sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O Mago e a Vampira: Capítulo 3 - A Mansão de la Vallière

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Aquela mansão era o sonho negro de todos os produtores de filmes de terror. Parecia que alguém tinha passado a vida inteira visitando os pesadelos de todas as pessoas no mundo e reunido todos eles para criar o design daquela mansão.
Os cantos eram agressivos e pareciam afiados, as colunas lembravam pernas de aranha, as janelas pareciam olhos encarando todos que olhavam para elas.
O esquema de cores lembrava sangue, morte e decomposição. As gárgulas decorativas pareciam estar prestes a criar vida a qualquer momento, e elas não eram gárgulas do tipo bonzinho.
Os diversos arranjos e decorações criavam locais de sombra que pareciam esconder todos os tipos de criaturas malignas. E o jogo de sombras fazia com que elas parecessem se mover sempre que ficavam no canto da visão.
E finalmente, como um golpe final em alguém que já foi esfaqueado 37 vezes, o portal da entrada parecia uma guilhotina, e a porta era fechada com correntes.
Vendo tudo aquilo, Vítor só teve uma reação:
- Agora eu sei por que ninguém queria vir pra cá. Eu não ficaria surpreso se uma nuvem negra aparecesse de repente e...
O céu, como se estivesse dizendo "Por que eu não pensei nisso?", ficou imediatamente nublado, e isso deixou a mansão ainda mais assustadora, se é que isso era possível.
- Eu tinha que abrir a minha boca...
Crack.
Esse era o som do cavalo quebrando os arreios.
Clop clop clop.
Esse era o som do cavalo fugindo.
Tchuuuuuuuu.
Esse era o som do cavalo tomando chá.
Tinha alguma coisa errada com esse último, mas Vítor não percebeu isso, pois ele estava muito ocupado lamentando o fato de que teria que carregar a carroça pelo resto do caminho. Porém, ele se recuperou rápido, e decidiu que isso era apenas mais um obstáculo que tinha que atravessar.
Vítor puxou a carroça por todo o resto do caminho, quando ele finalmente chegou, percebeu que a campainha, que estivera anteriormente escondida por uma sombra, era um mecanismo em que se tinha que enfiar a mão para operar, e esse mecanismo obviamente tinha a forma de uma boca.
Isso deteve Vítor por pouco tempo, logo ele reuniu coragem, colocou a mão e tocou a campainha. E como Vítor previu, o som da campainha parecia a lamentação de almas torturadas. Tinha-se que admirar a dedicação de quem construíu essa mansão.
Dois minutos depois, a porta abriu, e com isso eu quero dizer que as correntes lentamente se moveram para fora do caminho da porta, deslizando como cobras, antes da porta em si abrir com um ranger que lembrava uma serra elétrica.
Quem atendeu a porta foi uma pequena garota, ela usava um vestido vermelho que parecia uma cruza entre um pijama, um jaleco, uma roupa em estilo lolita gótica e uma roupa de serial killer. A garota parecia ter dez anos e tinha cabelos roxos e olhos azuis.
Vendo aquela aberração que de algum modo caía bem nela, Vítor não teve dúvidas:
- Olá, foi você que projetou essa mansão, não é?
Ela deu um sorriso que teria feito um homem mais fraco que o Vítor sair correndo atrás de sua mãe. Realmente não haviam dúvidas.
- Sim. Por quê?
- Você não estaria interessada em fazer projetos para parques de diversões?
- Qual a razão dessa oferta súbita?
- É que eu fui na Terra da Emoção uma vez, e a casa assombrada deles não era realmente assustadora, então eu pensei que você poderia ganhar um bom dinheiro pra projetar uma melhor. O que me diz? Eu conheço alguém que conhece alguém.
- Hmm... eu vou pensar nisso. Foi só pra isso que você veio aqui?
- Não, na verdade eu vim trazer os suprimentos do mês, mas quando eu vi a mansão eu decidi fazer essa proposta.
-Ah, certo.
E então ela fez... alguma coisa. Mesmo com sua experiência com fenômenos estranhos Vítor não conseguiu entender o que tinha acontecido. Os suprimentos que estavam na carroça começaram a dançar, mudar de cor, girar e voaram para dentro da mansão. A única coisa que Vítor conseguia dizer com certeza era que aquilo definitivamente não era magia.
- Você não é um dos entregadores normais. Qual a verdadeira razão de você ter vindo aqui?
- Você me pegou. Na verdade eu vim falar com a Lúcia.
- Falar sobre o quê?
- Não sei. Vou pensar em alguma coisa quando ver ela.
- É sério que você vai entrar aqui sem um plano?
- Se você planejar demais, a vida acabará passando diante dos seus olhos.
- Ha! Eu gosto de você. Pode entrar. Meu nome é Kogasa de la Vallière, e essa é a Mansão de la Vallière, minha obra prima.
- Eu sou Vítor Lee.
- Ah, parte da família Lee.
- Você conhece?
- Todo mundo conhece algum Lee, eles estão em todos os lugares, parecem até ratos que sabem fazer magia.
No momento, Vítor tinha entrado e estava seguindo Kogasa para dentro da mansão. que era inesperadamente aconchegante. Chão de mogno, paredes amarelas, estantes de livros e um belo carpete. A única coisa que não contribuía com essa imagem era a imensa quantidade de intenção assassina vinda do porão, como se estivessem cultivando serial killers lá em baixo. Bem, todo mundo tinha segredos, Vítor supunha.
Ah, eu esqueci de continuar a conversa! Vamos voltar ao foco.
- Bem... o fundador da nossa família estava vivo nos tempos da grande batalha contra Kali... então nós somos antigos o bastante pra ter nos espalhado muito.
- Exatamente.
Nesse ponto, eles finalmente chegaram no local onde Lúcia estava depois de passar por uma porta de madeira lindamente trabalhada.
Lúcia estava lendo um livro na sala de estar, sentada em um sofá vermelho confortável, Vítor novamente ficou sem fala por um momento ao ver a beleza dela.
Ela percebeu a entrada deles.
- Ah, olá Vítor. Parece que nós nos encontramos mais rápido do que eu tinha imaginado.
- É, realmente.
- Lúcia, então você conhecia ele? Ele disse que podia me ajudar a entrar no mercado de projetar casas assombradas para parques de diversão.
- É sério isso?
- Sim. Como eu disse, eu conheço um cara que conhece um cara. Mas podemos falar disso depois. Lúcia, eu tenho uma proposta pra você!
Ele tinha se decidido.
- Que proposta?
- Você quer ir comigo explorar as ruínas de Alderaban?

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Um comentário:

  1. Cara, eu preciso tirar a Letícia da cabeça, eu só consigo ver ela no lugar da Lúcia. E o Vítor na minha mente parece o meu primo.

    Ri das nuvens e do porão.

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