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Ayano estava triste. Ela tinha acabado de receber a nota do teste mais recente da escola, onde ela cursava o primeiro ano do ensino médio. Ela tinha falhado miseravelmente, mas não era culpa dela! No dia do teste, Ayano tinha sentido uma pequena dor de cabeça que não era o bastante para sair da sala, mas tinha acabado com qualquer concentração que ela pudesse ter.
Logo ela estaria em casa, e seria chamada pelo nome completo de Ayusegawa Ayano. Era sempre assim, quando quer que ela fizesse uma coisa errada. Ayano tinha passado os últimos dois anos sem sofrer nenhuma punição, mas com certeza a mãe dela conseguiria encontrar uma punição adequada para Ayano.
A casa onde as duas viviam não era muito grande, mas era moderna e confortável, devido ao bom emprego que o pai tinha, e que fazia ele passar a maior parte do tempo em viagens de negócios. A mãe também tinha seu próprio emprego, ela era a editora de uma revista, mas passava a maior parte do tempo em casa já que seu trabalho podia ser feito pela internet. Dinheiro não era uma das preocupações daquela família.
Ayano certamente não estava ansiosa pela conversa com sua mãe, mas sabia que era necessário. Ela também adorava a mãe, desde criança tendo considerado ela a mulher mais bonita e esperta do mundo. As coisas não iam tão longe, mas Ayako certamente era uma mulher extremamente inteligente, e também muito bonita, tendo um belo corpo e olhos cinzas, junto com cabelos pretos que ela mantinha num rabo de cavalo. Ayano havia herdado essas características da mãe, mas ainda não tinha... "florescido", por assim dizer.
E a bronca da mãe foi certamente tão ruim quanto ela poderia ter imaginado. Ayano nem sequer falou a respeito da dor de cabeça, por não querer ouvir sobre o que ela deveria ter feito se estava com dor. Obviamente, ela ficou de castigo, e a mãe falou que iria pensar muito bem na punição adequada. Ayano tremeu ao ouvir isso, da última vez ela tinha sido forçada a passar um mês usando roupas totalmente rosas pra ir para a escola. E ela odiava rosa!
Depois da bronca, Ayano saíu para cumprir sua tarefa diária de comprar os "suprimentos" como a mãe chamava. O processo de fazer isso foi rápido, pois era pouca coisa, e tudo podia ser comprado num só mercado. Mas a viagem de volta... seria bem diferente.
Aconteceu quando ela estava na rua principal da cidade, essa rua estava cheia como sempre, tendo centenas de pessoas que estavam preocupadas com seus próprios problemas, mas essas pessoas começaram a se preocupar todas com uma mesma coisa no momento seguinte, quando o mundo explodiu.
Pelo menos foi isso que pareceu para a maioria deles. Alguns poucos viram o que causou aquele caos, um pequeno meteoro que era perfeitamente redondo, ao invés de cheio de crateras, como um meteoro normal deveria ser, mas essas pessoas estavam perto demais da zona de impacto, e não viveram o suficiente para pensar nisso.
Ayako estava a uma distância suficiente para sofrer apenas alguns arranhões quando o meteoro se chocou com a terra, então ela se levantou, junto com muitas outras pessoas. Várias delas estavam lançando perguntas para o ar, como se ele pudesse respondê-las a respeito do que tinha acontecido. Outras, mais adaptáveis e curiosas, começaram a seguir na direção onde a destruição estava pior, o que já seria uma ideia ruim sob quaisquer circunstâncias, e era ainda pior nessa situação.
Ayano limpou a poeira de suas roupas, pegou as compras que haviam caído no chão. E, depois de pensar um pouco, ela decide ignorar o próprio bom senso e se juntar ao grupo de curiosos. Eles nem sequer precisam andar muito para encontrar o meteoro, ainda totalmente redondo e perfeito, alojado na terra devido a força do choque.
Existe pouca coisa mais poderosa do que a curiosidade humana, prova disso é o fato das pessoas reunidas ao redor já estarem observando aquela cena estranha a cinco minutos, e provavelmente continuariam assim por muito tempo mesmo se aquele orbe não tivesse se aberto. As expectativas das pessoas reunidas ao redor variavam muito, mas mesmo aquelas que imaginavam que algo horrível poderia sair de lá continuavam observando. A ansiedade chegava a ser palpável.
O que saiu de lá era um homem, ele era alto, não tanto quanto um jogador de basquete, mas tinha um corpo extremamente musculoso. Apenas uma das pessoas reunidas lá sabia quem ele era, mas todas as outras descobriram quando ele começou a falar.
- Meu nome é Terra! Eu sou parte do Novo Império!
As pessoas não sabiam como reagir a aquilo, mas ele não deu a elas tempo de pensar numa reação apropriada, e levantou suas mãos, fazendo crescer um alto muro de pedra ao redor dos curiosos, então ele voltou a falar:
- Meu mestre ordenou que eu matasse algumas pessoas aqui para mostrar a superioridade do Novo Império, mas simplesmente ficar matando pessoas é chato, então vou fazer uma proposta.
Ninguém falou nada, eles literalmente não sabiam o que dizer. Então Terra continuou:
- Um de vocês pode me desafiar para uma luta, mas se ninguém fizer isso, matarei todos. Então... alguém se habilita?
As pessoas ainda estavam em choque devido as declarações chocantes daquele homem, mas antes que ele pudesse cumprir suas ameaças, alguém começou a andar na direção dele.
Era uma menina, que não podia ter mais de dez anos. Ela tinha cabelos pretos e estava usando uma blusa e um short brancos, não parecia ser capaz sequer de distrair o homem em sua frente. Ele parecia perceber isso, pois falou:
- Ah, temos uma corajosa. Você acha mesmo que pode me vencer? - zombou ele.
- Não - ela respondeu, com a voz clara e sem qualquer medo - mas não vou deixar você fazer o que quer.
E então ela começou a correr na direção dele, preparando um soco. E então Terra criou um punho de pedra e socou a pequena garota, com uma violência tão grande, que ela voou e caiu no chão.
- Chato - ele disse - mais alguém?
- Espere...
Todos os olhos se voltaram para a pequena figura caída no chão, era a garota, e ela estava tentando se levantar. Cada movimento parecia causar uma enorme agonia no corpo dela.
- Eu ainda... não acabei...
E a voz dela ainda não tinha nenhum medo, o que certamente surpreendeu Terra, tanto que ele deixou que ela se levantasse, e começasse novamente a ir na direção dele. Mas aquele homem simplesmente criou outro punho de pedra e acertou a garota, dessa vez na cabeça.
O som dela batendo no chão fez as pessoas mais sensíveis na platéia gemerem. Mas nem mesmo isso impediu ela de se levantar uma vez mais, agora sangrando de diversos cortes no rosto. E novamente a garota avançou para cima dele, e o golpe que recebeu fez um som ainda pior do que todos até então, era o som das costelas dela quebrando.
E a cada vez, a garota apenas voltava a se levantar, de novo e de novo. Ayano já não aguentava mais olhar, e virou os olhos desesperadamente para o resto da audiência. "Por que ninguém está ajudando ela?" pensava Ayano, até que ela percebeu que todos eles estavam com medo, assim como ela. Aquela garota era a única que não tinha medo, e era a única coisa mantendo eles vivos.
A garota já não conseguia andar direito, tendo que arrastar uma das pernas, seus braços estavam destruídos, e cada respiração parecia causar um inferno de dor, mas finalmente ele acertou um último golpe no peito dela, e todos os presentes puderam ver que a garota não podia ter sobrevivido a isso.
Então foi uma surpresa ainda maior quando ela lentamente, sem emitir sequer um som, levantou-se novamente. A essa altura, Terra estava zangado, quem era aquela garota que simplesmente se recusava a morrer? Então ele preparou um punho de pedra ainda maior que os outros, e avançou ele mesmo, enquanto a garota mantinha-se de pé contra qualquer expectativa.
Aquilo era demais para Ayano, e os pés dela simplesmente se moveram e a levaram para o caminho entre Terra e a garota, e a boca dela gritou "pare!", mas mesmo que ele quisesse, não poderia parar aquele ataque, Ayano levantou os braços para se proteger do impacto... que não aconteceu.
Algo havia despertado dentro dela, e Ayano havia criado uma parede de algo que parecia cristal, para segurar o golpe de Terra.
- Não pode ser... - ele disse - você é uma anômala também?
Ela nem sequer ouviu a pergunta, agindo completamente por instinto, Ayano criou uma lâmina daquele cristal em sua mão direita, e girou, cortando o homem ao meio.
As paredes de pedra caíram assim que ele foi ao chão, mas Ayano também não viu isso, ela havia corrido na direção da garota e segurou ela, perguntando:
- Você está bem?
E a garota olhou para ela, com dois olhos negros penetrantes, que pareciam... alegres. E numa voz que não tinha nada de acusação, sendo apenas uma pergunta honesta, disse:
- Por que... você demorou tanto?
E então, nos braços de Ayano, a garota morreu.
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