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11/02/00
A empresa Konitech era definitivamente uma das maiores jogadoras no mercado de ações nos últimos tempos. Eles eram uma empresa de segurança que fornecia todos os tipos de serviços, de ambos os lados da lei.
A organização da empresa era muito segmentada, e esse era o maior segredo de seu sucesso, pois a independência de cada setor tinha diminuido muito a quantidade de burocracia, aumentando a eficiência.
E esse sucesso podia ser visto no prédio que era a base principal da empresa. Ele tinha apenas sete andares, mas a sua área era quatro vezes maior que os prédios normais. A pedra pura que formava a maior parte do prédio não tinha nenhuma marca, era completamente lisa, sinal da habilidade dos artesãos que a haviam encantado para assumir aquela forma.
As janelas pareciam vidro comum, mas na verdade eram de um tipo especial que filtrava a luz excessiva e evitava reflexos distrativos, uma magia altamente especializada. Um praticante das artes místicas que observasse o prédio podia ver que ele estava repleto de feitiços de defesa e alarme, sendo o mais bem defendido em toda a região ao redor.
Tudo isso custava muito dinheiro, e mostrava que a empresa possuía recursos, e os membros de alto nível eram provavelmente ricos, mas nada disso tinha qualquer significado para aquela que iria entrar lá naquela noite.
Era uma garota. Pelo tamanho e forma corporal, ela tinha a idade próxima a 10 anos, mas os olhos contrariavam essa impressão, eles definitivamente não pertenciam a uma jovem, e desafiavam qualquer descrição simples.
O melhor que se podia dizer é que eles eram lindos, mas não pareciam humanos. A cor deles era um azul tão profundo que fazia todos os outros azuis parecerem sombras em comparação. Eram olhos que não podiam ser surpreendidos por nada, e olhos que não buscavam nada, pois eles já haviam encontrado seu objetivo, que era a missão.
O resto do corpo também era diferente do normal, o que quer dizer que era perfeito, não havia sequer uma marca em toda a pele dela. Ela parecia uma boneca, mas o maior artesão de bonecas da história precisaria trabalhar durante uma vida inteira para criar algo que se aproximasse da beleza daquela garota. O rosto, as mãos e até o cabelo dourado que chegava aos ombros. Era uma obra de arte, e era terrivelmente perturbador vê-la viva e se movendo.
O corpo dela era coberto por uma capa, que deixava ver apenas o rosto e as mãos. Essa capa era negra como o abismo e se assemelhava a capa usada por certas imagens da personificação da morte, essa impressão era reforçada pela longa foice que a garota trazia, que parecia ser mortal em suas mãos.
Ela tinha passado os últimos minutos observando o prédio silenciosamente, mas de repente, como se tivesse recebido uma mensagem invisível, ela avançou. Ela avançou a uma velocidade que os maiores corredores sonhavam em alcançar, chegando na porta, ela deu um golpe com a foice sem sequer diminuir a velocidade. A porta foi destruída, abrindo uma passagem para a garota entrar.
Obviamente, os alarmes dispararam imediatamente, a garota avançou direto para as escadas, sem dar atenção a eles. As defesas automáticas se ativaram e atacaram a intrusa com força máxima. Mas com um golpe da foice, elas foram aniquiladas.
A garota continuou subindo as escadas, enquanto os sistemas de defesa continuavam atacando repetidamente, mas eles eram como moscas tentando deter um tanque. Os sistemas de previsão lógica perceberam que o alvo dela era o último andar. Isso era ruim, pois lá em cima estava o presidente da Konitech, Mark Holloway. Ele estava apreensivo, pois nada assim tinha acontecido antes. Seu guarda-costas falou para ele ficar na sala e saíu para confrontar a intrusa.
O nome do guarda-costas era Bruno Dolohov, ele tinha começado sua carreira como lutador profissional do circuito Magi, mas suas habilidades haviam atraído a atenção do serviço secreto. Ele se juntou a eles e recebeu um enorme treinamento, para depois cumprir várias missões, tendo conseguido eventualmente uma boa dispensa. Depois disso, ele começou a usar seus talentos como um guarda-costas de luxo, e mesmo quando chegava perto dos 50 anos, suas habilidades não haviam diminuído.
Ele ativou um círculo de magia que havia gravado no chão anteriormente, o campo mágico resultante cobriria todo o andar, e avisaria ele de tudo o que acontecesse naquele espaço, fora isso também quebraria qualquer mágica que o oponente tentasse usar, ou pelo menos diminuiria consideravelmente sua força. Finalmente, o último efeito tornava os ataques de Bruno nessa área mais efetivos. Aquela era a melhor magia dele. Lugar de Poder - Pompéia.
Mesmo com aquele campo no lugar, Bruno era experiente demais para subestimar sua adversária, pois ela tinha conseguido atravessar as defesas do prédio como se elas nem estivessem lá. Então Bruno aproveitou-se dos segundos que restavam para tirar a bala do colar e carregá-la em sua pistola.
A pistola era uma MG97 Evelyn, a mais avançada no mercado. Era um artefato místico, uma pistola que facilitava a infusão de poder mágico nas balas. Mas nesse caso, a bala era a coisa mais importante. Era uma bala especial e severamente controlada, o nome técnico dela tinha 17 letras, mas ela era mais conhecida pelo apelido, "Rosa Diabólica". Ela era uma das munições mais destrutivas existentes. Além de ser feita de um material especialmente desenvolvido para receber a maior infusão possível de magia, ela também continha um mini-explosivo plástico auto-contido Aracne, que garantia a maior destruição no menor espaço possível. Como se isso não fosse o bastante, também havia uma pequena explosão de energia psíquica contida dentro da bala, que seria liberada durante a explosão.
Bruno apontou a arma para a porta das escadas, de onde a intrusa apareceria, ele esperou até o momento certo, nervos a flor da pele, e então atirou. O tiro foi perfeito, voou e abriu-se a poucos centímetros da intrusa, com uma explosão ensurdecedora. Mas então aconteceu algo que Bruno nunca julgara ser possível.
Ela cortou a explosão, um golpe daquela foice e a maior parte da energia liberada simplesmente desapareceu, e de acordo com Pompéia, que ainda estava ativada, ela tinha feito isso sem usar qualquer tipo de magia, ou pelo menos nada que pudesse ser reconhecido. E pela primeira vez em muitos anos, Bruno soube o que era sentir o verdadeiro medo, pois ela olhou diretamente nos olhos dele. E ele percebeu que ela não estava olhando para ele como um humano, e sim como um simples obstáculo a ser removido. Ele tentou fugir, mas a intrusa cruzou a distância entre eles em um único instante, e com um golpe de foice, ceifou a vida dele.
Faltava pouco agora, ela destruíu a porta do escritório do presidente e parou pela primeira vez durante um instante, olhando seu alvo. Ele falou alguma coisa, algo sobre dinheiro e influência, mas não era importante. Ela levantou a foice, e com apenas um golpe, ceifou também a vida dele.
O nome da garota era Espectro, e sua missão estava completa.
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