O dia estava animado na Corte Central. Pequenas fadas de asas multicoloridas delicadas voavam de um lado para o outro, dando notícias. Espíritos brilhantes e cheios de energia se reuniam ao redor da sala do trono. Duendes aproveitavam a movimentação para fazer performances ou vender coisas. E até um dragão tinha saído de sua caverna e estava flutuando impossivelmente alto no ar, observando com muito interesse.
E qual era a razão disso? Simples. Era a primeira vez em incontáveis eras que um humano recebia permissão para ter uma audiência com a Rainha das Fadas. E isso só havia acontecido porque aquela humana era muito especial.
Não havia muita gente dentro da sala no trono naquele momento. Haviam 12 guardas corvo, três em cada canto da sala, observando os procedimentos solenemente e sem mover um músculo, mas preparados para agir num instante caso sua intervenção fosse necessária. Eles pareciam homens musculosos, com excessão da cabeça, que parecia com a de um corvo, mas maior do que a de qualquer corvo normal. Eles estavam usando belas armaduras brancas e carregavam duas espadas nos braços cruzados.
No centro da sala, diante do trono, estava a pessoa que havia conseguido uma audiência com a rainha. E ela era alguém que dominaria completamente o ambiente em qualquer outro lugar. Era uma mulher alta e bonita, que parecia ter mais ou menos trinta anos, mas na verdade estava mais próxima de quarenta, ela tinha cabelos negros longos, que estavam presos num coque, junto com uma magnífica tiara de diamantes. Os olhos dela eram castanhos e sábios, e ela estava usando um vestido verde claro que havia tomado 12 meses para ser feito, e sua perfeição em cada detalhe e enfeite mostrava isso, mas o que realmente fazia ela se destacar era sua aura, uma aura de sabedoria e autoridade que fazia quase todas as pessoas próximas mostrarem respeito mesmo sem perceber. Mesmo os guardas corvo estavam se curvando levemente na direção dela. Ela era a Grande Rainha Íris, a Magnífica. Conhecida pelas fadas como "A Mais Poderosa Entre os Humanos".
Ao lado dela, havia alguém que não tinha uma presença menos marcante, era uma pequena e adorável garotinha que não parecia ter mais de nove anos, cujo sorriso parecia indicar uma felicidade que não cabia no próprio corpo. Os olhos dela eram negros, mas não simplesmente negros, eles eram negros como a vastidão do espaço, e realmente era possível ver estrelas neles com esforço. Os cabelos dela eram prateados, mas pareciam mais ser fios da mais fina e perfeita prata, que fluíam até as costas dela, flutuando de formas impossíveis. Ela estava usando um vestido simples de duas cores, exceto que aquelas cores eram um vermelho e um branco mais vibrantes do que qualquer coisa que pudesse ser feita sem o uso de mágica, e a maioria das coisas que podiam ser feitas com mágica, de fato, suas cores eram tão profundas que elas podiam ser percebidas mesmo por aqueles que não possuiam olhos normais. O vestido também se movia perfeitamente em conjunção com o corpo dela, como se fosse uma parte dela, o que de fato era, de certa forma. Juntando tudo isso, aquela pequena garota dava uma impressão de Poder, que era apropriada, considerando que ela era uma Garota Mágica, uma daquelas que comiam, bebiam e respiravam magia. E não apenas uma garota mágica, ela era a legendária Garota Mágica do Infinito, conhecida pelas outras garotas mágicas como "A Mais Próxima da Fonte", e elas se recusavam a explicar o que isso significava.
Ao lado do trono havia alguém que não tinha uma presença tão marcante quanto aquelas duas, mas também não estava nem perto de ser uma pessoa comum, como podia se ver pelo fato de que ele não estava se mostrando afetado por nenhuma das presenças que competiam naquela sala. Ele parecia um garoto humano, e realmente havido nascido daquela forma, mas tinha se perdido no reino das fadas em tempos imemoriais. O garoto estava usando vestes brancas muito simples, mas não destoava em nada da cena deslumbrante ao seu redor, pois ele parecia completamente confortável naquela situação, com um sorriso misterioso no rosto e elegância no andar. Ele realmente era o mais adequado para uma das posições mais invejosas no Reino das Fadas. Seu nome humano estava perdido no tempo, mas as fadas chamavam ele de Kallium, o Pajem da Rainha.
E a última pessoa naquela sala era obviamente a Rainha das Fadas, e a presença dela era a mais dominante em toda a sala do trono, e não apenas porque aquele era o Local de Poder dela. Ela tinha uma aparência tal que seriam necessárias palavras que não existem em nenhuma língua. A beleza dela ia além da mera concepção de beleza, e todos os olhares eram invariavalmente atraídos por cada minúsculo movimento que ela fazia. A cor de seus olhos era algo que não podia ser imitada por qualquer outra coisa existente, a expressão deles dizia que todos os que estavam perto seriam bem vindos como servos dela, e era quase impossível não pensar pelo menos uma vez que isso era o que você queria. O corpo dela parecia mais vivo e mais "real" do que tudo que havia ao redor. As asas dela eram tão claras e finas que pareciam que poderiam se desfazer em poeira com um simples olhar, e suas cores eram um negro tão profundo que parecia que iria sugar todos ao redor e um branco tão brilhante que era quase impossível de se olhar. As roupas dela lembravam pinturas, pois elas eram perfeitas demais para realmente existir na realidade. E finalmente a já mencionada presença dela envolvia todos os que estavam no mesmo cômodo, dando a eles uma nítida impressão de que seria impensável a mera sugestão de se ir contra ela. Ela tinha tantos nomes quanto haviam de estrelas no céu, mas seu nome mais conhecido era Camille, Rainha e Comandante Absoluta das Cinco Cortes do Povo.
A sala no trono em si também era magnífica, perfeita para um encontro que decidiria o curso da história. Ela era toda feita de um material que parecia mármore branco, com altas colunas espetacularmente gravadas e pinturas nas paredes que pareciam mostrar diversas cenas diferentes da história do Povo, dependendo de que ângulo fossem olhadas. O chão era azul celeste e feito de azulejos produzidos e montados tão perfeitamente que era impossível dizer onde um começava e outro acabava, parecendo mais um único e imenso azulejo impecável. O trono onde Camille estava sentada tinha uma cor dourada leve, e combinava perfeitamente com a majestade da Rainha. Suas linhas eram simples e belas, e quando os móveis dormiam, eles sonhavam em ser como aquele trono.
Íris tinha acabado de explicar para Camille a respeito de todas as Forças das Trevas que estavam se reunindo no distante Continente de Toc. Ela falou também a respeito dos planos dela de avançar com seu exército sobre aquele continente e impedir que os inimigos saíssem para atacar o resto do mundo. E então ela parou e esperou por um comentário de Camille.
- Minhas pequenas fadas e espíritos já haviam me informado de tudo isso que você fala. O que eu quero realmente saber é sobre as suas intenções em vir aqui e requisitar uma audiência comigo - foi a primeira coisa que Camille falou.
- Minhas intenções aqui são simples, quero pedir o seu apoio na minha campanha contra as Forças das Trevas - foi a resposta de Íris, normalmente ela não seria tão direta, mas tudo o que tinha ouvido sobre a famosa Rainha das Fadas indicava que esta não apreciaria o tipo normal de diplomacia.
- Essa é uma proposta estranha, jovem senhorita, especialmente considerando que os nossos súditos não tem se dado muito bem no passado.
- Embora eu não possa negar o fato de de o Povo e a Humanidade terem tido diversos conflitos, eu acredito que você tenha percebido que a ameaça representada pelas forças das trevas é muito mais importante do que qualquer iniminizade que nossos povos possam ter.
- Eu posso entender o motivo que levou você a procurar a nossa ajuda, mas existe um pequeno problema com a sua proposta.
- Esclareça para mim qual é o problema que você encontrou no assunto da cooperação entre nós.
- Simplesmente, eu creio que, mesmo com a nossa ajuda, vocês não sejam capazes de derrotar as Forças das Trevas. De fato, eu nem sequer teria concordado em te dar a audiência se não fosse a sua "companheira", que estava destruindo barreiras mágicas ancestrais só de passar perto delas.
Ao ouvir isso, Infinito se moveu ligeiramente ao perceber que estavam falando nela, mas não pareceu realmente preocupada. Íris se esforçou para não deixar nada de especial transparecer em seu rosto. Ela sabia que algo assim iria acontecer, a simples ameaça das Forças das Trevas não seria o suficiente para fazer Camille se mover, ela só tinha uma chance, apesar de ter preferido que as coisas não chegassem a esse ponto. Ela falou:
- Ah, mas eu receio que você esteja enganada em relação a isso. De fato, eu tenho tanta certeza de que nós seremos capazes, que estou disposta a fazer uma aposta com você a respeito disso.
Íris percebeu o brilho nos olhos de Camille ao ouvir a palavra "aposta", mas quando a Fada falou, sua voz mantinha o mesmo tom levemente zombeteiro de antes.
- É mesmo? De que aposta nós estaríamos falando?
- Eu aposto que as minhas filhas, sozinhas, seriam capazes de liderar o ataque no continente de Toc e vencer, se tivessem o apoio do Povo.
O sorriso de Camille aumentou levemente antes dela responder.
- As sete princesinhas? Essa parece uma aposta interessante, mas você sabe qual seria o preço se elas falhassem, não é?
Íris não mudou o tom de voz ao falar.
- Claro, eu conheço muito bem as apostas com as fadas. Você iria ficar com todas elas, não é? As coisas não chegarão a esse ponto, pois elas irão vencer.
Camille se levantou, sorrindo ainda mais intensamente que antes, antes de falar:
- Então o que você acha dessa aposta? Eu, Rainha e Comandante Absoluta das Cinco Cortes do Povo, prometo apoiar com todos os recursos possíveis o ataque ao continente de Toc, inclusive dando de presente para as princesas sete Tiaras Encantadas que irei abençoar com as minhas próprias mãos. Desde que as sete princesas possam destruir todas as Forças das Trevas, libertando o continente de Toc e o resto do mundo da ameaçada representada por elas. Caso elas falhem nessa empreitada, todas as sete irão se tornar minhas súditas dentro do Reino das Fadas. Isso é aceitável?
Íris não hesitou.
- Sim, eu, Rainha Íris, a Magnífica, comandante de todas as terras dos humanos, concordo com os termos expostos por Camille.
E assim estava feito. As duas Rainhas chamaram seus generais e ajudantes para ajudar no planejamento para a invasão conjunta. E durante todos os procedimentos, Camille riu silenciosamente, crente que tinha conseguido enganar a humana. A promessa tinha sido dita de tal maneira que ela se aplicava a todas as princesas humanas, incluindo as futuras, e destruir completamente as Forças das Trevas era praticamente impossível, pois alguns sempre escapavam e voltavam a reunir poder em segredo. As princesas e suas descendentes teriam que continuar lutando contra elas eternamente, ou até que falhassem.
O que ela não sabia é que a Rainha Íris tinha percebido completamente o truque colocado na promessa, e tinha aceitado apenas porque sabia que Camille não daria ajuda de outra forma. Por dentro, ela rezava que suas descendentes fossem fortes o bastante para encarar esse desafio.
Índice
Nenhum comentário:
Postar um comentário