quinta-feira, 29 de março de 2012

O Herdeiro de Ibara: Prólogo - Carta ao Rei

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Ao Grande Rei Olivaras Ishkar, Senhor de todos os territóios de Amarant até Wiegraf, Mestre de todos os povos visíveis e invisíveis, General-Chefe do Invecível Exército de Zebrus. Saúde.
Venho por meio desta informar do meu fracasso na missão que você me designou pessoalmente. Eu entendo perfeitamente as consequências dessa falha, e enfrentarei a guilhotina quando voltar, mas meu dever me força a explicar as circunstâncias dessa falha para dar um conselho a Vossa Majestade.
Minhas ordens eram para obter o Coração de Ouro, o artefato sagrado do povo Ibara, e para isso recebi o comando da 16ª divisão de Cavaleiros Negros de Zebrus, indo para a região de Kamina, o lar ancestral dos Ibara.
Os Ibara eram muito mais fortes do que o esperado, cada um deles lutava como se a luta fosse tudo o que conhecesse. Pedi reforços, e recebi a 12ª divisão dos Arqueiros Vermelhos, a 23ª divisão dos magos azuis, e a 5ª divisão de armas pesadas.
Depois de receber esses reforços, nossa vantagem era de 10 para 1, mas nos sofremos perdas comparáveis as da Batalha de Wesnoth, e nós perdemos um grande número de oficiais, que os Ibara atacavam preferencialmente, causando ainda mais caos nas nossas linhas. Muitos soldados tiveram que ser promovidos na linha de batalha, mas nós fomos vitoriosos, e restavam apenas 42 Ibaras capturados como prisioneiros, entre homens, mulheres, crianças e velhos.
Nós vasculhamos todas as habitações deles de cima a baixo, e buscamos em todos os lugares próximos onde eles poderiam ter escondido o Coração de Ouro, mas não achamos nada. Nós voltamos para os prisioneiros, oferecemos liberdade, riquezas e posição, ameaçamos eles com morte e tortura, mas eles não diziam nada. Eles continuaram em silêncio.
Nós torturamos eles com lâminas e fogo, mas eles não gritavam, eles não soltavam nem um pio. Eles contiuaram em silêncio. Nós torturamos uma filha diante da mãe, mas nenhuma delas soltou nenhum pio. Elas continuaram em silêncio. Nós prendemos um velho sem água nem comida, mas ele não pediu nada, ele morreu sem dizer nada. Ele continuou em silêncio. Nós tiramos as roupas de um homem e fizemos ele andar em placas sobre o fogo, ele se deitou em cima delas, e não gritou. Ele continuou em silêncio.
Isso, porém, não é a coisa que mais me incomoda. Eu estive presente enquanto outros povos eram destruídos, e o que eu mais via nos olhos daquelas pessoas eram duas coisas. Medo... e Ódio. Mas nos olhos dos Ibaras, não havia nenhuma dessas duas coisas, e sim uma coisa totalmente diferente. A única palavra que eu posso invocar para representar aquilo é Retribuição. Todos os Ibara acabaram morrendo, mas nenhum deles deixou de olhar pra nós com aquilo nos olhos em qualquer momento. Era como se eles estivessem certos de que nós sofreríamos pelo que fizemos, e se eles parassem de olhar por sequer um instante, não conseguiriam ver a Retribuição acontecendo.
Eu tenho medo, Vossa Majestade. De fato, eu sinto menos medo da morte do que dessa Retribuição que eles parecem estar esperando. Então tome cuidado, Majestade, o povo de Ibara não deve ser subestimado, e o desaparecimento do Coração de Ouro me deixa preocupado. Eu e meus homens vasculhamos cada centímetro dessa terra, entramos em cada caverna, mergulhamos em cada rio e cavamos um buraco em cada pedaço de terra, mas ele não estava em lugar algum.
Então eu repito meu pedido para que você tome cuidado. Seja qual for a Retribuição dos Ibara, ela envolverá o Coração de Ouro, e se ele for tão poderoso quanto você fez parecer, até mesmo o Grande Reino estará em perigo.
Atenciosamente.
Graal Ingvar Shodan, 8º Capitão de tropas do Exército de Zebrus.

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