sábado, 11 de fevereiro de 2012

As Aventuras de Tom Matteo: Capítulo 1 - O pequeno Tom

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A história da terra de Tria é desconhecida da maior parte de seus habitantes, mas isso não é culpa deles, houveram tantas censuras, imposições falsas e documentos destruídos, que seria estranho se não fosse assim, existem porém, pessoas que conhecem a maior parte da história, e dos segredos que contém.
Essas pessoas são conhecidas como bibliotecários, e por trás de paredes escuras e frias eles zelam pelo conhecimento reunido, e reunem mais, com o intuito de compreender completamente o mundo.
Entre essas pessoas também existem segredos, segredos sobre a ordem dos bibliotecários que são escondidos mesmo de alguns deles. E um desses segredos é a existência do "escolhido", cuja missão era testemunhar o fim do mundo, e o que acontecesse depois que ele acabasse.
Como ninguém, nem mesmo os bibliotecários sabia quando seria o apocalipse, havia um escolhido a cada geração, e haveria até que o fim do mundo chegasse. Essa é a história da vida de um deles, mais precisamente a de Tom Jay Matteo, nascido em Kalindor, no ano 2000 depois de Lorius, de acordo com o calendário Mesurânico.
Essa é a história das aventuras de Tom Matteo.

1

A mãe de Tom, era uma famosa bibliotecária, seu nome era Maria Matteo, mas ela havia feito sua fama enquanto ainda era solteira, sob o nome de Maria Svetlana, ela tinha sido a única bilbiotecária sobrevivente que havia podido relatar sobre a guerra das bestas, ocorrida poucos anos antes.
Seu pai era um tecnólogo que havia ido pesquisar novas raças que estavam aparecendo no continente de Bra'sil e havia decidido ficar por lá, seu nome era João Matteo, e havia deixado as cidades dos tecnólogos pouco antes do incidente dos renegados.
Os dois se conheceram em uma vila sem nome, próxima a borda oeste do continente, e seus interesses comuns em pesquisas fizeram eles conversarem durante longos períodos de tempo, o que eventualmente acabou levando a, de acordo com as palavras de João: "antes de perceber o que estava acontecendo eu já tinha casado e ela já estava grávida", mas as coisas realmente acontecem desse jeito em Tria.
Ambos gostavam muito de seu estilo de vida nômade, mas após o nascimento de Tom ambos perceberam que precisavam se estabelecer, e escolheram a cidade de Nami, localizada no reino de Luffywar, ela tinha vários atrativos, mas o principal era um centro de bibliotecários bem parecido com o que Maria havia sido formada. E assim Tom cresceu cercado por conhecimento.

2

E Tom logo mostrou que havia recebido a herança intelectual de seus pais, Maria nunca esqueceria do dia em que encontrou Tom sentado com um livro no colo, o nome desse livro era "A magia de Kai'cullan", quando perguntaram como ele tinha aprendido a ler ele disse que não se lembrava. Ele tinha três anos na época.
Os bibliotecários daquela cidade se encarregaram de alimentar o constante desejo dele por conhecimento, e em pouco tempo ele passava mais tempo na ordem do que em casa.
Aos seis anos ele foi oficialmente iniciado como um bibliotecário, para isso teve que passar por um teste especial, deveria encontrar um livro específico na biblioteca, sendo que a única dica era "conhecimento"...
Pense, pense, o que pode ser... Era isso que Tom dizia a si mesmo enquanto passeava pelas fileiras de estantes, estantes que subiam até se perderem de vista, onde era preciso pedir ao guardião da biblioteca para usar sua máquina voadora, dotada de estranha tecnologia, que permitiria subir até o sol ou descer até o inferno, de acordo com as palavras do próprio guardião. Tom eventualmente descobriria que ele não estava exagerando tanto assim.
Mas Tom não precisava daquela máquina, de acordo com o examinador ele não precisaria ir tão longe para encontrar o que buscava, ele continuou andando, estendendo a mão para tocar em uma ou outra borda, e refreando o desejo de começar a ler ali mesmo algo que lhe parecesse interessante, ele logo chegou ao livro mais importante daquele lugar, ele estava em cima de um pedestal, flutuando levemente. Seu nome era Tria, e continha todo o conhecimento que os bibliotecários haviam conseguido reunir, sendo atualizado a cada ano.
Essa seria uma boa resposta, mas Tom percebeu que não seria bom tirar aquele livro de seu lugar, então continuou procurando, logo encontrou outro livro promissor, esse se chamava "Como escrever", e era um livro sobre a arte de escrever livros.
"Um livro sobre livros" ele pensou e estendeu a mão, mas depois a recolheu, lembrando-se de certas coisas, então pegou algo mais abaixo e voltou para seu professor.
- O que têm para mim, Tommy? - era o professor Monteiro, o encarregado do teste de Tom, era alto e magrelo, e tinha um ar inteligente e severo só dele.
Tom colocou a mão direita no bolso e de lá tirou uma pedra.
- Você disse que eu devia encontrar um livro, e a dica era conhecimento, e eu percebi que livros são apenas portadores do conhecimento, o verdadeiro conhecimento são as coisas da natureza, vivas e mortas, como essa pedra, e essa é a minha resposta.
Monteiro era um verdadeiro perito em esconder suas emoções, e portanto a única coisa que disse foi:
- Muito bem, você passou no teste.
Tom saíu feliz de lá, e Monteiro mandou uma mensagem para o chefe daquele centro, a mensagem dizia:
Encontrei o garoto.

3

Tom era esperto, e logo notou que havia alguma coisa estranha quando, ao chegar no balcão, ele não foi mandado para um ofício, como os outros iniciados, e ao invés disso foi conduzido até a sala do chefe, que era provavelmente o único lugar da ordem onde ele nunca havia estado.
Ele entrou e viu o chefe sentado atrás de seu gabinete, seu nome era Júlio e tinha uma pele escura, assim como seus olhos, sua cabeça estava raspada, e tinha uma aura de conhecimento ao seu redor, e Tom logo o respeitou por isso, havia uma outra cadeira na frente dele, e também alguns rumores sobre o chefe, como por exemplo de que ele nunca havia sido visto fora de seu gabinete.
- Olá Tom, sente-se por favor.
Ele falou com uma voz cordial. Tom obedeceu, e se acomodou da melhor maneira que pôde na cadeira desconfortável.
- Tom, como você é esperto já deve ter percebido que esse não é o procedimento usual.
- Sim, senhor.
- Tudo o que falarmos aqui deve ser mantido em segredo, entendido?
- Sim, senhor.
- Pois bem, a causa disso tudo é que você é... O escolhido dessa geração.
- Escolhido? - perguntou Tom apavorado, nesse momento vocês devem se lembrar que ele tinha apenas seis anos, e a idéia de responsabilidade o assustava.
- Sim, o escolhido para registrar o apocalipse, caso ele aconteça.
- Caso ele aconteça?
- Sim, é bem provável que não, mas sempre devemos estar preparados.
- E o que... eu vou ter que fazer?
- Nada de mais, apenas aprenderá um pouco mais que os outros, descobrirá alguns segredos a mais, e viajará bastante.
Tom cogitou a questão, ele presentia que sua vida não seria tão fácil quanto Júlio fazia parecer, mas a perspectiva de aprender, descobrir segredos e viajar, era muito tentadora para o espírito dele, que logo chegou a uma decisão.
- Por onde eu começo?
Júlio sorriu e disse:
- Pode começar arranjando um ofício.

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