sábado, 11 de fevereiro de 2012

O Cavaleiro da Lua: Capítulo 1 - Encontros que Moldam o Futuro

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1

O mundo de Tria é um lugar espetacular e perigoso, na época que essa história ocorre existem diversos reinos, seres dos mais variados tipos e a magia estava em seu ápice. Era um lugar onde várias histórias ocorrem e se cruzam, e eu falarei sobre uma que possui um significado especial para mim. Hoje eu irei falar a história do cavaleiro da lua.
Tudo começa com um grupo de mercenários chamado Cachorro Branco, ele era liderado por um forte guerreiro, cujo nome era Kazu. Mas o foco principal dessa história não é ele, e sim seu filho. Jim, como ele se chamava havia perdido a mãe quando era muito pequeno, portanto seu único parente vivo era o pai, devido a isso ele treinava com o pai desde pequeno para tentar lutar ao lado dele. Mas na maioria dos dias, as conversas entre eles eram assim:
- Pai, o que eu tenho que fazer hoje?
- Jim, hoje você vai ajudar as outras crianças a recolher lenha.
Era sempre assim, Jim sempre era mandado fazer tarefas enquanto os adultos cumpriam as missões, mas ele já tinha 12 anos, tinha idade para isso, e seu pai devia querer sua participação, pois senão por que o havia ensinado a lutar?
Mas Jim tinha coisas a fazer e iria fazer direito, então foi com as crianças recolher lenha. Isso pode parecer estranho, mas no Cachorro Branco a maioria dos membros possuia filhos, sendo que muitos casais haviam se juntado ao grupo e outros tantos haviam se formado lá, a maioria desses homens e mulheres apenas mantinham os filhos por perto até que eles conseguissem ganhar a vida sozinhos, mas algumas dessas crianças se juntariam ao grupo quando fossem mais velhas.
Jim sempre achou que recolher lenha era uma atividade muito tediosa, então ele começou a fingir que estava liderando um grupo de mercenários em uma missão por um lugar desconhecido e perigoso, ele ficava repetindo para si mesmo coisas como "entrem em formação" e "perigo a frente", já estava nessa brincadeira há algum tempo quando percebeu que algo havia acontecido.
O acampamento dos mercenários era um perímetro circular dentro de uma floresta, o acampamento propriamente dito estava no meio do perímetro cercado por árvores, e as crianças recolhiam a lenha dentro do perímetro, pois haviam diversos monstros que poderiam atacá-las se saíssem, eles estavam na parte oeste desse círculo quando Jim percebeu que dois mercenários tentavam em vão apagar as chamas que já se alastravam até o limite do perímetro do acampamento, essas eram chamas mais violentas do que as que Jim via normalmente, e queimavam com uma intensidade assustadora emitindo um crepitar alto.
- Avisem os outros! - ele gritou para as crianças que correram de volta, então pegou um dos baldes e começou a trabalhar também, ele pegava água de um rio próximo, e jogava nas chamas próximas, porém toda vez que apagava uma parte ela voltava mais forte do que nunca, "magia" ele pensou, mas só havia um jeito de ter certeza.
Jim virou o balde sobre sua cabeça, encharcando-se de água, e sem hesitar, correu para o meio das chamas, suas orelhas ardiam com o calor, junto com todas as outras partes descobertas, o corpo de Jim começou a suar para reduzir a temperatura, e apenas a água em seu corpo impedia seu cabelo e roupas de pegarem fogo, ele correu com tudo o que tinha, abençoando os sapatos grossos que usava, pois protegiam seus pés. Após correr por muitos metros ele encontrou o que estava procurando.
Era um bruxo, não devia ser mais velho do que ele, mas parecia ser o responsável pela devastação, embora não de propósito, pois suas mãos estavam esticadas para frente em um gesto de recebimento, e seus olhos brilhavam com uma intensidade sobrenatural, ele parecia estar em transe.
Sendo assim Jim só conseguiu pensar em um jeito de resolver o problema, pegou o cajado do bruxo que estava do lado e girou-o com força para bater na cabeça do pequeno garoto, ele caíu, seus olhos se fechando enquanto as chamas diminuiam e morriam.
Ele acordou o pequeno bruxo enquanto olhava para suas vestimentas, ele usava roupas finas e resistentes de um tecido estranho, e por cima uma capa para viajantes, usava também um chapéu de abas largas que parecia estar magicamente grudado em sua cabeça, pois não tinha caído.
- Ai minha cabeça - disse o bruxo - quem é você?
Jim percebeu que o bruxo possuía olhos de um laranja intenso e profundo, olhos de raposa. O garoto devia ter sangue de raposa. Pois Jim já havia visto uma raposa com esses mesmos olhos no grupo, e o bruxo poderia se passar por um humano normal.
- Eu me chamo Jim - ele falou - e você?
- Meu nome é Paulo.
- O que houve, Paulo? Eu te achei aqui em pé cercado pelo fogo.
- Eu estava treinando magia, espirítos de fogo, mas as coisas saíram um pouco do controle.
- Eu entendo... um pouco?
- Acho que é hora de eu ir... peraí, quem são aqueles?
Jim virou a cabeça e viu que alguns mercenários estavam se aproximando, ele estava prestes a dizer isso a Paulo quando percebeu que o pequeno bruxo havia sumido, juntamente com seu cajado.
Ele não sabia mas esse seria apenas o primeiro dos encontros estranhos que teria nos próximos dias.

2

Eles estavam agora acampando nos campos de Nukem, era uma planície verdejante que se estendia por quilômetros, ao norte dalí estava o castelo de Roram, o reino de Roram estendia-se em muitas direções e abraçava aquela planície, sua fartura era mantida pelos acordos comerciais com o resto da aliança defensora, e eles eram os membros mais influentes, nada disso interessava os mercenários que só estavam lá para algumas missões pagas pela realeza de Roram.
Jim estava ansioso, em pouco tempo Magdali daria aula para ele e as outras crianças do grupo, ele gostava dessas aulas pois várias vezes aprendia coisas interessantes e até úteis nelas.
- Bom dia crianças - disse Magdali.
- Bom dia senhora! - responderam as crianças.
- Sabem o que vou ensinar hoje?
- Não!
- Hoje irei ensinar para vocês sobre a cidade da magia.
- Que legal!
- Bem, pra começar eu posso dizer que a cidade foi fundada mais ou menos dois mil anos atrás pela primeira rainha maga, a partir de uma pequena vila que ela defendeu durante Lórius, a guerra dos dragões.
Jim achou impressionante, Lórius havia sido uma guerra tão terrível que os dragões, que antes eram os mais poderosos do mundo, haviam se reduzido a apenas alguns poucos escondidos entre os continentes. Guerreando entre si eles haviam se destruído, e era uma história que a professora já havia contado antes. Aquela rainha maga devia ser realmente poderosa, para poder enfrentar os dragões e defender aquele lugar, mesmo que o foco da batalha não tivesse sido alí.
- Essa cidade ficou poderosa muito rápido, pois os magos de lá dedicavam-se totalmente a pesquisa mágica, e mesmo a magia tendo quase sido destruída duas vezes desde então, a cidade nunca deixou de se reerguer, e hoje é o lugar onde se deve ir se você quiser aprender magia. O rei é sempre o mago mais forte, e se ele perder um desafio ele também perderá a coroa, isso pode parecer estranho, mas na verdade o rei não comanda a cidade do jeito que os reis normais fazem. Aqueles que fazem isso são os doze sábios, doze dos mais sábios magos da cidade.
- Eles são fortes? - perguntou Jim.
- Bem, isso não é totalmente necessário, pois a posição não é ganha através de desafios, uma pessoa ganha a posição quando o sábio que ocupava ela dá o título para essa pessoa, porém como eles são os magos mais sábios, eles geralmente são fortes sim.
Jim ficou até mais tarde na aula daquele dia, ele tinha o hábito de fazer isso quando o assunto lhe chamava a atenção, dessa forma havia aprendido a ler e escrever, ele estava voltando para o alojamento quando viu o pai.
- Estudando até tarde de novo, Jim? - Disse Kazu em tom de brincadeira, ele sabia da "queda" que o filho tinha pela professora Magdali.
- É.
- Sabe, eu estou com vontade de comer carne hoje, e quero que você caçe.
- É mesmo?
- É.
Então se despedindo do pai Jim foi até o alojamento e pegou o arco e algumas flechas, em seguida foi caçar.
Jim foi para uma floresta sem nome que ficava a leste do acampamento, e era de onde eles estavam retirando a comida que precisavam, Jim respirou o ar puro da floresta, feliz com a empolgação da caçada, e usou os últimos raios de luz do sol para ir fundo na floresta.
O dia havia acabado, mas a lua estava alta naquele dia, e a floresta não era muito densa, portanto ele conseguia ver bem aonde estava indo, sua caçada o levou a perseguir um cervo, um grande e veloz cervo, que escapou de suas flechas várias vezes, finalmente quando as horas de caçada estavam começando a cansá-lo, Jim se escondeu atrás de uma moita a uma distãncia curta de seu alvo, preparou sua flecha, e acertou.
Comemorando seu triunfo, Jim correu até o cervo e se preparava para levá-lo quando notou uma coisa estranha, não havia uma flecha no corpo dele e sim duas, mas ele entendeu tudo quando a dona daquela segunda flecha apareceu.
Era uma elfa do dia, mas era uma criança, seus olhos eram de um azul-brilhante e sua pele era clara, quase pálida, fazendo contraste com seu cabelos negros, carregava apenas uma aldrava e um fardo de suprimentos. Jim não sabia disso mas aquilo que ele via era muito raro, pois os elfos do dia em geral não eram permitidos a sair de seus domínios antes da maturidade, aquela elfa em particular havia fugido.
- Essa... caça é minha - falou a elfa com uma voz calma.
- De jeito nenhum, estive atrás desse negócio a tarde toda, e tá vendo isso aqui? - ele mostrou as flechas - acertamos esse cara ao mesmo tempo.
- Mas... eu preciso dessa carne.
Jim abria a boca para retrucar, mas fechou de novo quando viu o que estava atrás dela, era um Nesdemoor, um monstro árvore.
Ela também percebeu, e se virou sacando o arco, mas antes que conseguisse disparar sequer uma flecha, um galho veio velozmente e a acertou do lado do corpo, e um outro puxou-a para perto da árvore deixando sua aldrava cair.
Jim pensou rápido, e pegou uma das flechas da elfa colocando-a em seu próprio arco, ao mesmo tempo em que notava que ela era estranhamente avermelhada.
- Pare... você deve fugir...
Jim disparou a flecha que explodiu em chamas ao tocar a árvore, a qual soltou um grito horrível de agonia largando a elfa, ela caiu e rolou para perto das flechas e então rápida como um raio virou-se e disparou três daquelas flechas contra o Nesdemoor, as flechas explodiram ainda mais fortes que a primeira e soltando outro grito de rachar os ouvidos o Nesdemoor finalmente pereceu.
Virando-se para Jim a elfa falou:
- Obrigado... você me salvou.
- Não se preocupe - disse Jim - eu sou Jim, e você?
- Meu nome... é Sara.
- O que são essas flechas, Sara? - Jim estava realmente curioso.
- São flechas... que eu encantei... só pode... usar elas... se possuir... poder mágico.
Jim notou a maneira estranha com que Sara falava, cheia de pausas, como se não estivesse acostumada. Mas havia algo mais importante para perguntar.
- Eu tenho... poder mágico?
- Sim... mas é... fraco.
Jim já havia imaginado.
- Eu estou... em dívida... com você... nos encontraremos... de novo.
E sem dizer mais nenhuma palavra ela se foi.
Jim pensou no que havia acontecido durante toda a volta para casa, e ao chegar encontrou o pai esperando.
- E então, onde está a carne?
Jim colocou a mão na cabeça, ele havia esquecido o cervo na floresta! Ele tentou explicar isso para o pai que o calou dizendo:
- Não se preocupe, você pode se redimir amanhã na missão.
E partiu, deixando Jim atônito.

3

Jim estava novamente ansioso, finalmente seu pai iria aceitá-lo como um guerreiro do grupo, ele ia agora conhecer os três generais, que eram os líderes dos esquadrões. Ele havia ouvido dizer que cada um deles era muito imponente, e a mera visão de um deles causava terror nos adversários.
Chegou no campo e falou com o pai que o mostrou três guerreiros, e ele não se decepcionou.
A general do esquadrão dos lobos era Metar, uma loba imensa e negra, ela era maior do que um urso normal, e o esquadrão de seus guerreiros era conhecido como presas vermelhas, devido ao sangue dos inimigos derrotados que cobria seus dentes no campo de batalha, ela chegou perto dele e apoiou suas patas dianteiras em seus ombros, quase derrubando-o, ele se esforçou para encará-la apesar do medo que estava sentindo, finalmente ela desceu, e se afastou murmurando algumas palavras.
A general do esquadrão da vanguarda era Lamia, ela era uma elfa da noite, sua pele era escura, arroxeada, e seus olhos eram brancos, de cada lado do corpo estava um machado de guerra de duas mãos, e ela era conhecida por usar os dois machados ao mesmo tempo, e ser uma guerreira feroz.
O general do esquadrão de arqueiros era Loto, ele era um goblin, mas era maior do que a maioria dos goblins, ele carregava uma besta negra, cheia de protuberâncias afiadas, era uma arma assustadora, e suas flechas eram igualmente assustadoras, ele apenas se inclinou na direção de Jim e deu o cumprimento por encerrado.
Em seguida seu pai falou:
- Seja bem vindo ao grupo dos mercenários.
Depois dessa curta recepção o pai o chamou para um canto e falou:
- Jim, sua primeira missão vai ser especial, tanto que você só vai ter um companheiro nela.
- Como assim?
- É o seguinte, vocês devem fazer a escolta de uma menina humana até a cidade, é que os pais dela são supersticiosos, e por causa de uma xícara que quebrou eles acham que vai acontecer alguma coisa com a filha deles, não devem ter problema nenhum, mas só por precaução, um guerreiro mais experiente vai acompanhar vocês a distância.
- Se é assim, por que ele não vêm junto?
- É que essa menina não gosta de adultos desconhecidos, portanto vamos mandar vocês que são crianças ainda.
- E quem vai ser o meu companheiro?
- Esse vai ser um caso especial, é um garoto da sua idade que acabou de entrar nos mercenários também, mas nunca mostrou grande habilidade para lutar.
Terminadas as explicações Jim encontrou com o seu parceiro, era um garoto mais baixo que ele, com os olhos e cabelos escuros, Jim reparou que as mão dele estavam cheias de ferimentos, então devia ter tido muito trabalho para aprender a usar aquela maça que carregava, ele se apresentou como Bill.
Enquanto viajavam para encontrar a menina conversaram sobre várias coisas, e foi numa dessas conversas que Jim descobriu o motivo dele ter se ferido tanto tentando aprender a lutar.
- Sabe, eu nunca quis realmente lutar para os mercenários.
- Sério?
- É, na verdade eu tenho medo de lutar.
- Então, o que você quer fazer da vida?
- Meu sonho é ser um bardo, e contar aventuras incríveis para as multidões delirantes.
- E eu sempre quis substituir o meu pai como comandante do grupo.
- É bem possível que consiga.
- Eu espero.
Eles viajaram por vastas planícies em seus cavalos, passando por paisagens exuberantes e estranhas, e no geral foi uma viagem tranquila até o templo em que a menina estava, e eles não viram o tal "guerreiro" nem uma vez, ele devia mesmo ser bom.
Após rápidas apresentações eles pegaram a menina e começaram a viagem até a cidade, o nome dela era Mara, ela tinha 7 anos e cabelo verde, além disso também usava grossas luvas negras. O resto das vestimentas dela eram normais.
Quase toda a viagem de volta transcorreu do mesmo modo que a de ida. Com exceção da presença da Mara, que apesar de ser criança nunca reclamava de dor nos pés ou fome, os dois gostaram imediatamente dela por conta disso, e conversavam sobre muitas coisas.
Quando estavam a um dia de viagem da cidade acamparam em uma clareira no meio da floresta e estavam treinando arco e flecha enquanto Mara dormia, até que um deles acabou voando longe demais, e acertando uma quimera que dormia.
Ela quebrou algumas árvores e voou na direção deles, Jim tentou afastá-la com a lança, mas foi lançado longe por uma das patas poderosas da quimera, o mesmo aconteceu com Bill, que ainda gritou:
- É por isso que eu não gosto de lutar!
E é por isso que se diz que nunca se deve perturbar uma quimera adormecida.
Mas saindo das sombras apareceu aquele guerreiro, ele era meio humano, meio monstro, portanto devia ser um bestial, ele usava uma alabarda e corajosamente atacou a quimera, ferindo-a, mas a coragem não adiantou, e ele acabou sendo mordido pelas duas bocas da quimera, foi lançado longe com o pescoço quebrado e sua alabarda caiu em cima da pequena Mara acordando-a.
Levantando-se ela esfregou os olhos.
- O que está havendo?
- Cuidado! - gritou Jim.
E então ela viu a quimera a sua frente.
- Droga, eu estava tentando dormir.
E ela fechou os punhos, que pegaram fogo, ela lançou esse fogo contra a quimera, torrando-a em poucos segundos. E é por isso que se diz que nunca se deve perturbar uma menininha adormecida.
Chegando perto dela, tanto Bill quanto Jim tentavam perguntar como ela tinha feito aquilo, tentavam, mas gaguejavam demais para conseguir formular uma frase inteira, mas ela entendeu e falou:
- Ora, eu sou uma guerreira do fogo, vocês não sabiam?
Ela havia falado que estava treinando num dos templos no continente de Seralí, e eles nunca haviam imaginado que era esse tipo de treinamento. Mas isso encerrou a questão, o guerreiro foi enterrado e o resto da viagem transcorreu sem problemas.

4

Depois daquela missão seguiram-se muitas outras, e em cada uma delas, Jim se destacava, embora muitas fossem verdadeiras guerras, ele superava todos os desafios que lhe eram lançados, e logo se espalhou um rumor sobre o pequeno lanceiro do grupo de mercenários, ele era temido até pelos adultos.
Mas embora fora do grupo de mercenários, sua capacidade fosse reconhecida, dentro deles ele ainda era tratado apenas como um garoto.
Um dia Jim andava pelo campo quando ouviu dois mercenários conversando.
- Estou dizendo, a lança que ele usa é mágica.
- Têm certeza?
- Tenho, esse é o único motivo pra ele lutar tão bem, tudo isso porque é filho do chefe.
Jim se intrometeu dizendo:
- Se você realmente acha que eu tenho alguma vantagem, então que tal um duelo? Vamos usar espadas comuns para não haver reclamações.
O homem tolamente aceitou o desafio, certo de que venceria. Jim mediu o peso da espada enquanto se afastava dez passos do seu adversário, ela era uma espada leve de uma só mão.
Uma multidão tinha vindo assistir ao duelo, Jim conseguia ouvir gente fazendo apostas lá perto, isso sempre acontecia quando alguém estava duelando, mas acabava com a concentração dele, Jim respirou fundo e removeu as distrações da mente, em pouco tempo ele sequer ouvia o barulho da platéia.
A luta começou, Jim deu uma sequência de golpes rápidos, o adversário era habilidoso, e defendeu todos eles, mas falhou em perceber que só estava sendo analisado, portanto quando viu uma brecha desceu a espada com força, Jim defendeu o ataque, e o adversário forçou o golpe para baixo, então Jim girou sua própria espada como um pião, lançando assim a espada adversária para longe.
Antes que ele pudesse perceber o que havia acontecido a espada de Jim já estava apertada contra a sua garganta.
- Que isso sirva de lição - disse Jim - não me subestime.
E virou as costas saindo do campo.
Algum tempo depois daquele duelo, o grupo de mercenários foi chamado para ajudar a sufocar uma revolta de escravos, Jim aceitou isso como sempre aceitava quando alguma missão ia de encontro com a sua moral interior, ele repetia para si mesmo que o que importava era a missão, e não o objetivo dela. Os outros faziam a mesma coisa, lembrando-se de que eram mercenários e não podiam escolher missões, essa era a única maneira de conseguir comer.
O chefe explicava como a missão seria:
- Esses escravos estão bem armados e desesperados. O líder deles é esse homem.
E ele mostrou uma imagem num quadro, era um quadro especial que podia mostrar várias imagens diferentes, e dessa vez mostrava um homem, ele parecia ter algo como 30 anos, e seu olhar era feroz, como o de um animal que ficou muito tempo enjaulado, seus cabelos eram loiros, e seus olhos eram azuis.
- Ele se chama Benji, e parece ser muito bom em táticas, pois eles estão nos esperando em um lugar fechado que pode ser defendido facilmente. Outra pessoa que nós devemos ficar de olho é essa.
Dessa vez ele mostrou uma garota, da mesma idade que Jim, seu olhar era ainda mais feroz que o do pai, seus olhos eram vermelhos e os cabelos também.
- Essa é Bruna, a filha de Benji, ela pode não parecer, mas é incrivelmente forte, para lutar ela usa uma marreta que é maior que ela própria e extremamente pesada, se você for atingido por ela, acabou. Nossos contratantes pedem para capturá-la viva se possível.
Os mercenários assentiram, e como tudo estava terminado, eles foram para suas respectivas tendas, alguns rezaram para as divindades em que acreditavam, outros começaram a polir as armas, outros ainda pensaram na família, mas cada um deles tinha um ritual para acabar com a ansiedade antes de uma batalha, e então eles foram.
Os guerreiros revolucionários haviam formado um perímetro ao redor de uma imensa construção, que devia servir para estocar suprimentos, os mercenários avançaram em formação, e flechas voaram das janelas do armazém chovendo em cima deles, mas isso não seria o bastante para pará-los, eles eram guerreiros experientes e não quebraram a formação, alcançando o perímetro inimigo e atacando.
Aquela foi uma batalha de atrição, Jim percebeu a determinação dos adversários quando eles se recusaram a recuar mesmo com os generais atacando fortemente, os dois lados tinham baixas, mas após algum tempo a experiência dos mercenários começou a fazer a diferença, com eles empurrando os inimigos cada vez mais para trás. Foi aí que aconteceu.
Quando ele a viu ela estava acertando três de seus companheiros ao mesmo tempo, ela era a garota, e seus olhos faiscavam de um jeito que aquela imagem não mostrava, ela não era muito alta, e usava uma marreta que tinha duas vezes o seu tamanho, suas mãos eram grossas, sinal de trabalho duro, e para suportar tamanho peso, ela deveria ser forte como um lobo, mas seus braços finos certamente não pareciam mostrar isso.
Para evitar que ela continuasse atacando seus companheiros, a formação abriu um espaço no centro, para que Jim e Bruna duelassem. Girando a lança, ele desferiu vários golpes que a garota defendeu habilmente com a marreta, contra-atacando facilmente, depois os dois tomaram distância um do outro e então Jim perguntou, pois era o costume dos duelos, apesar de já saber:
- Você luta muito bem, qual é o seu nome?
- Meu nome é Bruna! Eu sou a escrava, filha do chefe da revolução! E eu vou te derrotar!
- E o meu nome é Jim! Filho do chefe do bando de mercenários Cachorro Branco! E eu não serei derrotado!
E os dois voltaram a se engalfinhar, enquanto a luta se tornava cada vez mais intensa, aquele embate, golpe após golpe, suas forças eram iguais, e o primeiro que cometesse um erro perderia.
O primeiro erro da luta acabou sendo cometido por Bruna que depois de um golpe violento não puxou a marreta rápido o bastante, permitindo a Jim atingi-la com um golpe no estômago usando o cabo da lança,o que a deixou desacordada. Olhando ao redor Jim viu que os mercenários haviam vencido, a batalha estava terminada. Mas mal sabia Jim que aquela luta havia definido seu futuro.

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