sábado, 21 de abril de 2012

A Primeira Brigada: Capítulo 2 - Kato e Marco

Download em PDF(Logo)

Num determinado dia, após o ataque bem-sucedido a unidade inimiga, a primeira brigada descansava em uma floresta, preparando-se para uma nova viagem exaustiva. Alguns estavam responsáveis por estocar comida, caçando ou usando os espólios conseguidos em batalha para comprar suprimentos, mas isso tinha que ser feito de forma inconspícua, então eles não poderiam comprar muito de uma vez só.
Outros estavam cuidando das armas e cavalos, além das roupas e outros suprimentos que seriam necessários para a viagem. Ainda outros treinavam fervorosamente sob a vigia de Marth, que usava seu grande conhecimento de armas para instruir todos aqueles alunos.
Além deles, outra pessoa que treinava era Mara. Mas ela estava separada dos outros membros, e praticava seus movimentos sem qualquer orientação. Perto dela estava Clarina, que desenhava círculos de proteçao no chão, costume que havia aprendido com os pais.
Marisa se sentava no centro do campo, pensando, e ninguém queria interromper a concentração dela, pois a líder havia deixado bem claro que esse tempo era crucial para o planejamento bem sucedido das operações. As últimas pessoas do grupo eram Kato e Marco, e eles estavam fazendo algo que já havia se tornado um hábito.
Kato e Marco estavam lutando, da mesma forma que fizeram muitas vezes quando eram crianças, na época, eles eram sem dúvida os melhores lutadores do lugar, e lutar um contra o outro era basicamente a única forma de testar suas habilidades. Atualmente, eles faziam isso apenas para não perder o costume.
O estilo de Kato era rápido e repleto de movimentos dispensáveis, devido ao fato dele nunca ter tido um treinador. Em contraste direto, Marco possuía uma técnica refinada que se focava em atacar os pontos fracos do inimigo. Marco tinha a maior percentagem de vitórias nessas lutas.
Kato dançava ao redor de seu adversário, girando, fintando e avançando nos momentos menos esperados. Marco, por sua vez, mantinha-se parado no meio do círculo que Kato estava fazendo, observando cada movimento do adversário, cada contração muscular, para saber quais ataques eram fintas e quais eram reais.
Gradualmente, Kato começou a aumentar a velocidade, e Marco começou a ensaiar alguns ataques nas pequenas brechas de Kato começava a deixar, mas o espadachim percebia as próprias brechas, e se preparava para contra-atacar qualquer golpe que abrisse uma brecha na defesa de Marco.
Um jogador de xadrez reconheceria o que estava passando na cabeça dos dois. Incontáveis possibilidades de golpes, contra-golpes e contra-contra-golpes. Uma batalha furiosa estava acontecendo entre os dois no campo de batalha mental, apesar da luta no mundo físico ainda estar nos primeiros estágios.
Finalmente, depois do que pareceu um tempo exageradamente longo, os movimentos passaram para a realidade. Kato avançou e disparou uma série de ataques, que foram defendidos pelo adversário, que por sua vez, revidou com um golpe de lado do machado. Kato abaixou-se para evitar o golpe e deu uma estocada, que foi defendida pelo cabo do machado de Marco.
Esse golpeou na diagonal, mas foi parado pela rápida lâmina de Kato, já voltando da estocada. Ele pressionou ainda mais, girando com um chute da perna de trás. Kato conseguiu defender isso com a mão direita, e revidou com seu próprio chute, que acertou o alvo. Aproveitando a vantagem para atacar a mão direita de Marco, visando derrubar o machado dele.
Mas Marco havia previsto isso, e girou o pulso para que o machado protegesse a própria mão. Ele então socou com a mão livre, acertando Kato no peito e fazendo-o recuar um passo. Foi o suficiente, Marco invadiu o espaço de Kato, colocando a lâmina do machado contra a garganta dele. Marco tinha vencido.
Ele ajudou Kato a se levantar, dizendo:
- Você precisa treinar mais seu corpo.
Essa era a principal diferença entre eles, Kato era baixo e esguio enquanto Marco era alto e musculoso, ele não era nem de longe tão forte quanto Mara, que costumava esmagar pedras com as mãos, mas Marco era bem mais forte do que Kato.
- Eu achei que aquele golpe fosse ao menos te desequilibrar - Kato disse sorrindo.
- Se tivesse acertado um pouco mais pra cima acho que teria me desequilibrado - Marco respondeu.
As pessoas que tinham parado para assistir a luta já voltavam ao trabalho, e os membros que haviam sido mandados coletar suprimentos começavam a chegar, eles se sentavam no chão por alguns minutos para descansar as pernas, e logo depois voltavam ao trabalho, preparando as mochilas e outros pacotes que iriam carregar.
Clarina já havia desenhado 4 círculos tangentes uns aos outros, cada um deles contendo selos de proteção diferentes, e dava o trabalho por encerrado. Mara finalizava seus exercícios diários, que tinha deixado de fazer bem poucas vezes nos últimos 12 anos. Marth via que aqueles sob a sua tutela estavam chegando ao limite então deixou-os descansar.
Marisa também parecia ter finalizado as suas considerações, pois ela se levantou e passou a observar silenciosamente o trabalho de seus companheiros, quando o último deles terminou suas tarefas, ela chamou todos em sua direção.
- Nossa próxima missão vai ser especialmente importante - ela começou dizendo.
Todas as pessoas presentes se retesaram ao ouvir aquelas palavras, a primeira brigada não existia a muito tempo, então Marisa havia dito aquelas palavras poucas vezes, e todas as vezes isso resultou em missões difíceis, os ataques a alvos-chave que tornaram o grupo tão famoso. Daquela vez nao seria diferente.
- Alguns dos generais inimigos mais importantes vão se encontrar em Anaktol para discutir iniciativas para dominar o resto do país. Eles não vão sair de lá vivos.
Os membros da brigada prenderam a respiração, a audácia daquela frase era imensa, e vindo da maioria das pessoas pareceria uma simples e absoluta loucura. Mas Marisa tinha falado com o mesmo tom de voz que usava para tudo, como se isso não fosse apenas possível, mas já estava marcado nos livros do destino. Como se fosse apenas fato.
- Quando o encontro vai ser? - Marth fez a pergunta relevante.
- Daqui a oito dias - ela respondeu.
- Quais são as defesas? - perguntou Marco.
Marisa sorriu - algo como cento e cinquenta soldados treinados e experientes estão postados como guardas ao redor do prédio, e aproximadamente três mil soldados das companhias que os generais comandam estão esperando no campo de Tel-al-viv. O grosso desse exército é composto por infantaria e máquinas pesadas.
Houve silêncio por um momento, e então Kato disse:
- Um erro de cálculo da parte deles.
- Sim, mas quem imaginaria que alguém atacaria uma reunião estratégica importante como essa com uma unidade tão pequena? - Raciocinou Mara.
- Eles provavelmente tem vigias posicionados ao redor do lugar todo - falou Clarina - devo matá-los?
- Não - disse Marisa - eles irão servir numa parte essencial do plano.
Todos voltaram a ficar em silêncio, para ouvir qual era o plano criado por Marisa.
- Vamos fazer cinco grupos de três pessoas, cada um desses grupos deve ir para um lado, e criar briga com os guardas em cinco posições - ela virou para Marth - me dê o mapa do lugar e uma caneta.
Ele foi buscar no meio dos suprimentos as coisas que Marisa tinha pedido, ele era o responsável pela organização de tudo, então encontrou o que procurava facilmente. Um mapa do campo de Tel-al-viv, que ele tinha ficado intrigado a respeito do propósito quando eles o obteram, e uma caneta tinteiro.
Ao receber o que havia pedido, Marisa desenhou um círculo no meio do mapa - esse é o acampamento deles - ela fez cinco pontos ao redor do círculo, distantes uns dos outros - aqui é onde vocês vão atrair os guardas e começar as brigas - ela fez uma seta apontando para o círculo, entre dois pontos - o resto de nós vai entrar por aqui e atacar o encontro diretamente. Kato, Marco, vocês serão os principais aqui, avancem direto para o centro do encontro e matem todos os generais - ambos assentiram.
- Muito bem, mas nós só vamos fazer isso quando o mínimo possível de guardas estiverem lá, pra isso, as equipes dos guardas deverão revelar que estão atacando, isso vai fazer parte dos guardas do centro serem deslocados para repelir os "ataques". Quando os destacamentos vierem, vocês devem fugir.
Todos assentiram para exprimir seu entendimento.
- Kato, Marco, vocês devem sair por aqui - ela fez um traço no lado oposto daquele da seta de entrada - vocês devem atrair os soldados enquanto o resto de nós escapa por onde entramos. Vocês devem ser mais rápidos que as infantarias inimigas. 60 quilômetros ao norte está o rio Amara, sigam ele para o leste até Amaranth, vamos nos encontrar com vocês lá. Isso é tudo.
Todos olharam para os dois amigos de infância, sabendo que aquele plano punha eles em alto risco. Seria uma mentira dizer que aqueles dois não estavam preocupados, mas eles olharam para Marisa e viram um olhar que dizia "Vocês conseguem, vão lá e depois voltem". Isso foi o bastante para convencê-los.
- Vamos começar a nos preparar - Kato falou.
- Não nos deixem esperando por muito tempo - sorriu Marco.
A tensão se dissolveu, todos os membros da primeira brigada sabiam quais eram suas funções, e saíram para começar a preparação para essa nova missão.

-

Era chegado o dia, Kato e Marco estavam esperando junto com o resto da primeira brigada, com exceção dos grupos que haviam recebido a função de atrair o guardas. O grupo restante estava esperando o sinal das trombetas, que era o sinal para pedir reforços daquele grupo. Ironicamente, esse também seria o sinal para o ataque que levaria aquele lugar a ruína.
Marisa estava se concentrando e recitando palavras de poder, e a magia parecia eletrizar o ar em volta dela. Clarina fez um ritual em que ela tocava o chão com cada um dos dedos, e fazia uma oração a cada toque. Mara havia fechado os olhos, e estava respirando de forma tão profunda e lenta que era praticamente imperceptível. Marth olhou para cada um dos soldados, analisando seu comportamento para perceber o estado de espírito deles. Kato e Marco eram os mais relaxados, eles estavam conversando.
- E mais uma vez, nós vamos pular direto no meio das lanças - Kato disse.
- Eu acho que isso aí faz parte de um ditado, "pular no meio das lanças" - falou Marco.
- Nunca ouvi falar desse ditado.
- Bem, se não fizer parte de um ditado, deveria fazer.
- Nisso você tem razão.
- E é inevitável que nós tenhamos que fazer isso, não só dessa vez, mas muitas outras vezes.
- Seria bom se pudessemos sobreviver o bastante para fazer isso muitas outras vezes.
- É... - Marco caíu em silêncio. Kato esperou, ele sabia o que estava na cabeça do amigo.
Marco finalmente rompeu o silêncio - Quando tempo você acha que essa guerra ainda vai durar?
- Se depender da Chefe, não muito tempo - Kato respondeu.
- É, você tem razão - Marco sorriu.
E então, eles ouviram o som de uma corneta, e depois ouviram outros sons de corneta, vindos de outros lugares. Marisa levantou um punho e disse:
- Preparem-se, vou contar até dez.
E ela começou. Em quatro, eles começaram a ouvir os sons dos soldados inimigos tentando se organizar, em 7 eles ouviram barulhos de perseguição, em 9 esses barulhos chegaram muito perto de onde eles estavam, e em 10...
- Avançar! - Marisa gritou.
Todos seguiram essa ordem. Uma unidade de soldados de todos os tipos correram numa formação de cunha, e rapidamente avistaram a grande tenda que servia de local de encontro. Mas os guardas que estavam lá só avistaram eles depois de 1, 2, 3 segundos. E a esse ponto já era tarde demais.
Os primeiros dois inimigos foram derrubados por duas flechas que Clarina lançou enquanto corria, Depois Kato saltou na direção do inimigo mais próximo e no caminho decapitou ele, que não conseguiu reagir a um movimento tão inesperado, tendo atravessado a linha de defesa, Kato continuou a correr para dentro.
Mara atacou com grande velocidade usando seu bastão, acertando um golpe diretamente na têmpora do oponente. Depois disso, Marco alcançou a linha de inimigos e decepou a mão que segurava a arma do soldado mais próximo, ele continuou a correr passando pelo buraco nas defesas que havia se aberto.
Marco adentrou a tenda seguindo Kato, e viu ele lutando contra quatro soldados inimigos ao mesmo tempo, três outros estavam caídos no chão, mortos. Essa devia ser a guarda de elite, já que ainda restavam alguns deles vivos numa luta contra Kato.
Esse estava usando seus instintos ao máximo, lutando enquanto se agachava, rolava e saltava pelo chão. Os adversários eram bons, mas não estavam acostumados a lutar contra oponentes em que eles precisavam atacar tão baixo para conseguir acertar, ou que se moviam com tanta agilidade.
A situação deles piorou ainda mais quando Marco chegou, atacando o inimigo mais próximo com um golpe de machado, ele desviou, mas perdeu de vista Kato por um momento crucial, e teve as duas pernas cortadas por isso. Os três restantes não tiveram chance, em menos de um minuto todos eles estavam mortos.
Então a tenda pegou fogo.
Percebendo que aquele era o sinal de Marisa para significar que os outros estavam se retirando, Kato e Marco se apressaram para entrar na tenda dentro da tenda, onde os generais estavam. Esses ficaram chocados ao ver que tinham sido invadidos, durou só um segundo, mas os dois da brigada perceberam sua chance.
Kato levantou sua espada, Marco abaixou seu machado e os dois começaram a matar, alguns generais tentaram fugir, mas eram lentos demais, outros tentaram se defender, mas eram fracos demais. Um por um, eles foram morrendo, até que restou apenas um, que fugiu para a outra saída da tenda, mas isso era exatamente o que Kato e Marco estavam esperando.
Eles seguiram ele, deixando espaço o bastante para ele achar que poderia escapar, se era pra eles servirem de isca, era melhor que os inimigos pudessem ver o que eles tinham feito.
O último general chegou no lado de fora, haviam alguns soldados perto.
- Socorro! - ele gritou - eles estão...!
Ele não conseguiu dizer o que exatamente eles estavam fazendo, pois Kato escolheu aquele momento para avançar e decapitá-lo. Os soldados que tinham visto isso começaram a gritar que haviam inimigos na base, e um deles soou uma corneta para chamar reforços. Perfeito.
Kato e Marco saíram correndo, geralmente eles não teriam conseguido escapar daquela base sem precisar pelo menos atravessar um cerco de inimigos assim como tinham precisado pra entrar. Mas os pedidos de reforços de vários lados diminuíram muito a força disponível para lidar com esse tipo de coisa, e os grupos tinham conseguidos atrair aqueles soldados para longe o bastante pra eles não poderem voltar rápido o suficiente, então Kato e Marco conseguiram escapar do perímetro do acampamento sem precisar matar mais ninguém.
Alguns soldados tentaram lançar flechas neles, mas esses soldados não eram tão habilidosos quanto Clarina, então não puderam acertar dois alvos pequenos que se moviam tão rápido. As máquinas pesadas eram lentas demais para ir atrás deles, elas tinham sido projetadas para uso em cercos, não em perseguições.
Sem opção, os soldados perseguiram eles a pé, mas os dois da brigada tinham a vantagem de estarem usando armaduras especialmente leves, que eles tinham colocado sabendo que iam ser necessárias. Eles logo chegaram no rio e saltaram para dentro.



Quando o resto do grupo chegou a Amaranth, a única coisa que Kato e Marco tinham a dizer era "Por que vocês demoraram tanto?"
Todo mundo riu depois disso.

Capítulo Anterior
Índice

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Arlus

 Download em PDF(Logo)

Eu estou de volta em casa depois das compras, eu consegui um novo jogo, ele se chama Arlus, aparentemente é um desses jogos estilo civilization, só que o personagem principal é o Deus da civilização. Eu estou prestes a começar a jogar quando a minha irmã começa a cantar naquele microfone que ela ganhou. Isso seria distração demais, então eu peço pra ela falar mais baixo.

Problema resolvido, eu começo o jogo, eu estava certo a respeito de como o jogo é, eu sou uma mão gigante e posso ordenar essas pessoinhas chamadas de Arlusianos, eu já joguei alguns jogos como esse, então sei o que fazer, eu começo mandando eles construir alguns prédios, recolher recursos e tudo mais. Talvez eu possa fazer uma cidade futurista depois de um tempo? Esse jogo parece ter muitas opções.

A construção da cidade está indo bem, mas eu acidentalmente acertei um dos Arlusianos com um pedaço de madeira, ele se levantou rápido mas pareceu bem perturbado. Por outro lado, o efeito de som foi muito engraçado.

Eles estão ficando cansados, então eu os coloco pra dormir, mas quando eu vou acelerar o tempo para passar a noite logo, um deles começa a andar dormindo. Ele está indo direto para o lago! Eu tento mandá-lo acordar, mas isso não funciona, então eu tenho uma ideia. Eu pego um pedaço de madeira e acerto ele. Isso funciona! Ele acorda e corre de volta para o dormitório. E ele também tem um efeito de som diferente do outro! Legal, quantos será que existem?

No dia seguinte, eu começo os meus testes, acertando todos eles, um de cada vez. E surpreendentemente, os efeitos de som nunca de repetem! Os criadores desse jogo são realmente competentes. O que mais será que eles colocaram nesse jogo?

Eu mando eles de volta ao trabalho, mas alguns deles parecem estar machucados, e não estão trabalhando tão rápido quanto antes. Talvez eu tenha batido neles forte demais? O jogo percebe essas coisas? Então eu pego um deles, e coloco ele sentado com uma perna esticada, então eu pego uma pedra e deixo ela cair na perna dele. Ele guincha ainda mais alto do que quando eu bati nele, e agora a perna dele está quebrada! Os criadores desse jogo realmente programaram muito bem, até os olhos dele me dizem que está doendo muito.

Eu tenho que parar porque está ficando tarde, mas eu não consigo dormir, eu quero continuar jogando. Eu saio da cama e jogo até cair no sono. Agora os outros estão reagindo até a coisas que eu não fiz com eles diretamente, se eles estão no mesmo lugar que aqueles que estão sendo testados eles tem suas próprias reações.

Outro dia, eu continuo jogando, eu já matei alguns deles, espancados, queimados, afogados, cortados. Não parece haver um limite para as coisas que eu posso fazer, ou as reações que eles podem ter a elas. Só restam alguns, e eles parecem estar a ponto de enlouquecer.

Eu mato o último, esmagado, e então a tela escurece e depois aparece a mensagem "GAME OVER". Eu reseto o jogo, mas ele não começa, eu tento de novo e de novo mas ele parece estar quebrado. Droga! Eu preciso continuar jogando! Eu quebro o jogo, frustrado, mas então eu ouço a minha irmã cantando de novo. Eu sorrio, e vou para o quarto dela.

sábado, 14 de abril de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 7 - Atrás do Mago!

Download em PDF(Logo)


1

Numa noite, eles finalmente alcançaram o lugar onde os inimigos estavam acampando, era um acampamento circular, era grande, havia sido feito no meio de um campo aberto e Jim considerou o mago demasiadamente prepotente, por acampar em uma posição tão desprotegida. Ao nordeste o porto de Kalindor era uma posição onde poderiam chegar rapidamente grandes exércitos do sul, contornando a costa leste com navios bem mais rápido do que se poderia fazer a pé, e a oeste haviam as montanhas verdes, uma cordilheira que era usada constantemente como posto avançado. Porém Jim imaginou, e com razão, que o mago teria batedores em ambas as direções, e o próprio grupo de Jim só não havia sido percebido por ser incrivelmente pequeno.
- Precisamos saber exatamente onde ficam os soldados, as armas, e o tempo das patrulhas - disse Jim.
- Deixe comigo - falou Gante - eu tenho alguém que pode ajudar.
E dizendo isso, estendeu a mão com a palma voltada para cima, sua mão começou a brilhar enquanto ele dizia:
- Venha, ave do puro azul. Venha, pequeno espírito gracioso. Venha, guia dos heróis. Venha Philemon!
E na palma da mão de Gante apareceu um selo de invocação luminoso, eram dois circulos opostos nas diagonais de um círculo grande com uma linha no meio, esse selo brilhou intensamente por um instante e então apareceu um pássaro.
Mas apenas uma olhada já era o bastante para perceber que aquele pássaro não pertencia ao mundo deles, suas penas eram de um azul irreal, como as pinturas da mestra René, a elfa. Era brilhante e ao mesmo tempo escuro, seus olhos perscrutavam o lugar ao redor com uma curiosidade indisfarçada, mas ao mesmo tempo pareciam guardar conhecimentos além da imaginação.
- Philemon, eu preciso que você vá até aquele acampamento e descubra tudo o que puder sobre ele, certo? - Gante falou para a ave em sua mão, e Jim percebeu o quanto aqueles dois eram diferentes. Uma ave misteriosa, e um ser de outra dimensão inocente como uma criança.
Philemon saíu da mão de Gante e voou para o acampamento, ele viu as grandes tendas verdes, presas no lugar por estacas, que davam o apelido de exército verde aqueles soldados, quando eles estavam parados. Ele viu as numerosas tochas que iluminavam aquele lugar, dando-o um aspecto mórbido. Ele viu também as feras que o mago usava, trazidas do leste, elas eram bem alimentadas o bastante para não atacar o próprio exército, porém sua ferocidade ampliada por determinadas ervas era lendária, tornando-as muito diferentes dos monstros que eram seus parentes próximos, que apesar de serem inteligentes,  preferiam o isolamento em suas terras, a semelhança das raposas.
Algumas dessas feras dormiam, mas outras eram noturnas, e estavam sendo alimentadas naquele momento. Além dessas feras, Philemon viu também as mulheres soldado, que, longe de serem molestadas pelos homens, eram muito mais violentas e agressivas que a maioria deles, e por falar nos soldados, Philemon viu eles também, seja dormindo em suas tendas, seja fazendo rondas de patrulha, o que havia em comum entre todos eles eram os olhos com resquícios de insanidade, fruto das inumeráveis batalhas e massacres.
De longe a coisa mais interessante que Philemon viu foi a tenda do mago, localizada em uma posição de poder, no centro absoluto do acampamento, ela era completamente diferente das pequenas tendas dos soldados. Era uma tenda grande e luxuosa, sua cor era azul-marinho, o que fazia um absurdo contraste com todo o verde ao redor, as estacas que a prendiam ao chão eram grandes pedaços de madeira esculpidos habilidosamente, simplesmente carregar estacas como essa no meio de uma campanha era uma coisa que a maioria dos exércitos não poderia fazer.
Philemon voltou para a mão de Gante, e contou sem palavras o que tinha visto, todo o grupo entendeu como funcionava o complexo, e perceberam que a tenda do mago estava hilariantemente mal-defendida, um grupo pequeno como o deles poderia evitar as sentinelas e chegar a tenda, eles estavam pensando nessa ideia quando Jim os trouxe a realidade:
- Se fosse mesmo tão fácil, algum dos assassinos contratados já teria feito isso.
- O mago deve ter sensores em volta da sua tenda - disse Paulo - eu vou usar a minha percepção para localizá-los, e então poderei desativar eles no momento certo.
- Eu estou preocupado é com aqueles monstros, alguns deles possuem um ótimo faro - disse Seth.
- Deixe isso comigo - falou Bruna - quando eu era gladiadora, nós tinhamos que lutar contra monstros assim o tempo todo, então acabamos descobrindo uma mistura especial que confunde o faro da maioria dos monstros.
- A maioria? - Perguntou Jim, pouco convencido.
- Eu reconheci todos os monstros daquele acampamento, tenho certeza que nenhum deles é uma exceção a regra.
- E o que faremos para evitar as sentinelas? - Perguntou Gante entrando na discussão - se elas nos verem estamos perdidos.
- Eles provavelmente tem um sistema para quando um deles morre - disse Bill.
- Nenhuma... morte - disse Sara, com sua simplicidade habitual.
- Eu tenho uma maneira - retomou Paulo - existe um espírito especial que pode impedir que os inimigos nos vejam, gasta muita energia e demora para ser convocado, mas com ele nós só precisaremos andar silenciosamente para não nos ouvirem.
- Temos que nos preparar para tudo antes de entrar na tenda "dele", não sabemos o que pode nos esperar lá, e mesmo que consigamos nosso objetivo, não existe nenhuma garantia de que ainda vamos sobreviver, vocês tem certeza de que querem ir? Eu apenas pedi que me acompanhassem durante a viagem - Perguntou Jim.
- Irei - disse Sara.
- Claro que sim - disse Bill.
- Vocês são meus amigos, eu não vou abandoná-los - disse Gante.
- Não vou te perder de vista - disse Bruna.
- Eu ainda preciso me redimir - disse Seth.
- Meu mestre ficaria decepcionado se eu desse pra trás agora - disse Paulo.
- Então vamos! - chamou Jim.
Era óbvio que nenhum deles iria recuar agora, os momentos que haviam passado e a decisão que tomaram nas ruínas da cidade os compeliam a seguir em frente. Mas Paulo não estava brincando quando disse que a magia era demorada, os outros quatro ficaram de pé dentro de um círculo enquanto ele andava ao redor, sussurando palavras incompreensíveis, a cada passo pulavam faíscas de seus pés, e os dois olhos estavam vazios, como se ele não mais estivesse dentro do corpo, que apenas continuava andando. Paulo estava visitando o "segundo mundo" como era chamado o lar dos espíritos, aquele cântico estranho era na verdade ele tentando convencer o espírito Kakushigami a usar seus poderes, era uma tarefa complicada, mas Paulo já havia feito isso antes em um treino.
Depois de um tempo que pareceu interminável, o cântico de Paulo terminou, pois ele havia convencido o espírito a ajudá-los, e então erguendo o cajado, Paulo andou até os amigos, e o nada começou a envolvê-los, então Paulo chegou, abriu os olhos e abaixou o cajado, e estava terminado. Ele respirou fundo enquanto passavam a mistura especial de Bruna nele.
Os sete então, adentraram o campo do mago, andando silenciosamente, Jim aprendera a fazer isso nos turnos de vigia, Sara havia aprendido isso nas caçadas, Paulo havia aprendido isso nos seus treinos, Bill havia aprendido isso nos trabalhos que havia feito antes de reencontrar Jim, Bruna havia aprendido isso por necessidade nos campos de escravos, Gante sabia instintivamente e Seth tranformado em lobisomem era um predador nato e fazia isso facilmente.
Eles avançaram cautelosamente, Paulo, apesar de cansado, ainda usava seus espíritos para desativar os sensores mágicos, e apesar de chegarem perto das sentinelas algumas vezes, chegaram ao centro do campo sem incidentes.
Eles entraram na imensa tenda onde o Mago dormia, assim que pisou lá dentro Jim sentiu perigo com todo o seu corpo, ele ficou alerta enquanto olhava para o interior da tenda, lá haviam várias mesas, contendo uma variedade impressionante de objetos, principalmente livros, mas também coisas que Jim não queria imaginar o que poderiam ser, mas no canto mais afastado da tenda estava a coisa que Jim considerou a mais repulsiva que ele já havia visto.
Era uma cama. Uma cama em uma tenda militar, mesmo a tenda do chefe, era uma luxúria horrível, principalmente aquela cama feita por Goblins, com dossel e lençóis especiais, era algo inimaginável pensar ele fazia seus servos carregarem tal coisa apenas pelo próprio conforto.
Mas devia ser isso, pois sentado na cama e olhando para eles estava o Mago. O plano tinha falhado.
- Boa noite, bem vindos a meu humilde lar - ele disse.
- Pare de brincadeira! - exclamou Jim - como você soube da nossa vinda?
O mago suspirou antes de dizer:
- Vocês realmente acharam que todos os meus sensores eram mágicos? Assassinos melhores que vocês já vieram aqui antes, e tiveram o mesmo destino.
Ele girou os dedos, então vários guardas entraram e começaram a se aproximar.
- Retirada!! - gritou Jim, e então várias coisas aconteceram.
Gante saltou e rasgou um pedaço da tenda, o mago disparou uma bola de fogo e Jim cancelou a magia com um golpe de lança e uma palavra curta. Seth pegou Paulo, que estava fraco e o colocou nas costas, Bill jogou facas nos guardas. Bruna terminou de abrir a passagem com sua imensa marreta e Sara disparou flechas que explodiram aos pés do Mago. Encobertos pela confusão, os sete fugiram.

2

Os sete correram pela noite, com a mesma escuridão que os ajudara a entrar na base, agora os ajudando a fugir. Os soldados inimigos e as bestas que eles traziam respiravam rapidamente, no ritmo da perseguição, e estavam se aproximando.
Os sete pareciam perdidos, mas enxergaram um milagre que poderia salvá-los exatamente na hora certa, um desnível. Esse desnível levava a um caminho oculto, estreito e cercado por rochas, eles correram com forças renovadas, mas as bestas eram famosas por sua velocidade, e iriam chegar primeiro.
Jim percebeu isso, e no momento exato, parou e se virou para atacar a besta mais próxima, que por esperar um inimigo fugindo, não pode se defender e caíu fulminada. Sara entendeu, e se virando também, disparou uma flecha que explodiu em chamas perto das bestas, isso teve dois efeitos. Primeiro assustou-as por um momento, e segundo mostrou a localização de cada uma, que Sara memorizou e disparou flechas após apagar o fogo.
A estratégia deu a eles tempo o bastante para entrar no caminho, Jim então gritou:
- Bloqueie o caminho!
Bruna percebeu que isso era sua tarefa, e balançou a marreta para cima(pois não havia espaço pra balançar para os lados) e acertou fortemente o lado da parede de rochas, causando um desabamento e bloqueando o caminho.
Mas eles ainda não estavam seguros, os soldados não desistiriam tão fácil, então restou a eles seguirem em frente pelo caminho, que os levou a uma rede de cavernas, eles seguiram procurando pela saída e exceto por alguns encontros com habitantes daquelas cavernas, eles até encontraram-na facilmente.
Quando saíram, o dia já raiava, e eles procuravam um local para descansar, foi com grande surpresa que eles encontraram uma vila convenientemente estacionada próximo da saída da caverna, eles não tinham nada a perder, então foram para lá.
Quando eles chegaram, vários moradores se aproximaram.
- Bem vindos a vila de Lotus, viajantes! O que podemos fazer por vocês? - Disse o representante, com um sorriso no rosto.
- Só queremos um lugar para dormir, se possível. - respondeu Jim.
- Só isso? Nada bom, nada bom mesmo! - ele disse, fingindo irritação - insistimos que vocês tomem parte na festa dos recém-chegados.
Jim olhou para Gante e perguntou com um ar de dúvida:
- Todos nós?
- É claro que sim! A menos que algum de vocês já seja daqui, não é?
E ele riu, acompanhado por alguns dos moradores próximos.
Jim ficou preocupado com os batedores do mago, mas eles haviam andado muito na caverna, e provavelmente tinham um dia ou dois de vantagem.
- Certo, nós aceitamos. - mas ele se prometeu que partiriam na manhã seguinte.
As pessoas da cidade deviam estar acostumadas a fazer essas festas, pois tudo foi preparado rapidamente e os sete convidados se sentaram no meio da mesa, e ficaram lá mesmo quando a música começou, tão desacostumados que estavam a esse tipo de coisa, mas as pessoas da cidade pareceram tomar isso não como uma ofensa, mas um convite para se divertir por eles também.
Por outro lado, os banquetes foram abundantes durante todo o dia, e os sete comeram e beberam muito, exceto Paulo, que comeu pouco, e nem tocou na bebida. Antes que Jim pudesse perguntar o que havia de errado, eles ouviram um barulho de pratos quebrando.
Era um dos homens que estavam trazendo a comida, ele tinha quebrado um prato no chão, fez uma cara de medo e apressou-se para limpar a bagunça.
"Deve ser um prato caro", pensou Jim. E então se lembrou do que queria perguntar.
- Paulo, o que foi? Algo errado?
- Nada, Jim - ele respondeu - eu só não posso correr o risco de me descontrolar, devido aos meus poderes.
- Por falar nisso - Jim disse - eu conheço um pouco de magia, mas não entendo como você faz magia sem palavras, mesmo sendo um bruxo.
- Eu vou explicar, como bruxo, eu controlo espíritos naturais, mas eu sou um tipo especial de bruxo. Eu consigo manter alguns desses espíritos permanentemente dentro do meu corpo.
- Parece difícil.
Ele sorriu - definitivamente não é para qualquer um, eu passei por muito treinamento pra isso.
Agora Jim estava interessado - conte-me mais.
Então Paulo começou a falar de seu treinamento.
- Escute garoto - disse Novus - para conseguir dominar os espíritos, você deve primeiro aprender a dominar a si mesmo.
- Como assim?
- Precisa resistir a todas as tentações até que aprenda a controlar o seu desejo por elas, começaremos com a fome.
As instruções do exercício foram simples, Paulo devia ficar sentado com um pão na mão, mas não devia comê-lo até que fosse absolutamente necessário, mas após três dias apenas bebendo água, o seu estômago clamava por aquele pão, e após dez dias ele finalmente desistiu.
O mestre disse que não era o bastante, então ele tentou novamente, conseguindo 15, até 20 dias, mas nunca era o bastante, finalmente ele se cansou.
- Mestre! - ele gritou - já chega, eu estou farto, você diz que é pra comer quando for necessário, mas nunca é tempo o bastante!
Novus o derrubou no chão.
- Escute aqui pirralho! Foi você que quis aprender a magia, se a sua vontade é tão fraca assim, pode ir embora quando quiser! - ele se acalmou um pouco - e o que eu disse sobre controlar os desejos? Você deve decidir quando é o limite com base na lógica, e nada mais.
Paulo então voltou para o lugar e esperou, cada vez que seu estômago clamava pela comida, ele repetia para si mesmo que sua vontade era forte, quando passaram 20 dias ele começou a olhar para o próprio corpo com um olhar lógico, e viu-o diminuir pouco a pouco, finalmente na manhã do dia 30, ele considerou que era longe o bastante e comeu o pão.
- Você passou no primeiro teste - disse Novus.
Depois de algumas semanas para se recuperar Novus disse a ele - está na hora do segundo teste, a dor.
As instruções eram novamente simples, ele deveria colocar fogo na mão, e apagá-lo apenas quando fosse necessário, mas se isso parecia difícil, era ainda pior do que parecia, e Paulo mal conseguia reunir coragem para começar o fogo, quanto mais para não apagá-lo, mas repetindo "minha vontade é forte" o que havia se tornado uma espécie de mantra para ele, Paulo forçou-se a olhar criticamente para sua mão em chamas.
Ele viu a pele se desprender e o sangue coagular, ele viu o fogo alcançar os músculos, e só depois, ele apagou. A resposta do mestre foi que ele tinha passado.
O terceiro e último teste era o movimento, Paulo deveria ficar sentado parado até que conseguisse descobrir como usar a magia dos espíritos a hora que quisesse. Novus alimentaria e cuidaria dele.
O primeiro mês foi ruim, ele não conseguia se manter parado. No segundo mês ele começou a olhar para dentro de si mesmo, e viu os mecanismos do corpo, inclusive aqueles que poucos sabem que existem. No terceiro mês ele descobriu como manipular esses mecanismos e dobrá-los a sua vontade.
- E foi então que eu descobri como usar o poder os espíritos a hora que quisesse.
- Como?
- É apenas uma questão de manter os espíritos controlados todas as horas, e liberá-los para canalizar seu poder na hora certa, para mantê-los controlados, eu devo me concentrar, é por isso que eu não posso arriscar perder o controle.
- Eu entendi - disse Jim - mas como você faz quando vai dormir?
Paulo sorriu e nada disse.

3
   
Após uma festa e banquete que duraram o dia inteiro, eles foram conduzidos até a hospedaria, onde cada um tinha o próprio quarto, o mesmo homem que havia recebido eles na entrada explicou que os viajantes podiam ficar uma noite de graça, o que eles aceitaram, prometendo sair cedo na manhã seguinte.
Eles dormiram, mesmo desacostumados com colchões e lençóis, coisas que raramente viam, Seth porém, teve insônia. E decidindo dar uma caminhada, transformou-se e saiu. A cidade estava silenciosa, mas os ouvidos de Seth conseguiam distinguir os barulhos noturnos normais, que naquela cidade estavam ausentes.
Seth foi investigar, e olhou dentro de várias casas, como suspeitava, estavam vazias. Ele colocou o ouvido no chão, e conseguiu distinguir as vibrações de várias pessoas andando, Seth já estavam totalmente sem sono, e seguiu as vibrações até encontrar as pessoas da cidade.
Logo que os viu, teve certeza de que algo estava errado, todas as pessoas da vila estavam juntas no mesmo lugar, reunidos em um semi-circulo, de pé, todos olhando para o trono de marfim, ricamente decorado, onde estava sentada a mulher mais bela que ele já havia visto.
Ela estava completamente coberta por adornos de ouro, prata e penas de aves, suas formas eram voluptuosas e seu rosto pálido estava congelado numa expressão de pensamento distante.
Um homem foi carregado até diante dela, e largado de joelhos. Era o mesmo homem que havia quebrado um prato no dia anterior.
- Senhora, piedade. - ele implorou com lágrimas nos olhos.
- Você é acusado de quebrar um precioso prato da refeição dos convidados. Você percebe o quanto seu crime é grave?
E ela se levantou, trazia uma faca de prata na mão e se aproximou dele.
- Sim senhora, eu sei. Mas eu limpei tudo rápido, e isso não atrasou a refeição nem um pouco!
- Idiota! - ela disse apontando a faca - essa não é a questão! A questão é, por que você deixou o prato cair?
- Bem... eu tropecei e...
- Exato! - ela o interrompeu - você tropeçou! Pessoas perfeitas não tropeçam! Você é uma pessoa perfeita?
- Não senhora.
- Então por que você se acha capaz de servir na cidade de uma pessoa perfeita como eu!?
Ela levantou a faca.
- Não! Por favor nãããõ!
- Sim! - ela gritou e começou a esfaqueá-lo, e enquanto fazia isso toda a beleza desapareceu de seu rosto.
Seth já tinha visto o bastante e fugiu de volta para a hospedaria, chegando lá acordou os amigos e reuniu eles.
- Pessoal, essa cidade é perigosa.
- Eu já desconfiava - disse Jim.
Ele os contou o que tinha visto.
- Alguém entende o que está havendo? - ele perguntou.
- Existem espíritos com a capacidade de tornar pessoas submissas - disse Paulo - mas para controlar tanta gente ao mesmo tempo, ela deve ser muito poderosa.
- Derrotar... ela - disse Sara, simplificando a tarefa deles.
- Vamos esperar até de manhã, e uma oportunidade deve aparecer - disse Bill.
E realmente na manhã seguinte, um dos homens da vila fez para eles o convite para irem a casa da chefe. Era uma construção imponente e dentro dela, sentada numa cadeira, estava a mesma mulher, ainda adornada, mas não tanto quanto na noite anterior.
- O meu nome é Elza, caros guerreiros, e quero desejar as boas vindas.
Paulo se levantou.
- Bruxa maldita, pare de fingir, eu sei que está usando magia para controlar as pessoas da vila e eu vou acabar com isso!
- Um bruxo, gosto da sua determinação, mas não posso permitir que você faça isso, Guardas!
E vários guardas vieram para atacar o grupo,
- Lutem para incapacitar e não matar - gritou Jim.
Mas num lugar apertado e enfrentando oponentes que não ligavam para a própria vida, eles estavam em desvantagem, Paulo percebeu, e se livrando de seus oponentes, lançou uma bola de fogo em direção a Elza. Ela fez um gesto de espantar moscas e uma parede de gelo a protegeu do ataque. "controlando tanta gente, e ainda consegue lutar?" pensou Paulo, quando ela fez outro gesto, e a parede se dividiu em pedaços que voaram na direção dele.
Ele se abaixou, mas assim que o fez, percebeu que os inocentes atrás dele seriam mortos, não havia tempo de protegê-los, Seth saltou e usou o corpo como escudo, ele então caiu com as feridas sendo demais mesmo para um lobisomem.
Elza sorriu e levantou a mão para outro ataque, porém saído aparentemente do nada, Gante surgiu do lado dela, com um círculo de invocação na mão direita.
- Venha, ser das cachoeiras. Venha, espírito espelhado. Venha Arcatom! E mostre a essa pecadora, sua própria alma!
E uma borboleta prateada apareceu na mão de Gante, a qual ele usou para tocar na cabeça de Elza.
Elza estava num lugar escuro, a frente dela estava um monstro.
- Está vendo!? - perguntou o monstro - isso é perfeição!!!
O grito dela não chegou a sair de sua própria mente.
As pessoas da vila caíam no sono agora que o controle fora quebrado, Elza estava segurando as próprias pernas e balbuciando coisas incompreensíveis.
- Gante, o que você fez com ela? - perguntou Jim.
- Arcatom é o espírito que mostra a alma, a alma de uma pessoa diz o que ela realmente é. Aquela mulher estava falando tanto de perfeição que eu pensei em deixá-la ver a si mesma.
" Invocações são realmente assutadoras" foi o pensamento que passou pela cabeça de Jim. 

4

O povo da vila ficou agradecido por ter sido libertado do controle da bruxa, e numa audiência conturbada, decidiram não matá-la, e sim entregá-la as autoridades de um reino próximo, o mesmo que seria palco do começo de uma guerra anos depois. Mas eles não tinham como saber disso, e mesmo se tivessem, não havia garantias de que teriam agido diferente.
Quanto aos herois que os salvaram, eles receberam cavalos rápidos, pedido de Jim, que tinha um novo plano, mas esse plano dependia deles chegarem ao destino do mago, o templo de Mana antes dele, os cavalos ajudariam, mesmo o exército do mago se movendo constantemente em marcha forçada.
Os sete se moveram rapidamente através das planícies, se desviando da rota algumas vezes para pegar suprimentos em cidades próximas, as notícias sobre o mago(pois agora eram mais que rumores) diziam que ele continuava a seguir o caminho, algumas milhas atrás deles, então seguiram em frente por mais alguns dias, e no final de um desses dias, decidiram descansar em uma caverna próxima, se surpreendendo ao encontrar uma pessoa lá.
Era uma mulher próxima dos 30 anos, vestida em trajes de viajante como eles, ela tinha cabelo canstanho claro e olhos castanho escuro.
- Olá, pessoal - a mulher disse, sorrindo animadamente.
- Olá, quem é você? - perguntou Jim.
- Sou uma simples ilusionista viajante, meu nome é Chiyo.
- Ilusionista?
- Exato, meu tipo de magia é capaz de ensconder coisas que existem e fazer aparecer coisas que não existem, querem dividir a caverna?
- Poderíamos?
- Claro, é sempre bom ter alguma companhia, sentem-se ao redor do fogo.
Eles se sentaram.
- Estou interessado nessa magia ilusionista - disse Paulo - se não for um problema, poderia nos mostrar?
- claro.
E movendo uma mão ela fez com que todos vissem pétalas de rosa caindo do teto da caverna, ela fez mais alguns truquezinhos e depois Bill tocou uma música, eles estavam se divertindo, tanto que Jim não notou quando Chiyo jogou algo no fogo, ela era habilidosa, e os sete só perceberam que algo estava errado quando começaram a se sentir sonolentos.
Todos olharam para Chiyo, que disse simplesmente:
- Eu sou uma batedora do Mago, e vocês caíram na minha armadilha.
E antes que pudessem dizer qualquer coisa, a escuridão cobriu a visão dos nossos herois e eles desmaiaram.

-

Jim estava num lugar escuro, andava de um lado para o outro e estava ferido, após algum tempo avistou alguma coisa, ele chegou perto e, era o cadáver de Bruna.
- Não, Não!
Olhando ao redor ele viu os outros amigos, todos mortos também: Bill, Paulo, Sara, Gante e Seth.
- Não, isso não! Por quê?
E de todos os lados, ouvia-se a risada do mago.

-

Sara estava sem forças, ela era levada contra a vontade para algum lugar, ela não sabia onde era, mas sabia que não queria ir para lá, ela lutava e lutava mas não conseguia sequer se mover, quanto mais escapar.
E de todos os lados se ouviam sons de batalha.

-

Bruna não podia se mover,estava atada com correntes a parede, não importava o quanto se esforçasse, não conseguia se soltar, via sombras de pessoas a frente, apontando e rindo.
E de todos os lados se ouviam sons do chicote.

-

Gante estava lutando, as sombras o atacavam como lâminas, a casa em que estava ardia em chamas.
E de todos os lados ouviam-se acusações de "monstro!".

-

Paulo estava sozinho, não conseguia fazer nenhuma magia, e homens sem rosto o espetavam com lanças.
E de todos os lados ouvia-se o som de chamas ardendo.

-

Seth estava desesperado, não conseguia controlar o próprio corpo, ele se movia sozinho e estraçalhava mulheres e crianças.
E de todos os lados ouviam-se gritos.

-

Chiyo voltou-se para admirar o trabalho, sorriu ao pensar no momento que entrara nas mentes deles, e descobrira suas fraquezas, e sorriu ainda mais ao imaginar o quanto o mago a recompensaria, depois de ouvir o modo como os derrotara.
Voltou os olhos para eles, já estavam assim a sete dias, quanto tempo mais até que suas mentes se quebrassem? O mais resistente que ela já vira havia sido um homem que durara nove dias, claro que ela poderia simplesmente matá-los, mas isso tiraria toda a diversão de observar a lenta agonia daqueles seis...
Espere um momento... seis? mas não eram sete?
Antes que pudesse concluir o pensamento, Chiyo foi atingida por várias facas voadoras, então ela voltou-se para encarar Bill, que as havia atirado.
- Como você escapou da ilusão? - ela disse quase sem forças.
- Meu maior medo sempre foi lutar, mas esse é um medo que superei a muito tempo e encaro todos os dias, você não pode me deter com isso.
- Parece que eu finalmente encontrei o mais resistente... isso é... ótimo... - ela disse para logo depois expirar, esse foi o final de Chiyo, a ilusionista.

5

Os herois se recuperaram rapidamente após voltarem a realidade, mas não seriam mais os mesmos, apesar de tentarem esconder, um bom observador poderia perceber que Bruna segurava a marreta com mais força do que o habitual, Gante cavava o chão compulsivamente, Paulo mal conseguia controlar a tremedeira de seu corpo, Seth fazia orações, Sara comia lentamente e Jim segurava a cabeça. Bill, que havia saído para recolher informações, retornou dizendo que o exército do mago havia baixado campo perto do vulcão Sandermason, cuja atividade impedia qualquer cidade de se estabelecer em suas proximidades.
- Ele nem sequer pensou em alterar o curso para evitar o vulcão, esse maldito é muito imprevisível - disse Jim.
- Sim, perdemos muito tempo com aquela ilusionista, mas eu pensei que poderíamos ultrapassá-los de novo quando fizessem um desvio. Isso não é bom.
- Certo, em primeiro lugar precisamos checar para descobrir se eles já perceberam que ainda estamos vivos, Gante, pode cuidar disso?
- Tudo bem - ele respondeu, e convocou Philemon para dar uma olhada no acampamento adversário.
Ele voou por lá, vendo novamente os soldados, porém agora estava entardecendo, e mesmo aquele acampamento parecia muito menos assustador aquela hora, os soldados finalizavam as preparações, e jogavam com dados enquanto não estava na hora de se recolher. Em horas como aquela, eles poderiam até ser confundidos com um exército normal em uma campanha, mas Philemon não tinha interesse nisso, pois havia algo muito mais importante acontecendo.
O mago estava subindo a encosta do vulcão, sozinho.
O pássaro voltou para eles, que depois de ouvirem as notícias, ficaram abismados.
- Ele com certeza está planejando algo - disse Jim.
- Provavelmente - disse Paulo - sinto algo estranho desse vulcão.
- Eu sei... o que é - disse Sara.
Todos ficaram surpresos com essa súbita frase, mas depois ela se corrigiu e disse:
- Na verdade... Tanuki sabe.
Ela explicou que mantivera contato com ele durante as semanas anteriores, ele vivera lá por muito tempo, e disse para avisá-los a respeito daquele vulcão.
- Você sabe o que exatamente ele quis dizer?
- Ele pode... explicar.
E Sara disparou uma flecha imbuída com poder do sol(que aquela altura já estava se pondo). Momentos depois, o próprio Tanuki apareceu, surpreendendo-os.
- Como você apareceu aqui? - perguntou Jim.
- Eu estava por perto - ele disse com simplicidade - vocês querem saber sobre o vulcão?
- Seria muito bom.
- Pois bem - ele começou - desde muito tempo antes de Lorius, esse vulcão é usado como centro para rituais mágicos, eu não sei os detalhes, mas é um lugar tão propício que aparentemente até demônios foram invocados aqui.
- Demônios...
Eles ficaram em silêncio, todos sabiam que demônios não eram uma coisa boa, havia toda uma ordem de guerreiros poderosos, dedicada apenas a caçá-los.
- Felizmente - ele continuou - não creio que seja esse o caso.
- Como assim?
- Na maior parte das vezes, esse local é usado para a criação de Golens, o material do vulcão é forte o bastante para criar Golens especiais.
- Quão fortes seriam esses Golens?
- Depende muito da capacidade do mago, com o poder que ele possui, eles seriam uma ameaça monstruosa.
Eles ficaram em silêncio novamente, mas Jim o quebrou.
- Se é um ritual, isso significa que ele ficará indefeso, certo?
- Eu diria que é bem provável.
- Então essa pode ser a nossa melhor chance, subimos o vulcão e atacamos enquanto ele está fazendo o ritual, alguma objeção?
- Não - disse Bill - e eu realmente não gostaria que esse mago ganhasse mais um aliado poderoso.
- Isso me parece conveniente demais, fazer um ritual sozinho exatamente agora - disse Bruna.
- Ele ainda não sabe que estamos vivos, e provavelmente se sente seguro o bastante para isso - respondeu Jim - fazer uma armadilha para alguém nessas condições, isso é demais mesmo para ele.
Bruna ainda não estava totalmente convencida, mas aceitou a explicação. Tanuki foi embora, e eles seguiram para o vulcão, o acampamento do exército estava do lado oposto, então eles não tiveram problema em subir sem serem notados.
Eles subiram rapidamente, e avistaram o mago, mas perceberam que algo estava errado, ele estava lá em cima, perto da borda do vulcão, sorrindo para eles.
- Maldito, como percebeu que estávamos vindo? - Jim foi o primeiro a falar.
- Vocês são muito bons, eu estava pensando em levar alguns soldados para cá, mas imagine a minha surpresa quando eu senti a presença de um passarinho, um que eu já tinha visto antes, então pensei, porque desperdiçar soldados se eu posso simplesmente atraí-los.
- Você... sentiu a presença de Philemon... - Gante estava arrasado, não só era uma coisa que ele não imaginava ser possível, como também havia sido culpa dele que o ataque não funcionou, Jim por outro lado, estava preocupado com as implicações das palavras "desperdiçar soldados".
- Claro que senti - o mago respondeu - eu tenho um subordinado que é Kuon também, eu conheço esses truques de invocação. Mas como eu estava dizendo, as suas habilidades são impressionantes - o modo como ele disse não parecia nem um pouco com um elogio, mas continuou - eu não achei que houvesse alguém capaz de escapar daquela mulher.
"Aquela mulher" era obviamente Chiyo, a ilusionista. O fato dele não usar o nome dela enervou Jim.
- Continuando, eu decidi parar de subestimá-los, então me digam seus nomes.
- Eu sou Seth, e você vai pagar por seus crimes!
- Meu nome é Paulo, dos espíritos de fogo.
- Sara... é meu nome.
- Sou Bill, e você pagará pelo que fez aos meus amigos!
- Me chamo Gante, e não gosto de você.
- Bruna, aquela que te esmagará!
- Jim, eu sou o cavaleiro da lua!
- Perfeito, meu nome é Astarote, e esse é o meu verdadeiro poder.
Ele começou a flutuar e vários metros, se posicionando acima da lava, seria um bom lugar para enfrentá-los, mas não era isso que ele tinha em mente, pois com um movimento das mãos, ele criou um selo mágico que se espalhava por todo o vulcão, incluindo o lugar em que eles estavam.
- Sabiam que as pedras desse vulcão são ótimos condutores de energia? Isso me permite tirar a energia diretamente de vocês.
Eles não puderam fazer nada para resistir a tomada da energia, Paulo ainda teve tempo de pensar "Mesmo com condutores... para criar um selo mágico desse tamanho... que tipo de monstro ele é?" antes de cair, consciente mas sem poder se mover. O mago estava levantando uma grande quantidade de lava do vulcão com a mão direita, enquanto com a esquerda ele desenhava no ar estranhas letras que formavam padrões complexos.
Em pouco tempo, a lava começou a se juntar, e a tomar uma forma, duas pernas, dois braços, um tronco e uma cabeça. As letras, que haviam se tornado absurdamente complexas, também estavam terminadas, o mago finalmente voltou a falar.
- Apareça, meu servidor! Eu te dei um corpo! - o corpo subiu para a frente do mago - Eu te dei uma mente! - os padrões se moveram para dentro do golem - E agora eu te dou vida! - A energia pura roubada dos herois também subiu para dentro daquele ser, que finalmente abriu os olhos - Seu nome é Calom!
Aquele golem bateu no peito, como se estivesse expressando lealdade por seu criador, o mago estava sorrindo, mas parou ao olhar para onde os herois estavam. O que havia tirado o sorriso de seu rosto era Gante, que continuava de pé.
- Parece que não ter nascido nesse mundo fez ele evitar parte do efeito... - logo recuperou o sorriso - bem, isso vai ser um bom teste para o meu novo subordinado, você - ele apontou para o golem - cuide daquele Kuon - e mandou-o para o chão.
- Gante... - disse Jim, que não suportava ficar apenas olhando.
Gante se forçou a não olhar para trás enquanto se aproximava do Golem, ele tinha uma ideia, mas seria arriscado e não podia saber se funcionaria, então por enquanto...
- Venha, vigia de batalhas sem fim. Venha, senhor do olho divino. Venha, Orthros!
E na mão estendida dele, apareceu um familiar selo mágico, do qual saiu outro estranho ser, sua cabeça tinha um único olho e nada mais, e o resto do corpo era em proporções menores do que a cabeça, o que chamava a atenção porém, era uma espécie de aura brilhante que ele emitia, dando um ar majestoso mesmo a uma criatura tão pequena.
"Orthros, pode examinar aquele golem?", Gante dirigiu os pensamentos e recebeu uma resposta positiva, então atacou saltando na direção daquele ser, ele respondeu pulando para trás e dando um chute quando Gante aterrisou, mas Orthros já havia percebido o golpe e instruiu Gante a evitá-lo com um giro de corpo. E assim a luta continuou, o golem não tinha um estilo específico, mas seu senso de luta era apurado, e seus golpes eram tremendamente fortes, mas Gante contava com o apoio de Orthros, e conseguia evitar todos os golpes ligeiramente, cedo ou tarde aquele golem abriria uma brecha, e Gante poderia destruí-lo e salvar seus amigos. E então após um soco desequilibrado, Calom estava aberto, Gante levantou a mão para atacar e...
A flecha acertou-o direto no coração, lançada pelo mago. Aquele momento ficou congelado no tempo, os amigos dele não conseguiam acreditar no que viam, Gante tinha uma expressão de surpresa e o mago apenas sorria, mas Gante não deixaria acabar desse jeito, o momento descongelou, e usando suas últimas forças, Gante se jogou em cima do golem e o abraçou, dizendo as seguintes palavras.
- Amigos, com vocês eu me senti em um lar. Adeus.
E sem mais uma palavra ele se jogou no vulcão, levando o golem junto.

Capítulo Anterior
Índice