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Imagine um mundo que está constantemente em guerra. Imagine um mundo onde espadas, garras e magia dividem os campos de batalha. Imagine um mundo onde comandantes carismáticos reúnem exércitos imensos com a promessa de paz. Isso é Takai.
Escrituras dos outros mundos
Ano de 985, a nação de Kalerus está envolvida em uma longa guerra contra o imenso poder militar de Nanaki. O conflito havia começado devido a um incidente envolvendo uma das mais proeminentes famílias nobres de Kalerus e uma das muitas unidades militares de Nanaki, mas isso não é importante, pois as tensões entre ambas as nações estavam elevadas fazia muito tempo, e esse incidente foi apenas a desculpa final para elas entrarem em guerra.
Porém, a nação de Kalerus havia superestimado suas próprias capacidades militares, e a guerra entrava em seu décimo ano com uma vitória iminente de Nanaki. A família real estava morta, e os poucos focos de resistência que sobravam consistiam de soldados inexperientes, que não causavam qualquer dano significativo as forças inimigas, as pessoas já haviam perdido a esperança quando apareceu um grupo que era diferente dos outros.
Esse grupo se chamava "Primeira Brigada", seus membros podiam ser fisicamente parecidos com os que se encontraria em outros grupos, mas havia algo de diferente neles, esses guerreiros não eram movidos pela loucura ufanista propagada por discursos que falavam de retribuição, a luz nos olhos deles mostrava sonhos, eles lutavam com esperança de que realmente seriam capazes de vencer, tudo isso era devido a pessoa que os liderava.
Era uma garota, seu nome era Marisa, ela tinha cabelos brancos e olhos verdes, ela não usava armadura, optando ao invés disso por uma cota de malha leve que ficava escondida embaixo de roupas discretas, sua aparência denunciava uma idade de treze anos, mas uma garota normal dessa idade não conseguiria fazer o que ela fazia, Marisa era uma maga habilidosa e comandante temível.
Ninguém sabia direito de onde ela tinha vindo, os companheiros mais próximos saabiam que os pais de Marisa haviam morrido na guerra, mas fora isso eles sabiam muito pouco sobre sua comandante, e apesar deles viajarem por todo o país, nenhuma vez apareceu alguém que reconhecesse ela.
Os membros da primeira brigada eram incrivelmente leais a ela, o que os tornava adversários que nenhum soldado teria vontade de enfrentar, eles eram um grupo que preocupava muito os responsáveis pelo exército de Nanaki, e portanto haviam diversos planos para destruí-los, nossa história começa quando eles haviam acabado de escapar de um desses planos.
A primeira brigada consistia de 47 homens e mulheres, de todas as idades e aparências possíveis, havia inclusive um garoto que não lutava nas batalhas, e no lugar disso cumpria missões onde não ser notado era essencial. Cada um dos outros tinha suas próprias habilidades, e cada uma delas encontrava uso no meio da brigada. Desses 47, quarenta estavam se escondendo na floresta, seis dos outros estavam reunidos em uma hospedaria da cidade, eles eram os líderes da brigada, e estavam lá para planejar a próxima ação do grupo, e o último membro se encontrava no meio de uma missão secreta dada pela própria Marisa.
- Precisamos evitar que os inimigos alcançem a borda sul do país - falou Kato.
Kato era um espadachim, ele vinha da região de Merfud, ele tinha 16 anos e era filho de fazendeiros, portanto suas maneiras eram rústicas, ele tratava a todos com gentileza que as vezes fazia as pessoas subestimá-lo, porém era incrivelmente mortal em batalha.
- Tem razão, não teremos como retomar o país se formos atacados de ambos os lados - disse Marth.
Marth era um cavaleiro que costumava servir no 18º batalhão da lança dourada, soldados que estavam sob comando da família real, ele tinha 26 anos e algumas cicatrizes de guerra, por ter servido como escudeiro desde o começo do conflito, ele usava uma armadura pesada e conseguia lutar decentemente com qualquer arma, apesar de favorecer lanças.
- Os generais deles não estão priorizando esse objetivo, então pelo menos nisso nós temos sorte - disse Clarina.
Clarina era provavelmente a pessoa mais improvável da brigada, ela era filha de dois imigrantes que vinham do país distante de Lorius, e portanto os maneirismos dela eram por vezes estranhos, mas essa garota de 17 anos era provavelmente a guerreira mais efetiva em toda a brigada, adaptando técnicas que haviam sido originalmente desenvolvidas para caça, sua arma era um arco feito a mão.
- Não devemos ficar contando com isso - disse Mara.
Mara tinha 19 anos, ela costumava ser parte de um grupo de artistas marciais que ganhavam a vida como artistas de rua, seus companheiros haviam sido forçados a deixar o país devido a guerra, mas ela decidira se tornar uma mercenária e trabalhara com isso até se encontrar com Marisa. Ela era uma especialista em luta corpo a corpo mas também costumava usar bastões.
- Chefe, o que você acha? - falou Marco.
Marco era o único membro dos líderes que conhecia outro antes de entrar na brigada, ele era amigo de infância de Kato, e a família dele era constituída de nobres que basicamente controlavam a região onde os dois moravam, pelo menos nos primeiros anos da guerra, então a amizade deles nunca fora bem vista, apesar disso eles se mantiveram bons amigos e permaneciam assim na brigada, ele também não ficava atrás de Kato nas habilidades, pois tinha sido ensinado a lutar por alguns dos melhores instrutores da época, sua arma favorita era o machado.
Ao ouvir aquilo, Marisa que se mantivera calada até então, voltou os olhos para os outros e disse:
- Existe uma unidade inimiga se dirigindo para o sul, é uma das seções avançadas do exército inimigo e consiste de algo como 200 soldados.
Os outros ficaram preocupados ao ouvir isso, querendo saber se conseguiriam alcançá-los a tempo, Marisa falou:
- Teremos uma chance de atacá-los daqui a seis dias, quando eles estiverem passando pela floresta de Youkifar.
Uma coisa importante a se notar é que, por toda a sua efetividade, a primeira brigada não era um exército, mas sim uma pequena milícia, por essa razão Marisa escolheu a floresta de Youkifar, onde a brigada não precisaria enfrentar o exército inimigo diretamente.
- Que tipo de plano nós vamos usar? - perguntou Marth.
- Quero aproveitar ao máximo a atmosfera da floresta - explicou Marisa - vamos causar problemas pra eles, assustá-los, cansá-los e atacar quando eles estiverem fracos, alguma ideia?
- Eu posso matar os vigias, assim poderíamos colocar armadilhas dentro do próprio campo - disse Clarina.
- Podemos colocar fogo nos suprimentos deles, isso os deixaria assustados - disse Marco.
As ideias prosseguiram por algum tempo até todos decidirem exatamente qual seria o plano, depois disso eles voltaram para a floresta e avisaram ao resto da brigada que eles deveriam se preparar para uma viagem rápida, mas eles já estavam acostumados com isso a essa altura. Não houve qualquer reclamação.
Marisa havia mencionado a atmosfera da floresta, isso merece uma explicação melhor, a floresta de Youkifar tinha uma reputação muito ruim, vários desastres haviam acontecido lá, e mesmo se não se levava os desastres em conta, haviam muitas histórias, lendas sussurradas que contavam de coisas ruins que aconteciam a qualquer um que entrasse lá. Não importava se essas lendas eram verdade ou não, a brigada iria usá-las para atacar os adversários psicologicamente e enfraquecê-los. Eles demorariam três dias para atravessar a floresta.
- Espiritos do caos e confusão, seres que riem pela noite, desejos marchando eternamente, eu os chamo! Venham Coringas!
Marisa sabia convocar espíritos, mas raramente os usava, devido a sua imprevisibilidade. Mesmo uma especialista como ela achava difícil manipulá-los. Os dois que chegaram pareciam meras concentrações de energia, até que ambos criaram cabeças, imensas e debochantes, cabeças que mudavam a cada palavra.
- Então senhorita - disseram os dois em perfeito unissono - o que você quer de nós?
- Na verdade - disse Marisa, usando o tom de voz mais inocente que possuía - o que eu quero vai fazer vocês se divertirem.
Os dois pararam e então apareceu uma mão segurando o queixo de um deles, a perfeita expressão pensativa.
- O que você quer dizer com isso?
- Tem o acampamento de um exército aqui perto - ela disse - e eu ouvi dizer que vocês gostam de incomodar soldados.
Os rostos mudaram de novo, agora pareciam as máscaras do drama e da comédia, que atores reconheceriam.
- Certamente você ouviu certo, mas qual a razão de você querer que aqueles soldados sejam incomodados?
Estava na hora crítica, ela precisava ser perfeita.
- Quando estavam vindo pra cá, eles pisaram no meu campo de flores.
- Aqueles malditos! - os rostos mudaram para uma expressão zangada - Esmagaram flores inocentes! Nós não iremos deixar eles se safarem dessa!
E ambos foram em frente, poderia parecer estranho, mas esse era o modo certo de se lidar com os Coringas. Cada espírito tinha sua própria personalidade e maneirismo, e nenhum deles possuía uma moralidade sequer parecida com a dos humanos. A arte de conseguir que eles fizessem o que você queria era inexata, mesmo tendo sido aperfeiçoada durante milhares de anos. Os Coringas então seguiram para o acampamento dos soldados, e começaram a criar uma imensa confusão lá, os soldados nem sequer conseguiam ver eles, com todas as cabanas voando, cavalos soltos e coisas pegando fogo, alguns dos líderes tentavam manter a integridade do grupo, mas era em vão. Os barulhos eram altos demais para qualquer um deles ser ouvido, tudo durou apenas alguns minutos e os espíritos voltaram para casa satisfeitos enquanto os soldados tentavam entender o que acabava de acontecer.
Na segunda noite, a brigada em si começou a agir, Clarina matou os vigias como havia falado, mas eles decidiram não usar o plano das armadilhas, ao invés disso toda a brigada chegou perto do acampamento inimigo e começou a bater em tambores improvisados, fazendo um som rítmico que lembrava tempos esquecidos, isso era para atacar os nervos deles, para que eles não pudessem dormir e ficassem cansados, além disso os membros que usavam armas de longa distância começaram a atacar, não com uma torrente contínua de disparos, mas sim com ataques confusos que não obedeciam a um padrão, como um caçador brincando com a presa, os soldados tentaram em vão mandar gente para descobrir o que estava acontecendo, mas a brigada conseguiu eliminar os batedores facilmente. Naquela noite muitos deserdaram.
A terceira noite seria a última, os inimigos estavam cansados, temerosos e a proximidade da saída faria muitos pensarem seriamente em fugir sozinhos. A brigada por outro lado estava bem descansada, com seus membros tendo dormido durante o dia sem medo de represálias, então quando a noite já ia alta eles puseram a parte final do plano em prática. Todos começaram a bater os tambores de volta, mas dessa vez o ritmo deles ficava cada vez mais acelerado, enquanto as flechas voavam, algumas delas em chamas, para colocar fogo no acampamento e forçá-los e tentar apagar. Quando finalmente o ritmo havia alcançado o máximo, os tambores pararam repentinamente e a brigada atacou.
Mas a brigada havia preparado uma última surpresa, cada um deles estava vestido como um monstro, se chegassem perto, os soldados veriam facilmente que não se tratavam de monstros de verdade, mas a mera visão daquelas criaturas atacando o campo congelou os corações de muitos dos homens já assustados que, pra usar a expressão comum, deram no pé. Ao mesmo tempo os líderes adentraram o campo por outro lado e começaram a atacar furiosamente os soldados que estavam no comando, confusão e caos se espalharam pelas fileiras, enquanto mais e mais soldados caíam. Antes que o dia raiasse o campo estava tomado.
Essa era a força da primeira brigada.
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