domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 6 - Uma Escrava e um Lobisomem

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1

Estavam os cinco numa hospedaria, descansando após um longo dia de trabalho, quando mais alguém entrou, não dava para ver direito daquela distância, mas parecia uma figura feminina, e carregava uma marreta enorme bem característica...
Jim demorou alguns segundos para reconhecer aquela figura, era Bruna! Tinha crescido, estava usando roupas novas e a marreta havia crescido na mesma proporção, mas aquelas feições não deixavam dúvidas.
- Bruna?!
Ela se virou e:
- Jim?! - o aturdimento durou só um segundo - agora eu te mato maldito!
E ela correu e desceu a marreta sobre Jim que se desviou rolando para o lado.
- Mais uma conhecida do Jim - disse Bill, sem sequer se levantar.
Enquanto isso Jim tentava se desviar dos golpes furiosos de Bruna, ela destruía tudo que estivesse no caminho, e Jim não conseguia bloquear os golpes pesados facilmente nem mesmo com a lança lunar, o dono da hospedaria vendo toda a confusão falou:
- Vocês estão destruindo esse lugar, vão ter que pagar por isso!
Após desviar de um golpe particularmene perigoso Jim gritou:
- Saía de perto, ela está fora de controle!
E se virando tentou conversar com ela:
- Por que essa violência toda?
- Por sua causa eu voltei a escravidão, e tive que me tornar uma gladiadora, depois que eu acabar com você eu vou atrás do resto daquele grupo...
- O grupo de mercenários está morto!
Isso parou Bruna por um instante.
- O quê?
- Todos eles estão mortos, foram assassinados, só eu e o Bill restamos, e não somos mais mercenários.
- Eu... sinto muito.
Então tomado por uma onda de inspiração Jim perguntou:
- O que você vai fazer agora?
- Eu tenho que me encontrar o dono dos escravos.
- Por que você não vêm com a gente então? Todos aqui têm objetivos diferentes.
Depois de pensar um pouco ela respondeu:
- Eu não gosto dessa situação, mas é melhor manter você por perto. Para que não fuja.
- Eu não vou fugir!
- Se é assim, quero que você prometa que vai lutar comigo de novo outro dia.
- Concordo, mas vamos sair daqui logo.
- Por quê?
- Nós não temos dinheiro pra pagar por tudo que você quebrou.
Depois que todos saíram correndo da hospedaria, Jim se virou para os outros.
- Pessoal, essa é a Bruna, ela vai se juntar a nós de agora em diante.
- Olá... meu nome... é Sara.
- Eu sou o Bill, e também fazia parte do grupo de mercenários, desculpe - ele já havia percebido a história toda.
- Eu me chamo Gante.
- Meu nome é Paulo.
Por uma ironia do destino, aquele dia era uma sexta-feira.

2

Após fugir da hospedaria e da cidade, o pequeno grupo continuou seguindo viagem, e dessa vez estavam ouvindo rumores consistentes sobre "o mago", inclusive da localização dele, parecia que ele estava seguindo uma linha reta na direção do templo da mana, a próxima cidade naquela direção era Tel-el-aviv, a cidade das luzes, famosa pelas arenas de luta, que atraíam pessoas de todas as partes do mundo.
- Não gosto daquele lugar - disse Bruna.
Jim assentiu, muitos lutavam lá por vontade própria, atrás de fama e fortuna, ou mesmo de pequenas recompensas que os vários torneios não-oficiais ofereciam, mas alguns daqueles guerreiros eram escravos, batalhando para a diversão de seus lordes, e sua única alternativa era vencer, uma gladiadora como a Bruna não poderia ter boas recordações daquela cidade.
- Estamos chegando - disse Gante quando eles avistaram a cidade no horizonte.
Algo estava errado, saía fumaça da cidade, eles correram até perto, e o que viram foi terrível. A cidade estava destruída, grandes prédios estavam em ruínas com pedaços espalhados por todos os lados, as arenas estavam cheias de cadáveres, pessoas pegas de surpresa enquanto assistiam uma luta, os poucos sobreviventes enfrentavam monstros deixados para trás, as lojas estavam saqueadas, o que havia passado por lá não merecia ser chamado de exército, era uma horda.
Eles correram para ajudar, resgatando muitas pessoas, então avistaram um lobisomem, a volta dele estavam vários guerreiros que tentavam subjulgá-lo, mas ele os dilacerou um a um, quando Jim chegou perto foi atacado, mas defendeu-se fazendo um corte no braço dele, Jim esperou por outro ataque, mas não veio pois o lobisomem colocou as mãos na cabeça e começou a se arranhar. Jim nunca havia visto nada como isso, aquele lobisomem esperneava e soltava ganidos de dor.
O estranho acontecimento alcançou o ápice quando o lobisomem começou a ter verdadeiras convulsões, se chocando contra o chão, lentamente ele começou a mudar, seu tamanho diminuiu, a maioria dos pêlos desapareceu, perdeu o focinho, os dentes diminuiram e ele se transformou num humano.
O homem estava magro e ferido, parecia realmente indefeso, bem diferente do lobisomem que fora até um momento atrás.
- O que aconteceu? - perguntou ele com a voz fraca.
- Alguns dos lobisomems conseguem voltar a forma humana eventualmente, mas isso é realmente raro - respondeu Paulo.
Então ele olhou ao redor e vendo as pessoas mortas em volta começou a compreender o que tinha feito, então colocou as mãos no rosto e começou a chorar.
- Não... porquê? Por que isso aconteceu? Eu não queria, eu não queria matar essas pessoas.
Mas aí Bruna se adiantou, e segurando o homem violentamente pelo ombro falou:
- Se você realmente está arrependido, então use essa força direito, una-se a nós e tente se redimir!
Uma explicação faz-se necessária, a maioria dos lobisomems nunca voltava a se transformar em humano, mas alguns deles conseguiam voltar a forma humana e então tornavam-se capazes de mudar de forma a qualquer hora que quisessem, além de se controlar mesmo estando na forma de lobisomem. Era desse força que Bruna estava falando.
Então virando de costas para ele, Bruna disse:
- E vista alguma coisa.
Depois dele estar adequadamente vestido perguntou:
- Eu realmente posso me juntar a vocês?
- Claro, qual é o seu nome? - perguntou Jim
- Sou Seth.
Eles olharam ao redor, e a luta havia acabado, o que restava eram as lágrimas, os filhos choravam pelos pais, os pais pelos filhos, raras vezes eles viam lágrimas de alegria pelo reencontro, e muito mais vezes tiveram que ajudar a enterrar os cadáveres mortos impiedosamente. Naquele momento, cada um dos sete fez um juramento silencioso, de que não descansaria até que o mago fosse derrotado.

3

Seth havia conhecido alguns Kuons no passado, então ele ficou interessado em saber qual era a história de Gante, que decidiu contar o que se lembrava.
- Eu vivia com a minha família no nosso mundo, um lugar diferente daqui...
Na terra natal dos Kuons todos os lugares eram multicoloridos, desde o mar até o céu. Todos os Kuons eram capazes de fazer convocações, eles caçavam animais que não existem em Tria. A vida era boa.
Porém um dia tudo mudou, Gante acordou com gritos, os pais dele haviam desaparecido, e ele saiu da caverna onde eles dormiram, Gante ficou com medo, o céu estava diferente, ele estava vermelho, e relâmpagos violentos passavam, ele correu seguindo as vozes, que ficavam cada vez mais distantes e desesperadas, Gante ficou com ainda mais medo, ele gritava "papai" e "mamãe" sem resposta, ele começou a chorar, e aí as coisas pioraram.
Começou a chover fogo do céu, e Gante gritava toda vez que ele atingia seu corpo, ele não conseguia encontrar os pais, e estva prestes a desistir quando viu algo, era um corvo olhando para ele. Como se o estivesse chamando, Gante correu na direção daquele corvo, que começou a voar enquanto era seguido, até que Gante caíu em um buraco.
Ele acordou, e era noite em Tria, Gante ficou assustado com as estrelas, o céu de Tria era muito diferente daquele de sua terra natal, mas ele viu algo familiar, era o corvo que havia seguido, e esse corvo continuava olhando para ele, querendo que Gante o seguisse, o que ele fez, já que não tinha mais o que fazer. O corvo levou Gante até aquela casa onde eles o haviam encontrado e então desapareceu.
Os seis ficaram em silêncio durante alguns momentos, até que Paulo falou:
- Meu mestre me disse uma vez, que os corvos são os seres mais sábios do mundo, e se eles falassem poderiam nos dizer tudo o que nós não sabemos. Ele provavelmente sabia o que estava falando.
- Então o que o corvo queria? - perguntou Gante.
- Bem, graças a ajuda dele você encontrou a gente, seus amigos, não é?
Gante sorriu, como a criança que nunca havia deixado de ser.

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