias formas diferentes, e algumas vezes eles foram expulsos de estalagens, pois os Kuons não eram bem vistos em alguns lugares, mesmo assim nenhum deles quis parar de viajar com Gante, que ficou muito grato por isso.
Para conseguir dinheiro eles começaram também a aceitar propostas de caça de monstros, o melhor nisso era Gante, que era o mais rápido dos três, e isso seria necessário logo.
- Ele está ali, vamos! - era Bill falando que tinha avistado o guaxinim mágico que eles tinham que pegar.
Seguiu-se uma perseguição intensa, Gante era rápido, mas o guaxinim era mais ainda, e agilmente desviava de todos os ataques que eram lançados contra ele, e no final, os três foram derrotados e se sentaram cansados enquanto o guaxinim observava de longe parecendo fazer troça deles.
Até que uma flecha veio voando e acertou no chão ao lado dos pés dele, Jim, Bill e Gante se viraram para ver quem havia disparado a flecha, e viram uma elfa, era Sara, ela veio até eles.
- Droga... eu quase... peguei ele.
- Sara, é você mesmo?
- Jim?
- Jim, você conhece ela? - perguntaram Bill e Gante ao mesmo tempo.
- Eu me encontrei com ela na infância, mas nunca pensei que fosse vê-la de novo.
- Vocês também... estão atrás... do guaxinim?
- Estamos, mas ele é muito rápido.
- POderíamos... nos unir... e aí... dividir a recompensa.
- Eu acho ótimo! - disse Bill, excessivamente rápido.
Então os quatro seguiram e voltaram a correr atrás do guaxinim, alcançaram ele perto de uma árvore, Sara soltou três flechas que explodiram do lado dele, mas o guaxinim devia ter proteções, pois escapou ileso, pulando para a árvore, Gante avançou e saltou na direção dele, mas o guaxinim era rápido demais mesmo para Gante, e se desviou jogando-se da árvore e desaparecendo nas moitas.
- Ele fugiu de novo - disse Jim, que chegava atrás deles.
- Esse animal é incrível - falou Bill - você já caçou coisas como ele? - perguntou para Sara.
- Já caçei... monstros bem... parecidos.
- Que incrível! - ele falou, continuando a conversar com ela.
Jim olhou para os dois com um sorriso. Gante veio até ele.
- Eu acho que consigo rastrear esse guaxinim.
- É mesmo!? - perguntou impressionado.
Sim, tem uma das minhas convocações que é capaz de detectar pessoas, eu acho que funcionaria do mesmo jeito para esse guaxinim.
- Então tente.
Gante se sentou e fechou os olhos, então estendeu a palma da mão para o ar e falou:
- Venha, senhora das caçadas. Venha, grande arqueira das florestas. Venha, Artemis!
E então um selo mágico que Jim não pode ver direito apareceu na mão dele e de lá saiu o ser que fora chamado, era uma pequena arqueira, com a aparência de uma criança, exceto que não parecia com qualquer criança nascida no mundo de Tria, suas cores eram vibrantes demais e suas formas pareciam com os desenhos que alguns artistas faziam. Ela carregava um arco e sorria, com um sorriso que nenhuma criança seria capaz de ter, um sorriso sábio, de centenas de anos de experiência.
- Ártemis - Gante começou a falar - precisamos encontrar um guaxinim.
Ela manteve seu sorriso, e saiu flutuando da mão de Gante, indo na direção para onde o guaxinim havia escapado, os quatro foram atrás dela, eles andaram até que o sol estava prestes a nascer. E aí Ártemis, que não havia falado uma única vez, apontou o esquilo, deitado no chão. Ele porém, percebeu a aproximação deles e se levantou para correr de novo, no mesmo momento que a luz invadia a floresta.
- A noite... acabou - disse Sara quando o sol nasceu.
- Nós passamos a noite toda atrás desse cara. - Disse Jim, cansado.
- Agora... acabou. - e Sara colocou três flechas no arco, elas começaram a brilhar.
- O que é...? - começou a dizer Gante, e aí Sara disparou, as três flechas tinham linhas de luz atrás que se enrolaram em volta do guaxinim, o prendendo.
- É poder... de Elfo do dia... pode ser usado... quando têm sol. - explicou Sara.
Os quatro se aproximaram do Guaxinim que para a surpresa de todos começou a falar.
- Caras, vocês são muito bons, até conseguiram me pegar. Mas agora, o que farão?
- Eu não sabia... que era racional - disse Sara - eu não caço... essas coisas.
- Concordamos com isso - disse Bill.
- Vocês vão me deixar ir?
- Claro... pode ir - disse Sara sorrindo.
- Muito obrigado por isso, nunca vou me esquecer de vocês, a propósito, me chamo Tanuki.
Depois que Tanuki foi embora, Sara se aproximou de Jim.
- Pra onde... você está... indo?
- Eu estou indo atrás do "mago", ele destruíu todo o grupo de mercenários que era a minha família.
- Eu... ainda tenho... que te agradecer. Então... permita que eu... me junte a sua... jornada.
- Eu gostaria muito, bem vinda. O que você acha, Bill?
- Eu acho perfeito - disse Bill, eufórico.

2

Após muitas andanças, os quatro presenciaram uma perseguição, vários guerreiros iam atrás de um jovem coberto por uma capa, Gante foi o primeiro a intervir, entrando na frente dos guerreiros.
- Deixe-nos passar, temos que matá-lo. - disse um deles.
- O Que foi que ele fez? - perguntou Gante.
- Ele... nasceu! - e os guerreiros atacaram, mas os outros vieram para ajudar e após uma luta rápida os agressores foram mortos, assim o jovem veio agradecer.
- Obrigado senhores, sem a ajuda de vocês eu não sei o que poderia ter acontecido - ele mostrou o rosto, e era Paulo, o bruxo que Jim havia conhecido!
- É você, o bruxo daquele dia! - disse Jim.
- Mais um conhecido do Jim? - perguntou Bill.
- Ah, sim. Eu me lembro, já fazem sete anos, eu quase não te reconheci. - Disse Paulo.
Após as apresentações serem concluídas todos pediram que Paulo explicasse o que havia acontecido, ele começou assim:
- Como todos sabem, existe uma profecia de que serão as raposas a destruir o mundo. Esses homens faziam parte da "finite", aqueles que acreditam nessa profecia, e para evitar que ela seja concretizada eles pretendem matar todas as raposas, e qualquer um que tenha sangue de raposa, como eu.
E ele levantou a capa e mostrou as duas caudas de raposa que possuí.
- Eu mantenho elas escondidas, mas eles sabem do meu sangue por conta dos olhos.
Os quatro pediram para ouvir a história dele, quando já estavam sentados num bar. Ele começou assim:
- Meu pai era raposa, e minha mãe era humana, um dia quando eu era pequeno...
Paulo corria pelos campos com agilidade que colocaria inveja em muitos guerreiros, ele não escondia suas caudas, e nunca havia visto outras crianças, pois seus pais moravam em reclusão, mesmo assim ele se divertia e era uma criança feliz. Suas noites eram divididas, em algumas delas, seu pai o ensinava sobre as tradições das raposas, além de outras coisas úteis, em outras noites sua mãe lhe contava histórias incríveis de heróis e heroínas, mas o que ele mais gostava eram as histórias de magia, especialmente sobre bruxos e bruxas, ele se perguntava se poderia aprender magia.
- Em uma conversa formal, com uma raposa, luz do fim é o maior elogio que se pode fazer, geralmente é usado em uma conversa com a raposa chefe.
E eram assim os ensinamentos que recebia de seu pai, lembrou-se, percebendo que tinha que voltar logo, mas ao chegar em casa, viu uma cena terrível.
Seu pai estava protegendo o corpo de sua mãe, enquanto vários homens o atacavam com uma variedade de armas, ele estava irado, suas cinco caudas se eriçavam, e ele atacava e matava todos que chegavam perto demais.
- Paulo! - ele gritou - fuja daqui! O mais rápido que puder!
Paulo ficou sem reação, mas ao ver seu pai ser atacado e soltar um grito terrível, ele correu, o mais rápido que pôde.
Ele viveu fugindo e comendo o que conseguia pegar, até que um dia estava dormindo na rua, quando um bruxo o viu e acordou-o.
- Qual o seu nome garoto?
- Meu... meu nome... é Paulo.
- Meu nome é Novus, por que você está dormindo aqui?
- Eu não tenho casa, meus pais foram mortos, eu não sei o que fazer - disse Paulo desesperado.
Novus o abraçou.
- Não se preocupe, eu vou te ajudar. Se você quiser eu te ensinarei magia também.
Paulo aceitou, e os anos seguintes foram felizes para ele, aprendendo magia, e vivendo com Novus, ele era um bruxo, um daqueles que convocam espíritos para fazer magia, e Paulo acabou demonstrando uma habilidade nata para isso. Dia após dia, Paulo treinava com diligência, enquanto ele e Novus viajavam, seu mestre era um antigo guerreiro mágico, que havia lutado em várias guerras e portanto deu a ele o treinamento de sobrevivência que os soldados recebem.
Nesse meio tempo, Paulo descobriu sobre os "finite" e sobre o motivo deles de irem atrás das raposas, mas mesmo assim não poderia perdoá-los pelo que tinham feito, ele ficava mais forte e seu mestre estava orgulhoso. Mas todas as coisas boas devem chegar a um fim, e um dia os finite conseuiram alcançá-los, e encurralá-los em uma casa abandonada.
- Paulo, fuja daqui!
O mestre Novus tentava segurar dezenas de guerreiros do finite na frente da casa.
- Não mestre! Eu não quero que você morra!
- Eu não vou morrer aqui, você não completou o seu treinamento ainda, agora vá! Nos encontraremos de novo!
Nesse momento Novus criou uma imensa bola de fogo e fez ela explodir.
- E eu fugi dalí, agora eu estou tentando me livrar desses caras, e encontrar o meu mestre.
- Nós estamos viajando juntos, pois eu estou querendo derrotar "o mago". Se você se juntar a nós seria uma grande ajuda na nossa busca, e com todos juntos seria mais fácil se defender contra aqueles caras.
Paulo pensou um pouco.
- Eu ainda devo a você por me ajudar naquele dia, então conte comigo.
E foi assim que o bruxo Paulo se juntou a eles.

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 4 - Bardo e Profecia

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1

Jim havia terminado o treinamento mágico, e Agrippa o deixou ir avisando mais uma vez para tomar cuidado com a vingança. Ele voltou a viajar e começou a ouvir rumores consistentes sobre uma elfa que caçava monstros, mas ele não pensava que seria aquela elfa que havia conhecido. O que obviamente fez com que fosse mesmo ela, pois é assim que as coisas funcionam. Jim vendia artesanatos quando foi abordado por um certo homem.
- Jim!
Ele olhou para cima, e era Bill que estava lá!
- Bill! Mas, o que houve, como você sobreviveu?
- Eu poderia perguntar o mesmo para você.
- Conte a sua história primeiro.
E os dois foram para uma estalagem, onde se sentaram em duas cadeiras de madeira, e Bill começou a contar sua história.
- Está certo, naquela luta, eu estava tentando proteger o bebê, então o escondi embaixo de alguns corpos, aí...
Bill estava assustado, aqueles soldados pareciam não acabar mais, mas ele sentia que as coisas iriam melhorar se encontrasse com o líder, ele lutou com tudo até chegar lá, mas isso se provou falso, quando encontrou o chefe tombado, aí Bill foi cercado por vários soldados inimigos que exigiram a sua rendição, sem escolha ele deixou as armas caírem.
Foi levado para um lugar perto de onde tinha deixado o bebê, era o lugar onde eles estavam reunindo os prisioneiros, ele viu vários rostos conhecidos, as expressões variavam do medo a resignação, mas essa não era uma coisa que Bill podia se permitir sentir.
Ele viu o mago de perto enquanto ele vistoriava os prisioneiros, ele tinha um hálito de morte, como se bebesse sangue, a vistoria prosseguiu até ele chegarem num mercenário bestial.
- Gostei desse aqui, tragam ele. - E o mercenário foi levado aos gritos para dentro da tenda do mago, todos prenderam a respiração enquanto tentavam ouvir o que estava acontecendo lá dentro, tudo o que puderam ouvir foram súplicas de piedade e depois um grito horrendo.
- Não foi bom - o mago disse ao sair, sujo de sangue - mandem o próximo.
E o processo se repetiu mais três vezes, nas duas primeiras foi exatamente igual, mas na terceira quando um minotauro, que era um tipo de bestial, entrou com ele, não se ouviram as súplicas de piedade ou o grito, e sim um grito entre dentes, como se ele tentasse resistir a algo.
Depois o mago saiu e veio para junto dos prisioneiros.
- Estejam felizes, o seu amigo vai se juntar a mim. - e indo embora falou - Façam o que quiserem com os outros.
Essa foi a deixa para os soldados começarem a torturar os prisioneiros, vários deles caíam no chão suplicando pela morte, enquanto Bill pensava apenas em fugir, depois de um tempo ele conseguiu partir as correntes que o prendiam, e esperou, aguentando a tortura até que a noite caiu, então ele saiu e pegou o bebê que de uma forma surpreendente não havia chorado nenhuma vez, o que denunciaria sua posição. Daí sob a proteção das sombras os dois fugiram.
- Eu escapei e cuidei do bebê por cinco anos, então o deixei numa igreja junto com outros órfaos e o resto é história. Certo, sua vez.
E Jim contou para ele tudo o que havia acontecido desde a batalha, com ocasionais interrupções de Bill, depois de terminar ele perguntou o que Bill estivera fazendo.
- Eu estou realizando meu sonho de ser bardo, e você?
- Eu estou indo atrás do "Mago".
- Pra se vingar dele? Tudo bem, eu entendo. Quer ouvir uma balada que compus sobre ele?
- Tudo bem.
E Bill começou a tocar e a cantar.
"Mago ele é, magia aprendeu
 Grandes poderes, ele alcançou
 Grandes feitos, prometeu
 Mas não parou, poder desejou

 Vencer o rei, ele tentou
 O desafio, não venceu
 Suas pesquisas, revelou
 Sua fama, ele perdeu.

Em seguida o ritmo aumentou.

 Montruosidades, havia criado
 Todas as regras, havia quebrado
 Sua magia, se transformado
 No seu âmbito, um mago malvado

E o ritmo diminuíu, com pausas entre os versos.

 O rei não gostou
 Não concordou
 O mago expulsou
 Sua magia selou

E o ritmo voltou ao médio.

 Sendo expulso, viajou
 Sua vingança, prometeu
 Seu poder, procurou
 E essa luta, ele venceu

 Certo dia, ele encontrou
 Uma maga, que lhe falou
 Sua magia, pode voltar
 Basta uma gota de sangue me dar

 O acordo, ele aceitou
 Seu sangue, recolheu
 Seu poder, retornou
 E o flagelo do mundo nasceu!"

- O que achou?
Jim ficou sem palavras por um momento, mas depois se recuperou.
- Você realmente tem jeito pra coisa.
 
2

E eles seguiram viajando juntos, Jim vendia seus artesanatos e Bill tocava sua viola e cantava suas baladas, juntos conseguiam comer um pouco melhor. E Jim continuava ajudando as pessoas, agora com Bill a seu lado, que havia se tornado um exímio lançador de facas. Ele prometeu contar a história a respeito disso mais tarde.
E o nome do cavaleiro da lua se tornou um pouco mais conhecido, junto com o nome de Bill, o bardo. E um certo dia...
- Senhores, eu tenho um pedido para vocês. - quem falava era um homem de aparência importante.
- O que foi? - perguntou Bill
- Ultimamente uma das minhas propriedades vêm sido aterrorizada por alguma coisa, eu preciso que essa coisa seja exterminada, mas todos os que eu mandei até agora foram mortos, inclusive alguns dos meus melhores guerreiros.
- O que acha Jim?
- Eu acho que podemos tentar. - respondeu Jim
- Muito obrigado, se vocês conseguirem, pagarei muito dinheiro por isso.
- Não se preoculpe com isso. - disse Jim
- É, basta me colocar para fazer uma apresentação aí depois.
E os dois foram para a mansão daquele homem, ela estava deserta e cheia de poeira, mas continuava muito bonita, com adornos decorando os corredores e vitrais nas janelas, mas eles não tinham tempo para admirar a construção, havia algo lá dentro e tinham que ser cautelosos.
Os dois mal haviam passado por uma porta quando ouviram uma voz bem distinta.
- Por favor, vocês dois, vão embora, eu só quero ser deixado em paz.
Ignorando a voz eles prosseguiram pelos corredores escuros, e encontraram vários resquícios de lutas anteriores, eram alguns ossos e armas, até que sem aviso uma sombra se moveu na direção de Jim, que foi rápido o bastante para defender o ataque, a sombra recuou e fugiu enquanto Bill disparava facas contra ela.
- Era um Kuon - Bill disse quando a sombra sumiu - que rápido.
Kuon era o nome de uma das raças que haviam vindo de outras dimensões para fazer comércio em Tria, e de todas a mais comum, eles tinham uma aparência reptiliana, com chifres na cabeça, e possuiam a habilidade de convovar criaturas para auxiliá-los.
- Ele está usando as sombras para atacar, vai ser difícil desse jeito.
- Não dá pra iluminar um pouco?
- Acho que posso dar um jeito.
E se iniciou um jogo de espera, o Kuon os observava de algum lugar esperando por uma brecha, enquanto eles esperavam o Kuon atacar para fazer seu movimento, mas no final ele perdeu a paciência.
No momento em que o Kuon se moveu, Jim enfiou sua lança no chão e gritou "lux", e a lança emitiu uma luz intensa, iluminando o Kuon que já estava do lado deles, e cegando ele, permitindo a Bill jogar três facas que o prenderam na parede, tudo aconteceu em menos de três segundos.
O Kuon lutou por alguns instantes mas então desistiu.
- Por favor, não me machuquem, eu só queria uma casa.
Jim baixou a lança.
- Como assim?
- Eu não sei como vim parar aqui, eu não sei onde o meu pai e a minha mãe estão, e eu fui atacado várias vezes.
- Venha conosco. - disse Bill
- O quê?
- Venha conosco, estamos em uma jornada, se você se juntar a nós isso pode te ajudar a encontrar um novo lar.
- Eu posso mesmo?
- Claro, qual o seu nome?
- Sou Gante.
- Eu sou Bill.
- E eu Jim.
E após ser retirado da parede, Gante se juntou a eles na sua jornada.
O homem rico conseguiu sua propriedade de volta e sempre se perguntou por que eles não tinham vindo pegar a recompensa.

3

Aconteceu uma coisa estranha pouco depois daquilo, eles estavam sentados ao redor de uma fogueira, conversavam enquanto Bill tocava, mas sem o menor aviso ele parou.
- Bill, o que...?
Jim interrompeu a frase quando viu que as mãos de Bill estavam caídas e seus olhos estavam desfocados, ele então começou a falar, em uma estranha voz etérea.
- Sete estrelas irão se juntar, mas uma delas se sacrificará para que o resto da semana sobreviva, cinco das estrelas restantes encontrarão a luz dourada, e serão fortalecidas, a última seguirá por outro caminho, e na batalha decisiva, vitória ou derrota, a semana irá se separar.
Logo depois os olhos dele voltaram ao normal.
- Ei, por que vocês estão com essa cara?
- Você falou umas coisas... - disse Gante
- Eu acho que era uma profecia - disse Jim - eu já ouvi falar disso, você deve ser um oráculo.
- E o que foi que eu disse?
- Bem...
E eles passaram o resto da noite tentando explicar as palavras para Bill.

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A Espectro: Capítulo 3 - Um Mago Vanciano

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14/02/00

A casa estava sendo lentamente destruída, vigas se retorciam, telhas quebravam e pequenas explosões eram ouvidas. Como se pode imaginar, isso não era algo que acontecia normalmente.
A razão para aquilo era um descontrole mágico, para entender isso é necessário primeiro entender que alguns magos conseguiam canalizar o fluxo de energia que permeava todas as coisas para dar poder a seus feitiços, no lugar ou adicionalmente ao uso de energia interior.O preço disso era que se o mago fosse longe demais na canalização do fluxo, puxando uma quantidade de energia maior do que podia controlar, ele corria o risco de perder o controle do próprio poder, como tinha acontecido nessa situação.
Todas as pessoas que haviam estado dentro daquela casa já haviam sido evacuadas, isso era especialmente importante devido ao fato de que aquela casa era uma escola do primário, e a maioria dessas pessoas eram crianças.
A construção estava cercada por um esquadrão de magos, que tentavam desesperadamente conter a destruição causada pelo descontrole mágico. Cada um deles estava usando um robe que continha feitiços de proteção, feitiços automáticos de reposição de energia e poder mágico concentrado que os magos podiam usar para diminuir o esforço deles próprios para fazer feitiços.
Ainda havia uma pessoa que precisava ser resgatada, era o próprio mago que estava causando aquela destruição e por esse motivo estaria no epicentro dela. O resgate dessa última pessoa seria difícil, pois o descontrole ficava muito mais forte perto do centro. Felizmente, um mago habilidoso havia acabado de chegar.
Ele estava usando uma camisa branca e uma calça escura, além de um par de tênis. Até aí eram roupas perfeitamente normais, mas por cima elas ele estava usando um robe de proteção especial do mesmo tipo que os outros magos do local estavam usando, que fora dado para ele ao chegar lá. Combinado com os braceletes e anéis obviamente encantados que ele estava usando, ele parecia a perfeita visão de um mago, exceto pela idade que não parecia ser mais de 19.
- Qual é a situação? - Ele perguntou ao chefe da equipe dos magos protetores do local.
O mago que havia acabado de chegar era Armon McKelly, um especialista em magia vanciana que ganhara a posição de agente especial devido a sua grande habilidade mágica.
- Nós estamos conseguindo manter a área de destruição contida, mas a magia está ficando cada vez mais instável, creio que só faltam alguns minutos para um colapso acontecer.
Colapso. Não era uma palavra muito bonita, especialmente considerando o que seria o resultado. A magia se curvaria de volta para dentro, destruindo completamente o mago e sugando todos os materiais ao redor.
- Qual o nome da vítima?
- Ela é Marilyn Gold, tem 10 anos.
Armon fechou os olhos por um momento e pensou em suas opções. O ponto forte da magia vanciana era a grande capacidade para cumprir tarefas, desde que houvesse um tempo de preparação anterior. Ele obviamente não tinha sabido que ia ser chamado para um caso desses, então os feitiços que ele tinha preparado eram os genéricos multiuso que preparava todo dia.
Então ele pensou em como Marilyn devia estar se sentindo, assustada e confusa, e teve uma ideia de como resolver a situação. Ele ia garantir que essa garota voltasse pra casa.
- Eu vou entrar.
O policial não disse nada, apenas assentiu e voltou a direcionar suas energias para conter a destruição. Armon usou em si próprio o feitiço de aumento de velocidade e saiu correndo na direção da casa, aquele era um feitiço útil pois também aumentava a resistência do corpo para que ele pudesse resistir a sua própria velocidade.
Mesmo assim, proteção extra não faria mal, então ele também usou o feitiço de proteção contra impactos e adentrou a casa. Aquele lugar estava um verdadeiro caos, vigas dobradas rodavam no ar em alta velocidade, explosões multicoloridas vindas no nada liberavam ondas de som terríveis.
Armon pensou - seria bom estar com o feitiço de proteção contra sons - enquanto corria cada vez mais para dentro daquela casa, ele viu que Marilyn estava flutuando no centro absoluto da casa, então usou o feitiço da "linha de comunicação" para falar com ela.
- Marilyn!
Ela reagiu - quem é você?
- Meu nome é Armon, estou aqui pra salvar você!
- Não tem mais jeito... tudo está destruído...
- É claro que tem jeito, você só precisa se acalmar!
- Acalmar... como eu vou fazer isso?
Ao invés de responder, Armon usou em si mesmo o feitiço de voo e, ignorando todos os destroços que batiam na proteção dele sem causar qualquer dano, voou na direção de Marilyn.
Pouco antes de encostar nela, Armon desfez o feitiço de proteção contra impactos, ele já estava mais perto do epicentro então não haviam tantos destroços naquela parte. Armon diminuíu a velocidade... e abraçou Marilyn.
- Hã!?
- Relaxe, Marilyn. Apenas se acalme. Imagine uma mão se abrindo.
Marilyn não conseguia acreditar que ele viria até alí para tentar ajudá-la. Então ela respirou fundo e fez o que ele mandava. Então lentamente, pouco a pouco, o fluxo começou a desaparecer. Marilyn teria caído se Armon não estivesse segurando ela.
Quando tudo acabou, Marilyn voltou a respirar normalmente. Então ela perguntou:
- Eu vou ser punida por isso?
- Claro que não, foi só um acidente. Na verdade isso pode até ajudar você no futuro.
- Por quê?
- Você pode não saber, mas o que você fez foi uma conexão com o fluxo. Pessoas que conseguem fazer isso são chamadas de magos do fluxo, e não são muito comuns.
- Então eu sou... uma maga do fluxo?
- Sim. Você vai ser ensinada a controlar esse poder, e provavelmente vai ser contratada pra algum trabalho especial.
- Como o que você tem?
- ... Pode até ser.
- Legal! Eu quero ser como você! ... Qual é o seu trabalho?
- É... hã... eu sou um agente especial do governo, e sou chamado para missões especiais.
- Então é isso! Eu vou virar uma agente!
- Ok, ok, mas vai ser muito difícil.
- Não importa, vou virar uma agente!
- Certo, mas acho que agora nós temos que sair daqui.

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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O Mais Poderoso Garoto Normal

João é apenas um garoto normal. Mas depois de entrar por engano num torneio de lutas que incluí magos, vampiros e todo tipo de personagens ilógicos, e acabar vencendo uma luta contra o antigo campeão, ele se torna o favorito para ganhar o torneio. Agora ele precisará usar diversos truques, incluindo sua nova reputação para proseguir ganhando as batalhas.

Capítulo 1

O Mais Poderoso Garoto Normal: Capítulo 1 - Versus o Campeão

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- Ahh, que fome... - gemia João.
Geralmente essa não é a apresentação triunfal esperada de um protagonista de uma história, mas João não era um protagonista particularmente triunfal.
A razão pela qual ele estava com fome, era porque ele estava sem dinheiro. João Martins estava sozinho em casa, pois os pais estavam viajando, eles haviam deixado dinheiro para ele comprar comida, mas ele não havia percebido a intenção deles e ao invés disso, usara aquele dinheiro para comprar revistas em quadrinhos.
Ele era orgulhoso demais para ligar para os pais e pedir mais dinheiro, e mesmo o amigo mais próximo vivia a uma distância grande demais para chegar lá sem usar um ônibus.
João decidiu sair para pedir esmola pra pagar a passagem de ônibus, mas logo percebeu que não fazia ideia de como pedir esmola, mesmo se ele soubesse, era tímido demais pra isso. Então mudou de plano, e decidiu ir andando para a casa de um dos amigos, apesar de ser longe.
Ele começou a andar sem parar, com o estômago roncando a cada passo do caminho. João começou a ter pensamentos estranhos como - talvez se eu desmaiar, eu seja salvo pela filha do dono de uma loja de ramen - e esse tipo de coisa.
No estado que ele estava, não é surpresa que João errou o caminho, mas a verdadeira surpresa foi o quanto ele errou o caminho. João acabou indo parar direto no submundo da cidade, o local mais secreto. Mas obviamente, ele não tinha percebido isso.
Ainda mais, ele tinha conseguido entrar por uma das poucas entradas que não eram guardadas por ninguém. A entrada pela qual ele foi ainda era vigiada, mas os vigias imaginaram que ele era uma das pessoas do submundo disfarçada, já que nenhum deles podia imaginar que um garoto de 16 anos normal iria para aqueles lados especificamente e entraria lá sem a menor hesitação.
Conforme ele continuou avançando dentro daquela mini-cidade fechada, João atraía olhares, mas ninguém se atrevia a ir falar com ele, pois naquela parte do mundo, se você não sabe quem uma pessoa é, você deve se manter longe, especialmente se ela parece inofensiva.
Eventualmente, João chegou a um prédio que parecia com o local onde o amigo dele morava. Depois de entrar, João percebeu que não era o lugar certo, mas viu um estande que dizia "inscrições para o torneio". João achou que fosse um torneio de video-game.
João era bom em video-game, tendo vencido um torneio da vizinhança anteriormente, então decidiu que seria uma boa ideia tentar vencer esse torneio também. Sendo assim, ele foi para o estande e falou:
- Quero entrar no torneio.
- Certo. Qual pseudônimo você quer?
- Pode ser só João, eu não preciso de nada mais que isso.
A mulher do estande pensou que isso era apenas modéstia, então registrou o "aparente garoto" na frente dela como "João".
- Tudo pronto.
- Certo. Onde vai ser o torneio?
- Desça aquelas escadas até o fundo.
Era uma instrução simples. João já estava se sentindo um pouco melhor, então foi até o ponto onde a mulher tinha indicado e começou a descer as escadas, ele foi descendo e descendo, até o ponto onde não sabia quantos andares tinha descido, até que chegou na Arena.
Era um espaço subterrâneo imenso. Um grande quadrado de pedra formava o "palco" e ao redor estavam as arquibancadas que estavam absolutamente cheias de gente.
João ficou abismado, em que tipo de torneio de alto-nível ele tinha se metido? Mas isso não impediu ele de assumir uma posição nas arquibancadas bem perto da arena.
As pessoas que viram isso assumiram que ele era um dos lutadores. Isso estava correto, mas pelas razões erradas. João não sabia, mas a parte perto da arena era ocupada principalmente pelos lutadores, afinal, pessoas normais que estivessem alí só pra assistir não iriam querer ser pegas no fogo cruzado.
Provavelmente está na hora de explicar no que o João tinha acabado se metendo. Era o verdadeiro submundo, um torneio de lutas onde os membros mais poderosos das sombras mostravam seu poder pela chance de ganhar um prêmio de um bilhão de dólares. Magos, vampiros, caçadores de monstros e todo o tipo de guerreiros que viviam nas sombras faziam parte disso.
Depois de algum tempo, un anúncio soou dentro da Arena:
- Preparem-se, para a primeira luta do dia!
Todas as pessoas dentro da Arena começaram a fazer barulho, enquanto João estava pensando em qual jogo de luta eles poderiam estar falando. Para ser justo, apesar de João estar se sentindo melhor, o raciocínio dele ainda não tinha voltado ao normal completamente.
- Primeiro, alguém que todos vocês devem conhecer! O ganhador do torneio do ano passado! Aquele que derrotou todos os adversários com apenas um golpe! O Grande Mago!!!!
A platéia fez uma ovação tremenda enquanto um velho usando um robe que fazia ele parecer um mago subiu na arena. Ele realmente era um mago, mas João não sabia disso.
- E do outro lado, um novato! Um guerreiro saído das sombras de habilidades completamente desconhecidas! Nós temos Joããããão!!!
João ficou feliz por receber uma introdução tão legal, mas ficou triste ao ver que não recebeu uma ovação tão grande quanto a do mago, mas aceitou isso, afinal, não dava pra competir com um campeão.
Percebendo sua deixa, João subiu na arena e se colocou em posição no lado oposto ao mago. Foi nesse momento que ele começou a perceber que havia alguma coisa errada, pois não tinha nenhum video-game a vista.
- Que habilidades será que o garoto tem?
- Não vai importar, o Mago vai derrotá-lo com um golpe só, como sempre.
Era uma conversa que ocorria nas arquibancadas, então obviamente João não a ouviu.
- 3, 2, 1... lutem!
Foi o último anúncio, e o mago imediatamente criou uma grande bola de energia com as mãos. Aquilo foi a última coisa qeu João precisou para perceber que aquele não era um simples torneio de video-game. Mas antes que ele pudesse fazer qualquer coisa quanto a isso, o mago lançou a bola de energia nele. João teve tempo de pensar - vou morrer - antes de ser atingido.
Mas incrivelmente, isso não aconteceu. A grande bola de energia explodiu e cobriu João com chamas roxas, mas elas desaapreceram rapidamente. E João permanecia de pé e inteiro.
- Incríveeeeeeeeel! João acaba de sobreviver ao feitiço que deu a vitória ao Grande Mago em todas as lutas anterioreeees! Senhoras e senhores, parece que o desafiante é bem mais do que aparenta!
Naquele momento, todos começaram a pensar no que diabos João seria, e quais seriam suas habilidades, ele não tinha tido tempo de reagir ao golpe adversário, mas isso foi tomado como evidência de que ele sabia que não precisaria se preocupar com o golpe do adversário.
A pessoa que estava mais perto de saber a verdade era o Mago, a razão do sucesso dele era aquele feitiço que ele tinha desenvolvido durante a vida inteira, e funcionava colocando os poderes e habilidades do alvo contra ele mesmo. Como João era apenas um garoto normal, isso não funcionou contra ele.
O motivo pelo qual o Mago não percebeu isso, é porque ele tinha ficado dependente demais daquele feitiço, então não conseguiu pensar logicamente ao vê-lo falhar.
No meio de tudo isso estava João, que tinha conseguido voltar a se mover. Ele percebeu que ainda estava vivo, e seu reflexo de lutar ou fugir se ativou, escolhendo lutar. Então João começou a correr na direção do Mago.
O Mago entrou em pânico, e continuou a disparar seu feitiço inefetivo contra João, que o ignorava completamente, para deleite da platéia. Finalmente alcançando o mago, João preparou o punho, sem saber que seu adversário nunca tinha desenvolvido feitiços para proteção do corpo, o que permitiu o sucesso do ataque de João.
Um perfeito soco no queixo, e o Mago despencou no chão. Houve um momento de silêncio em que a platéia tentava entender o que havia acontecido. Mas então ela foi a loucura.
- Senhoras e senhores, é um nocauteeeee! O nosso desafiante derrotou o antigo campeãããão! Esse é o resultado mais inesperado!!!!!!
E ouvindo isso tudo, João ainda tentava entender no que tinha se metido.

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A Espectro: Capítulo 2 - Alana, da família Montssart

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14/02/00

1

Ele tinha sido levado de um lado para o outro por motoristas que não sabiam qual seria o destino final, seguido instruções confusas e com muito pouca margem de erro, e forçado a abandonar as próprias roupas e substituí-las por outras.
Se ele não achasse que valeria a pena, jamais teria ido tão longe para tentar fazer aquela contratação, mas considerando a natureza do trabalho que ia requisitar, ele podia entender o motivo para um nível tão grande de paranóia.
Ele entrou num edifício que era absolutamente igual aos outros que haviam ao redor, aparentemente era uma firma de seguros. A mensagem dizia para ele subir as escadas, então ele fez isso. O prédio tinha apenas dois andares, e ele seguiu das escadas diretamente para a porta em frente.
A porta estava trancada, mas a tranca era apenas um trinco comum, sem qualquer encanto de proteção. Ele pegou a chave que tinha recebido anteriormente e abriu a porta para entrar.
Era uma sala vazia, exceto por uma cadeira e uma mesa no meio, uma câmera de segurança no canto da parede e uma porta do outro lado da sala.
"Sente-se." Uma voz surgiu de repente. Ele obedeceu.
"Você está com o dinheiro e as informações?"
Ele mostrou a pasta que continha as informações, e a maleta que continha o dinheiro.
"Coloque a pasta em cima da mesa e o dinheiro na frente da porta. Depois saia e vá embora."
Ele hesitou por um momento, imaginando se não estaria sendo enganado, mas esmagou esses pensamentos e fez o que a voz mandava.

2

Orlando Maximus observou o homem sair pelas câmeras de segurança, ele sabia absolutamente tudo sobre esse homem, devido as investigações que ele tinha realizado através de numerosas fontes durante as últimas horas. Então ele sabia exatamente a razão pela qual o cliente queria contratar um assassino profissional.
Mesmo assim, ele usou um aparelho especial para inspecionar a maleta antes de pegá-la, no ramo em que Orlando trabalha, paranóia é uma das melhores qualidades.
Ele checou o dinheiro, notando rapidamente que tudo estava lá, Orlando separou os 20% a que tinha direito e saíu para trabalhar. Isso seria uma ideia ruim em outras ocasiões, mas as câmeras daquele prédio serviam apenas para observação e não gravavam nada.
Ele foi até um prédio do outro lado da rua e sentou com seu computador, acessando a internet através das conexões que estavam disponíveis lá.
Ele entrou em um determinado fórum e colocou uma determinada mensagem. Tarefa completa, ele voltou para sua sala e esperou.

3

Alana Montssart estava extremamente concentrada no momento.
- Vamos... vamos... vamos!
Ela estava jogando videogame. O nome do jogo era Princesa Réptil, um jogo de nave da classe dos Inferno de Balas. Alana estava enfrentando o último chefe.
- Vamos... vamos... vamos... yay!
O chefe finalmente caíu perante os tiros concentrados de Alana, ele explodiu mais vezes do que seria realístico(nove vezes, para ser exato) e o encerramento começou.
- Eu venci! Eu venci! Eu sou a melhor!
Alana começou a fazer uma dança da vitória. Ela tinha 12 anos, e tinha certeza de que uma dança da vitória era apropriada nesse tipo de situação. Sendo que ela tinha sido derrotada por aquele chefe mais ou menos quinhentas vezes antes de conseguir vencer.
Ela parou quando olhou o relógio e viu que eram quase 10 da noite.
Nesse momento, ela respirou fundo e pegou algumas roupas do armário. Todas elas eram pretas, calça, camisa, meias, sapatos e tudo mais. ela tirou as roupas que estava usando e começou a colocar as roupas pretas. Mas a transformação dela era bem mais notável do que uma simples troca de roupa.
Os sinais vitais dela começaram a cair, até desaparecerem completamente, a presença dela também sumiu, a ponto de que seria necessário se concentrar completamente nela para não esquecer que ela estava alí.
A luz desapareceu dos olhos dela, que ficaram perturbadoramente sem vida. Finalmente, ela desapareceu. Não era como se ela tivesse simplesmente ficado invisível, era mais como se ela nunca tivesse estado lá em primeiro lugar. Ela não era mais Alana, agora ela era Sha.
Sha andou pela cidade, invisível, até encontrar um cyber-café que tinha um computador vazio. Ela agiu rápido, usando um site de busca para procurar um determinado nome de usuário. Ela descobriu que naquele dia, aquele nome de usuário tinha feito uma postagem falando sobre uma firma de seguros em um determinado local da Rússia.
Sha foi para o centro de portais. Feitos com base nos princípios da Similaridade, aqueles portais eram o método de transporte mais eficaz do mundo quando se tratava de viagens por longas distâncias. Sha obviamente foi para um dos centros de portais para pessoas, ao invés de usar os transportes de carga.
Havia uma viagem programada para as 11:30 que iria para a Rússia, e Sha entrou nessa viagem sem ser detectada por nenhum dos sistemas de segurança. Ela foi até a firma de seguros, e checou todas as salas até encontrar uma pasta que havia sido deixada em cima de uma mesa. Ela pegou a pasta e foi embora.

4

Orlando sorriu quando viu a pasta desaparecer em pleno ar, ele pegou a maleta com o resto do dinheiro e colocou ela em cima da mesa, e voltou para sua sala.

5

15/02/00

Sha abriu a pasta, e viu que ela continha um dossiê completo a respeito de uma certa pessoa. Ela se concentrou nos detalhes importantes, a foto, e onde a pessoa morava.
Sha voltou para o centro de portais onde tinha chegado. Havia uma viagem programada para as 01:30 que iria para Nova Iorque, isso era perto o bastante do local onde o alvo vivia, então Sha esperou
Sha foi para a casa do alvo, passando por cima dos alarmes como se eles não estivessem lá, e não alertando nenhuma das bestas mágicas que tinham sido desenvolvidas especialmente para detectar intrusos.
Ela entrou na casa, que na verdade era uma verdadeira mansão, e começou a checar os cômodos procurando o alvo. Nenhum dos empregados jamais notou qualquer coisa estranha, e ela finalmente encontrou o alvo, dormindo tranquilamente na cama com sua esposa.
Ela foi até o pé da cama e examinou o rosto do alvo, para ter certeza de que era mesmo ele, feito isso ela fez uma pequena mas afiada faca aparecer em suas mãos, e cortou a garganta dele em um golpe preciso.
Ele não gritou, já que sua garganta estava cortada, ele abriu os olhos e não viu ninguém ao pé da cama, mas não conseguia se mexer, pois Sha estava segurando ele. Em pouco tempo, ele morreu silenciosamente.
Sha foi embora sem ser detectada, e a morte do alvo só seria percebida na manhã seguinte, pela mulher dele. Era mais um trabalho completado perfeitamente na lista de Sha.
Ela voltou para a firma de seguros e pegou a maleta que estava em cima da mesa. E voltou para casa.

6

Alana entregou a maleta para seu pai.
"Aqui está, eu ganhei isso hoje."
"Muito bem!" O pai dela disse, mexendo no cabelo dela.
Era mais um dia normal na casa da família Montssart.

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